sábado, 16 de dezembro de 2017

Dia D (te ver)

duas semanas em absoluto pânico
ansiando o Dia D
dia de te ver, talvez
pela última vez.

motivo de felicidade tornou-se ânsia
entrei no salão lotado
e como mágica
ou hormônios
(ou amor)
meus olhos cravaram direto nos seus.

e lá ficaram.
trezentas pessoas
e você reluzia
todo arrumado
cabelo pro lado
um olhar gentil que não achei que veria mais.

e quando você me abraçou depois
um pedaço da minha alma morreu
aqui jaz eu
fruto de um amor triturado
e triturador.

mas eu sorri
plena
anos de teatro bem servidos
classe e segurança que só diplomata tem
nada naquele dia me afetaria
nem mesmo seu cheiro de lar
seu cabelo arrumado
seu sorriso raro
seus elogios convenientes.

por um momento ali
eu quase senti sua falta
odiei o fato de que seria nosso último encontro
você parecia tão sincero e eu só conseguia ser falsa.

o que não é tão ruim assim
você mesmo disse que sinceridade dói
nossos momentos bonitos só o foram porque não eram tão sinceros assim
(que nem você).

você me mandou mensagem depois
como se nada nada nada tivesse acontecido
mas aconteceu
a gente aconteceu
então pau no seu cu.

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