segunda-feira, 29 de julho de 2013

Under the Stars


I can see the kind of beauty
I've never seen before
Perfection that confuses me
Then leaves me wanting more.

Thank you for the week
But I must go now
Won't forget the memories
They are burning in my heart.

~pre-chorus:
But this is when it gets hard, isn't it?
It's when the feelings appear
We start the imaginary hugs
But that's never enough...

~chorus:
I just need you to become
A light in the dark
The right path when two roads diverge
"A true heart, now a follower"
Just be my headlight
Under the stars

Be my crying shoulder when I'm wrong
Cause I'm wrong all the time
Don't let the feelings get gone
You make me feel right.

But don't lose this way that I love
The details I've fallen for
I'm thinking about all those stories
And I'm not done yet.

~pre-chorus:
But this is when it gets hard, isn't it?
It's when the feelings appear
We start the imaginary hugs
But that's never enough...

~chorus:
I just need you to become
A light in the dark
The right path when two roads diverge
"A true heart, now a follower"
Just be my headlight
Under the stars

~bridge:
So now things must go back to normal
But normal is boring if it don't have you
It doesn't satisfy the soul
The deep wishes I need to full
My heart, my mind and everything I do
So please hug me one more time
I don't think we've ever said goodbye
Cause we're still hoping for one more shot
Of that perfect place that leave us wanting more

~chorus:
But I know you'll always be
The brightest light
If you're there, no road is wrong
"A true heart, not a follower"
I'll be your headlight
Under the stars
Because maybe then I wouldn't miss you all the time.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 38: Sam


