Eu fiz uma playlist para quando eu me sentir triste porque você vai embora. Um nome mais correto seria uma playlist para quando eu me lembrar de que você vai embora, porque a tristeza é praticamente inevitável. Talvez você nem vá. Mas isso não é satisfatório, não é mesmo? É difícil viver um ano no talvez. Um ano que não leva a nada.
Eu vou ficar bem de qualquer jeito. Você sabe que tô acostumada com mudança. Eu vou encontrar outro futuro que eu quero. Acho que decidi meu curso, falando nisso. Talvez eu vá embora também. Eu quero ir embora? Não tenho muita certeza. Acho que quero fazer algo com a minha vida. Talvez eu vá pra Brasília. Seria legal, não é? É mais tranquilo, e tem muito rock e um sotaque bacana.
Brasília seria mais legal com você. Portugal seria mais legal comigo? Não sei. Talvez você tenha que seguir com a sua vida. Talvez eu seja aquela paixão de colegial que você deixa pra trás e segue seu chamado para a grandeza.
Acho que vou ficar em São Paulo se São Paulo me quiser. Se você voltar, daqui a quatro anos, talvez eu esteja aqui, mas talvez não seja mais eu. Talvez você não volte. Ou talvez volte tão mudado que seria como se não tivesse voltado. Talvez volte com uma namorada. Uma esposa? Talvez volte com um sotaque. Você sempre quis ter um sotaque, não é mesmo? Acho que isso te deixaria feliz.
Acho que o mais frustrante é que vou sair perdendo. Se você for, você ganha toda essa oportunidade de morar em outro país, e viver uma nova cultura, e estudar numa universidade bem bonita, segundo minhas muitas horas de pesquisa. E eu te perco. Eu perco a gente, eu perco tudo o que a gente construiu, eu perco a parte favorita do meu futuro.
Eu encontrei essa música chamada Hold on when you get love and let go when you give it. Tô vivendo por ela. Tentando te amar o suficiente para te deixar ir, mais do que te segurar por ser amada.
Talvez "hold on" seja no sentido de esperar. Não vou esperar por você. Talvez a paixão fique um pouco secundária, o que não quer dizer que vou deixar de me importar com você. Se quiser aparecer na minha porta daqui a cinco anos com um chaveiro da Europa, aquele sorriso bobo e um convite pra um café, quem sou eu para recusar?
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