domingo, 31 de dezembro de 2017

Considerações sobre 2017 (ainda estou respirando)

Todo ano escrevo um desses, em verso ou prosa, em música ou diálogo, em saudade ou esperança. Então, qual a grande lição de 2017? Como começar 2018?
Não falamos sobre 2018, porque 2018, pela primeira vez em minha breve existência, não existe ainda. Não sei o que será de 2018. Talvez esteja na faculdade dos meus sonhos, talvez acabe repensando o que seria a faculdade dos meus sonhos. Talvez acabe repensando o que é sonhar.
Em 2017, repensei o que é amar. Eis três palavras que definem a Gabriela de 2017: força, coragem e amor.
Nesse ano, eu ousei me jogar do precipício do amor no qual acreditava há uns anos. Eu me apaixonei e foi absolutamente lindo e absolutamente horrível. Eu me vi consertada e destruída repetidas vezes, eu tive meu último momento de amor adolescente: acreditei em palavras que se provaram não tão sinceras.
Entretanto, tudo bem. Eu aprendi que sou capaz de superar os amores errados, sou capaz de amar novamente. E amarei novamente. Porque, caralho, eu sou forte. E eu me basto. Ouvi desde “Meu Deus, como você tem sorte!” até “Se isso tivesse acontecido comigo, eu estaria trancado em casa há dias”.
Em 2017, eu ousei. Acho que mereço um tapinha nas costas por isso. Eu me posicionei, eu apareci, eu vivi. De oito a oitenta, de bêbada de amor a bêbada de Yakult com vodka, de Lollapalooza a festivais de rock nacional independente na Penha. Eu fiz o que queria fazer e ninguém nunca vai tirar isso de mim.
Vi o show da minha banda favorita com a minha melhor amiga. Enquanto Billie Joe Armstrong gritava enrolado em uma bandeira de arco-íris que o amor vence tudo e pau no cu do Trump, não havia lugar no mundo onde eu preferiria estar. No começo do ano, elegi “Still Breathing” como a minha música do ano, mas nunca imaginei que terminaria esse ano gritando-a no show ao vivo quase sendo arrastada para um mosh. Ainda estou respirando.
Começo 2018 sabendo que sobreviverei. Já diria All Time Low, vida longa aos imprudentes e aos corajosos. Acho que esses dois adjetivos são dois lados da mesma moeda. Tudo se baseia na ousadia de fazer o que é necessário para viver. Viver de verdade, respirar fundo, falar merda, defender alguém, fazer amigos, adotar gatinhos. É coragem quando vale a pena, é imprudência quando não vale (como quando, digamos, o seu namorado acaba se revelando um puta babaca).
Mas esse é o pulo do gato, não é? Nesses textos reflexivos de fim de ano, parece que tudo vale a pena. Isso quer dizer que vou responder à mensagem dele como se nada tivesse acontecido? É claro que não. Porque aconteceu. Essa é a beleza do fim do ano: é o que aconteceu. E talvez não nos beijemos na virada, mas isso não é mais determinante da minha felicidade (e nunca deveria ter sido, para início de conversa).
Comprei um piano. E estou usando óculos novos. Nunca gostei de usar óculos antes, mas agora parece que algo se encaixou, além do fato de meus olhos estarem de saco cheio das lentes de contato. Aprendi a tocar “New Year’s Day” (da Taylor Swift, não do U2, perdoe-me), o que me parece muito apropriado.
A vida continua. É incrível esse sentimento, esse movimento constante. Espero nunca sentir a completa estagnação. Caso isso aconteça, acho que vou ter que comprar mais um instrumento musical. Melhor do que arrumar outro namorado, não é?
2018 é o começo de algo. Consigo sentir. Você sente também? Você sente esse cheiro de revolução? OK, acho que minha alma anarquista sempre sente cheiro de revolução, mas essa é realmente tangível. Talvez seja completamente horrível, mas não será mais do mesmo. E, no fundo, ainda há uma centelha em mim que tem fé de que será o melhor ano de todos.
P.S.: Se no meio disso aparecer um namorado que não dá em cima de todo mundo e que tem uma família legal, considero um bônus do destino. De preferência, que o bônus venha com cachos e um sorriso bonito.
P.S.2: Meu lápis de olho preto continua firme e forte. Algumas coisas não mudam mesmo.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

E se?