Ouvir a voz da Lily foi o melhor presente que eu poderia ter ganhado. Cory me prometera que ninguém estava filmando aquela conversa e eu meio que acreditava nele.
— Isso está sendo televisionado? — perguntei à Lily de repente.
— Não — disse ela com sua vozinha fina. — Estão focando em alguma briga da Barbie com a Tiffany. Mamãe finalmente assinou o Pay Per View do programa, então agora posso assistir você o tempo inteiro! Sério, é muito divertido! Aí também está sendo divertido?
Sorri. Olhei para Josh de relance como se tivéssemos uma piada interna, mesmo que ele não fizesse ideia do que eu estava falando à minha irmã.
— Não está tão ruim quanto eu pensei.
— As pessoas são tão legais quanto parecem na TV? A Tiffany odeia mesmo você? Você fica com ciúmes da Tiffany igual a Tiffany fica com ciúmes de você por causa do Josh?
Tomei um minuto para respirar. Lily tinha a mania de fazer perguntas demais de uma vez.
— Algumas pessoas são suportáveis. Sim, a Tiffany me odeia. Não, eu não tenho ciúmes dela.
— Ahh... E você e o Josh são tipo BFFs agora?
— Não sei, pera aí, deixa eu perguntar... Ei, Joshua! — berrei. Ele se virou, surpreso. — A Lily está perguntando se somos BFFs.
— Nem pensar! Nós somos BFFEs! Best Friends Forever and Ever!
Sorri.
— Acabo de saber que somos BFFEs — falei para Lily.
— É, eu ouvi... Ele tá aí do seu lado?
— É, mas ele não consegue ouvir o que a gente fala.
— O idiota do Trevor está berrando aqui do meu lado quais são seus planos para hoje à noite e ele perguntou se você já "pegou aquele delinquente que também está no programa".
— Diz para o Trevor... Bom, primeiro fala para ele "VTNC".
— O que isso significa?
— "Vem tomar Nescau comigo" — menti. — Mas fala a sigla.
Josh riu.
— Ei! Pare de espiar a conversa dos outros, Evans! — censurei e ele se afastou mais. — Lily? Ah, e diz para ele que o Luke é um idiota e que eu prefiro morrer. E meus planos para hoje à noite... — encarei Josh e falei um pouco mais alto para que ele ouvisse. — Diz para o Trevor que meus planos para hoje à noite são pizza e filme com um atleta mauricinho da cidade grande com a ficha limpa.
— VOCÊ TEM UM ENCONTRO COM O JOSH?!
— Não... Não é um encontro. Nós ganhamos o jantar no desafio, Lil. E pizza e filme não é exatamente o programa mais romântico do universo.
— Eu acho muito fofo!
— Lily! Somos... amigos, acho. Ele é... menos idiota do que o resto das pessoas aqui — confessei. Uou. Eu realmente dissera aquilo? Não tinha como ser verdade. Josh era tudo o que eu odiava. Mauricinho, popular, atleta, surfista, tinha aquela pose idiota de galã...
Não tinha como ser verdade. Mas era.
— Eu não entendo. Você é bonita. Ele é bonito. E você faz ele sorrir. Você não vê o jeito que ele olha para você, mas eu vejo.
— Lil. A TV distorce as coisas.
— Eu sei. Bem... Vou deixar você voltar ao seu encontro. Depois me conta como foi.
— Não é um encontro, Lily! Droga, não repita isso por aí! Ligo de novo semana que vem.
— Ok... Ei, Sam.
— O quê?
— Eu amo você. Estou com saudade.
Engoli em seco. Sentia-me idiota por desmontar tão facilmente, ainda mais com Josh assistindo.
— Também amo você, Lil. Muito. Aguenta firme que daqui a algumas semanas eu estou em casa, ok?
— Ok. Olho no prêmio, hein?
Sorri.
— Pode deixar. Tchau, Lil. Até semana que vem.
E desliguei. Assim foi minha tão esperada conversa com a Lily. E valeu totalmente a pena. Caminhei até Josh que, sem fazer nenhuma pergunta ou comentar meu estado vulnerável, sorriu e disse:
— Está com fome?
— Estou. Mas estou suada também. Vou tomar um banho e te encontro na fogueira, ok?
A verdade é que eu só queria um tempo para me reconstruir depois da ligação. Lily era a única pessoa no universo que tinha o poder de derrubar todas as barreiras que eu construía ao redor de mim mesma, e eu demorava alguns minutos para reconstrui-las. Não que eu conseguisse fazê-lo de imediato. Era como se eu fosse um livro que só Lily pudesse abrir, mas que mesmo depois de fechado, ela ainda mantivesse um marcador de página dentro dele.
Eu percebera recentemente que Josh podia ler minhas expressões bem mais do que deixava transparecer, então ele sabia que aquela era uma desculpa idiota. Mas por algum motivo, ele não comentou nada. Assim como não comentou nada sobre minhas tergiversações o dia todo. Eu meio que me sentia grata por ele não exigir explicações.
— Claro. Vinte e cinco minutos?
— Ok — dei de ombros e ele hesitou um pouco antes de se dirigir à Cabana Leste.
Cheguei à cabana das meninas tentando não chamar atenção. Mas é claro que não deu certo.
— Olha quem chegou — Barbie sorriu. — A vencedora.
Claro que ainda havia um pouco de ressentimento em sua voz, mas fingi não perceber.
— Sou a primeira no banho — estipulei, sem pedir confirmação. — A pizza me espera.
— E o Josh também — comentou Maddie.
— É, bem... Nenhum prêmio é perfeito — dei de ombros. — Mas estou realmente a fim daquela pizza.
A resposta das meninas foi jogar vários travesseiros em mim. Ri um pouco.
— Pizza? Quem liga para a pizza? — Barbie sorriu para mim. — Quero um Josh à milanesa para mim, por favor.
Ri um pouco mais e fui para o banho. Depois simplesmente peguei uma roupa qualquer: uma camiseta vermelha, jeans e coturnos. Passei rímel e voilà.
 — Vai mesmo assim? — Barbie ergueu uma sobrancelha para mim, sentando em frente a mim na minha cama.
— É só uma pizza, poxa.
— E um filme — disse uma voz na janela. Josh, tampando os olhos com uma das mãos. — Olá, meninas. Estão todas vestidas?
— Sim. Sabe, essa seria uma atitude realmente admirável, se você não estivesse espiando entre os dedos.
Josh sorriu e abriu o pequeno vidro da janela.
— Então — ele me fitou. — Nós temos... Duro de Matar 4.0...
— Não.
— Os Mercenários...
— Não.
— Duro de Matar: Um Dia B...
— Joshua, eu não vou assistir um desses filmes broxantes de ação, desista.
Ele riu um pouco e deu de ombros como se já esperasse por isso.
— Temos... Cisne Negro.
— Gay demais.
— As Vantagens de Ser Invisível...
— EU AMO ESSE FILME!
Josh me encarou, surpreso.
— Sério? Eu nunca assisti. Mas aqui está classificado como "drama"...
— Não é drama! É muito mais do que isso, em tantas formas diferentes, e...
— Acho que escolhemos o filme, então?
Assenti.
— Ok. Vejo você em cinco minutos. Ah, e você acha que eu deveria providenciar dois cobertores ou apenas um já bast...
Encarei-o e fechei a janela na cara dele.
— Tchauzinho, Joshua — acenei e ele ergueu uma sobrancelha antes de desaparecer. Fitei Barbie. — Onde estávamos?
Foi quando percebi que o chalé todo me fitava como se tivesse visto um fantasma.
— O que foi? — franzi o cenho.
— Estão surpresas com o jeito como conversou com ele — Brianna esclareceu, levantando os olhos de seu livro.
— Eu trato Joshua como trato todo mundo, ué — dei de ombros. — Acharam o que, que era tudo "Awn, olá Joshua", "Awn, obrigadinha Joshua, você é tãão forte!"? Nah.
— Viu como ele ficou surpreso? — Barbie fitou Brianna. — Ela provavelmente foi a primeira garota no universo a fechar uma janela na cara dele.
— Ele faz de propósito — defendi. — Bem, se me dão licença, eu vou indo.
— Mas é sério que você vai com essa roupa?
— O que tem de errado com a minha roupa? — suspirei. — Esperava o quê? Um vestido de bolo, babyliss no cabelo e um bottom escrito "SRA. EVANS"? — ergui uma sobrancelha. Fora uma pergunta retórica, então apenas saí da cabana sem esperar resposta.
Encontrei Joshua sentado no chão, encostado num dos troncos cortados de árvore perto da fogueira apagada. Havia apenas a luz fraca de um poste e da lanterna que ele havia trazido, mas eu conseguia vê-lo. Vestia roupas normais — uma camisa branca, jeans, tênis e a jaqueta do time de lacrosse que eu havia dito que odiava. Eu duvidava que fosse coincidência. Seus olhos verdes chamavam mais atenção por causa da luz fraca, e não fizeram nenhum comentário sobre a minha roupa. Assim como eu não estava esperando um terno, ele não estava esperando nada diferente de jeans e coturnos.
Aproximei-me e me sentei ao seu lado. Josh pegou a caixa de pizza e a colocou entre nós dois. Ele já havia comido dois pedaços. Revirei os olhos.
Normalmente, ao ver um filme com alguém que eu mal conhecia, eu não sentaria no chão, não comeria pizza com as mãos e não ficaria dando pitacos nos filmes. Mas as coisas com Josh eram bem mais simples. Ele não dava a mínima para formalidades, e eu também não. Quando comentei isso com ele, ele sorriu e disse:
— O caso é que nós somos BFFEs, Samantha. Tudo é diferente quando se está com o seu BFFE.
Percebi que o lado direito de minha boca estava inclinado para cima.
— Põe logo essa droga de filme antes que você coma toda a pizza.
Cory havia nos arrumado um projetor, já que não tínhamos TV. Logo o filme estava começando.
Frequentemente eu sussurrava:
— Essa parte é muito boa.
— Você vem falando isso o filme todo — Josh me encarou.
— Eu disse que amo esse filme, poxa.
Quando fui pegar mais um pedaço de pizza, me dei conta de que havia acabado.
— Joshua! Você comeu cinco pedaços de pizza?! — semicerrei os olhos.
— Foi? — comentou ele, distraído.
— Meu Deus, como você não engorda? — perguntei ressentida.
— Bons genes — ele deu de ombros.
— Agora cale a boca que eu amo essa parte.
Era uma de minhas partes favoritas do filme, quando eles estavam jogando Verdade ou Desafio e o Patrick perguntava para o Charlie como estava o namoro.
— Está tão ruim que eu frequentemente fico imaginando um de nós dois morrendo de câncer para que eu não tenha que terminar com ela — disse Charlie no filme.
Soltei um riso baixo e Josh riu também. Ele tirou a caixa de pizza e a jogou longe — provavelmente em um desafio a Cory, o que provavelmente queria dizer que minha rebeldia era contagiosa. Depois se aproximou para me dar a torta de maçã.
Cara, estava muito boa. Ele não pediu um pedaço e eu não ofereci, provavelmente como vingança por ele ter comido a pizza toda.
Foi quando chegou NAQUELA parte. A parte onde Charlie começa a ter flashbacks de sua tia de novo e tenta matar a si mesmo.
Eu havia me esquecido do porquê de eu não assistir aquele filme com pessoas perto.
Idiota, sussurrei para mim mesma. Não chore. Não chore. Não aqui. Não agora. Vai ficar tudo bem. Reconstrua as barreiras. Droga, por que é tão difícil?
— Está com frio? — Josh me fitou por um momento.
Demorei um momento para voltar à realidade.
— Não — respondi, mas acho que minha expressão disse outra coisa.
— Eu trouxe cobertores e... Ah, maravilha — ele revirou os olhos ao perceber que os cobertores haviam caído do tronco de árvore e agora estavam numa poça d'água. — Faz o seguinte: pega o meu casaco.
— Joshua, sério...
— Estou falando sério... — disse ele, tirando o casaco. — Nós atletas somos submetidos a todo tipo de tortura. Não sentimos frio, não engordamos... Quase não somos humanos, sabe.
— Como zumbis?
— Não, eu sou muito mais bonito que um zumbi.
Revirei os olhos, sorrindo um pouco.
— Eu acho zumbis muito fodas. Eles são lerdos, burros e não tem nenhum poder legal, mas mesmo assim matam todo mundo.
— É um argumento válido — Josh reconheceu. — Aqui, toma — ele se sentou ao meu lado e colocou a jaqueta nas minhas costas.
— Obrigada — lembrei de dizer.
Por mais que eu ainda odiasse a jaqueta e tudo o que ela representava, não podia negar que era muito confortável. Fiquei imaginando se ele percebera que o filme estava me afetando, ou se só tinha um timing muito bom.
— Fica bem em você — ele sorriu. — O vermelho dá mais cor ao seu rosto.
Abri um leve sorriso, ainda abraçada na jaqueta. Tinha um cheiro que reconheci: amaciante, algo amadeirado e mais alguma coisa que não identifiquei. Tinha cheiro de Josh.

I Would Have You


Maybe if I weren't like this
Don't know how to say, but if
If I didn't laugh for nothing
If I didn't talk so much
Without saying anything at all.

Don't know how to explain, but if my heart didn't shut my head
If I didn't lie when I'm nervous, just to get away from you
When all I want is a hug, but I wouldn't ask for it.
Maybe then I would have you.

If I didn't write songs instead of telling you how I feel
If I didn't use sarcasm when things start to become real
If I weren't conductive to accidents
If I didn't talk like I were the president
If my heart didn't fight because of only one inhabitant
If I didn't break things when I should fix them.
Maybe then I would have you.

