Então, parece que eles não chegaram aonde esperavam. Ou aonde ela esperava, de qualquer modo. Ele nunca chegou a saber sobre a pinta que ela tem nas costas, que ela nunca descobriu se era de nascença ou não, já que sua mãe trabalhava demais quando ela era pequena para se lembrar, já que seu pai não ajudava em nada. Ele nunca chegou a notar como ela sempre fica com soluço quando tosse, ou como ela arranca pelinhas dos lábios com os dentes sempre que está nervosa. Nunca notou como os olhos dela brilham quando discursa sobre algo que a interessa, o mesmo brilho que sempre aparecia quando ela o via. Nunca notou todos os seus paradoxos, como a facilidade que ela tem de falar em frente a uma plateia, apesar de ser terrível em fazer amigos, ou sua obsessão por Nicholas Sparks, mesmo que ela não aguente ninguém falando sobre os próprios romances melosos. E talvez seja assim que as coisas são, e ela talvez devesse apenas se sentir bem por aquela vez em que ele disse que ela era bonita. Quer dizer, não é como se ela não tivesse apreciado, mas não é o tipo de elogio que fica com você para sempre. A verdade é que tudo o que as pessoas querem ouvir é um comentário sobre o jeito que elas bagunçam o cabelo, mordem o lábio, riem, torcem o nariz. Algo sobre seu jeito de falar, caminhar, pensar. Coisas simples, porém especiais. Apenas o jeito que elas são. Elas só querem saber que alguém vê isso nelas, porque são essas pequenas coisas que importam. Elas são a melhor exemplificação de toda a alma humana.
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