Eu quero escrever isto, mas eu não quero.
É, acho que isso resume tudo.
Eu prendia a respiração. Aquele momento em que seu ar vai se esvairindo parece infinito. É como se você segurasse o mundo inteiro por um minuto. Um minuto infinito que logo acaba.
Uma coisa eu aprendi enquanto crescia: você não chora quando prende a respiração. Você chora quando a solta.
Quando eu soltei, algo escapou. Um soluço, uma tosse, não tenho certeza. O caso é que eu estava sozinha em uma sala lotada. E não choro em salas lotadas. Não choro, ponto. Eu até quis, talvez assim parasse de soluços patéticos e divagações.
Você pode dizer muito sobre uma pessoa por qual cena de A Culpa é das Estrelas a afetou mais. É o tipo de coisa que eu perguntaria a alguém, muito mais relevante do que um nome ou uma cor favorita.
A pessoa provavelmente não responderia. Compreendo. Eu também não responderia. Principalmente porque a cena que me afetou mais não foi o fim, como a maioria das pessoas. Nem o funeral. Nem a morte dele.
Não, na verdade, foi logo após. A visita de Peter Van Houten. Quando o nome dele surgiu, eu desabei, e isso é realmente tudo o que me lembro sobre aquela cena. Uma parte de mim sabia que aquilo seria grande. Uma parte de mim segurava uma raiva tão passiva, gradativamente comprimida pela centelha de esperança.
Então... É. Minha face estava bem vermelha. Não sou médica nem nada, mas sei que era psicológico.
Então me desculpe se eu fiz piadas demais, ou se repeti a mesma coisa mil vezes, ou se chorei baixinho no carro durante vinte segundos e nem deu para notar, não sou um exemplo. E só de pensar em pessoas que me consideram um tenho vontade de prender a respiração.
Certo, não era aqui que eu esperava chegar quando comecei a escrever. O que me leva a outro ponto: é por isso que todos os meus heróis têm capas. Dizem que todos os heróis são humanos, mas essa é apenas outra maneira de dizer que nenhum é. Admiramos o equívoco que criamos sobre uma pessoa. E quando não conseguimos nos afastar desse equívoco, criamos um herói. As pessoas foram feitas para serem amadas, não adoradas. Elas foram feitas para se sentirem seguras, não para terem chorofobia ou a porra que seja. Elas foram feitas para lidar com seus traumas, e não os esconder. E não se esconder.
Elas foram feitas para se sentirem especiais, e não horrivelmente ordinárias. Dizem que a pior sensação é perceber que você é uma pessoa ruim. É mentira. A pior sensação é perceber que você não é absolutamente nada.
Que a professora não consegue decorar seu nome, que daqui a dez anos alguém vai olhar para sua antiga foto do colégio e você vai ser o rosto desconhecido. E o pior de tudo é saber que você não é nem um pouco ordinário. Saber que você tem algo a oferecer.
E não fazer ideia de como.
É, acho que isso resume tudo.
Eu prendia a respiração. Aquele momento em que seu ar vai se esvairindo parece infinito. É como se você segurasse o mundo inteiro por um minuto. Um minuto infinito que logo acaba.
Uma coisa eu aprendi enquanto crescia: você não chora quando prende a respiração. Você chora quando a solta.
Quando eu soltei, algo escapou. Um soluço, uma tosse, não tenho certeza. O caso é que eu estava sozinha em uma sala lotada. E não choro em salas lotadas. Não choro, ponto. Eu até quis, talvez assim parasse de soluços patéticos e divagações.
Você pode dizer muito sobre uma pessoa por qual cena de A Culpa é das Estrelas a afetou mais. É o tipo de coisa que eu perguntaria a alguém, muito mais relevante do que um nome ou uma cor favorita.
A pessoa provavelmente não responderia. Compreendo. Eu também não responderia. Principalmente porque a cena que me afetou mais não foi o fim, como a maioria das pessoas. Nem o funeral. Nem a morte dele.
Não, na verdade, foi logo após. A visita de Peter Van Houten. Quando o nome dele surgiu, eu desabei, e isso é realmente tudo o que me lembro sobre aquela cena. Uma parte de mim sabia que aquilo seria grande. Uma parte de mim segurava uma raiva tão passiva, gradativamente comprimida pela centelha de esperança.
Então... É. Minha face estava bem vermelha. Não sou médica nem nada, mas sei que era psicológico.
Então me desculpe se eu fiz piadas demais, ou se repeti a mesma coisa mil vezes, ou se chorei baixinho no carro durante vinte segundos e nem deu para notar, não sou um exemplo. E só de pensar em pessoas que me consideram um tenho vontade de prender a respiração.
Certo, não era aqui que eu esperava chegar quando comecei a escrever. O que me leva a outro ponto: é por isso que todos os meus heróis têm capas. Dizem que todos os heróis são humanos, mas essa é apenas outra maneira de dizer que nenhum é. Admiramos o equívoco que criamos sobre uma pessoa. E quando não conseguimos nos afastar desse equívoco, criamos um herói. As pessoas foram feitas para serem amadas, não adoradas. Elas foram feitas para se sentirem seguras, não para terem chorofobia ou a porra que seja. Elas foram feitas para lidar com seus traumas, e não os esconder. E não se esconder.
Elas foram feitas para se sentirem especiais, e não horrivelmente ordinárias. Dizem que a pior sensação é perceber que você é uma pessoa ruim. É mentira. A pior sensação é perceber que você não é absolutamente nada.
Que a professora não consegue decorar seu nome, que daqui a dez anos alguém vai olhar para sua antiga foto do colégio e você vai ser o rosto desconhecido. E o pior de tudo é saber que você não é nem um pouco ordinário. Saber que você tem algo a oferecer.
E não fazer ideia de como.
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