sábado, 31 de dezembro de 2016

Considerações sobre 2016 e meu batom vermelho

Parece que estou começando 2017 como comecei 2015. Sem cor específica para a virada, sem namorado, sem minha melhor amiga sentada perto de mim, com uma nova etapa complicadíssima à frente, devendo muito a todos, mas especialmente a mim mesma. Sentindo a despedida fatal no Jully, tentando um novo visual... Ao mesmo tempo, o peso de 2016 não se vai tão facilmente. Todos os acontecimentos que levaram a esse deja vù pesam. Meu término pesa, a saúde pesa, a falta da minha amiga tão querida pesa. Eu me peso e decido constantemente que não me basto. Mas eu sonho. Como 2015, eu sonho com essa nova etapa, com esse novo desafio que me propus, com essas ideias doidas de adolescente de livro YA que quer mudar o mundo. Nem precisa ser o mundo. Só quero me mudar. Nem que seja um pouco. Nem que seja só na cor do batom.
Feliz 2017. Que brilhemos tanto quanto meu batom vermelho, amém. 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Indireta musical

Se eu tivesse um centavo
Pra cada música com tudo acertado
Pra ser a última sobre você
Eu compraria um ukulele.

E escreveria mais umas dez e fim
Só pra garantir
Que acabou de vez
Até o mês que vem.

~refrão:
Vou deixar uns versos soltos
Pra você completar
Você muda tudo pra Sol
E eu seguro mais pra Lá.

Lá lá lá lá lá...
Eu fico por lá
E o sol você que traz.

Se eu tivesse um real
Pra cada indireta musical
Que já cantei pra você
Estaria rica sem querer.

~refrão:
Vou deixar uns versos soltos
Pra você completar
Você muda tudo pra Sol
E eu seguro mais pra Lá.

Lá lá lá lá lá...
Você nunca vai pra lá.
E o sol não vem brilhar.

~outro:
Faz tanto tempo que te vejo assim
Vem e dedica um tempo pra mim
Só vê se não fica por Dó
Senão procuro um Sol maior.

Eu poderia

Sobre alguém que eu parei de precisar e passei a escolher.

Eu poderia sair de casa agora
Encontrar um moço bonito
Me tirar desse castigo
De só assistir TV.

Eu poderia ficar mais feliz
Estudar pra ser atriz
Decidir pegar de volta
Aquele livro que eu te dei.

~refrão:
Eu poderia te esquecer
De vez
Eu poderia te esquecer.

Se eu quisesse, estaria longe
Mas me mandaram uma foto de gato
Era branco e usava sapato
Eu tinha que te mostrar.

Eu poderia estudar mais violão
Aprender umas do Barão
Pra parar com Wonderwall
Ninguém mais vai aguentar.

~refrão:
Eu poderia te esquecer
Eu poderia não ser mais
Dependente de você.
Eu poderia te esquecer.

E quando eu pintar meu cabelo
Passar meu batom vermelho
Me olhar menos no espelho
Torcer menos o nariz
Vai perceber que, por mais que te amei
Eu não me perdi
Eu me libertei.

sábado, 24 de setembro de 2016

Sobre ex-namorados

Paixão é irreversível. Eu terminei meu namoro e ele, de namorado, virou ex-namorado. Não voltou a ser amigo. Assim, as coisas progridem. Posso virar melhor amiga dele de novo, ele não vai voltar a ser meu amigo mais do que é meu ex-namorado.
A paixão muda tudo, e essas memórias que dividimos se sobrepõem a tudo mais que vivermos. Quão triste é saber que não há progressão que mude esse título. A paixão é tão transformadora que preferimos nos definir por uma paixão que deixou de existir do que por uma amizade que ainda existe.
Se eu disser que ele é meu amigo, as pessoas vão se sentir enganadas. Vai parecer que estou escondendo nosso relacionamento prévio, porque é esperado que eu o defina pela paixão. Ele pode ser meu amigo, mas devo chamá-lo de ex. É assim que funciona, não é? Pouco importa que ele sempre foi mais meu amigo que meu namorado. Ai de mim enganar essa sociedade.

