domingo, 6 de maio de 2018

Maldito empirismo

Não consigo pensar no futuro sem pensar que nosso fim é inevitável. Acho que já estou sequelada demais para não pensar em tudo como temporário. Não sei quem vai cansar de quem, quem vai se mudar, quem vai ficar sem tempo pra gente, mas eu penso no futuro e penso que eventualmente você não vai ser mais meu contato mais frequente. Seu nome não vai mais aparecer direto quando eu abrir o WhatsApp.
E isso me traz uma tristeza tão grande que até quase acredito que nada disso vai acontecer. Mas o passado fala mais alto. Maldito empirismo! Nunca dura, nada nunca dura, experiência própria, confia em mim. Também não sei por que a gente não vai durar, mas infelizmente é assim que a banda toca. Sinto muito. Já vai preparando a playlist de término, nem me inclui nos seus próximos eventos para não correr risco de a gente se encontrar, pega todas as suas matérias eletivas em uns institutos nada a ver, sabe como é.
E a tristeza volta. Quando estamos sentados em algum lugar totalmente banal e desinteressante, contando histórias, eu arrumo seu cabelo para o lado certo, você solta um “ah é?”, e eu consigo ouvir o sorriso na sua voz, não há nada no universo que me motivaria a sair daqui.
Dizem que o tempo passa rápido quando se está onde quer estar, mas com você o tempo simplesmente para. Tudo em volta desaparece. Só existe a gente, naquele momento, sem passado, sem cicatrizes, sem nenhuma voz que fala por puro empirismo. O maior empirismo que existe é a paz que você me traz.
Não consigo pensar no futuro sem pensar que nosso fim é inevitável, mas você faz o “para sempre” ter gosto de presente.

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