Fiquei surpresa ao constatar que Josh ainda estava lá quando acordei. Ele parecia bem desconfortável, coisa que uma parte de mim achou muito estúpida. E outra — bem pequena — achou um pouquinho gentil.
— Bom dia — ele sorriu ao perceber que eu estava acordada.
— Bom dia — coloquei uma mecha de meu cabelo atrás da orelha. — Ganhamos?
— Ganhamos.
Abri um pequeno sorriso.
— Chupa, Luke — sussurrei.
Josh escondeu uma risada.
— Eu estava esperando algo como "Oh, muito bem, Josh! Eu sabia que você conseguiria!"
Franzi o cenho, ignorando o comentário.
— Eu nem me lembro de ter adormecido.
— Estávamos conversando, e você capotou.
— Você deve ter me entediado muito.
Para minha surpresa, ele sorriu.
— É, acho que sim. Você estava inconsciente quando encostou a cabeça no meu ombro?
— Não fique tão cheio de si, Evans. Além do mais, seu ombro é surpreendentemente confortável.
Ele deu de ombros.
— O capitão nos deu a tarde livre.
— Bacana. Bom, melhor eu levantar, você deve estar deitado desse jeito há horas...
Josh arregalou os olhos.
— Uou, é a primeira vez que você demonstra qualquer resquício de se importar comigo.
Enrubesci por dentro, mas tentei manter a pose despreocupada.
— Eu te joguei de um penhasco mesmo você tendo fobia de altura.
Para minha surpresa, aquele idiota sorriu.
— Mas isso foi antes de você saber que eu tinha fobia de altura.
Por que ele tinha de fazer aquilo? Sempre fazer com que meus atos parecessem justificáveis quando não eram justificáveis aos olhos de ninguém?
— Vou lembrar da sua animação quando resolver te jogar de algum lugar novamente.
Se Josh esperava mais alguma coisa, não disse. Então apenas levantei-me e fui até a cabana das garotas.
Grande parte delas, incluindo — obviamente — Tiffany, estavam colocando seus biquinis e passando protetor solar. Sentindo os olhares de "O que ela vai fazer agora?" que pareciam me perseguir, fui tomar banho.
Tinha grama no meu cabelo e terra na minha calça jeans e em meus coturnos. Minha camiseta estava amassada. Eu provavelmente me mexera bastante enquanto dormia. Antes que eu trancasse a porta, ouvi a voz aguda de Tiffany:
— Meu Deus, Sam! Você demorou, hein? Estava fazendo o que, brigando com um urso pardo?
Brianna olhou para mim como se dissesse "eu juro para você que não disse nada" e, inexplicavelmente, eu acreditava nela. Provavelmente fora apenas o primeiro animal que viera à cabeça de Tiffany depois de unicórnios.
— É, acho que dormi demais — sorri, debochada. — É que o ombro do Joshua era TÃO confortável...
Se eu dissera aquilo apenas para irritá-la? Óbvio. Ver aquele rosto cheio de maquiagem se contorcendo de ódio era como colírio para meus olhos. Fez-se silêncio por um minuto e, quando Tiffany não respondeu, Barbie riu e anunciou:
— Dez a zero para a punk.
Satisfeita, fui tomar banho. Depois me vesti. Shorts jeans rasgado, uma blusa com alguns dizeres contra a autoridade ("Questione a autoridade ou seja um escravo do sistema") e coturnos. Depois peguei discretamente meu caderninho preto embaixo do travesseiro e saí da cabana. Sentei-me sob uma árvore perto da praia. Longe o bastante para que a água e a areia não me afetassem, porém perto o bastante para que pudesse observar as ondas.
Abri meu caderno e escrevi Tiffany Preston na primeira linha, em letras maiúsculas. Ali estava um nome que eu não apagaria. Depois de um tempo, percebi que Josh estava surfando. Sério, ele surfava mesmo? Toda vez que eu achava que não dava para ele ficar ainda mais mauricinho, ele dava um jeito de me surpreender.
Finalmente ele pareceu perceber minha existência e acenou, afastando os cabelos molhados do rosto. Desviei o olhar e escrevi Joshua Evans no caderno. Infelizmente, ele não desistia fácil e veio falar comigo.
— Está zoando com a minha cara. Você vai realmente ficar aí sentada nessa árvore a tarde toda? — Josh ergueu uma sobrancelha para mim.
— Nem comece o sermão.
— Sério, olhe esse sol! Observe como meus olhos refletem nele e ficam da cor exata da água! Qual é, Samantha.
Meu primeiro reflexo foi xingá-lo por me chamar de Samantha, mas eu o chamava de Joshua o tempo inteiro, então não havia muito que eu pudesse dizer.