People say different is good
But is weird ok too?
If I say it's love, is it all forgiven
Even if the apple is already bitten?

If I take a breath and count to three
Then tell you everything
Will everything be ok
Or will I just have spoken too much again?
Maybe if I knew what to do
Maybe then I would have you.

But if I weren't as I am
Then I wouldn't know who I would be
I wouldn't know what to do
Being like this is all I know.

Maybe if I changed I would have you
We could walk together somewhere North
But if I had you I wouldn't have myself
And that's more then I can support.

sábado, 13 de julho de 2013

Old Little Box


I've opened my old little box today
I bet you I've never told you about it
A little box full of happiness and pain
Cause yes, that box is about ya.

I've opened my old little box this time
Not for crying, just recognizing
Old memories burning in my head
Since the day we first met.

~chorus:
Remember how we were kids and how much we've grown?
Oh, but we met 2 years ago...
Remember your high voice
Remember all the noise
You used to do because of werewolves?
We hunt them now, but I still see the little boy
You used to be, with your big big heart
Nothing has changed in the old little box.

I have the old little box on my hands
I hid the key in a safe place
No one ever found it.
The box's not very heavy
Not very pretty
But the real thing are the memories
And the feelings I know that are there.

~chorus:
Remember when we were at the mall and she was leaving?
In the middle of the lobby, we were screaming
Three or six, but you didn't get
So you just looked at me like "Are you mad?"
But I love that you don't understand what I say
But like me, anyway...
I felt it before and I feel it now
Nothing has changed in the old little box.

~bridge:
So maybe things are not the same
Maybe now they have changed
Maybe we're grown ups now
But I don't wanna quit being silly
I don't wanna quit being silly with you
Your big smile, your perfect timing
Your amazing draws, all the times I drowned
Myself thinking about you
Your little eyes, your big coat
I'm talking too much, it's never enough
Every little detail
Becoming a tale
To tell our kids someday...

~chorus:
Remember the time I wrote you this song?
How much it meant and how much it hurt?
Remember the blondies and parties and it all
And the fireworks and hunting and fanfics about
Fiction with a background
Of reality about... us?
I know what we see is not the same anymore
But it's still the same deep inside on my heart.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Hold On (Romeo and Juliet)


My head spins round and round
I can't remember everything about
The night we met
Was it rainy? Cause it was wet
Clear and lonely till you came in.

I do remember the moment you arrived
Confident with your glorious smile
I was told to stay away
By my own head, since that day

~pre-chorus:
I try, I try
It might end up on something
Right, right
So please hold on tight...

~chorus:
Cause I see it now, it's meant to be
We'll go through it all, baby, you and me
Someday our story will be known
As the greatest love story ever told
If you just hold on...

And everything will be alright
If you just get lost into my eyes
They'll all read our story one day
They'll all know our names and say
"God bless Romeo and Juliet".~

I know now things are hard
But it'll be worth it
You know it
Don't you, darling?

I see it now
Nothing can stop us, not even the crown
Can you see it now?
Our love is too strong, they won't bring us down.

~pre-chorus:
I try, I try
It might end up on something
Right, right
So please hold on tight...

~chorus:
Cause I see it now, it's meant to be
We'll go through it all, baby, you and me
Someday our story will be known
As the greatest love story ever told
If you just hold on...

And everything will be alright
If you just get lost into my eyes
They'll all read our story one day
They'll all know our names and say
"God bless Romeo and Juliet".~

And now they're after our heads
Life if love was a sin
Remember the things that we said
Now I know what you mean

Together we were, and now together we'll stay
Death is just another adventure when you whisper my name
They're after us, I look inside your eyes
Silently whispering "goodbye".

domingo, 7 de julho de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 37: Josh


