Não foi o ano ideal. Na verdade, muitos insistem (com alguma razão) que 2018 foi vários anos em um.
Pela primeira vez, escrevo no dia 30 e não 31, porque amanhã estarei ocupada vivendo. Não me lembro de alguma vez ter estado tão animada para a virada como estou agora.
Descrevi 2018 como amadurecimento, muito no sentido que crescer é ver seus heróis se tornando humanos. E, no meu caso, se tornando humanos que me decepcionaram.
Voltei para o meu lugar dos sonhos e foi o maior dos pesadelos. Minha faculdade dos sonhos mostrou-se nem céu nem inferno, mas sim, apenas mais um pedaço mundano de mediocridade.
Sair do ensino médio não me salvou, mas eu não voltaria nem pensar. Se 2017 foi um ano de excessos, 2018 foi o ano de aproveitar. Um aproveitamento que envolveu controlar vícios e, no limite, entender e aceitar meus limites como algo que não me diminui. Substituí a jornada em busca de tudo pela jornada por autoconhecimento. Não quero ser “a mais” nada, só quero ser no nível que me convenha.
Passei mais tempo longe de casa do que dentro, conheci novos lugares e acidentalmente ganhei um segundo lar.
A saúde pesou. Termino o ano com preocupações físicas, além da cruzada psicológica de sempre. A ansiedade me cobrou muito. Parece estar cada dia mais difícil atender suas expectativas.
Adentrei mais na militância. Conheci pessoas (e, em especial, mulheres) dedicadas a mudar o que não podem aceitar. Hoje sou presidente do Centro Acadêmico e me exausto tentando garantir que as ingressantes de 2019 tenham, no mínimo, mais suporte do que eu e minhas colegas tivemos.
Fiz extensão popular. Tentei sair da alucinação alienada que é a academia. Não senti que aprendi nada que pudesse ser transmitido. Conhecimento tem valor se não é passível de transformação?
Senti minha evolução enorme no tênis de mesa, apesar de não ter conquistado meu objetivo final.
Conquistei amizades improváveis ao mesmo tempo que sofro com afastamentos que não previ. Criei um amor intenso por Foster The People. Mantive meu amor intenso por shows. Virei uma grande sommelier de caipirinhas.
O ano trouxe experiências adultas, além das decepções: comecei a ganhar meu próprio dinheiro, aprendi a dirigir, planejei duas viagens, chorei na fila do banco.
Chorei, chorei, chorei. Descontroles hormonais? Transtorno psicológico? Puro drama? Não sabemos.
O moço com cachos e uma família legal veio. Não há como mentir: ele foi e é o brilho do meu ano. Eu não mudaria uma coisa sequer, porque foi o meu conjunto duvidável de decisões que me trouxe para esse beijo à meia noite. E que beijo vai ser!
Termino o ano com uma foto nossa na carteira. 2019 tem um senso agridoce de continuidade: a parte doce é saber que não o inicio sozinha.