digo que já vou embora daqui a pouco
logo sua expressão se converge num exímio gato de botas
seu cabelo todo desarrumado
seus olhos grandes cheios de expectativa
quando você me pede para ficar mais um pouquinho, vai.
eu fico
é claro que fico
eu sempre fico.
quinze minutinhos se convertem em três horas
você faz cafuné
eu acaricio sua barba
e algo no jeito que conversamos
não apenas com os lábios
mas com olhares
e sorrisos
e toques
me dá vontade de chamar de amor.
sua mãe me pediu para cuidar de você
soltei um sorriso tímido e um “pode deixar”
mas a verdade é que é você que cuida de mim.
é você que percebe minhas nuances
me faz refletir sobre o que estou sentindo
não deixa que eu me feche na minha cabeça
minha autodestruição latente.
você enxerga o bem em mim
independentemente
até quando tento te convencer de que não sou
tão boa
assim.
te digo que de você eu sempre espero coisas boas
e você me abraça
amorosamente.
minhas barreiras vão voltar eventualmente
mas neste momento elas estão totalmente derrubadas
e eu, que nunca tenho certeza de nada
sei que nada de ruim poderia surgir
aqui
quando eu faço cafuné
e você acaricia minha bochecha
e ah, como eu quero chamar de amor!
mas essa certeza parece incabível aqui.
sua mãe me pediu para cuidar de você
espero que um dia ela se dê conta
de que nunca foi necessário pedir.