domingo, 1 de junho de 2014

Escrever é uma jornada

Escrever é uma jornada.
Tem subidas, tem descidas, tem curvas, tem buracos nos quais você vai ficar preso. Tem coisas boas, tem coisas ruins. Tem recompensas, tem sacrifícios.
Escrever é uma jornada.
Não deveria ser fácil.
Não deveria ser uma caminhada no país das maravilhas.
Deveria doer. Deveria esgotar cada resquício da sua alma.
Deveria te lembrar que você ainda tem uma alma a perder.

Deveria te deixar louco, te fazer questionar cada conceito em que você já acreditou.
Deveria te fazer amar a desesperança.
Você deveria escrever muito. E muito mal. E a cada texto medíocre, reconhecer sua própria fixação pelo holofote.
Deveria tornar sua vida uma máquina, movida apenas pelo desejo incontrolável de conseguir ter seu nome impresso naquela maldita capa de papel que vai viver bem mais do que você.
As pessoas não vão ligar. Elas vão rir. Elas não vão entender.
Suas olheiras vão aumentar. Você vai sofrer de insônia. Constantemente.
Mas não é insônia se você não quiser dormir.
Você não vai conseguir se concentrar em mais nada quando uma ideia vier. Você vai escrevê-la no caderno da escola, ou na sua mão, ou no papel higiênico do avião. E só assim sua alma descansará.
Você vai se perder. Você vai questionar o que é real e o que é fruto da sua imaginação. Você vai imergir num mundo imaginário quando a vida real se tornar trágica demais.
Você vai achar que enlouqueceu. Constantemente. Quando tiver certeza, é porque está fazendo isso certo.
As palavras vão torturar você. Elas não vão vir, ou vão vir na hora errada. Você vai aprender a domá-las, eventualmente, depois de apanhar muito.
E você vai continuar escrevendo mesmo assim, pois sabe que a alternativa te levará à depressão. A alternativa te deixará miserável.
Então não seja como todos aqueles que se dizem escritores. Não dependa da opinião dos outros, não escreva pelos holofotes. Melhore porque você sabe que pode fazer melhor. A única pessoa a superar é você mesmo. Escreva algo que satisfaça você. Não se desanime porque as pessoas não entendem a magnitude do que você está fazendo. Faça-as entender. E como? Continue a escrever.
Não seja como todos aqueles inseguros, metódicos, medianos e maleáveis que se dizem escritores. Eles não estão preparados.
E a verdade, a que ninguém quer realmente enfrentar, é que a maioria das pessoas não está.

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