Um ode ao ensino médio, a todas as pessoas importantes, baseado em “e se”.

e se eu não fosse canhota e não tivesse mudado de lugar?

e se você tivesse chegado atrasado no segundo dia de aula?
e se eu não estivesse lendo um livro?
e se aquele cara tivesse me dado corda?
e se não tivéssemos ido àquele aniversário?

e se tivessem criado um nível acima no inglês?
e se você não tivesse sentado na minha frente no segundo ano?
e se ele nunca tivesse feito aquela merda enorme e eu não tivesse te contado?

e se eu já conhecesse alguém no primeiro dia?
e se eu tivesse acabado em outro grupo no laboratório?
e se tivéssemos continuado na mesma sala?

e se eu tivesse insistido mais na nossa amizade?
e se eu não tivesse começado a namorar?
e se você não tivesse começado a namorar?

e se você não tivesse morado fora?
e se não tivéssemos sotaques estranhos?
e se não tivéssemos ido àquele show?

e se você não namorasse minhas amigas?

e se você não tivesse sido gentil no inglês?
e se você não namorasse aquele moço?
e se não tivéssemos ido ao congresso?
e se você almoçasse com pessoas diferentes?

e se eu não tivesse sentado perto da sua namorada?
e se eu fosse um gênio em física?

e se eu tivesse conseguido conversar contigo no ônibus?
e se não houvesse mais ninguém com quem conversar?
e se você não fosse apaixonada por ele?
e se você não me culpasse?
e se eu tivesse ido àquele show?

e se vocês dois se dessem bem enquanto estávamos juntos?
e se ninguém tivesse quebrado meu coração?
(e se só tivesse acontecido uma vez?)
e se não tivéssemos combinado de almoçar juntos aquele dia?

e se eu não tivesse ido àquela festa em março?
e se sua família fosse diferente?
e se eu tivesse te beijado ali?
e se eu nunca tivesse te beijado?
e se eu nunca tivesse ido assistir aos esportes?
e se eu não acreditasse quando você disse “eu te amo”?

e se meus amigos descessem para o pátio no intervalo?
e se tivéssemos nos conhecido antes?
e se você não bebesse?
e se ele tivesse te respondido mais rápido?
e se eu não tivesse ido falar com você?

e se minha mãe não se atrasasse?
e se seu pai não se atrasasse?
e se minha vida não fosse uma desgraça que rende muito assunto?

e se eu tivesse passado mal no dia da prova?
e se eu sequer tivesse me inscrito?
e se eu não ganhasse bolsa?
e se não fosse nesse colégio que eu entrei às sete da manhã com meus fones de ouvido retumbando Fifteen?

sábado, 16 de dezembro de 2017

Dia D (te ver)

duas semanas em absoluto pânico
ansiando o Dia D
dia de te ver, talvez
pela última vez.

motivo de felicidade tornou-se ânsia
entrei no salão lotado
e como mágica
ou hormônios
(ou amor)
meus olhos cravaram direto nos seus.

e lá ficaram.
trezentas pessoas
e você reluzia
todo arrumado
cabelo pro lado
um olhar gentil que não achei que veria mais.

e quando você me abraçou depois
um pedaço da minha alma morreu
aqui jaz eu
fruto de um amor triturado
e triturador.

mas eu sorri
plena
anos de teatro bem servidos
classe e segurança que só diplomata tem
nada naquele dia me afetaria
nem mesmo seu cheiro de lar
seu cabelo arrumado
seu sorriso raro
seus elogios convenientes.

por um momento ali
eu quase senti sua falta
odiei o fato de que seria nosso último encontro
você parecia tão sincero e eu só conseguia ser falsa.

o que não é tão ruim assim
você mesmo disse que sinceridade dói
nossos momentos bonitos só o foram porque não eram tão sinceros assim
(que nem você).

você me mandou mensagem depois
como se nada nada nada tivesse acontecido
mas aconteceu
a gente aconteceu
então pau no seu cu.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

A vida continua

nova foto de perfil
sorrindo
a vida continua.

fotos no Instagram de rolês com meus amigos
a vida continua.

músicas novas que nunca tiveram relação com você
a vida continua.

conhecer pessoas novas que nunca te conheceram
a vida continua.

pensar em outra pessoa com o mesmo nome ao ouvir o seu
a vida continua.

mudanças drásticas nos “contatos mais frequentes”
a vida continua.

talvez eu não tenha mesmo que apagar nossas fotos
em vez disso
vou soterrá-las com fotos melhores.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Perfeição

ele é fácil de se gostar
é simpático
conversa com o porteiro sobre a vida
sabe o nome das faxineiras
ele sabe fazer alguém se sentir especial.

ele foi feito para ser objeto de poema
ele encaixa em qualquer rima e métrica
seu nome harmoniza em qualquer ritmo
ele sabe dar o sorriso certo.

ele até te faz pensar que isso é evento astronômico
cometa raro, estrela cadente
ele sabe fazer alguém se sentir especial
mas não sabe tornar alguém especial.

ele transita pela vida como barato químico
efeito temporário de contínua dependência
conexão rara compartilhada entre ele
e todo o resto do universo.

quando ele diz “para sempre”
é impulsividade momentânea
é o momento que “o amor bate”.

