“Você vai fazer vinte anos”, digo
como se fosse o acontecimento do século.
“Vinte! Isso deve dar uma crise existencial.”
“Nah”, você dá de ombros
como se eu tivesse perguntado
se você gosta de pistache.
“Chega pra todos, né. Não tem por que surtar.”
e eu,
no meio do meu surto de dezoito,
queria entender de onde vem essa calma.
como se lesse meus pensamentos
você diz:
“É que nem quando fiz dezoito, foi de boa
também.”
“Ah, eu tive uma crise de dezoito
ainda estou tendo
na verdade.”
“Por quê?”
“Bom, pra começar,
eu posso ser presa.
Isso é assustador!”
você me abraça e solta um sorriso entretido.
“É, você pode, mesmo.”
continuo te contando
dos meus medos irracionais
e você faz o melhor cafuné do mundo.
eu já te disse isso?
você faz o melhor cafuné do mundo.
é o perfeito mecanismo antissurto
não sei nem como você não surta
sem o seu cafuné.
“Tudo tem seu tempo”, você filosofa
com a sua sabedoria regida pela terra.
e eu, filha do ar,
só consigo sentir que temos todo o tempo do mundo.
como se fosse o acontecimento do século.
“Vinte! Isso deve dar uma crise existencial.”
“Nah”, você dá de ombros
como se eu tivesse perguntado
se você gosta de pistache.
“Chega pra todos, né. Não tem por que surtar.”
e eu,
no meio do meu surto de dezoito,
queria entender de onde vem essa calma.
como se lesse meus pensamentos
você diz:
“É que nem quando fiz dezoito, foi de boa
também.”
“Ah, eu tive uma crise de dezoito
ainda estou tendo
na verdade.”
“Por quê?”
“Bom, pra começar,
eu posso ser presa.
Isso é assustador!”
você me abraça e solta um sorriso entretido.
“É, você pode, mesmo.”
continuo te contando
dos meus medos irracionais
e você faz o melhor cafuné do mundo.
eu já te disse isso?
você faz o melhor cafuné do mundo.
é o perfeito mecanismo antissurto
não sei nem como você não surta
sem o seu cafuné.
“Tudo tem seu tempo”, você filosofa
com a sua sabedoria regida pela terra.
e eu, filha do ar,
só consigo sentir que temos todo o tempo do mundo.
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