Todo ano escrevo um desses, em verso ou prosa, em música ou diálogo, em saudade ou esperança. Então, qual a grande lição de 2017? Como começar 2018?
Não falamos sobre 2018, porque 2018, pela primeira vez em minha breve existência, não existe ainda. Não sei o que será de 2018. Talvez esteja na faculdade dos meus sonhos, talvez acabe repensando o que seria a faculdade dos meus sonhos. Talvez acabe repensando o que é sonhar.
Em 2017, repensei o que é amar. Eis três palavras que definem a Gabriela de 2017: força, coragem e amor.
Nesse ano, eu ousei me jogar do precipício do amor no qual acreditava há uns anos. Eu me apaixonei e foi absolutamente lindo e absolutamente horrível. Eu me vi consertada e destruída repetidas vezes, eu tive meu último momento de amor adolescente: acreditei em palavras que se provaram não tão sinceras.
Entretanto, tudo bem. Eu aprendi que sou capaz de superar os amores errados, sou capaz de amar novamente. E amarei novamente. Porque, caralho, eu sou forte. E eu me basto. Ouvi desde “Meu Deus, como você tem sorte!” até “Se isso tivesse acontecido comigo, eu estaria trancado em casa há dias”.
Em 2017, eu ousei. Acho que mereço um tapinha nas costas por isso. Eu me posicionei, eu apareci, eu vivi. De oito a oitenta, de bêbada de amor a bêbada de Yakult com vodka, de Lollapalooza a festivais de rock nacional independente na Penha. Eu fiz o que queria fazer e ninguém nunca vai tirar isso de mim.
Vi o show da minha banda favorita com a minha melhor amiga. Enquanto Billie Joe Armstrong gritava enrolado em uma bandeira de arco-íris que o amor vence tudo e pau no cu do Trump, não havia lugar no mundo onde eu preferiria estar. No começo do ano, elegi “Still Breathing” como a minha música do ano, mas nunca imaginei que terminaria esse ano gritando-a no show ao vivo quase sendo arrastada para um mosh. Ainda estou respirando.
Começo 2018 sabendo que sobreviverei. Já diria All Time Low, vida longa aos imprudentes e aos corajosos. Acho que esses dois adjetivos são dois lados da mesma moeda. Tudo se baseia na ousadia de fazer o que é necessário para viver. Viver de verdade, respirar fundo, falar merda, defender alguém, fazer amigos, adotar gatinhos. É coragem quando vale a pena, é imprudência quando não vale (como quando, digamos, o seu namorado acaba se revelando um puta babaca).
Mas esse é o pulo do gato, não é? Nesses textos reflexivos de fim de ano, parece que tudo vale a pena. Isso quer dizer que vou responder à mensagem dele como se nada tivesse acontecido? É claro que não. Porque aconteceu. Essa é a beleza do fim do ano: é o que aconteceu. E talvez não nos beijemos na virada, mas isso não é mais determinante da minha felicidade (e nunca deveria ter sido, para início de conversa).
Comprei um piano. E estou usando óculos novos. Nunca gostei de usar óculos antes, mas agora parece que algo se encaixou, além do fato de meus olhos estarem de saco cheio das lentes de contato. Aprendi a tocar “New Year’s Day” (da Taylor Swift, não do U2, perdoe-me), o que me parece muito apropriado.
A vida continua. É incrível esse sentimento, esse movimento constante. Espero nunca sentir a completa estagnação. Caso isso aconteça, acho que vou ter que comprar mais um instrumento musical. Melhor do que arrumar outro namorado, não é?
2018 é o começo de algo. Consigo sentir. Você sente também? Você sente esse cheiro de revolução? OK, acho que minha alma anarquista sempre sente cheiro de revolução, mas essa é realmente tangível. Talvez seja completamente horrível, mas não será mais do mesmo. E, no fundo, ainda há uma centelha em mim que tem fé de que será o melhor ano de todos.
P.S.: Se no meio disso aparecer um namorado que não dá em cima de todo mundo e que tem uma família legal, considero um bônus do destino. De preferência, que o bônus venha com cachos e um sorriso bonito.
P.S.2: Meu lápis de olho preto continua firme e forte. Algumas coisas não mudam mesmo.