sábado, 18 de junho de 2016

Cabelo curto

Eu cortei meu cabelo e odiei como ficou. Passei o dia me escondendo, me diminuindo; passei o dia seguinte me cobrindo de maquiagem, usando roupa escura, tentando me desvincular da fragilidade que aquilo me causou. Ouvi de tantas pessoas que ficou ótimo. Nem achei que mentiam, só não me importei.
É engraçado isso. Às vezes, cremos que a opinião dos outros é tão importante, mas, na real, só a gente pode ditar nossos gostos no fim do dia.
Eu contestei minha escrita por bem mais tempo que o meu cabelo. Eu conheci uma menina que era tipo eu, só que muito melhor, e ela me disse que me achava incrível e queria ser minha amiga.
Eu nunca corri atrás de ser amiga dela. Ela escreveu uma música que achei bem melhor do que qualquer coisa que eu já tivesse escrito e eu a coloquei num pedestal. Um ano depois, eu descobri que ela não escreveu realmente aquela música, ela mudou algumas palavras de uma canção (teoricamente) conhecida.
Senti-me como Brás Cubas ao terminar a faculdade: enganada e orgulhosa.
Ninguém via essa garota assim, mas eu a vi, e isso foi o suficiente. Eu cultuei uma pessoa que não existe, eu criei uma guerra com um inimigo que nunca fez nenhum mal. Eu me diminuí por uma imagem, minha ou de outro, e nada que ninguém me dissesse me faria sentir melhor.
Acho que é verdade quando dizem que você tem que se amar primeiro.

P.S.: Agora, amo como meu cabelo ficou. Não sei como, só aconteceu. Um passo a mais nessa jornada do amor próprio.

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