Então... Eu estava desesperado, mas tentei banir a palidez de minha cara. Acho que não fiz um bom trabalho, porque quando Cory terminou de explicar as regras, Sam ergueu uma sobrancelha e disse:
— Tudo bem aí? Você não vai desmaiar nem nada... Né? Porque, sério, eu não vou te arrastar até a enfermaria.
Sam apenas sendo Sam. Abri um leve sorriso.
— Não, mas... Eu sou terrível em xadrez.
— Então ainda bem que isto não é xadrez.
— Certo, mas é parecido, e...
— Vai ficar tudo bem, Joshua.
— Como tem certeza?
— Você prometeu — ela me fitou com aqueles grandes olhos cinzentos. — E você leva suas promessas muito a sério.
Eu odiava o fato de que todas as minhas falas heroicas pareciam idiotas quando ela as repetia. Percebi que ela continuava com os olhos focados nos meus, como se decidisse alguma coisa mentalmente. Por fim, se aproximou de mim e, com uma expressão desajeitada no rosto, me abraçou.
Um abraço de Sam Price era tudo o que eu tinha certeza de que não ia ganhar na vida. Ela não era muito da vibe de "abraços grátis".
Porém, ali estava ela, com a cabeça em meu peito. Coloquei os braços em volta dela, ainda um pouco atônito. Sam tinha cheiro de baunilha, contestei muito surpreso.
Quando nos separamos, ela olhou para o chão e disse:
— Isso foi esquisito.
Sorri.
— Esquisito de um jeito bom? Tipo... "Ei, vamos fazer isso de novo qualquer hora!"?
Ela me encarou por alguns segundos.
— Cale a boca e me ajude a colocar a venda.
Ainda sorrindo — o que a irritou —, fiz o que ela pediu. Logo ela estava na primeira casa do tabuleiro, esperando ordens.
— Sam — disse eu. — Um passo à frente.
Ela o fez. Olhando assim, nem parecia tão difícil. Um dos estagiários se moveu logo depois — três casas para frente.
— Um passo à frente — disse eu novamente.
O segundo estagiário andou uma casa na diagonal.
— Um passo à direita.
O primeiro estagiário andou mais uma casa à frente.
— Um passo à frente.
Foi quando o primeiro estagiário andou três passos à direita e tocou na Sam. Soltei um palavrão.
— Qual esporte Josh pratica no colégio? — disse o estagiário.
— Lacrosse — disse ela baixinho. — Você estava usando uma jaqueta de lacrosse no primeiro dia. Eu lembro de odiar aquela jaqueta.
Sorri quando o estagiário assentiu e voltou para o lugar onde estava.
— Um passo à frente — continuei.
O terceiro estagiário andou uma casa à frente.
— Um passo à frente.
O quinto estagiário andou um passo à frente e dois à esquerda e tocou nela.
— Josh! — ela gritou comigo, irritada.
— Desculpe, desculpe, eu...
— Qual o nome do irmão mais novo de Josh? — disse o estagiário.
— Eu... Hum... — ela abriu um sorriso fraco. — Algo com D... Da...niel?
— Dylan — corrigi.
Ela xingou novamente e recuou um passo.
— Um passo à direita.
— Josh, como eles estão se movendo?
— Eu não sei... O primeiro se moveu três pra frente, depois uma à frente e depois três para a direita. O segundo se moveu uma casa na diagonal. O quinto andou um à frente e dois à esquerda.
— Talvez o primeiro só ande nessa coisa de um-três-um-três...
Como que para provar que estávamos errados, o primeiro estagiário andou duas casas à direita. Relatei isso à Sam.
— E se... Xadrez! — meus olhos se acenderam.
— Josh, isso aqui não é xadrez...
— Certo, mas os movimentos são! A torre só anda em linha reta, não é? Quantas casas quiser?
—... Sim.
— O bispo anda em diagonal.
— E o cavalo anda em L.
— É isso! O primeiro é a torre, o segundo é o bispo e o quinto é o cavalo. Bem... Sendo assim, você está na mira do cavalo, ande um para a direita.
O cavalo se movimentou logo depois. Dois para a esquerda e um para frente.
— Um para a esquerda.
O quarto estagiário andou uma casa na diagonal.
— Um para frente.
O sexto estagiário andou uma casa à frente. Se Sam andasse um passo à frente, o estagiário tocaria nela. Se ela acertasse a pergunta, ganharíamos.
— Sam — chamei, tentando parecer calmo. — Você confia em mim?
— O quê?!
— Estou perguntando se confia em mim.
— Por quê?!
— Apenas responda. A próxima jogada não é segura, mas pode dar certo. Você confia em mim?
Ela resmungou algo baixinho.
— Certo, não precisa responder. Se confia em mim, ande um passo à frente.
Por um minuto realmente achei que ela não fosse andar. Mas por fim ela olhou para trás, mesmo que não pudesse me ver, e deu um passo à frente. O estagiário tocou nela.
— Por que a mãe de Josh o mandou para um psicólogo quando ele tinha onze anos?
Sam bufou, irritada.
— Sam — chamei, calmo. — Pense.
Ela massageou as têmporas, provavelmente se lembrando de tudo o que eu havia dito a ela. Ela provavelmente não prestara atenção em pelo menos metade, o que facilitava a pesquisa.
— Porque ele tinha fobia de altura — disse ela, finalmente.
Realmente quis que ela visse o sorriso estampado em meu rosto.
— Sam — disse eu. — Um passo à frente.
Ela o fez. E quando o fez, o estagiário número 6 se jogou no chão. Concluí que ele era o rei.
Sam ainda estava com a venda. Fui até ela e a desamarrei com cuidado. Quando ela abriu os olhos, encontrou os meus, brilhando.
— Samantha — sorri. — Ganhamos.
— Eu sei, idiota — disse ela, mas sorria também. — Vou poder falar com a Lily.
Ela estava falando mais consigo mesma do que comigo, mas respondi mesmo assim:
— Sim.
Em um momento súbito, ela me abraçou novamente.
— Obrigada — sussurrou no meu ouvido.
— Quero dizer, vai ser legal falar com o Roger. Ele que me enfiou nessa coisa aqui, mesmo — dei de ombros, tentando parecer indiferente.
Pude ver que ela não acreditava em mim, mas não disse nada.
— Vocês ainda têm que cruzar a linha de chegada, idiotas — Cory revirou os olhos.
Nos entreolhamos por um momento e corremos. Sam não gostava nada de correr, então me deixou correndo como um louco enquanto ela me acompanhava caminhando. Éramos uma dupla, tanto fazia quem ia cruzar primeiro.
Bem, era o que eu achava.
— Parabéns! Vocês dois ganharam um jantar com o prato que preferirem e Josh, como foi o primeiro, ganhou um telefonema por semana. — Cory sorriu.
— Ei! — Sam protestou.
— Eu disse "o primeiro que cruzasse", e não "a dupla que cruzasse primeiro".
Seria mentira se eu dissesse que não queria ligar para casa, mas...
— A Sam chegou primeiro — disse eu. — Um dos meus pés ainda está em cima da linha, ainda não a cruzei.
Sam me encarou com aquela cara de "Você não precisa fazer isso". Luke estava se aproximando, então eu apenas empurrei ela para o outro lado da linha e fui atrás. Depois sorri para Cory, que parecia estar se divertindo muito.
— Muito bem, então. Declaro Sam e Josh os vencedores!
O sol já estava se pondo. Sam fitou Cory e falou baixinho:
— Posso fazer o telefonema agora? Ela dorme cedo.
Cory assentiu.
— Vou mandar prepararem o jantar de vocês. O que vocês querem?
Sam me fitou, claramente dizendo "Pode escolher". Dei de ombros.
— Pizza e filme? — ela sugeriu, sorrindo um pouco. — E torta de maçã de sobremesa.
— Pizza com torta? — ergui uma sobrancelha.
— Eu amo torta de maçã!
— Ok, ok... Então... Calabresa? — sugeri. Ela me encarou como se eu fosse idiota. Ah, é. Ela não comia carne. — Metade calabresa e metade...
— Dois queijos.
— Perfeito. — e encarei Cory para ter certeza de que ele tinha anotado os detalhes.
— Vou mandar cancelarem a lagosta... — ele bufou, se afastando.
Sorri. Provavelmente esperavam que pedíssemos um jantar caro com garçons, mas... Pizza e filme era muito mais a minha cara. E a de Sam também. Um jantar chique seria esquisito.
— Vou ligar para a Lily — Sam disse para mim. Assenti. Ela demorou alguns segundos para sair, talvez imaginando se deveria pedir que eu fosse junto. Eu fui.
Sam pareceu um pouco surpresa, mas não contestou.
Ela foi até o telefone ao lado do refeitório e começou a discar um número. Fiquei a uma distância considerável dela, respeitando sua privacidade, então não conseguia ouvir o que ela estava dizendo.
Mas podia ver. Quando Lily atendeu, aquela foi a primeira vez em que vi Sam sorrir de verdade. Não seu sorriso sarcástico de sempre, ou o sorriso constrangido que me lançava quando não sabia o que dizer, mas um sorriso feliz. Seu rosto se acendeu por inteiro, especialmente seus olhos. Vê-la tão feliz e imaginar que eu tinha um pouquinho a ver com isso me deixou feliz também. O sorriso dela era muito contagiante.

Adolescentes Selvagens; Capítulo 36: David


Eu era loiro. Brianna era loira. Normalmente as pessoas julgariam que tal coisa jamais daria certo, mas Brianna era esperta o suficiente por nós dois.
Eu estava pilotando e ela dava instruções, calma. Depois de um tempo percebera que eu demorava um pouquinho para realizar os comandos, então começou a me dizer o que fazer um pouco antes de eu realmente ter de fazê-lo.
Simples assim. Era tão fácil conviver com Brianna que parecia um sonho. Tudo estava bem, até que eu ouvi um grito atrás de nós:
— SAIAM DA FRENTE, DOCINHOS, QUE AQUI VEM A BAAAAAAAAAAAAAARBIE!
A bicicleta de Barbie e Tiffany mais pulava do que andava, sem parecer perceber que elas deveriam desviar dos pneus que estavam no trajeto, e não pular em cima deles.
Minha reação foi extremamente máscula.
— NÓS VAMOS MORREEEEEEEEER! BRIANNAAAAAAAAAAA!
— David Watson — ela me censurou, séria. — Apenas ouça o que estou dizendo. Vire. À. Direita.
Relutante, eu o fiz. Senti um vento forte do meu lado esquerdo. Provavelmente eram Barbie e Tiffany nos passando.
— Josh. Esquerda. — ouvi a voz de Sam em algum lugar na minha frente.
— Estamos nos aproximando de Sam e Josh?! — perguntei, animado.
— Claro! Mas... ainda temos de passar Barbie e Luke antes disso. Espere...
— CHUPA, EVANS! — ouvi a voz de Luke.
— Certo, Luke acaba de passar Josh.
— HA! TOMA ESSA! — Sam gargalhou e Luke soltou um palavrão.
— E Sam acaba de acertar Luke com uma lata de ervilha.
Um pouco feliz por estar alheio à briga pelo primeiro lugar, continuei pedalando.
— Certo... E... Pode parar — anunciou Brianna.
Parei a bicicleta com o máximo de cuidado que consegui. O que, devo admitir, não foi muito, mas o que vale é a intenção. Quando tirei a venda, deparei-me com Brianna sorrindo para mim, mesmo que estivéssemos em último.
— Venha, venha! — disse ela, seus olhos verdes brilhando de entusiasmo. — Não há tempo a perder!
A terceira e última parte do desafio era um tabuleiro como o de xadrez pintado no chão. Na metade oposta, havia seis estagiários do programa vestidos de preto.
— Vocês vão inverter os papéis agora. Quem estava enxergando deve usar a venda. O objetivo de vocês é simples: a pessoa que enxerga deve dar comandos ao cego para que ele possa passar pelos estagiários e chegar à outra ponta do tabuleiro. É como xadrez, movimentos alternados. Vocês fazem um movimento, e então o oponente fará um movimento. Cada estagiário se move de uma forma específica, talvez vocês possam descobrir... — ele abriu um sorriso travesso. — Se um estagiário tentar ocupar o mesmo espaço que você, o oponente lhe fará uma pergunta sobre seu parceiro e você deve responder. Se responder corretamente, continua o jogo. Se errar, volta um espaço. É isso. Começou!
O pânico me envolveu como um velho amigo quando percebi que eu daria os comandos em uma coisa quase parecida com xadrez. Eu fizera algumas aulas de xadrez na escola, mas até mesmo o professor perdera a fé em mim. E lá estava eu.
— Vai dar tudo certo — Brianna sorriu. Bem, ela ainda não perdera a fé em mim, e aquele era um motivo pelo qual lutar.
Observei as outras duplas jogarem. Luke jogava Maddie em cima dos estagiários de propósito para vê-la responder perguntas sobre ele, às quais ela geralmente errava. Tiffany ficava dando pitacos, mesmo que não pudesse enxergar, o que irritava Barbie. Eu não conseguia ver Josh e Sam direito, mas eles pareciam estar indo bem.m

