Sinto estar constantemente sentada esperando que o nada se transforme em algo. Infinitas aulas que se iniciam como expectativa e terminam como o fardo de serem apenas mais conhecimento desinteressante. No momento, sento à espera de alguém. Essa será a força exterior necessária para me retirar da inércia, ao que tudo indica. Sentei contigo em inércia até me dizeres que me amas. Por conseguinte, como continuar essa teoria de que é essencial algo externo para mover-nos? Terei eu induzido teu movimento? Transformei teu nada em três palavras? Segundo a Física (uma dessas aulas enfadonhas), a ação e a reação não podem estar no mesmo corpo, razão pela qual não te podes levantar puxando teus cabelos. Não obstante, somos ação ou reação? Sartre escreveu que não escolher é uma escolha, então será a inércia uma ilusão? Se eu me levantar agora, jamais poderei fazê-lo sem motivo. Haverá uma razão, nem que seja o desejo de me levantar. Estamos fadados a ter motivos, mas qual o motivo do meu silêncio? Vocalizaste teu amor, mas meu silêncio não foi desamor, juro-te. Pareceu tudo, menos uma escolha. Talvez teu movimento tenha induzido minha inércia, porém parece mesquinho culpar-te por algo assim. Quiçá foi apenas medo. Quiçá seja o medo o maior indutor de inércia.
Até aceito ter cedido ao temor, e se foi essa minha escolha, peço desculpas (mas não foi desamor).
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