— Eu disse "Sol"! — Sam bufou, tocando a nota repetidas vezez no piano. — Você não está cantando em Sol!
— Toque no que estou cantando, oras!
— Mas a droga de música que eu fiz sem nenhuma ajuda de Vossa Alteza está em Sol!
— Não está, não. Está em G.
— G é Sol, loira. Inferno — ela bateu a cabeça de leve no tampo do piano. — Vou tocar mais uma vez para você. Cante comigo.
Sam começou uma melodia lenta e aparentemente complicada.
— Isso soa como música de enterro.
— Cale a boca.
Ela deu a entrada para o começo do vocal.
— Maybe if I weren't like this — começou ela, baixo.
— Don't know how to say, but if... If I didn't insist for nothing, If I didn't talk so much — cantei por cima.
— Without saying anything at all... — ela aumentou o tom de voz, criticando silenciosamente a velocidade com a qual eu estava cantando. — Quer saber, cale a boca e me deixe cantar uma vez para você entender.
Eu o fiz
"Don't know how to explain, but if my head didn't shut my heart
If I didn't lie when I'm nervous, just to get away from you
When all I want is a hug, but I wouldn't ask for it.
Maybe then I would have you.
If I didn't write on my notebook instead of telling you how I feel
If I didn't use sarcasm when things start to become real
If I weren't conductive to accidents
If I didn't talk like I were the president
If my head could have at least one inhabitant
If I didn't break things when I should fix them.
Maybe then I would have you.
If I take a breath and count to three
Then tell you everything
Will everything be ok
Or will I just have spoken too much again?
Maybe if I knew what to do
Maybe then I would have you..."
Palmas vieram da porta. Josh.
— Essa música é incrível, Sam — ele deu um sorriso levemente admirado.
A punk fechou o piano, parando de cantar no meio da música. Parecia desconsertada.
— Tiffany escreveu.
Não entendi por que ela mentiria, mas a ideia de impressionar Josh me entreteu.
— Isso aí.
— Joshua, estamos ensaiando — Sam suspirou. — Algo que você também deveria estar fazendo. Dê o fora daqui.
— Mas...
— Agora!
Ele suspirou e o fez. Encarei-a.
— Não precisava ser tão rude.
Ela me ignorou.
— Agora que entendeu a velocidade da canção, podemos...
Em uma hora, estávamos sentadas no auditório, esperando para nos apresentarmos.
Josh e Brianna estavam no palco. Eles eram bons, na verdade.
— A voz dela é tão mais suportável que a sua — Sam comentou comigo.
— Não é como se eu gostasse da sua companhia também.
— E agora... — disse Phillip Fadaye sorriu, apresentando a próxima dupla. — Samantha e Tiffany!
Fomos até o palco. Sam sentou-se em frente ao piano e eu sentei-me num banquinho ao lado. Ela tocou um Sol isolado para me lembrar da nota.
— Ótima canção! — Phillip comentou quando terminamos de cantar. — Quem a escreveu?
— Tiffany — respondeu Sam rapidamente.
— Eu!
— Muito bom, mesmo! Como eu disse antes, as pontuações serão individuais, mas no fim o participante em primeiro lugar ganhará um prêmio para a equipe: o prêmio de não ter ninguém de seu time eliminado! Sim, este é um desafio de eliminação! Nessa primeira parte, os vencedores são...: Josh e Brianna, parabéns! Vocês ganharam dez pontos!
— Pare de falar tudo com exclamações! Meu Deus! — Sam o imitou, resmungando.
Em resposta, Phillip sorriu para ela. Argh.
— O desafio final valerá 30 pontos. Vocês devem criar uma canção sobre um colega de vocês que será escolhido por sorteio. Não contem a ninguém, os outros vão ter de descobrir.
Todos pegamos um papelzinho numa caixa. Quando abri o meu, abri um grande sorriso.
Josh.
— Vocês têm vinte minutos até o segundo desafio, sobre o qual explicarei melhor no gramado ao lado da floresta.
Corri para o dormitório antes de todos. Estava prestes a devolver o caderno de Pessoas Que Quero Dar Um Soco Na Cara de Sam — ele não me servia de nada, mesmo.
Foi quando notei que o travesseiro de Sam estava um pouco levantado. Ah. Meu. Deus. Joguei-o para o lado e deparei-me com um pequeno caderno azul.
E, fácil assim, eu tinha em mãos o diário de Sam Price.
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