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 35: Maddie


— Princesa. Se não for muito incômodo, será que não dá para CORRER? — Luke me encarou, cerrando os dentes.
— Eu não corro — repliquei.
— E eu não ligo.
Dito isso, ele agarrou meu pulso e começou a correr. Eu tropeçava o tempo todo, pois minha pernas eram bem mais curtas que as dele. Se eu diminuísse o ritmo, cairia de cara no chão. Luke não parecia se importar. Bem, ele nunca dera qualquer resquício de se importar com nada, mesmo.
— Abaixe! — berrou ele. Eu o fiz.
Obviamente, ao perceber que eu estava seguindo seus comandos, ele começou a dar comandos falsos, me fazendo bater a cabeça e coisas assim. Porque Luke era um filho da mãe. Enquanto ele ria, dei uma rasteira nele. Quando ele caiu no chão, agachei para que o elástico não arrebentasse e o encarei. Para minha surpresa, ele parecia satisfeito. Como se de repente tudo tivesse ficado divertido.
Sam e Josh corriam na frente. Eu não os havia visto bater uma vez sequer. Senti uma pontada de ciúmes.
— No que está pensando? — Luke me encarou.
— Por que você não pode ser mais como o Josh?
— Porque isso seria terrivelmente chato.
— Mas você teria a Sam.
— Isso não está na minha lista de prioridades no momento. Por que você não cala a boca?
— Porque isso seria terrivelmente chato.
— Mas talvez te tornasse menos insuportável.
— Aos olhos de quem? Dos seus? Não está na minha lista de prioridades no momento.
Luke sorriu. Seu sorriso presunçoso de sempre.
— Proponho um acordo.
— Não.
— Deixe-me terminar!
— Não vou tirar a roupa.
Luke riu um pouco.
— Sempre esperando o pior de mim, Princesa. O acordo é o seguinte: você cala a boca até o fim do desafio e eu paro de te irritar.
— Qualquer som que saia da sua boca me irrita.
— Então nós dois apenas calamos a boca. Fechado?
Encarei-o por um momento, tentando antever uma travessura.
— Fechado.
E então apenas voltamos a correr. Desviamos, pulamos, abaixamos... Até que finalmente terminamos a primeira parte do desafio. Arrebentamos o elástico, aliviados. A segunda parte era numa bicicleta. Ainda sobraram duas, já que Sam e Josh e Brianna e David estavam na nossa frente. Luke estava prestes a subir quando eu vi a venda colocada sobre ela.
— Um de vocês tem de ser vendado. — disse Cory, que apareceu magicamente ao nosso lado. — Esse pilotará a bicicleta. O que pode ver dará as direções.
— Eu piloto — disse Luke, o que não me surpreendeu.
A ideia de minha vida nas mãos de Luke já era suicida. Mas a ideia de minha vida nas mãos de Luke vendado pilotando uma bicicleta era ainda pior.
Não que eu tivesse escolha. Se eu pilotasse, provavelmente acabaríamos andando em círculos para que ele pudesse me irritar.
— Certo — bufei.
Peguei a venda e a coloquei nos olhos de Luke, amarrando atrás de sua cabeça. Depois o ajudei a subir no assento da frente da bicicleta. Avisei quando subi no assento de trás.
— Se eu fosse você, seguraria nas minhas costas — disse ele.
— Prefiro morrer.
— Não garanto a parte do morrer, mas você vai se machucar feio caindo nesse chão.
Obviamente, quando Luke deu partida e começou a pedalar como um louco, decidi que era melhor apenas engolir o orgulho e segurar nele. Tentei ajudar pedalando também, mas não conseguia manter direito o ritmo dele.
— DIREITA! — me ouvi berrando. — Não, a outra direita!
Fora as vezes que quase caímos em buracos ou batemos em alguma árvore que — provavelmente de propósito — fora colocada no meio do trajeto, estávamos indo bem.
Quando passamos David e Brianna, comentei isso com Luke. Ele deu um tipo de riso maníaco e começou a pedalar mais rápido.
— Até que formamos um bom time, Princesa!
Orgulhosa demais para concordar, apenas berrei:
— Cale a boca e pedale!p

Adolescentes Selvagens; Capítulo 34: Josh


Tenho de admitir que fiquei um pouco surpreso quando Sam me encarou, séria, ao sairmos do refeitório e disse:
— Temos que ganhar essa joça. TEMOS.
— Bem, se você faz tanta questão do jantar...
— Não, não é por causa do jantar — ela balançou a cabeça e me puxou pelo pulso até a Cabana Leste.
Sentei e a encarei, deixando claro que esperava alguma resposta.
— Eu... Bem... — ela olhou para baixo, fingindo estar interessada na própria unha. — Tem alguém para quem eu quero ligar. Significaria o mundo para mim se eu pudesse ouvir a voz dessa pessoa, mesmo que por um telefone estúpido.
Eu nunca entenderia esses momentos aleatórios onde Sam decidia ser vulnerável. Mas eu gostava deles.
Uma resposta para o que diabos ela estava falando veio para mim e eu enrubesci um pouco. Havia passado tanto tempo conversando com Sam nos últimos dias que a ideia não me ocorrera.
— Ah, se você quiser ligar para o seu namorado, certamente podemos dar um jeit...
— Namorado? — ela franziu o cenho para mim e sorriu ao perceber minha expressão vacilante. — Não, nada de namorado. Eu... Eu só quero ligar para a Lily.
Percebi que ela mexia em seu colar com os dois pingentes — o S e o L: S de Sam e L de Lily.
— Isso vai soar muito bobo — ela corou um pouco, desviando o olhar novamente. —, mas a Lily é minha irmã mais nova. BEM mais nova. Ela tem nove anos. Quer saber, você não entenderia.
Continuei fitando-a firme, sem relutar.
— Caso tenha se esquecido, eu também tenho um irmão sete anos mais novo — abri um sorriso gentil. — Explique para mim.
Sam pareceu pensar no assunto por um minuto, mas por fim cedeu.
— Certo... A Lily... Bem... — ela abriu um pequeno sorriso bobo. — Desde sempre, ela sempre esteve lá por mim. Eu sempre fui uma espécie de heroína para ela, sabe? Gostava disso. Acho que a ideia de ser um exemplo para alguém me induzia a fazer a coisa certa. Bem, não que eu esteja fazendo um trabalho muito bom com isso... — ela mordeu o lábio e eu quis dizer qualquer coisa no Universo para confortá-la, mas nada me veio na cabeça. — De qualquer forma, é bom saber que alguém lá fora ainda tem fé em você. Às vezes foi a única coisa que me impediu de pirar.
E ali estava ela de novo, sendo tudo o que eu nunca imaginaria que Sam Price era quando a conheci. Sendo tão fechada e tão vulnerável ao mesmo tempo. E, de novo, eu não fazia ideia do que dizer.
Não era uma história que ela costumasse contar, e eu sabia que ela me contara apenas porque queria ganhar o desafio, mas eu preferia acreditar que ela se sentia confortável contando-me aquelas coisas. Eu queria que ela se sentisse confortável. Certo, eu a conhecia há poucos dias, mas sabia de uma coisa: eu adorava ouvi-la contar suas histórias. Eram sempre tão mais interessantes que a minha vida idiota em Manhattan.
— Vamos ganhar, Sam — foi tudo o que me pareceu certo dizer.
— Promete?
Lembrei-me da primeira vez que ela me fizera prometer algo. Foi quando estávamos prestes a entrar no primeiro desafio e eu estava com o walkie-talkie que se comunicava com o dela. Ela me odiava na época. Agora acho que ela apenas me suportava, o que era um ótimo progresso. Inconscientemente, a cena voltou para a minha cabeça:
"Não se preocupe, pode me chamar para qualquer coisa."
"Promete?"
"Prometo."