domingo, 11 de setembro de 2016

Fiz suco da nossa laranja

Você está sorrindo e não é por minha causa e que alívio isso é. Como me alegra pensar que está confortável consigo mesmo, e com seus amigos, e com seu futuro. Pronto para se levantar, pronto para viver seu destino brilhante, pronto para recomeçar, pronto para... amar?
Ok, talvez não tanto assim. Não que eu te queira de volta, mas eu também não não te quero de volta. Como disse Manu Gavassi (a que ponto chegamos?), "Eu sei amar você muito mais do que eu sei cantar". Voltar pra você sempre vai ser tão familiar, e o fato de que você ainda sorri pra mim e me diz coisas bonitas mesmo eu tendo quebrado seu coração e levado uma parte comigo deixa tudo bem mais facil.
Mas não vai ser sempre assim, não é? Você vai conhecer outra pessoa. E eu espero que ela te ame tanto quanto eu te amo, mas sempre vou achar que não. Acredito, no entanto, que, talvez, ela te ame melhor. Que ela te deixe melhor. E que você faça menos mal pra ela do que fez pra mim.
Acabou, mas não acabou. Acabou, mas você segura minha mão e eu sinto arrepios pelo meu corpo inteiro. Acabou, mas eu roubei aquele beijo no seu pescoço só pra ver sua reação.
E quando eu penso que não acabou, você solta um daqueles respostões egoístas que teriam acabado com o meu dia e eu simplesmente me afasto, sem obrigação de tentar resolver nada. Quando eu penso que não acabou, eu lembro que o nosso namoro não era mais beijos no pescoço, ele era ressentimento, mágoa, silêncio, insegurança.
Eu tenho que te deixar ir, eu sei, você não me superou, nem vai superar se eu continuar com essas merdas de tropeçar com a minha mão na sua. Eu não quero mais me apegar a você, me apegar a você dói. Eu só quero segurar sua mão, mas não é assim que funciona, é?
Me disseram uma vez que querer alguém e querer estar com alguém são duas coisas completamente diferente. Eu te amo, mas não amo a gente. Não mais. E eu quero ser sua amiga, então para de me me encarar com esses olhos escuros cheios de charme e encontra logo uma menina (quase) mais bonita e menos louca pra quebrar meu coração de vez e eu parar de empacar sua vida. Uma sem sol em Aquário e lua em Gêmeos, uma que entenda o que é construir algo junto e que aceite seu envolvimento pisciano sem achar que é prisão. Uma que te dê segurança em vez de exigi-la. Uma que te deixe ser a outra metade da laranja dela.
Eu nem de laranja gosto (mas gosto de você).

sábado, 3 de setembro de 2016

A gente acabou

Sobre um recomeço.

A gente acabou
E eu queria escrever
Algo que demonstrasse
Que foi pra valer.

Mas essas rimas malfeitas
Viraram tanto faz
Eu sinto epopeias
E escrevo haikai.

D Bm G A
~refrão:
Como Lenin
Procuro O Que Fazer
Além de referência nerd
Que fazia com você.
O amor
Se foi flor, já não cresce mais
Manda um beijo pros seus pais
Diz que eu sou pra culpar
Por esse amor se acabar.

Quando me vir amanhã
Sorria pra mim
Não deixe nossas peônias
Virarem capim.

Se for difícil demais
Não vou te culpar
Mas não sai correndo
Deixa eu te alcançar.

~refrão:
Como flor
É bonito de se ver
Mas se não regar direito, não adianta sofrer
Drummond
Tinha o Sentimento do Mundo
Só tenho uns versos moribundos se você quiser ouvir
Pode vir.

sábado, 18 de junho de 2016

Seja gentil

Sobre alguém que me fez muito mal e não entende isso.

Seja gentil
Diga um bom dia animado
Mesmo quando sua autoestima foi por água abaixo.

Seja amável
Faça alguém rir
Seus ideais podem estar errados
Mas a bondade nunca está.

~refrão:
Hey
Não foi dessa vez
A maldade é mais densa, você tem que voar
Mas tudo bem
Ela se esconde além
Naqueles medos, inseguranças
Você é bonita quando faz o bem.
Nunca fique sem.

Se acha que a justiça não lhe sorriu
Conteste o juiz, não crie réus
Não há mérito em tirar o mel de uma criança
Porque as outras não encheram a pança.

Cada caso é complicado
A desvantagem do outro jamais lhe servirá
Se estou errado
Não é por isso que o mundo te bonificará.

~refrão:
Hey
Não foi dessa vez
A maldade é mais densa, você tem que voar
Mas tudo bem
Ela se esconde além
Naqueles medos, inseguranças
Você é bonita quando faz o bem.
Nunca fique sem.

~ponte:
Outro dia nasce, mas o mundo é o mesmo
Quando falam de tempo
É tempo pra amadurecer.
Pegue esse erro
Encontre o desejo
De evoluir, de crescer, enfim
De fazer o bem.

Como eu descubro que acabou?

