domingo, 1 de fevereiro de 2015

Apenas um devaneio

Estou escrevendo isso para tentar entender. Entender por que ele me interessa tanto. Entender como ele consegue ficar tão de bom humor na frente das pessoas e ao mesmo tempo viver em seu próprio mundo, dançando sozinho sua própria música, a cabeça nunca acompanhando os movimentos do resto do corpo. Os sorrisos ocasionais, as risadas raras que transformam seu rosto completamente. A balança mental ponderando entre levar tudo na brincadeira e ao mesmo tempo ter algo que o tira do sério, mesmo que não seja realmente uma coisa importante.
As piadas não-convencionais, porém nunca maldosas, acompanhadas de um sorriso que nunca passa despercebido. A cabeça jogada para trás e o osso do pescoço saltado quando ri, sempre das piores piadas. A imprevisibilidade das reações torna interessante assisti-las. O fato de sempre haver algo mais a descobrir, porque ele prefere se gabar de conseguir girar uma caneta que nem bastão em vez de comentar que canta e toca violão muito bem.
O olhar vagando sem rumo, o cabelo um pouco cacheado constantemente se tornando um furacão no topete. A falta de necessidade de se enturmar, mesmo que seja muito bom nisso, apesar de sua mente constantemente não estar na mesma órbita que a dos demais.
A distância que mantém das pessoas que se quebra completamente com crianças ou quando, sem motivo aparente, compartilha algo muito pessoal. O fato de não levar a si mesmo nada a sério, de estar disposto a se fazer de bobo para fazer rir ou consolar alguém. O fato de esconder tudo e revelar tanto.
Acho que entendi.

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