eu tenho medo, amor
eu tenho medo de um dia não te chamar mais de “amor”
tenho medo de um dia a gente se ver
e não se olhar mais de verdade.
tenho medo de a gente não se valorizar
ou de mudarmos demais
e não mudar junto
medo de a gente mudar pra longe
mudar pra sempre.
eu quero congelar o tempo
no momento em que estamos abraçados
e parece que eu vou implodir de amor
porque eu o sinto com tanta intensidade que não cabe em mim.
tenho medo de os elogios acabarem
e cairmos no marasmo
no “de sempre” em vez de “para sempre”.
eu tenho medo, amor
tenho medo de um dia não saber mais a sua cor favorita
de não ouvir mais as histórias constrangedoras da sua mãe
tenho medo de nunca provar a torta de bacalhau dela.
o cerne de tudo isso é que tenho medo
de um dia não estarmos mais tão felizes quanto estamos agora
medo de olhar para as fotos com um aperto no coração
medo de que o futuro me mostre juvenil demais.
eu tenho medo, amor
e seu cafuné traz a paz mundial à minha cabeça
mas como vou me reconfortar sobre a sua ausência
se meu único conforto é você?
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