E aquela foi a primeira vez que ela quase sorriu por minha causa. Bem, agora ela sabia que eu levava promessas bem a sério.
— Prometo.
Sam pareceu um pouco mais tranquila depois daquilo. No mesmo momento, percebemos que as outras duplas começavam a se encaminhar até a entrada da floresta, então calculamos que deveríamos fazer o mesmo. Como sempre, Sam saiu na frente e eu a acompanhei.
Chegamos todos mais ou menos ao mesmo tempo, então Cory começou a falar:
— O desafio de vocês é completar todo o percurso. Quem o fizer em menos tempo ganha. O primeiro a chegar pode ligar para uma pessoa especial uma vez por semana. Blá, blá, blá. Em cada parte do percurso, haverá um pequeno contratempo para testar o quanto você confia em seu parceiro. O primeiro é... — Cory tirou do bolso quatro elásticos.
Antes que eu percebesse, o pulso direito de Sam estava preso ao meu pulso esquerdo por um elástico.
—... Se o elástico arrebentar, vocês devem voltar para buscar outro. E... valendo!
Tiffany saiu correndo no mesmo instante e arrebentou o elástico. Barbie revirou os olhos.
A primeira parte do desafio era um percurso de obstáculos, onde tínhamos de pular, abaixar, desviar... Tudo em perfeita sincronia, senão o elástico arrebentaria.
— Acho que se déssemos as mãos ficaria mais fácil. O elástico só arrebentaria se as soltássemos — sugeriu Sam. Ela tinha tomado a frente nas decisões estratégicas, e eu não era idiota o suficiente para ser contra. Então apenas entrelacei os dedos da mão dela nos meus e começamos a correr.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 33: Barbie


— Sam... Você está bem? — encarei a garota quando a vi entrar encharcada no quarto. — Meu Deus, o que aconteceu com você?
— Joshua me jogou na água — ela revirou os olhos. — E então eu tentei afogá-lo. Aí a Loira do Tchan ali fora jogou uma prancha de surfe em mim e Joshua usou a prancha para remarmos até o pôr-do-sol. Bem, na verdade, ele remou. Eu só fiquei lá boiando mesmo. Então agora a Tiffany deve estar arquitetando algum plano muito maligno sobre arrancar todos os meus dentes enquanto eu durmo.
Pisquei repetidas vezes, tentando absorver a história. As respostas que eu ganhava de Sam nunca eram previsíveis, não importava o quão simples fosse a pergunta. Sorri para ela.
— Algumas pessoas vão te odiar não importa o que você faça — aproximei-me dela e sussurrei em seu ouvido: — E essas pessoas se chamam vadias estúpidas.
Sam riu um pouco, silenciosamente agradecendo. Nos conhecíamos havia pouco tempo mas eu sentia que a entendia, ao menos um pouco.
— Vou tomar um banho agora — disse ela, indo para o chuveiro.
— É, isso provavelmente é uma boa ideia.

No café-da-manhã do dia seguinte, estávamos em uma discussão animada sobre "será que os produtores terão dó de nossas pobres almas e nos deixarão descansar hoje" quando Cory tomou o microfone e começou a falar:
— Antes de tudo, bom dia — ele abriu seu sorriso travesso de sempre. — Sei que o Capitão Shelton exigiu um pouco mais do que estão acostumados ontem no desafio, então vamos pegar mais leve no desafio de hoje. Não haverá eliminações. Porém, percebemos que os grupos não estão muito... unidos. Lançamos no Twitter uma enquete sobre um Desafio de Confiança em duplas. Nossos espectadores votaram em quais duplas eles gostariam de acompanhar e tenho o resultado em mãos. Sem choro. Sem pedir para tocar. Francamente, vocês não são mais crianças. — ele fez uma pausa dramática antes de continuar.
Sam bufou ao meu lado, provavelmente prevendo que aquilo não seria nada divertido. Ela era muito individualista, eu duvidava seriamente que exercícios de confiança a atraíssem.
Josh, por outro lado, parecia animado.
— Vai ser legal, não vai? — ele sussurrou para ela.
A resposta de Sam foi um lindo "Cale a boca, Joshua", que me pareceu adequado.
— Barbie — chamou Cory, sorrindo para mim. Aquele sorriso me deu a certeza absoluta de que eu estava plenamente ferrada. — O público a pareou com... Tiffany.
Deitei a cabeça na mesa com força, soltando um longo suspiro. Aquele seria um looongo dia.
— Luke — o apresentador continuou. — com... Maddie.
O garoto bufou como se já esperasse por isso.
— Sam com... Josh.
Josh sorriu para ela, mas não pude ver a expressão no rosto da garota. Provavelmente dizia algo como "Podia ser pior", o que me deu vontade de socar a cara dela. Afinal, Sam não teria que passar o dia inteiro ouvindo Tiffany chorar porque quebrou uma unha.
— Isso nos deixa Brianna com David.
David parecia muito animado por seus sonhos terem virado realidade e ele poder passar um dia inteiro com Brianna. Nesse momento, eu também mataria para passar um dia inteiro com Brianna. Minha situação era deplorável.
Era tudo muito injusto. Era um exercício para desenvolver confiança, e David e Brianna já eram amigos. Queria contestar isso, mas no fundo sabia que não adiantaria para nada. Então apenas tentei afastar a ideia de pegar o canivete de Sam e acabar logo com aquilo — matando Tiffany, obviamente — e esperei que Cory continuasse.
— Ah, sim. O prêmio para a dupla vencedora é... um jantar bem-feito com a sua refeição favorita e o direito a um telefonema para qualquer pessoa que vocês desejarem uma vez por semana. Exceto um advogado. Enfim. Encontrem-me na entrada da floresta em vinte minutos para darmos início ao desafio. Ah, e se eu fosse vocês, começaria a aprender mais sobre o seu parceiro. Apenas uma dica. — ele piscou, nos dispensando.
Puxei Tiffany para fora do refeitório. Caminhamos até que ela parou de andar.
— Vamos ficar aqui — pediu ela, sentando num dos tocos de árvore perto da fogueira.
Imaginei que ela só queria ficar ali porque podia observar Sam e Josh, que estavam sentados na varanda da Cabana Leste. Dei de ombros, sabendo que era melhor nem discutir.
— Estou até feliz por termos desafio hoje — comentou Tiffany. — Sabe, essa roupa que estou usando é incrível. E eu tenho esse medo irracional de gastar uma roupa boa em um dia insignificante.
— Aterrorizador.
— De onde você é? — perguntou ela. Percebendo minha expressão, completou: — Eu quero mesmo ganhar essa coisa, sabe.
Dei de ombros. Ao menos tínhamos um objetivo pelo qual lutar.
— Chicago.
— São Francisco. Espere... O Josh está sorrindo! Por que o Josh está sorrindo?!
Revirei os olhos.
— Provavelmente porque a Sam disse algo engraçado?
— Não, a punk nunca diz nada engraçado. Provavelmente foi um daqueles comentários sarcásticos irritantes.
Valeu, espectadores. Que grande ajuda vocês são.