e o amor?
quando ele diz “amor”
nada mais é do que o preenchimento momentâneo
das necessidades afetivas.

e se essa banalização emocional não te incomoda
se você consegue tratar “eu te amo” como “bom dia”
eu me compadecia com a sua causa
mas ele é muito fácil de se gostar.

e existe um limite psicológico
de quantas vezes alguém pode impulsivamente te dizer que você importa
até você começar a acreditar.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

O amor é um jogo

“vamos jogar?”
você lançou aquele sorriso de gato de Cheshire
mas você marcou as cartas
para garantir que sempre sairia por cima
nem que fosse pisando
por cima
de mim.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Ficção

nossa história foi tão perfeita
tão bonita
tão poética
que parecia exagero
uma grande farsa
pura ficção
você só esqueceu de me avisar
que era, mesmo.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Prestação de contas

no fim
você me rendeu
uns poemas bem bonitos
(que agora parecem totalmente vazios)
um colar
(mas eu te dei dois, então o saldo está em -1)
uma música
uns beijos
um esmalte
(que eu já tinha)
uns sorrisos
uma crise de choro
uns poemas bem tristes também
e um resquício
de esperança
que você
com muita disposição
e rapidez
exterminou.

Em choque

existe uma indiferença profunda no teu silêncio.
como um ruído de fundo
sobre o meu.

o meu silêncio é grito da alma
é a ausência completa de palavras
e se tu ouvisses bem de perto
podes reconhecer
os estilhaços da pedra em meu peito
a qual quebra como vidro fino
chocando-se.

tua frieza é como de um monte
e, em choque
procuro o ar rarefeito
dos resquícios de emoção
que ainda te têm como lar.

nada apaga da minha memória
tua transformação de chama em incêndio
de incêndio em cinzas
“do pó viemos”.

teu olhar insensível é um ovo
chocado
que não pode ser devolvido
ao seu estado anterior.

pensei que formávamos um belo omelete
mas éramos ingredientes excedentes
em choque.

A próxima (shiny young thing)

talvez você não me amasse
talvez você só amasse
estar apaixonado.

então, foram alguéns antes de mim
e fui eu
e é a próxima coisa
jovem
e brilhante
e aos seus pés
e será a que vier depois também
e depois
e depois.

até que eventualmente você se canse
ou fique velho
ou — quem sabe
encontre quem não te dê vontade
de encontrar outro brilho.

você foi essa pessoa pra mim
a que tira a graça dos outros
mas acho que só fui para você
the latest shiny young thing
até eu não ser
mais.

domingo, 19 de novembro de 2017

O que o amor faz

eu não posso tirar toda a sua dor
só porque te amo
quem dera
se fosse assim.

o amor não é a única variável
para a felicidade constante
até porque a felicidade constante
é uma falácia.

o que o amor faz
é andar de mãos dadas com você
durante as adversidades
e fazer o céu nublado
não parecer tão propenso à chuva assim.

você disse que seus braços foram feitos para me envolver
para que eu caiba em seu peito
ouvindo nossos corações
batendo
como
um.

e eu caibo
quase como um poema
que você não vai escrever
(talvez eu escreva por nós dois).

o que o amor faz
é um cafuné nas feridas
e talvez isso não as cure
mas o amor faz perceber
que nem eram feridas
tão graves assim.

o amor mostra
que ninguém está tão quebrado
enferrujado
velho
desiludido
quanto pensava.

você faz tanto cafuné
bagunça todo o meu cabelo
borra meu batom
desalinha meu sorriso
rouba meu suco
(e ainda reclama que é sempre de pêssego).

deixa eu retribuir um pouco
eu sei fazer cafuné também
(se for em você)
talvez eu bagunce sua vida
roube seu casaco
e suas batatas fritas
e uns beijos
e a sua atenção.

e talvez
no meio de tudo isso
as suas feridas não pareçam
tão graves assim
talvez sejam mais uma espinha
do que hematomas.

"eu te amo",
soltei na madrugada insone.
"é recíproco", você disse
como o fim
de um belo poema
que você não vai escrever
(mas que eu vou tentar
nem que seja pra te convencer
que você é bem mais poeta do que eu).

sábado, 11 de novembro de 2017

Amor

amor
é aquele abraço apertado
quando me solto em você
e rio do seu susto
"caralho, gabriela
para de cair"

eu te amo.

