terça-feira, 25 de junho de 2013

CdD - Capítulo 21 (apenas um update pra Mandika [nao, eu ainda nao tive coragem de sair das cobertas e ligar o pc grande]): Ódio


— Ela está brava comigo, não está? Isso é tudo minha culpa. — Gwen continuava perguntando a Jason, e ele continuava respondendo do mesmo jeito:
— Ela está brava comigo. Não é sua culpa.
— A festa é daqui a duas horas. Eu preciso da minha mala, Jason!
— Peça um vestido à Lolla, Frey.
— Ótimo, afinal, Lolla gosta tanto de mim.
— Você não tem certeza.
— Argh, eu só queria que ela fosse mais...
— Quer saber? Essa tensão entre vocês duas já está me dando nos nervos. Resolvam-se. E Frey — ele a encarou. — Peça a droga do vestido. Você me deve isso.

Gwen acabou concordando e bateu na 3a porta à esquerda, a porta de Lolla.
— Oi — a morena sorriu quando a porta se abriu. — Eu sei que você provavelmente não quer me ver aqui, mas... Você não teria um vestido para me emprestar?
Lolla encarou Gwen por um longo minuto com aqueles olhos tempestuosos.
— Certo. Entra.
Gwen o fez. Lolla começou a jogar um monte de vestidos na cama e pediu que a outra garota escolhesse o que quisesse. Gwen acabou optando por um vestido preto de renda simples.
Era engraçado, porque Gwen não conseguia imaginar a loira em nenhum daqueles vestidos.
— Agora cai fora — o tom de Lolla era brincalhão, mas Gwen percebeu que ela estava falando sério, então apenas saiu dali.
Ao chegar em seu próprio dormitório, encontrou Abigail sentada em sua própria cama. Ela usava um vestido azul bonito que ressaltava a cor da pele dela.
Gwen se trocou, passou um pouco de maquiagem e fitou-se no espelho. O vestido era bem feito e fazia maravilhas com as poucas curvas que a garota tinha. Fez com que ela se sentisse, ao menos, apresentável.
— Nada mal — elogiou Abigail.
— Obrigada — Gwen sorriu e abriu a porta.
— Onde vai?
— Acredite ou não, fazer um favor para Jason Cooper.
Foi o que ela fez. Gwen bateu novamente na porta de Lolla.
Quando a loura abriu a porta, a auto-estima recém adquirida de Gwen baixou tragicamente.
Lolla usava um vestido sem mangas azul simples, mas que nela ficava estonteante. Seus cabelos louros caíam em cachos perfeitos como sempre, e seus olhos azuis estavam mais destacados, pois estavam contornados com lápis de olho. Como sempre, ela irradiava uma espécie de luz própria, como se inconscientemente demandasse atenção.
Ela estava menos produzida, mas mesmo assim parecia infinitamente elegante. Gwen concluiu que algumas garotas simplesmente nasciam com glitter em suas veias.
— Sim? — Lolla a encarou.
— Posso entrar?
Hesitante, a loira lhe deu passagem. Gwen sentou-se em uma cadeira.
— Eu nunca te agradeci por tudo o que disse na Cerimônia.
— Não foi nada.
— Claro que foi. Obrigada, de verdade. Mesmo que você não goste muito de mim...
— Eu nunca disse isso.
— Isso não faz com que o fato deixe de ser veridico.
Lolla suspirou.
— Não é sua culpa. É só que... — ela encarou Gwen. — Você é irresponsável, Gwen. Não pensa de forma racional. É impulsiva, e arrasta as outras pessoas com você. Jason também é assim, mas ele nunca fez nada desse tipo que afetasse outra pessoa além dele mesmo. — ela fez uma pausa. — Bem, quase nunca.
Gwen assoviou baixinho.
— Que bom que estamos sendo sinceras. Lolla, você... Você não sente como se tivesse que competir comigo, ou algo do tipo, né? — Gwen fez uma pausa. — Porque é idiotice. Quero dizer... Se eu tiver que competir com você... Quero dizer, olhe para você.
Gwen odiava admitir que Lolla fazia com que ela se sentisse um patinho feio, mas era verdade.
Lolla sorriu.
— Viu só? Eu odeio você — ela suspirou. — Acabei de falar um monte para você, e você me elogia. Faz com que eu me sinta uma pessoa horrível. E talvez eu seja, porque ainda não me arrependo de nada do que eu disse por você ou contra você. E por mais que esse motivo faça com que você seja muito irritante, é o motivo pelo qual eu te defendi na Cerimônia. Porque você não é uma pessoa ruim, Frey. Porque você vê bondade nas pessoas, e eu vejo bondade em você. E se isso não for tudo o que você esperava... — a voz dela falhou. — Bem, dane-se, eu só vou falar isso.
Gwen ficou atônita por um instante, sem fazer ideia do que dizer.
— Se me dá licença — Lolla se encaminhou até a porta. Gwen entendeu que deveria sair também.
As duas garotas bateram na porta de Daniel e Jason. Os dois garotos a abriram. Gwen tinha certeza de ter visto os olhos de Jason pousarem em Lolla por um instante, mas depois finalmente pareceram perceber a existência de Gwen. Tudo o que ele disse foi:
— Muito melhor do que os moletons, Frey — ele sorriu. Depois se voltou para Lolla. — Pare de humilhar a todos nós com sua beleza divina, Aryan.
Lolla apenas franziu o cenho, sem alterar a expressão:
— Não vai me comprar com elogios, Cooper. Cadê a droga da latina, para que possamos ir logo a essa droga de festa e...
— Estou aqui, branquela — Abigail a encarou, irritada. — Vamos.
Gwen se apressou para caminhar com os outros. Fitou Daniel por um instante, cujos cabelos molhados faziam com que parecesse ainda mais dourado.
— Lolla está brava com Jason? — perguntou.
— Lolla está sempre brava com Jason — ele deu de ombros.
— Por quê?
— Porque ela se importa demais — ele suspirou, e ela não conseguiu ver a expressão em seu rosto. — Fica irritada porque ele quase morre o tempo inteiro. Não sei o que ele fez dessa vez, mas imaginar o quão perigosas são as ideias dele deixa qualquer um preocupado. Esse é o jeito dela de dizer a Jason que se importa.
— Ele sabe disso?
— Claro que sabe. O caso é que Lolla pensa demais.
— Sempre?
— Sempre. Mesmo quando parece que ela age por impulso, ela está avaliando tudo. Exceto com algumas coisas que diz. Algumas coisas só soam bem na mente dela.
— Você a conhece bem — Gwen notou.
— É, pode-se dizer que sim.