Adolescentes Selvagens; Capítulo 32: Tiffany


Eu estava andando calmamente pela praia quando vi um caderno preto jogado no chão. Ai. Meu. Deus.
Eu sabia o que era. Era o caderno da punk, definitivamente. Seria o que eu estava querendo encontrar? Bem, se aquela idiota largara ele por aí...
Saí correndo até a árvore e peguei o caderno. "Pessoas que Eu Quero Socar na Cara". Que coisa clichê. Não me surpreendi ao ver meu nome lá, obviamente. Bem, ela que tentasse. Logo abaixo, o nome de Josh escrito e riscado várias vezes.
Sam Price era apenas um coração de manteiga, e eu estava disposta a provar aquilo. Mas, infelizmente, aquele caderno maldito não possuía nada que a incriminasse, exceto seus "sentimentos inconstantes" em relação a Josh. Não que ela fosse humana o suficiente para ter sentimentos.
— Mas... Mas... — ouvi uma voz aguda conhecida atrás de mim.
— Sinto muito, soldado Parkins, mas o elo mais fraco tem de sair. A senhorita teve o pior desempenho no desafio e, além do mais, causa medo na maioria dos participantes.
E simples assim, o Capitão Shelton estava enxotando Chloe do programa.
— Ei! — Josh gritou, se aproximando. — Não vai haver votação?
— Vocês estão sob minha custódia até o desafio acabar, e o desafio só acaba quando alguém sair. E até lá, fazemos as coisas como fazemos na guerra. E o elo mais fraco é sempre o primeiro a sair na guerra.
Apesar dos protestos surpreendentes, observamos Chloe ir embora com o iate que nos trouxera. Todos pareciam atônitos, até mesmo Luke, que nunca demonstrava emoção nenhuma.
— Isso é tão errado — Brianna suspirou ao meu lado.
— A vida não é justa, querida — repliquei, encarando-a. — Apenas agradeça por não ter sido você.
Antes da coisa toda com a piradinha, eu estava sentada em minha toalha na areia de biquini e shorts jeans com uma Teen Vogue intocada no colo enquanto observava Josh surfar sem camisa. O que, devo admitir, era uma visão do Paraíso.
Minha ideia de Paraíso sempre foi a Vogue, mas observar Josh naquelas condições também estava bem próximo.
Qual é, deveria haver uma lei contra ser tão lindo em público. Ele frequentemente afastava o cabelo escuro do rosto com um gesto sexy sem nem perceber. Quando ele viu alguma coisa e acenou, jurei que ele estava vindo até mim. Ajeitei meus óculos de sol Dior e estava sorrindo levemente.
Até perceber que ele fora falar com a punk. Francamente, por que ele se dava ao trabalho? Aquela garota era um caso perdido. Caras como Josh Evans sempre acabavam com Tiffany Prestons. Era a lei natural das coisas.
Percebi que havia dito a última parte em voz alta quando Luke respondeu atrás de mim:
— Bem, Sam sempre gostou de quebrar algumas leis.
Em resposta, ordenei que ele fosse embora. Provavelmente se divertindo com a minha desgraça, Luke se afastou.
Ver Josh e Sam naquela droga de prancha já estava me dando enjoo, então fiquei sentada na varanda. Até que vi a punk se aproximar da cabana com um pequeno sorriso no rosto, provavelmente certa de que ninguém estava observando. Obviamente, foi um choque quando ela me viu.
Ela estava completamente encharcada e pingando, mas não parecia ligar muito para isso quando entrou no chalé.
Peguei o caderno dela mais uma vez, fuzilando aquelas páginas idiotas.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Adolecentes Selvagens; Capítulo 31: Sam