Talvez

talvez eu seja imatura demais
para um amor tão intenso
tão essencialmente
inexoravelmente
bom.

talvez eu tenha encontrado o paraíso cedo demais
e não consiga aceitá-lo como merecido
muito pelo contrário
eu o agarro pela perna e cravo as unhas
para evitar que seja tirado de mim
a
qualquer
momento.

e tu
que és tão essencial
e inexoravelmente
bom
não poderia ser nada
além de essencial
e inexoravelmente
bom
pra mim
também.

eu não sou de pedir
então espero que um olhar seja suficiente
para que fiques
talvez nem para sempre
talvez só por mais esse minuto
e o próximo
e o próximo
e tantos próximos que talvez não convenha mais
pensar em ir embora.

pra mim, amor sempre foi questão de
consertar
ou ser
consertada
mas tu me fazes sentir
como se não houvesse nada
para consertar
além da distância entre nós.


tu não me fazes melhor
tu enxergas o melhor em mim
e me deixas confortável
para revelá-lo a ti
não por insegurança
ou necessidade de me entregar totalmente
para não ser chutada do paraíso
mas sim
pois diante de algo tão intenso
tão essencialmente
inexoravelmente
bom
eu não poderia ser nada
além de essencialmente
e inexoravelmente
boa
também.

"You don't need to save me, but would you run away with me?
Yes." — "Call It What You Want", Taylor Swift

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Pardal (Você é tão cinza)

doeu
quando você desceu do céu?
uma ave de rapina
em um gesto tão cruel

você é um sonho
destruído ao anoitecer
um manipulador serial
deve se achar tão genial.

refrão:
você é tão cinza
não há grafite que desfaça
coração tão ranzinza
nossa manchete é só desgraça.
você é tão cinza
não há arco-íris que conserte
nem relógio que desperte
um pingo de compaixão.
(deviam por seu nome em um furacão)

seguiu
os tijolos amarelos?
me diz se um desejo
substitui os meus afetos.

na página número três
anunciaram a tragédia
meu nome do lado do seu
minha foto e três letras.

refrão:
você é tão cinza
não há grafite que desfaça
coração tão ranzinza
nossa manchete é só desgraça.
você é tão cinza
não há arco-íris que conserte
nem relógio que desperte
um pingo de compaixão.
(nem ouvir seu nome eu quero mais não)

ponte:
não há ressentimento
não há ressentimento
se repetir demais, as palavras perdem o efeito
não há ressentimento
há ressentimento

refrão:
você é tão cinza
não há grafite que desfaça
coração tão ranzinza
nossa manchete é só desgraça.
você é tão cinza
por mais que eu conserte
minha vida tão inerte
contra essa lama, não há sabão
(e você nem ousa vir pedir perdão)
(deviam por seu nome em um furacão)


outro:
o pequeno pardal
deu seu golpe fatal

domingo, 29 de outubro de 2017

Não sei se você já sentiu isso

não sei se você já sentiu isso
("não sei se você já sentiu isso"
esse é meu jeito de me sentir normal
de validar meus sentimentos
mas não sei se você já sentiu isso)
não sei se você já sentiu isso
mas toda vez que eu sinto algo
parece a primeira vez.
toda vez que sinto raiva
é como se eu nunca tivesse sentido raiva antes
como se, até esse momento,
eu nunca tivesse sido capaz de sentir
tão
profundamente.
cada ansiedade é a pior da minha vida
parece que estou piorando
ou dando mais validade ao estresse
cada tique nervoso, cada falta de ar
não consigo imaginar que eu já tenha sentido isso antes.
cada tristeza é um abismo
um novo degrau para o inferno
para a incerteza
para o esquecimento
assim também é o amor
eu o sinto e parece que nunca o senti antes
não tanto assim
não tão profundamente
e a razão para tudo isso, eu acho
é que esses sentimentos parecem tão intensos
que se tornam infinitos
e verdadeiros
e se algo é tão intenso
como pode acabar?
como pode ser substituído por outro amor
ou raiva
ou tristeza
a não ser que seja mais intenso e infinito e verdadeiro que o anterior?
eu olho para você como não me lembro de já ter olhado para alguém na vida
mas eu pensei isso sobre o último cara
(eu acho)
será que minha capacidade de amar cresce?
ou será que os sentimentos só são infinitos e verdadeiros naquele momento?
você diz que sempre tem uma hora do dia em que "bate o amor"
e as outras horas do dia?
e os outros dias?

e os outros amores?
eles caem no esquecimento por serem amores?
ou por não serem tão amores assim?

