terça-feira, 1 de maio de 2018

Exatamente seis

“a gente deveria sair daqui
porque a paulista reabre para os carros
às seis”
“ahã”
nenhum dos dois se mexe.

você faz cafuné no meu cabelo
eu observo um cara tocando violão na outra calçada.

o céu está lindo
tentei tirar foto dele
acabei tirando foto de você
(e quem disse que me arrependo?)

é um fim de tarde de domingo como todos deveriam ser
olho pra você e já sei que não vou chegar em casa na hora que planejei
“posso só morar aqui para sempre?”, tenho vontade de perguntar
estou tão feliz aqui.

você me pergunta que horas são
eu só vejo parcialmente o relógio do outro lado da avenida
“seis e alguma coisa”, respondo
você rebate que acha que são exatamente seis
“exatamente seis”, ecoo
exatamente seis”, você confirma
e diz que daria um belo poema.

exatamente seis
tomando sorvete
tirando sarro de caras com violões
você vive me dando ideia pra poema
será que algum dia eu te mostro algum?

não que algo nesse poema pudesse te surpreender
afinal, a cada dia junto,
minha escrita se torna mais descritiva
nossa poesia se escreve sozinha
conforme a vivemos.

exatamente seis
e nós dois.
sei que você é quem manja de matemática
mas essa equação eu faço questão de decifrar.

(ou talvez
possamos
decifrá-la
juntos?)

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