Abigail queria dar um soco na cara de Lolla durante todo o caminho até a Pensilvânia. Eles estavam parados no jardim do Lugar.
— Vamos de Portal? — perguntou Daniel.
— Sim, vou abri-lo em um instante — disse Lolla, pegando algo em sua bolsa. — Droga, eu quero minha calça jeans de volta. Preciso de bolsos.
— O que você está procurando? — indagou Gwen.
— O Transportador — Lolla respondeu como se isso explicasse tudo. — Droga, devo ter esquecido no quarto. Frey, seja útil e traga essa droga para cá.
— O quê?!
— Teste de ABM, rápido. Mentalize que o Transportador está na minha bolsa.
— O treinamento já acabou, Lolla.
— Você completou a Cerimônia? Se formou? Não. Então não acabou. Eu não te dei aquela nota incrível na minha matéria para que você avacalhe agora.
— Achei que tínhamos combinado que você não daria nota máxima à Gwen para não levantar suspeitas da Corte — lembrou Jason.
— Eu não ia dar, mas alguma coisa precisava compensar aquele desastre em Combate.
Gwen se concentrou por um momento, e imaginou o Transportador viajando até a bolsa de Lolla.
— Cheque.
Lolla abriu a bolsa e lá estava o Transportador. Era um pequeno objeto redondo que parecia um espelho de maquiagem. Talvez fosse essa a intenção.
— Ótimo! — a loira sorriu. — Agora deixe-me abrir, já que tenho permissão para fazê-lo...
— Eu também tenho permissão — comentou Jason.
— Sem querer ser estraga-prazeres, mas sinto-me mais confortável com o convencido abrindo o portal do que com a loira — disse Abigail.
Lolla a fulminou com o olhar.
— Eu poderia transportá-la de volta para o Peru ao invés de para a Pensilvânia — ameaçou. — Mas gosto demais do meu emprego.
— Podemos apenas... ir? — Daniel as fitou, sempre impedindo a guerra.
Lolla abriu o Transportador e uma luz azul refletiu na grama.
— Pulamos no três — estipulou ela.
— Pular na luz? — indagou Gwen.
— Exatamente — Jason sorriu.
— Um... Dois... — Lolla abriu um sorriso de divertimento. — Três!
E então eles pularam na luz.

