você faz tudo de bobeira
entra na cena sem querer nada
voz arrastada, calmaria mineira
cara solteira, mas a mão já casada.
entra na vida pra ser figurante
num segundo instante já rouba o papel
um céu que cega num raio berrante
é príncipe ou sapo por baixo do véu?
contigo tive os dias mais lindos
incontáveis tipos de infatuação
no meu coração, é sempre bem-vindo
digo, só enquanto recebo atenção.
porque quando sai, o vazio é grande
e gigante é a dúvida que paira no tempo
sendo que já achei que nosso futuro brande
ainda é poético esse tal de silêncio?
quando volta, é como se nunca fosse
me trouxe as sílabas mais gentis
e ri com o sorriso mais doce
põe nos meus olhos um novo verniz.
estou fadada a esse círculo vicioso?
amoroso, cordial, indiferente
fala da gente e depois, temeroso
desaparece como um devaneio inconsciente.
quando te esqueço, vou muito bem
e nem me lembro do que fazia falta
mas com uma migalha o sentimento vem
e é como ignorar a maré mais alta.
a verdade é que eu sempre quis mais
do que você foi capaz de prover
a decisão é se o tanto que traz
é suficiente para aqui me manter.
se consigo levar numa boa
na proa, sem criar expectativas
cativa como você, à toa
sem abrir novas feridas.
enquanto não sei a resposta
te levo comigo como dá
mas, amigo, minha aposta
é de que temos mais história pra contar.