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Ele fitou o universo

ele fitou o universo
e o universo observou-o de volta
como velhos amigos conversando.

as infinitas possibilidades diárias
para um ser tão eclético
tão inconstante
tão seu.

abriu as portas da vida
e num baque surdo
foi atingido pelo caos exterior
que jamais condisse consigo.

ele é um dedilhado suave
é o céu perdendo-se no azul
é um toque singelo
uma declaração de amor.

ele fitou o universo
e o universo admirou-o de volta
pois ele também era um universo em si
não um mero átomo
mas todo um mundo de complexidade.

pragmático
o caos não o seduz
e ao caos ele é constantemente exposto
exigido
desestabilizado.

enquanto eu abraço as sombras
ele diz que eu sou luz
quando tenho certeza de que sou buraco negro.


ele fitou o universo
e me questionou se ele próprio é importante
talvez, se sua visão perceber meus olhos,
ele encontre refletido o universo que eu enxergo nele.

domingo, 24 de setembro de 2017

Epílogo

"você sempre vai ser a pessoa mais importante pra mim"
eu ainda consigo ouvir essa frase
na voz dele
que eu sequer ouço mais.
ele me abraçou
limpou o sal de meu rosto
e prometeu que não havia ressentimento.

descobri depois
que é isso que se fala
quando se acredita que não é permanente
você finge querer o bem da pessoa
pra ver se ela volta para você.

ela não volta.

começou com um afastamento
uma mentira aqui e ali
uma conversa a menos
um flerte a mais por aí
uma necessidade de fingir que nada mudou
quando o que mais mudou fomos nós mesmos.

ele parou de me contar sobre a família
me excluiu de umas redes sociais
eu virei o inimigo
mas é claro
que não
havia
ressentimento
não é?

hoje eu não sei mais
se a cor favorita dele ainda é vermelho
se ele ainda pede o mesmo café
quais músicas ele não ouve mais
porque o fazem pensar em mim.

mas ainda sei o aniversário dele
os jogos favoritos da irmã
qual risada é pra valer
pra qual menina ele está prometendo o mundo
(e só prometendo, mesmo)

eu ainda espero a madrugada
que ele vai me ligar pedindo um recomeço
perguntando sobre a minha mãe
sobre o meu namorado
sobre mim
bendito dia em que ele tentaria se encaixar na minha vida.

mas no fundo

no fundo eu sei
que seria tarde demais.

"This is the last song that I write while you're even on my mind" — "Blue Skies", Noah And The Whale

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Um beijo na testa

um beijo na testa e me sinto querida.
"já volto, meu anjo"
observo cada passo seu
passo os minutos seguintes ainda com seu cheiro em mim
cheiro de casa bonita
de família feliz
de paz mundial
de Natal pela manhã
de filhotes brincando
de amor.

um beijo na testa e a ansiedade me deixa
e deixo que você cuide de mim
só um pouquinho
permito-me sentir segura
e pensar em palavras bonitas
que eu nunca chego a dizer.

um beijo na testa e aquele cachinho fora do lugar
meio ouro, meio bronze
um momento delicado em meio à nossa brutalidade com o mundo.

um beijo seu na testa
e meu no pescoço
(porque a bochecha é sempre longe demais)
uma foto espontânea
uma conversa profunda no ônibus.

um beijo na testa e sei que te amo.

domingo, 13 de agosto de 2017

Considerações sobre ter me mantido inerte diante de teu movimento

Sinto estar constantemente sentada esperando que o nada se transforme em algo. Infinitas aulas que se iniciam como expectativa e terminam como o fardo de serem apenas mais conhecimento desinteressante. No momento, sento à espera de alguém. Essa será a força exterior necessária para me retirar da inércia, ao que tudo indica. Sentei contigo em inércia até me dizeres que me amas. Por conseguinte, como continuar essa teoria de que é essencial algo externo para mover-nos? Terei eu induzido teu movimento? Transformei teu nada em três palavras? Segundo a Física (uma dessas aulas enfadonhas), a ação e a reação não podem estar no mesmo corpo, razão pela qual não te podes levantar puxando teus cabelos. Não obstante, somos ação ou reação? Sartre escreveu que não escolher é uma escolha, então será a inércia uma ilusão? Se eu me levantar agora, jamais poderei fazê-lo sem motivo. Haverá uma razão, nem que seja o desejo de me levantar. Estamos fadados a ter motivos, mas qual o motivo do meu silêncio? Vocalizaste teu amor, mas meu silêncio não foi desamor, juro-te. Pareceu tudo, menos uma escolha. Talvez teu movimento tenha induzido minha inércia, porém parece mesquinho culpar-te por algo assim. Quiçá foi apenas medo. Quiçá seja o medo o maior indutor de inércia.
Até aceito ter cedido ao temor, e se foi essa minha escolha, peço desculpas (mas não foi desamor).

