Havia um silêncio mortal na cabana enquanto todas nós encarávamos Sam, que, por sua vez, lia calmamente
Isso foi, obviamente, só até Maddie chegar.
— VOCÊ BEIJOU JOSH EVANS!
A resposta foi um coturno passando a dois centímetros da cabeça de Maddie. Sam pegou um canivete suíço no bolso e começou a "casualmente" olhar para ele.
Maddie entendeu o recado e se sentou na própria cama, contentando-se em observá-la como o resto de nós.
Não havia sinal de Tiffany.
— Vamos mandar a loira idiota para casa. Não vamos? — perguntei às meninas, para só depois lembrar que a única ali que era da minha equipe era a Sam. — O que ela fez com a Sam foi terrível. Ela não deixou nenhuma escolha.
— Exatamente, por isso ela beijou o Josh — Brianna completou.
— O quê?! — Sam franziu o cenho.
— Para validar a música da Tiffany e dar aos Quatis mais uma chance de vencer. Não foi por isso que o beijou?
Antes que Sam pudesse responder, Maddie voltou a se pronunciar:
— Vocês falam como se fosse um grande sacrifício! A Sam fica se fazendo de difícil, mas queria beijá-lo tanto quanto qualquer uma aqui!
— É claro que sim. Eu beijo muito bem — gabou-se uma voz conhecida da janela. Josh. — Oi, moças. Oi, Sam.
Sam o ignorou. Continuou lendo seu livro.
— A Sam saberia confirmar isso — resmungou Maddie.
— Maddison, vá à merda, antes que eu me esqueça. — resmungou Sam.
— Eu adoro o quão unidas vocês são — Josh sorriu.
— Como se as coisas na sua cabana também fossem uma maravilha. O valentão chutando a bunda do Cody Gêmeo em Ação e o aspirante a Troy Bolton simplesmente fingindo que nada está acontecendo, como sempre.
— Ah, sou EU que ignoro os acontecimentos?!
— Eu não disse seu nome, mas se a carapuça serviu...
— Cheiro de DR — comentei. — Ela é sempre assim?
— Não. Às vezes é pior. Mas pelo menos está falando comigo, o que já é um progresso. — Josh deu de ombros.
— Por que eu sempre esqueço de trancar essa droga de janela...? — Sam bufou. — Tchau, Josh.
— Sam.
— Não tô no clima.
— Você está tentando fazer com que eu te odeie ou o quê? Porque está falhando miseravelmente.
Em resposta, Sam fechou a janela, quase acertando a cabeça dele. Trancou. E voltou a ler como se nada tivesse acontecido.
* * *
— Vamos mandar a loira idiota para casa, não vamos? — encarei Josh quando o vi sentado na varanda da própria cabana
— Eu não tinha pensado nisso.
— Estou te fazendo pensar agora. Vamos, não é? Depois do que ela fez com a Sam... Quero dizer, você não pode deixar por isso mesmo.
Josh soltou uma pequena risada de desdém.
— O que te faz pensar que eu me importo com a Samantha?
— Você sabe que ela faria mesmo por você — encarei-o.
— Sei, é?
— Minta para mim. Tudo bem. Só não minta para si mesmo — dito isso, saí dali.
* * *
Um voto para Sam. E — pasmem — três votos para Tiffany. Meus olhos encontraram os de Josh por um momento. Ele deu de ombros e observou Sam subir no toco de árvore onde estava sentada e começar uma espécie de dança da vitória enquanto cantarolava uma sequência de insultos a Tiffany.
Pelo menos alguém estava se divertindo.
Sam correu com a mala de sapatos de Tiffany e jogou-a no mar. Depois soltou um riso maligno e voltou a sentar-se.
Demos um high-five. Cara, eu adorava aquela garota.
— SUA... SUA... ARGH! VOCÊS VÃO PAGAR! Principalmente você — Tiffany estreitou os olhos, apontando para Sam.
— Pode vir, Beverly Hills contra Connecticut! Não mexa com o sul — Sam soltou uma risada alta e observou Tiffany sendo levada.
* * *
Num padrão Sam de ser, ela até que estava de bom humor no dia seguinte.
— Oh, bom dia, seus grandes sacos de merda! — ela nos cumprimentou no dia seguinte na mesa do refeitório, mas ao menos estava sorrindo.
— Bom dia, Price — Luke apertou a cintura dela, o que rendeu-lhe uma cotovelada no estômago.