Fiquei surpresa ao constatar que Josh ainda estava lá quando acordei. Ele parecia bem desconfortável, coisa que uma parte de mim achou muito estúpida. E outra — bem pequena — achou um pouquinho gentil.
— Bom dia — ele sorriu ao perceber que eu estava acordada.
— Bom dia — coloquei uma mecha de meu cabelo atrás da orelha. — Ganhamos?
— Ganhamos.
Abri um pequeno sorriso.
— Chupa, Luke — sussurrei.
Josh escondeu uma risada.
— Eu estava esperando algo como "Oh, muito bem, Josh! Eu sabia que você conseguiria!"
Franzi o cenho, ignorando o comentário.
— Eu nem me lembro de ter adormecido.
— Estávamos conversando, e você capotou.
— Você deve ter me entediado muito.
Para minha surpresa, ele sorriu.
— É, acho que sim. Você estava inconsciente quando encostou a cabeça no meu ombro?
— Não fique tão cheio de si, Evans. Além do mais, seu ombro é surpreendentemente confortável.
Ele deu de ombros.
— O capitão nos deu a tarde livre.
— Bacana. Bom, melhor eu levantar, você deve estar deitado desse jeito há horas...
Josh arregalou os olhos.
— Uou, é a primeira vez que você demonstra qualquer resquício de se importar comigo.
Enrubesci por dentro, mas tentei manter a pose despreocupada.
— Eu te joguei de um penhasco mesmo você tendo fobia de altura.
Para minha surpresa, aquele idiota sorriu.
— Mas isso foi antes de você saber que eu tinha fobia de altura.
Por que ele tinha de fazer aquilo? Sempre fazer com que meus atos parecessem justificáveis quando não eram justificáveis aos olhos de ninguém?
— Vou lembrar da sua animação quando resolver te jogar de algum lugar novamente.
Se Josh esperava mais alguma coisa, não disse. Então apenas levantei-me e fui até a cabana das garotas.
Grande parte delas, incluindo — obviamente — Tiffany, estavam colocando seus biquinis e passando protetor solar. Sentindo os olhares de "O que ela vai fazer agora?" que pareciam me perseguir, fui tomar banho.
Tinha grama no meu cabelo e terra na minha calça jeans e em meus coturnos. Minha camiseta estava amassada. Eu provavelmente me mexera bastante enquanto dormia. Antes que eu trancasse a porta, ouvi a voz aguda de Tiffany:
— Meu Deus, Sam! Você demorou, hein? Estava fazendo o que, brigando com um urso pardo?
Brianna olhou para mim como se dissesse "eu juro para você que não disse nada" e, inexplicavelmente, eu acreditava nela. Provavelmente fora apenas o primeiro animal que viera à cabeça de Tiffany depois de unicórnios.
— É, acho que dormi demais — sorri, debochada. — É que o ombro do Joshua era TÃO confortável...
Se eu dissera aquilo apenas para irritá-la? Óbvio. Ver aquele rosto cheio de maquiagem se contorcendo de ódio era como colírio para meus olhos. Fez-se silêncio por um minuto e, quando Tiffany não respondeu, Barbie riu e anunciou:
— Dez a zero para a punk.
Satisfeita, fui tomar banho. Depois me vesti. Shorts jeans rasgado, uma blusa com alguns dizeres contra a autoridade ("Questione a autoridade ou seja um escravo do sistema") e coturnos. Depois peguei discretamente meu caderninho preto embaixo do travesseiro e saí da cabana. Sentei-me sob uma árvore perto da praia. Longe o bastante para que a água e a areia não me afetassem, porém perto o bastante para que pudesse observar as ondas.
Abri meu caderno e escrevi Tiffany Preston na primeira linha, em letras maiúsculas. Ali estava um nome que eu não apagaria. Depois de um tempo, percebi que Josh estava surfando. Sério, ele surfava mesmo? Toda vez que eu achava que não dava para ele ficar ainda mais mauricinho, ele dava um jeito de me surpreender.
Finalmente ele pareceu perceber minha existência e acenou, afastando os cabelos molhados do rosto. Desviei o olhar e escrevi Joshua Evans no caderno. Infelizmente, ele não desistia fácil e veio falar comigo.
— Está zoando com a minha cara. Você vai realmente ficar aí sentada nessa árvore a tarde toda? — Josh ergueu uma sobrancelha para mim.
— Nem comece o sermão.
— Sério, olhe esse sol! Observe como meus olhos refletem nele e ficam da cor exata da água! Qual é, Samantha.
Meu primeiro reflexo foi xingá-lo por me chamar de Samantha, mas eu o chamava de Joshua o tempo inteiro, então não havia muito que eu pudesse dizer.
— Você só está piorando as coisas.
Josh sorriu.
— Talvez eu vá surfar com a Brianna, então.
— Fique à vontade.
Ele continuava me fitando.
— Mas... seria mais legal surfar com você, sabia?
Inconscientemente, risquei o nome de Josh de meu caderno.
— Ah é? A ideia não me atrai.
— Eles não têm praias em Connecticut? Ou você apenas é legal demais para se sujar de areia com o povão?
Escrevi o nome dele no caderno de novo.
— Diga-me você.
— Acho que você está apenas com medo. E o medo nos impede de fazer as coisas, sabe?
Lembrei de como ele estava sendo legal mesmo que eu o tivesse jogado de um penhasco e risquei o nome dele de novo.
—... Afinal, que caderno é esse? — ele tentou ver, curioso.
Mostrei-lhe a capa.
— É o meu caderno de Pessoas que Eu Quero Dar um Soco na Cara.
Josh riu ao ver que eu estava falando sério.
— Meu nome está aí?
— Por que você se importa?
— Ei, essa é a minha provocação.
— E eu acabo de roubar a sua provocação mas, por favor, não chore.
Ele sorriu.
— Não vou conseguir te convencer a ir aproveitar o dia, não é?
— Não.
— Eu realmente odeio fazer isso — ele me encarou. —, mas você vai me agradecer qualquer dia.
E então ele apenas se inclinou e me segurou, colocando uma mão nas minhas costas e a outra nas minhas pernas. E assim, fácil, ele estava em pé e me segurando em seus braços.
E assim, fácil, eu chutei a cara dele.
— Joshua Evans! Me solte AGORA! Estou falando sério, me ponha no chão! JOSHUA!
Derrubei meu caderno no chão perto da árvore, mas não estava em condições de pegar. Continuei tentando me soltar, mas ele tinha aquela força irritante que eu não conseguia contornar e também tinha o fato de ele ter mais de 1,80m de altura e se eu conseguisse pular — o que eu não conseguia, mas em todo caso — seria uma linda queda de cara na areia. Então apenas continuei me debatendo e ordenando que ele me soltasse. Ele não o fez.
E então, quando chegamos no cais, ele me balançou e me jogou na água. Assim, fácil. Emergi depois de alguns segundos, cuspindo água e xingamentos em grandes quantidades. Felizmente minha blusa era preta, o que fez com que o fato de eu não estar usando biquini não fosse um problema.
Josh pulou na água logo depois e, quando apareceu ao meu lado, eu o afoguei. Tive que pular em suas costas para isso, nunca conseguiria afundar sua cabeça apenas com as mãos. Depois de alguns segundos de satisfação, deixei que ele respirasse.
— Idiota! — xinguei, encarando-o.
Mas para minha surpresa, ele estava rindo.
— O chute doeu.
— Que BOM que doeu! Não deve ter doído tanto assim, porque você não me soltou!
— Qual é, Price — ele sorriu. — Se divirta um pouco.
E então ele jogou um tsunami de água em mim com as mãos. Joguei mais água em retorno. E antes que eu percebesse, estávamos fazendo uma guerra de água.
— Cuidado! — ouvi a voz de Josh dizer antes de me puxar para o lado no exato momento em que uma prancha caiu no exato lugar onde eu estava há um segundo.
Ergui os olhos e me deparei com Tiffany parada no cais.
— Ops — ela deu um sorriso fraco. — Escapou.
Eu estava prestes a dizer que o meu punho também ia escapar até a cara dela quando Josh subiu na prancha.
— Você vem? — ele sorriu. Aquele sorriso "eu sou o popular bonitão" que sempre me irritava, mas acho que ele o fazia sem perceber. Eu podia ver a cena de um filme ali, entendendo o ângulo que o cara da câmera usaria para que o sol refletisse nos olhos verdes de Josh e em seu corpo, deixando-o mais dourado.
Imaginei se havia alguma câmera nos filmando naquele momento. Seria uma bela imagem.
Joshua entendeu minha distração momentânea como uma relutância.
— Se você não vir, tenho jeitos de te fazer subir nessa droga de prancha — ele me encarou, tão sério que me fez rir.
Dei de ombros e subi na prancha, o que pareceu surpreendê-lo. Josh começou a remar com as mãos muito lentamente, como se estivéssemos em um barquinho a remo.
— Onde você pretende chegar com isso? — ergui uma sobrancelha.
— Não sei. Talvez rememos até o pôr-do-sol, fazendo uma ação muito idiota parecer poética. Nossa destinação te incomoda?
— Não realmente.
Josh sorriu um pouco e continuou remando.

Stars


I know I'm far away
But I'm still holding your hand
On every step
All the feelings that I get
Have you missed me yet?

~pre-chorus:
Whenever you don't know
Which path is right, which path is wrong
Hold on
Whenever you feel
Like you should just let go
Hold on, hold on...

~chorus:
The night is lonely and it has no stars
It still reminds me of you when they shine so bright
But nothing matters when you're not here
The clouds are never gone and the sky's never clear
It kills me that you're not fine and there's nothing I can do
Remember I'm there even if you're not here
So please look at the stars and try to think about me.

Even if it doesn't help
I don't wanna be just a notch in your belt
Cause you can count on me when you're not strong
Nothing you can do will make me go
Away, away
And I'm quiet now, yes I know
But there is so much I wanna
Say, say
To you...

~pre-chorus:
Whenever you don't know
Which path is right, which path is wrong
Hold on
Whenever you feel
Like you should just let go
Hold on, hold on...

~chorus:
The night is lonely and it has no stars
It still reminds me of you when they shine so bright
But nothing matters when you're not here
The clouds are never gone and the sky's never clear
It kills me that you're not fine and there's nothing I can do
Remember I'm there even if you're not here
So please look at the stars and try to think about me.

~bridge:
I just want you to know
That wherever I will go
It will never feel like home
Please, don't be gone
Nothing will be fine
I know you're not alright
But please try to hold on tight
And just look at the stars...

~chorus:
If the night is lonely you can imagine the stars
It reminds me of you cause you shine so bright
But nothing matters when you're not here
Why don't we run away till the sky is clear?
It kills me that you're not fine, tell me something I can do
Remember I'm there even if you're not here
So please look at the stars and try to think about me.