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Se por acaso não der certo

É claro que não sabemos o que vai acontecer.

se por acaso não der certo
quero que você se lembre
de que era bom.
quero que se lembre da gentileza constante
e dos beijos na testa
e do apelido amável
e dos rodopios desajeitados
e das pessoas em volta que,
uma vez na sua vida,
lhe disseram como você é sortuda.
se por acaso não der certo
não se torture por isso
não procure sinais lá no comecinho
não pense que você "já sabia"
você não sabia
você se permitiu
uma vez na vida
buscar a plena felicidade
e deixar outra pessoa cuidar de você um pouquinho
só de vez em quando
e só um pouquinho.
se por acaso não der certo
houve um momento
em que tudo valeu a pena.
se não houver mais sorriso em você enquanto lê isso
sorrirei por nós duas.

sábado, 29 de julho de 2017

Fundo do poço

eu cheguei
ao fundo do
poço.
sentada
solitária
meu mundo girando
as luzes fortes demais
as vozes como cânticos estrangeiros
e não havia embriaguez
que pudesse desembriagar meu desejo de sumir.
e naquele momento
a tristeza era como um esmalte que não seca
e eu esperava
esperava
esperava
que secasse
para que eu pudesse seguir com a minha vida
e conquistar meus objetivos
e ser alguém
ser qualquer um
que não eu.
eu cheguei ao fundo do poço
e olhei em volta
meus amigos rindo
conversas interessantes
e pela primeira vez
eu tive vontade de participar.
mas o mundo girava
e as luzes eram fortes demais
e uma menina me perguntou sobre aquele cara,
enquanto eu me autodestruía como nunca antes,
aquele cara que merece mais de mim
e como luzes
eu vi todos que merecem mais de mim
mas pela primeira vez
eu era uma luz também.
e eu brilhava
além da passividade de só esperar que passe.
e no fundo do poço,
sentindo-me perto da morte
como nunca antes
no fundo
do poço
eu percebi
que tudo o que eu queria
era sobreviver.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Autodestruição

"Você precisa parar de se importar, caralho. Porque ele claramente não se importa."

Isso vem da minha melhor amiga, e é óbvio que ela está certa. É óbvio que ela consegue ter mais compaixão por mim do que eu tenho por mim mesma.
Porque toda a minha compaixão vai para você. Toda a minha preocupação por você invalida o respeito que eu deveria ter por mim mesma, a coragem de simplesmente não me importar.
Eu fui embora da sua vida, não porque não te amasse, mas porque cada minuto te amando era um minuto no qual eu me amava
Cada
Vez
Menos.
E isso teve que parar.
Cansei de pedir desculpas por ter seguido em frente, cansei de te deixar me odiar de graça para se sentir melhor.
Você vai se autodestruir
E ainda vai me fazer assistir. Que gentil da sua parte.
Apesar de desejá-la do fundo do meu ser, não sou mais responsável pela sua felicidade
As pessoas me dizem isso e eu acredito, acredito mesmo.
Mas você não tá em condição de ser responsável por nada.
E se eu não sou mais responsável pela sua felicidade
Então
Quem
É?

P.S.: Eu te amo mesmo que você destrua o meu dia.
P.S.2: Eu achava que isso era amor altruísta. Mas talvez seja só falta de amor próprio.

sábado, 15 de julho de 2017

De novo

Tu sabes como é cometer os mesmos erros?
De novo
De novo
De novo.
De "novo" não tem nada
Qual o sentido dessa expressão?
Pareço eternamente presa nesse ciclo de decepções e infelicidades
Tentando decidir se algo é a melhor ou pior coisa que já me aconteceu
E fugindo independentemente da conclusão.
Mas tu me dás vontade de tentar.
Tentar, mesmo
De novo, novo pra valer dessa vez
Sair dessa zona de conforto e procurar algo real
Me deixar levar, nem que seja um pouquinho
Nem que seja em um sorriso.
Mas shhh, não é pra tu saberes
Meus "de novo" falhos não são para conhecimento público
O que pensarias de mim se soubesses a bagunça que é minha cabeça?
Mesmo assim, uma parte de mim quer que tu saibas, apesar de não querer te contar.
Quero que saibas de tudo isso e fiques.
Me abraces.
"Shhhh
Vai ficar tudo bem", dirias
Beijarias minha testa
E não prometo ser perfeita
Mas, se ainda quiseres minha companhia,
Prometo ser de verdade.
(talvez tu sejas uma pequena bagunça também
mas te aceito do teu jeito
e tu?)

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Diz-me

Diz-me se tua cabeça é bagunçada como teus cachos
Diz-me se essa paz que exalas é fruto desses olhos sensatos
Se sou furacão, és calmaria?
Ou seremos juntos furacão proferindo blasfemarias?

As estrelas sussurram que és água e sou fogo, mas unidos somos ar
Escapamos de nós mesmos como quem foge do luar
(é inútil, meu amor
basta apenas esperar)

Diz-me se, na tua melodia, cabe meu verso indiscreto
Ou se é demasiado obtuso para o teu afeto
Diz-me se nos teus acordes finos cabe a minha grosseria
Se no teu veraneio cabe a minha ventania.