Acho que você deveria ir embora, antes que fique chato. As brigas já são constantes, talvez seja melhor um "e se" abstrato do que um final triste concreto. Acho que vou me despedir, antes que nos desgastemos e o amor acabe (o amor acaba?).
Não consigo me despedir. Pensando melhor, acho que vou esperar o iceberg acertar o navio, pegar um bote salva-vidas e remar de volta (nesse bote, não cabe nós dois). E afundar o navio pra valer?
Poxa, faz um ano que estamos construindo esse navio. Eu vou largar ele assim, deixar ele desaparecer, como se nada tivesse acontecido?
Ou vou deixando o navio nessa reta, até um caminho mais favorável aparecer? (Você me ajuda a ajustar a direção?) E se não aparecer?
Dizem que há sempre algo melhor, que há sempre um amor que não te dá razões tão concretas para questionar.
Se é pra acabar, fode com tudo de vez. Não me deixa nesse chove-não-molha, nessa enrolação de decidir quando foi que o meu amor por você diminuiu tanto meu amor próprio (e por que o seu amor próprio só cresceu?).
Dito isso, é importante considerar: se o navio bater, você consegue remar de volta?

Cabelo curto

Eu cortei meu cabelo e odiei como ficou. Passei o dia me escondendo, me diminuindo; passei o dia seguinte me cobrindo de maquiagem, usando roupa escura, tentando me desvincular da fragilidade que aquilo me causou. Ouvi de tantas pessoas que ficou ótimo. Nem achei que mentiam, só não me importei.
É engraçado isso. Às vezes, cremos que a opinião dos outros é tão importante, mas, na real, só a gente pode ditar nossos gostos no fim do dia.
Eu contestei minha escrita por bem mais tempo que o meu cabelo. Eu conheci uma menina que era tipo eu, só que muito melhor, e ela me disse que me achava incrível e queria ser minha amiga.
Eu nunca corri atrás de ser amiga dela. Ela escreveu uma música que achei bem melhor do que qualquer coisa que eu já tivesse escrito e eu a coloquei num pedestal. Um ano depois, eu descobri que ela não escreveu realmente aquela música, ela mudou algumas palavras de uma canção (teoricamente) conhecida.
Senti-me como Brás Cubas ao terminar a faculdade: enganada e orgulhosa.
Ninguém via essa garota assim, mas eu a vi, e isso foi o suficiente. Eu cultuei uma pessoa que não existe, eu criei uma guerra com um inimigo que nunca fez nenhum mal. Eu me diminuí por uma imagem, minha ou de outro, e nada que ninguém me dissesse me faria sentir melhor.
Acho que é verdade quando dizem que você tem que se amar primeiro.

P.S.: Agora, amo como meu cabelo ficou. Não sei como, só aconteceu. Um passo a mais nessa jornada do amor próprio.

sábado, 12 de março de 2016

Se você ama algo...

Eu fiz uma playlist para quando eu me sentir triste porque você vai embora. Um nome mais correto seria uma playlist para quando eu me lembrar de que você vai embora, porque a tristeza é praticamente inevitável. Talvez você nem vá. Mas isso não é satisfatório, não é mesmo? É difícil viver um ano no talvez. Um ano que não leva a nada. 
Eu vou ficar bem de qualquer jeito. Você sabe que tô acostumada com mudança. Eu vou encontrar outro futuro que eu quero. Acho que decidi meu curso, falando nisso. Talvez eu vá embora também. Eu quero ir embora? Não tenho muita certeza. Acho que quero fazer algo com a minha vida. Talvez eu vá pra Brasília. Seria legal, não é? É mais tranquilo, e tem muito rock e um sotaque bacana. 
Brasília seria mais legal com você. Portugal seria mais legal comigo? Não sei. Talvez você tenha que seguir com a sua vida. Talvez eu seja aquela paixão de colegial que você deixa pra trás e segue seu chamado para a grandeza. 
Acho que vou ficar em São Paulo se São Paulo me quiser. Se você voltar, daqui a quatro anos, talvez eu esteja aqui, mas talvez não seja mais eu. Talvez você não volte. Ou talvez volte tão mudado que seria como se não tivesse voltado. Talvez volte com uma namorada. Uma esposa? Talvez volte com um sotaque. Você sempre quis ter um sotaque, não é mesmo? Acho que isso te deixaria feliz. 
Acho que o mais frustrante é que vou sair perdendo. Se você for, você ganha toda essa oportunidade de morar em outro país, e viver uma nova cultura, e estudar numa universidade bem bonita, segundo minhas muitas horas de pesquisa. E eu te perco. Eu perco a gente, eu perco tudo o que a gente construiu, eu perco a parte favorita do meu futuro.
Eu encontrei essa música chamada Hold on when you get love and let go when you give it. Tô vivendo por ela. Tentando te amar o suficiente para te deixar ir, mais do que te segurar por ser amada. 
Talvez "hold on" seja no sentido de esperar. Não vou esperar por você. Talvez a paixão fique um pouco secundária, o que não quer dizer que vou deixar de me importar com você. Se quiser aparecer na minha porta daqui a cinco anos com um chaveiro da Europa, aquele sorriso bobo e um convite pra um café, quem sou eu para recusar?