— Você só está piorando as coisas.
Josh sorriu.
— Talvez eu vá surfar com a Brianna, então.
— Fique à vontade.
Ele continuava me fitando.
— Mas... seria mais legal surfar com você, sabia?
Inconscientemente, risquei o nome de Josh de meu caderno.
— Ah é? A ideia não me atrai.
— Eles não têm praias em Connecticut? Ou você apenas é legal demais para se sujar de areia com o povão?
Escrevi o nome dele no caderno de novo.
— Diga-me você.
— Acho que você está apenas com medo. E o medo nos impede de fazer as coisas, sabe?
Lembrei de como ele estava sendo legal mesmo que eu o tivesse jogado de um penhasco e risquei o nome dele de novo.
—... Afinal, que caderno é esse? — ele tentou ver, curioso.
Mostrei-lhe a capa.
— É o meu caderno de Pessoas que Eu Quero Dar um Soco na Cara.
Josh riu ao ver que eu estava falando sério.
— Meu nome está aí?
— Por que você se importa?
— Ei, essa é a minha provocação.
— E eu acabo de roubar a sua provocação mas, por favor, não chore.
Ele sorriu.
— Não vou conseguir te convencer a ir aproveitar o dia, não é?
— Não.
— Eu realmente odeio fazer isso — ele me encarou. —, mas você vai me agradecer qualquer dia.
E então ele apenas se inclinou e me segurou, colocando uma mão nas minhas costas e a outra nas minhas pernas. E assim, fácil, ele estava em pé e me segurando em seus braços.
E assim, fácil, eu chutei a cara dele.
— Joshua Evans! Me solte AGORA! Estou falando sério, me ponha no chão! JOSHUA!
Derrubei meu caderno no chão perto da árvore, mas não estava em condições de pegar. Continuei tentando me soltar, mas ele tinha aquela força irritante que eu não conseguia contornar e também tinha o fato de ele ter mais de 1,80m de altura e se eu conseguisse pular — o que eu não conseguia, mas em todo caso — seria uma linda queda de cara na areia. Então apenas continuei me debatendo e ordenando que ele me soltasse. Ele não o fez.
E então, quando chegamos no cais, ele me balançou e me jogou na água. Assim, fácil. Emergi depois de alguns segundos, cuspindo água e xingamentos em grandes quantidades. Felizmente minha blusa era preta, o que fez com que o fato de eu não estar usando biquini não fosse um problema.
Josh pulou na água logo depois e, quando apareceu ao meu lado, eu o afoguei. Tive que pular em suas costas para isso, nunca conseguiria afundar sua cabeça apenas com as mãos. Depois de alguns segundos de satisfação, deixei que ele respirasse.
— Idiota! — xinguei, encarando-o.
Mas para minha surpresa, ele estava rindo.
— O chute doeu.
— Que BOM que doeu! Não deve ter doído tanto assim, porque você não me soltou!
— Qual é, Price — ele sorriu. — Se divirta um pouco.
E então ele jogou um tsunami de água em mim com as mãos. Joguei mais água em retorno. E antes que eu percebesse, estávamos fazendo uma guerra de água.
— Cuidado! — ouvi a voz de Josh dizer antes de me puxar para o lado no exato momento em que uma prancha caiu no exato lugar onde eu estava há um segundo.
Ergui os olhos e me deparei com Tiffany parada no cais.
— Ops — ela deu um sorriso fraco. — Escapou.
Eu estava prestes a dizer que o meu punho também ia escapar até a cara dela quando Josh subiu na prancha.
— Você vem? — ele sorriu. Aquele sorriso "eu sou o popular bonitão" que sempre me irritava, mas acho que ele o fazia sem perceber. Eu podia ver a cena de um filme ali, entendendo o ângulo que o cara da câmera usaria para que o sol refletisse nos olhos verdes de Josh e em seu corpo, deixando-o mais dourado.
Imaginei se havia alguma câmera nos filmando naquele momento. Seria uma bela imagem.
Joshua entendeu minha distração momentânea como uma relutância.
— Se você não vir, tenho jeitos de te fazer subir nessa droga de prancha — ele me encarou, tão sério que me fez rir.
Dei de ombros e subi na prancha, o que pareceu surpreendê-lo. Josh começou a remar com as mãos muito lentamente, como se estivéssemos em um barquinho a remo.
— Onde você pretende chegar com isso? — ergui uma sobrancelha.
— Não sei. Talvez rememos até o pôr-do-sol, fazendo uma ação muito idiota parecer poética. Nossa destinação te incomoda?
— Não realmente.
Josh sorriu um pouco e continuou remando.
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