Nomes são divertidos, até que se tornam um problema. Aí você nomeia seus personagens com nomes de uma lista de "Nomes descolados para o seu bebê". Quando junta um nome legal, é o nome de algum jogador de sei lá o quê, político ou ator. E então você tem que mudar.
Você tenta colocar um traço forte na personagem, como um violão, ou um diário, e as pessoas dizem que você está copiando alguma pessoa de quem você nunca sequer ouviu falar.
Em algum momento, todos os seus personagens parecem iguais. Todos eles são nuances de você. O herói é completamente detestável, e todo mundo torce por um personagem secundário a quem você não ia dar destaque nenhum.
Leitores estão sempre na TPM. Eles se irritam quando você não aceita a sugestão deles, quando ferra algum personagem ou (PRINCIPALMENTE) algum relacionamento. Aprender a ignorar seus leitores metade das vezes é um passo importante para estar preparado para essa vida.
Escrever é solitário. Ninguém vai poder te ajudar a encontrar a palavra que você perdeu, ou a ideia principal que logo se esvai.
A história nunca termina do mesmo jeito que começou. Ou ela cresce. Ou você perde totalmente a linha e cria uma coisa totalmente sem sentido.
Você vai criar muitas Mary Sues. Relaxe. Com o tempo melhora (ou não. Policie-se). Romances (o tipo de texto, não o assunto... mas o assunto também) não são feitos de um personagem só.
Nem todo mundo vai entender o que você quer dizer. Elas vão gostar da história, mas não vão ENTENDER de verdade. O cachimbo será sempre um cachimbo. O que é pior do que se elas não tivessem gostado. Mesmo algo que você desgosta pode trazer uma mensagem que vai te perseguir. Mas algo que você não entende apenas desaparece.
E junto com a história vai o autor. Nada ilustra "o capitão afunda com o navio" melhor do que isso, apesar de que o navio geralmente vive bem mais do que o capitão. É o nosso legado. Esperamos que o apreciem. Queremos que a obra fale por nós. Que ela se torne maior do que nós. Porque esse é o ponto chave da escrita: ela é e sempre será maior do que você.
Não trate seus leitores como leigos. Se algo, os superestime. Pense que todos eles estão no mesmo nível cultural que você. Não crie um milhão de notas de página, e parênteses, e parágrafos explicativos. Cite Atenas. Não cite Atenas, capital da Grécia, país localizado na península balcânica no sudeste do continente europeu, blá blá blá.
Como eu, que usei a metáfora do cachimbo ali em cima assumindo que você a conhece. Se você não a conhece, sequer notou. Se a conhece, também foi natural.
Por isso dizem que duas pessoas nunca leram o mesmo livro. Meu professor diz que há dois níveis de leitura: a leitura explícita e a implícita. É como assistir Harry Potter 6 pela primeira vez sem nunca ter lido o livro. Se você assistir uma segunda vez, fará bem mais sentido. Você perceberá coisas que não notou antes.
Seja surpreendente, não necessariamente sendo pedante. Não necessariamente Machado de Assis, cuja versão mais atual de Memórias Póstumas precisa de em média seis notas de página por página para que você possa entender o enredo em si. Mas mesmo assim eles ainda deixaram um pouco da escrita arcaica, como "cousa" e "dous", o que eu acho adorável.
Se você não é escritor, vai apenas passar por esse texto.
Mas se você é, e com isso quero dizer que escreveram com caneta permanente na sua alma, e não que você escreve poemas depressivos sobre nada quando está entediado, se você é, então sabe do que estou falando. É uma rota longa e árdua com muitos retornos que levam de volta à mesma estrada.
Porque, bem, pense comigo: caneta permanente na alma não parece algo fácil de se apagar ou ignorar.
Você tenta colocar um traço forte na personagem, como um violão, ou um diário, e as pessoas dizem que você está copiando alguma pessoa de quem você nunca sequer ouviu falar.
Em algum momento, todos os seus personagens parecem iguais. Todos eles são nuances de você. O herói é completamente detestável, e todo mundo torce por um personagem secundário a quem você não ia dar destaque nenhum.
Leitores estão sempre na TPM. Eles se irritam quando você não aceita a sugestão deles, quando ferra algum personagem ou (PRINCIPALMENTE) algum relacionamento. Aprender a ignorar seus leitores metade das vezes é um passo importante para estar preparado para essa vida.
Escrever é solitário. Ninguém vai poder te ajudar a encontrar a palavra que você perdeu, ou a ideia principal que logo se esvai.
A história nunca termina do mesmo jeito que começou. Ou ela cresce. Ou você perde totalmente a linha e cria uma coisa totalmente sem sentido.
Você vai criar muitas Mary Sues. Relaxe. Com o tempo melhora (ou não. Policie-se). Romances (o tipo de texto, não o assunto... mas o assunto também) não são feitos de um personagem só.
Nem todo mundo vai entender o que você quer dizer. Elas vão gostar da história, mas não vão ENTENDER de verdade. O cachimbo será sempre um cachimbo. O que é pior do que se elas não tivessem gostado. Mesmo algo que você desgosta pode trazer uma mensagem que vai te perseguir. Mas algo que você não entende apenas desaparece.
E junto com a história vai o autor. Nada ilustra "o capitão afunda com o navio" melhor do que isso, apesar de que o navio geralmente vive bem mais do que o capitão. É o nosso legado. Esperamos que o apreciem. Queremos que a obra fale por nós. Que ela se torne maior do que nós. Porque esse é o ponto chave da escrita: ela é e sempre será maior do que você.
Não trate seus leitores como leigos. Se algo, os superestime. Pense que todos eles estão no mesmo nível cultural que você. Não crie um milhão de notas de página, e parênteses, e parágrafos explicativos. Cite Atenas. Não cite Atenas, capital da Grécia, país localizado na península balcânica no sudeste do continente europeu, blá blá blá.
Como eu, que usei a metáfora do cachimbo ali em cima assumindo que você a conhece. Se você não a conhece, sequer notou. Se a conhece, também foi natural.
Por isso dizem que duas pessoas nunca leram o mesmo livro. Meu professor diz que há dois níveis de leitura: a leitura explícita e a implícita. É como assistir Harry Potter 6 pela primeira vez sem nunca ter lido o livro. Se você assistir uma segunda vez, fará bem mais sentido. Você perceberá coisas que não notou antes.
Seja surpreendente, não necessariamente sendo pedante. Não necessariamente Machado de Assis, cuja versão mais atual de Memórias Póstumas precisa de em média seis notas de página por página para que você possa entender o enredo em si. Mas mesmo assim eles ainda deixaram um pouco da escrita arcaica, como "cousa" e "dous", o que eu acho adorável.
Se você não é escritor, vai apenas passar por esse texto.
Mas se você é, e com isso quero dizer que escreveram com caneta permanente na sua alma, e não que você escreve poemas depressivos sobre nada quando está entediado, se você é, então sabe do que estou falando. É uma rota longa e árdua com muitos retornos que levam de volta à mesma estrada.
Porque, bem, pense comigo: caneta permanente na alma não parece algo fácil de se apagar ou ignorar.
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