Astros, vede-vos desafiados
Pois se dele for agrado
Abandonamos esses mapas vãos
E criamos nossa própria constelação.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Começos

Eu sou apaixonada por começos. De todo tipo. Começo de um texto, com alguma frase de efeito, sem saber direito onde vai dar. Começo de um show, a energia a mil, os jogos de luzes, a expectativa, a adrenalina. Começar qualquer coisa é estar disposto ao melhor antes que as adversidades apareçam. Comecei a aprender francês de novo e é tão belo e descompromissado.
Começo de um filme, os primeiros acordes de uma música. Começo de um sentimento, quando cada frase é uma nova peça para o belo quebra-cabeça que é a outra pessoa. A leveza, a sutileza de um começo, antes que a rotina nos alcance.
Você me pergunta se tenho medo do fim. Meu anjo, se formos sortudos, talvez transformemos cada dia em um novo começo.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Unloveable

I'm not a great person for you to fall for.
Just ask the last guy.
Or the guy before him.
I might be a great person
I appreciate it if you think so
But from a distance.
Because, honestly?
I'm unloveable.
I don't mean to be
I wanna care about people
And show it in silly cute ways
Hell, even grand gestures
I wanna make you feel loved but I can't
Because I don't
Not in the way you'll eventually demand from me
You're cute and you're funny and you're smart
And your heart is bigger than my ego
And that should be enough
But somehow it never is.
Somehow, everyone who gets closer to me ends up sad
Or crazy
Or angry
Or disappointed
And they're always the bad guy
All I do is always excused
Because I never lead people on
I've told you I'm no good
I'm cold
Too cold
And I burn
Never in a cozy way
It's never Christmas in my heart.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Quase falei dele de novo

Eu estava prestes a desabafar sobre ele quando você sorriu pra mim. Deitou no chão comigo, transformou minha melancolia em cena de filme adolescente. Que merda, não? Eu só queria ficar sozinha, revoltada e melodramática, mas você insiste em me fazer rir.
Isso já me lembra aquela vez que ele... E você começa a me contar da sua infância, das aulas de música. Caralho, como eu gosto de música. Ele não entende nada de... E estou rindo de novo. Por que é que estou no chão, mesmo? Vamos caminhar.
Você me abraça enquanto caminhamos. Consigo ouvir seu coração batendo, porque você é consideravelmente mais alto que eu, já com ele, eu... Agora estou falando sobre minha infância também. Eu nunca falo sobre a minha infância. Todo mundo sabe disso. O que há comigo?
Para onde estamos indo? Acho que eu tinha um objetivo no começo dessa conversa, mas você fica me rodopiando e eu esqueci. Isso acontece com frequência, mas eu finjo que não. Você deve achar que eu tenho amnésia.
Juro que eu estava chateada antes de tudo isso. Por quê? Ah, não devia ser importante. Vamos voltar para o chão.
Você se despede beijando minha testa. Observo-o ir embora. E é só você ir embora que já logo penso: Huh. Beijos na testa. Ele nunca fazia isso.

(Escapou).

"And we walk down the block to my car
And I almost brought him up
But you start to talk about the movies that your family watches
Every single Christmas
And I will talk about that
And for the first time
What's past is past."
— Begin Again, Taylor Swift

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Eu tento ser agradável

Me escondo atrás de balaclavas
E me questiono se é manipulação
Ou norma social
Finjo ser outro alguém até que me aprecies
Mas então gostarás de mim ou da máscara?
Quem sou eu
Se sou apenas o que tu queres?
Quem sou eu
Se vivo em função de imaginar quem querem que eu seja?

Talvez eu seja suficiente
E nunca saberei.

"You know I'm eager to please. I've always been eager to please" — "Wasted Time", Vance Joy

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Como administrar o tempo

O melhor que consegui tirar de uma das horas mais miseráveis de minha existência.

Um homem de meia idade com um grande complexo de superioridade dando uma palestra
Uma vez disse que não podemos administrar o tempo
Apenas administramos o que fazemos com ele.
Considerei-o pedante.
Afinal, é claro que administrar o tempo é decidir como organizar nossas ações nele.
Todo mundo sabe disso.
Você não ouviu a palestra (sorte a sua), mas você também sabe disso.
Não é?
Sabemos quanto tempo as coisas demoram
De modo que sabemos como lidar com atrasos
Com imprevistos
Administramos o imprevisto.
Bem ou mal
Suficientemente ou não
O único momento em que somos escravos do tempo é na morte
A vida nos permite infinitas possibilidades de organização
E de desorganização
A vida nos permite não administrar.
A vida nos permite estar ciente de cada segundo conforme observamos os ponteiros de um relógio
Assim como permite que nos perdamos por horas na arte, sem notar.
Bukowski disse que é possível ver a solidão nos movimentos lentos de um relógio.
Considero que ele esteja certo.
Não há desesperança maior do que simplesmente observar o tempo passar.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Me conte mais sobre você

Para um garoto gentil a quem me afeiçoei (e que provavelmente nunca vai ler isso).