— Da próxima vez, eu acerto mais para baixo — ameaçou ela, cerrando os dentes.
Uma Sam sorridente ainda era uma Sam altamente letal. Josh riu enquanto Luke se contorcia.
— Como se ninguém tivesse previsto isso — Josh zombou.
— Cale a boca — ela retrucou.
Uma Sam sorridente ainda era... Bem... Uma Sam.
— Bom dia, bom dia, bom dia, bom dia, bom dia! — Cory sorriu, falando ao microfone.
— Merda, ele está animado. Estamos ferrados — Maddie murmurou. Ela provavelmente estava certa. Não que eu fosse admitir.
— Quantos de vocês estão no último ano do colégio? — perguntou Cory.
Josh, Luke, Maddie e eu levantamos a mão. Eu não fazia muita questão de decorar, mas sabia que Luke tinha 18 anos, enquanto nós três e Brianna tínhamos 17. Sam e David tinham 16. Quão estranho era isso?
— E sabem o que tem no último ano do colégio?
— S.A.T? — deduziu Sam.
— Trotes nos calouros? — deduziu Luke.
Fez-se silêncio.
— BAAAAAAAAAAAILE! — Maddie gritou, animada.
Cory sorriu.
— Será? Não vou revelar a segunda parte do desafio. Ainda. Por enquanto... Faremos uma caça ao tesouro, meus amigos.
— Temos o que, oito anos? — Sam ergueu uma sobrancelha. — Porque eu costumava fazer isso no acampamento de verão, sabe.
— Ah, no reformatório também! Só que os magrelos idiotas procuravam um óculos ou um remédio caro para caramba de asma que havíamos escondido — Luke riu, satisfeito.
Maddie encarou-o.
— Isso foi malvado!
— Princesa, talvez eu seja malvado. Já pensou nessa possibilidade?
Maddie bufou, desviando o olhar.
— Vocês procurarão por chaves — continuou Cory. — Cada chave abre um baú, que estará no palco do auditório quando vocês a encontrarem. Dentro do baú haverá coisas que o ajudarão na segunda parte do desafio. Ou não — ele soltou uma risada alta. — No entanto, em um dos baús há um anel de ouro. É o Anel do Anjo. Quem consegui-lo será o Anjo da próxima eliminação.
— Virou Big Brother essa droga? — Sam resmungou.
— Não, nada disso. Os dois últimos a abrirem seus baús correrão risco de eliminação. Mas o Anjo, que ninguém vai saber quem é, pode salvar um deles. O outro irá para casa.
Todos gelaram, secretamente imaginando quem os salvaria caso chegassem por último. Assim como imaginando quem eles salvariam se fossem o anjo.
Comecei a fazer uma lista de prioridades em minha cabeça.
— Cada um de vocês terá metade de um mapa — disse Cory. — Há apenas um modelo de mapa, onde estão listadas todas as chaves.
— Metades iguais para todo mundo? — indagou Brianna.
— Sabia que alguém se daria conta. Mas, como tudo isso vai funcionar? Simples — ele fez uma pausa. — As equipes estão desfeitas. Agora é cada um por si.
Os murmúrios foram interrompidos pelos berros de "ALELUIA!" de Luke e Maddie.
A caça ao tesouro começaria depois do almoço. Tínhamos algum tempo para prepararmos o que quer que considerássemos útil para a tarefa, pois não poderíamos voltar ao quarto depois que a caça começasse.
— Se eu pegar metade do mapa, e você pegar uma metade diferente — propus para Sam quando saímos do refeitório. — Topa procurarmos juntas?
— Tipo uma aliança?
— É. É, tipo uma aliança. E se uma de nós duas chegar em último e a outra for o Anjo...
— Vou salvar você. Não se preocupe.
— E se tiver que escolher entre eu e Josh?
Sam escondia bem, mas eu podia ver que minha pergunta a desconcertara um pouco.
— O que está insinuando?
— Estou insinuando que vocês meio que tem um tipo de aliança, não é? Quero dizer, sempre se ajudaram nos últimos desafios.
— Eu não tenho nenhum compromisso com Joshua. Ele faz o jogo dele e eu faço o meu.
Eu sabia que ela estava tentando me convencer, e sabia que Sam era honesta.
Mas no fundo sabia que, mesmo que não fosse a intenção dela, eu tinha uma parceira que não era 100% confiável.