segunda-feira, 7 de março de 2016

Canteiro

Sobre as flores que tentei plantar no jardim que não me pertence sem autorização do proprietário.

Plantei flores num canteiro
Que nunca desabrochou
Encarcerada no silêncio
De um pássaro que não me visitou.

Batalhei por um jardim
Que não consigo manter
De que adianta lutar, enfim?
Resta-me ceder.

E eles dizem...

~refrão:
Regue tudo mais uma vez
O que procura está em você
Mas não, o milagre já escorreu
Quem controla esse canteiro não sou eu.

Talvez a semente seja ruim
E o problema não seja meu
Que não sei plantar capim
A terra nunca valeu.

Se faz chuva ou se faz sol
Não é por e nem pra mim
Se eu decido o que é melhor
"Nem pensar", a vida diz.

~refrão:
Reguei tudo mais uma vez
Mas o que procuro não está em você
Não, o milagre já escorreu
Quem controla esse canteiro não sou eu.

~ponte:
Sem querer dizer que é só comigo
Acho que estamos todos num grande limbo
Pra lá e pra cá sem destinação
O desejo e o propósito se confundem então
Tento tomar minha vida pela mão
E guiá-la por essa confusão
Mas ela se recusa a me obedecer
Acho que não tenho moral pra ser.

~outro:
Quem controla esse canteiro
Quem controla esse canteiro
Não sou eu, não sou eu
Quem controla esse canteiro
É Deus.

Nosso caminho

Para alguém que já está longe.

A gente brincava
Pequenas
Corria e sorria de manhã
A gente achava
Que tinha o mundo
Na palma de cada uma de nossas mãos

Cadê a minha amiga nessa estranha?
Cadê o nosso passado no seu agora?

~refrão:
Você se foi
E eu fiquei
Se foi pra valer
Eu já não sei
Você se foi
Nem disse adeus
O nosso caminho
Agora é só seu.

Se bater saudade
Da gente
Me liga, vem aqui que eu só te abraço
Sem maldade
Me conta
Que eu conserto só pra te ter
Por perto

~refrão:
Você se foi
E eu fiquei
Se foi pra valer
Eu já não sei
Você se foi
Nem disse adeus
O nosso caminho
Agora é só seu.

~ponte:
Na caixa de boneca
Guardei nossas memórias
Brinquei na minha cabeça
Relembrando histórias
Super-heroínas
E princesas num dia
Agora só gente grande
E sua aura é tão cinza.

~refrão:
Você se foi
E eu fiquei
Se foi pra valer
Eu já não sei
Você se foi
Nem disse adeus
O seu caminho
Agora é um breu.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

(Seu) Lar

Sobre a solidão e o seu cheiro no cobertor.

Eu sou a peça a mais
Nessa engrenagem que te é tão familiar, afinal
Eu sou aquela lá
Que ninguém acha pra que serve no manual.

Eu sou o lacre da lata já aberta
Eu sou o sonho de criança que perdi
Eu sou o botão que ninguém nunca aperta
Só corado, meio rosado, infeliz.

~refrão:
Eu só queria pertencer à sua casa
Fazer de você meu lar
Só queria me sentir aconchegada
Eu só queria te alcançar.

E eu te digo mais de mil vezes
Que desse jeito pra mim não tá bom
Mas tá bom pra todo mundo, e nesses meses
Eu notei que isso é tudo que importou.

Seu cheiro está aqui, e tudo em volta é seu
Mas meu nome não está nesse dicionário
Isso aqui parece um lar, mas pra mim é só um breu
A minha parte se perdeu no itinerário.

~refrão:
Eu só queria pertencer à sua casa
Fazer de você meu lar
Só queria me sentir aconchegada
Eu só queria te alcançar.

~outro:
Eu só queria ser co-estrela desse show
Mas a cortina já baixou
Eu só queria uma vez não me decepcionar
Eu só queria te abraçar.