Você é deveras interessante, e essa não é uma classificação que normalmente uso para pessoas. Bom dia. Vamos conversar? E conversar mesmo, com interlocução e retórica. Uma vez na vida, estou realmente interessada nas reações de alguém, e não apenas nas minhas falas.
Quero saber no que você pensa antes de dormir. Você reza? Por quem? Pelo quê?
Como foi sua infância? Você sente falta daquela época? Como era com os seus irmãos? Eu não tenho irmãos e estou fadada a ser eternamente solitária por dentro. Por que as outras pessoas te afetam tanto?
O que é família pra você? Você acha que escolhemos nossa família? Como você imagina seu futuro? (Você sequer o imagina?)
Qual país gostaria de visitar? Qual banda gostaria de conhecer? Tem secretamente o sonho de ser uma estrela do rock? Porque eu tenho. O tempo todo.
Sem o que você não viveria? Você gosta de falar sobre si mesmo? Qual era seu sonho de criança? Você ainda o tem? E seus amigos de infância? Mantém contato com algum deles?
Sinto que me afasto das pessoas com muita facilidade. Você também tem esse problema? Talvez eu me afaste de você antes de conseguir fazer todas essas perguntas. Espero que eu não o faça.
Você gosta dos seus pais igualmente? O que compraria se ganhasse cinquenta reais? Ou guardaria esse dinheiro? Tem o costume de ler? Qual seu livro predileto? Algum livro que leu mandatoriamente e acabou gostando? (No meu caso, foi Memórias Póstumas)
Qual o primeiro CD que comprou? Ainda gosta desse artista? O que você ouve sem que ninguém saiba? Já se apaixonou? De verdade, mesmo, de cabeça, de alma, de tudo, sem volta. Qual personagem de Harry Potter você menos gosta? Qual é seu número favorito? Por quê? (Pontos extras se não for o dia do seu aniversário)
E já que estamos aqui, aproveita para me explicar por que eu quero saber tudo isso. O que é em você que me faz querer entender melhor. Vamos conversar mais, OK? Vamos deitar no chão de novo e falar sobre aquela cicatriz no joelho que todo mundo tem. Eu sei que o mundo é rápido demais e ninguém tem tempo pra nada, mas assim parece que tudo desacelera. Só me conta daquela vez que você pagou mico na frente daquela menina bonitinha que já vai ficar tudo melhor.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Grão de feijão

As pessoas não entendem o prazer de florescer.

O mundo é enorme, mas não cabe em mim
Caibo numa subpartícula tão insignificante que se torna essencial
Reis e rainhas, vossa ganância vos torna pequenos
Pegais a infinidade e a colocais num único pedestal.

Somos grão de feijão, e de que vale um feijão querer
A fazenda toda para si?
O feijão só quer florescer
As possibilidades são infinitas dentro de si.

Podeis pensar que é falta de ambição
Falta de ambição é se julgar em plena condição
De interferir em toda a fazenda.

O que sabe o feijão sobre a maçã? A soja, o romã?
A felicidade do feijão é florescer.
O melhor rei é o rei de si mesmo.

terça-feira, 7 de março de 2017

Lóbulo frontal do coração

Bibia be ye ye, tudo vai ficar bem no fim. Dedicada aos lindos da Jönck.

Capo 6
G Em C D

É, moreno, a tristeza me embalou
Erga a bandeira branca porque a vontade acabou
Desânimo de um sorriso que se tornou banal
Guarde os clichês bonitos para o próximo Carnaval.

De mim esperam tanto que já não sei mais esperar
A ansiedade dominou e não há como recuar
Hora de desafiar a insônia, esvaziar meu astral
Guarde os clichês bonitos para o próximo funeral.

É, morena, já não caibo mais em mim
Mas nesse desencontro deselegante encontro meu fim
E cada fim, uma viela
Fecha a porta, eu pulo a janela
Pego o isqueiro na minha ficha de besteira
Com uma risada, eu acendo uma fogueira.

Bm G D F#m
~refrão:
Sem reféns pra essa prisão
Meu lóbulo frontal do coração.
Felicidade não é questão de sublimação
É fruto de constante movimentação.

~ponte:
Às vezes, uso a bebida pra amolecer
Isso não impede o tempo de chover
Moreno, não esqueça seu violão
Morena, vamos juntas pra outra estação
Tomar um café
Velejar contra a maré...

~refrão:
Sem reféns pra essa prisão
Meu lóbulo frontal do coração.
Felicidade não é questão de sublimação
É fruto de constante movimentação.

Sem reféns pra essa prisão
Meu lóbulo frontal do coração.
Felicidade não é questão de opinião
É fruto da mais pura compaixão.

~outro:
É fruto da mais pura compaixão
Esse meu lóbulo frontal do coração...