Gwen não conseguiria descrever a sensação de ser Transportada. Uma força a puxou e ela ficou rodopiando no ar por um tempo indefinido até que caiu de cara em um gramado. Por algum motivo, estava segurando a mão de Jason, que cuspia um pouco de grama.
Lolla, a única em pé, observava impecável enquanto os outros quatro se levantavam. Possuía seu sorriso irônico de sempre no rosto.
— Eu adoro estas viagens.
Jason soltou a mão de Gwen para levantar-se, mas depois a estendeu para ajudá-la. Ela se surpreendeu com o gesto, mas o aceitou. O ceticismo da garota pareceu diverti-lo.
— Bem — disse ele, voltando-se para Lolla. — Onde estamos, exatamente?
— No endereço que havia na carta. Imagino que aquela ali seja a casa — Lolla apontou para a casa ao qual o gramado pertencia. As luzes estavam acesas e uma música alta tocava.
— Bem, ao menos há uma festa — ele deu de ombros, tirando o que sobrara de grama de seu cabelo.
— Vamos acabar logo com isso — Lolla pareceu se lembrar do porquê de estarem lá. — Antes que peguemos bactérias dessa grama suja e morramos de alguma doença relacionada a animais nojentos.
Gwen não aguentava mais os comentários da loura. Engolindo em seco, virou-se para ela e disse:
— Bem, se é um sacrifício tão grande para você estar aqui, não precisava ter vindo. Podia ter ficado no seu quarto reclamando.
Fez-se um silêncio fúnebre. Todos fitavam Lolla, esperando pela bomba. A loura fitou Gwen por alguns longos segundos. A tempestade em seus olhos pareceu aumentar.
— Não, eu precisava, sim, ter vindo — disse, seca. — Parece que preciso garantir pessoalmente que ninguém que eu gosto se sacrifique de novo por sua causa. Se todos aqui estão dispostos a morrer para que você possa ver sua irmã, eu não estou. E tem razão, é um sacrifício para mim. Não ganho nada estando aqui ou indo embora. Agora, se eu for, você vai acabar morrendo antes mesmo de conseguir pensar no quanto sente muito por só pensar em si mesma. Mas agora eu tenho motivos para não permitir que você morra, e apenas trinta por cento deles tem a ver com qualquer resquício de simpatia que eu possa ter por você. Também tem o fato de que não mato ninguém. E o resto... — Lolla fez questão de fitar Jason sem que Gwen percebesse. — Não é da sua conta.
— Lolla — Daniel a fitou. — Você está usando aquilo de novo.
— Não, não estou usando a droga do meu talento, Daniel. Estou apenas dizendo a verdade. Ou só ela pode fazê-lo?
Daniel segurou Lolla pelo pulso e a puxou para longe antes que pudesse dizer mais alguma coisa.
— Quem diz o que quer, ouve o que não quer — diz Jason para Gwen. — E no caso de Lolla, todo mundo sempre acaba ouvindo.
— Você deveria dizer algo do tipo "Ela não quis realmente dizer aquilo", e tal, sabe.
— Por quê? Lolla realmente quis dizer tudo aquilo. Ela nunca diz nada se não for o que ela pensa. Posso te dizer que pode ser que ela mude de ideia, mas neste momento, isso é realmente o que se passa na cabeça dela.
— Eu só gostaria que ela parasse de despejar tudo em mim.
— Bem, depois da reunião, ela me chamou de pedaço de carne podre sem cérebro estúpido. Mas eu mereci, acho.
— O que você fez?
Ele a fitou por um momento e sorriu.
— Uma coisa muito estúpida da qual eu não vou me arrepender. Acho que Lolla sabe disso. O fato de ela não entender meus motivos a deixa louca. Ela sente como se eu devesse uma explicação a ela.
— E você deve?
— Devo. — ele deu de ombros. — Acredite em mim, ela não odeia você. Assim como não me odeia. Ela odeia as idiotices que eu faço por você.
— Sabe, você tem essa mania de ficar devendo explicações para todo mundo. Estou cansada dos "Porque sim, Frey".
— A curiosidade é seu defeito fatal, Frey. Não faça perguntas se não conseguir aguentar as respostas.
— Estou tentando confiar em você, mas você não está exatamente facilitando.
— Está com frio?
Gwen se deu conta de que estava batendo os dentes. Provavelmente era pela raiva, mas percebeu que estava realmente com frio. Porém, não respondeu.
— Aqui, toma — ele tirou o casaco e jogou para ela sem muito cuidado. Mesmo tentando ser gentil, ele ainda era Jason Cooper.
Abigail estava andando um pouco atrás dos dois, e Gwen pôde ver que ela ergueu uma sobrancelha quando Gwen colocou o casaco.
Quando eles bateram na porta, um garoto a abriu. Era alto e magro, e possuía cabelos e olhos pretos e pele pálida que o faziam parecer um pouco fantasmagórico.
— Você deve ser a Gwen — o garoto sorriu para ela. — É a cara da sua irmã. Meu nome é Augustus. Augustus Parker.
— E... Cadê a irmã dela? — indagou Jason.
— Entrem aí, já vou chamá-la.
Eles entraram na casa. Apesar da música, não havia ninguém lá.
— Achei que fosse uma festa — Jason comentou.
— Ah, a festa é toda lá em cima — Augustus sorriu. — Esperem um minuto que vou chamar Miranda.
Quando ele subiu as escadas, Jason fitou Gwen.
— Você já veio aqui?
Ela fez que não com a cabeça. Ele sentou-se no sofá e Lolla se sentou ao lado dele.
— Vamos apenas nos deixar encurralar nessa armadilha ridícula? — Lolla ergueu uma sobrancelha.
Jason pegou sua adaga na cintura e começou a afiá-la.
— Por aí.
— Guarde isso, Jason.
— Por quê?
— Porque não seria muito esperto começar um confronto, ou mostrar a eles que temos armas.
Jason queria falar algo sobre o fato de Lolla ter se esquecido de que estava brava com ele, mas geralmente era assim. Eles não conseguiam se odiar por muito tempo.
Lolla encostou a cabeça no ombro dele enquanto esperavam.
— No que você se meteu, Jason... — ela suspirou, parecendo mais pensativa do que irritada.

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