sábado, 29 de junho de 2013

Dear Tessa (Inspirado em Will Herondale [As Peças Infernais])


Dear mom
I've been thinking through
Confess I've been thinking about you
Do you remember that big coat
You used to make me wear when it was cold
It feels vain to do it now
Because we almost die all the time
But I'm fine.

Dear dad
Why did you leave your post?
I haven't known love since I was home
Well, I have this new home now
Did you leave because you thought they were cold?
Because I don't think so
It may be lonely sometimes
But I'm fine.

~pre-chorus:
And if this is a letter, I'll burn it
Because I love you too much to show it
I'll keep it to myself and try to justify meanness
Till them, I miss ya.

~chorus:
If no one loves you
Do you even exist?
If no one cares, what's the point of all of this
Suffering, suffering
I should have left when I had the chance
On the first time, maybe I would've saved her life
And maybe, as well, mine.

Dear Jem
You are my biggest sin
I love all of you
Even stupid Jessamine
Maybe the walls are really falling down
Wish I could tell why, but how could I?

Dear Henry and Charlotte
I was alone, you were all I got
I don't blame you for hating me
I sometimes do the same, that's fine, Sophie.

~pre-chorus~

~chorus~

~bridge:
And dear Tessa...
You'll never know, but I love your name
And I hate that you'll never see me the in that way
I screw everything up because I love you too much
So maybe someday you can forgive me
And maybe then
We can learn to love again?

~chorus:
I'm tired of wondering if I exist
Because I know I'm alive everytime you look at me
Never thought I could love, but I love you and then I
Suffer, suffer
You are the reason the walls are falling down
Maybe you can see me for who I am now
You said I've saved your life
So maybe now you could save mine?

terça-feira, 25 de junho de 2013

CdD Cap 22 (update pra Mandika) - Um encontro com o moveleiro maligno


— Se quer perguntar alguma coisa, apenas o faça — disse Daniel, fitando Gwen.
Ele percebeu que ela estava fitando Jason e Lolla, e frequentemente se virava para ele, mas parecia mudar de ideia logo depois.
— Jason... e Lolla... Eles...
— Não. Nunca aconteceu nada entre eles. Apesar de que provavelmente já pensaram nisso algumas vezes ao longo dos anos. — Daniel deu de ombros. — Ele mais do que ela.
Gwen gostava de falar com Daniel. Ele era sempre gentil, e não ficava desviando as respostas. As pessoas frequentemente se esquecem de que gentileza é de graça, pensou ela.
—... Afinal, esse aí é o casaco dele?
Gwen abraçou os próprios braços cobertos, enrubescendo um pouco.
— Bom, gente — disse Lolla, se levantando. — Eu e Daniel vamos subir até a suposta festa. Os outros, por favor, não morram. Já voltamos.
Daniel se levantou, checando a espada em seu bolso. Lolla e Jason preferiam facas, por serem mais práticas e fáceis de esconder, mas Daniel se apegara às espadas. Ainda era melhor com o arco e flecha, mas não conseguia esconder uma aljava na camisa.
— Ei — Jason protestou, claramente não gostando da ideia de ficar no andar de baixo.
Lolla o encarou como que dissesse Você se enfiou nisso, então agora proteja a novata.
Ele suspirou. Sabia que ela estava certa, mas nada no mundo o faria admitir em voz alta. Então apenas afundou no sofá novamente e observou os dois loiros subirem as escadas.
— É só uma missão de reconhecimento — disse Lolla, fitando Daniel. — Não quero que eles nos vejam.
Lolla adorava Daniel, mas ele não era exatamente... sutil. Fazia muito barulho ao caminhar, e tendia a derrubar coisas nas horas erradas.
A primeira coisa que a garota notou quanto à parte de cima é que aquilo não era uma festa. Augustus falava com uma figura encapuzada que ela não conseguia reconhecer.
— É um homem — sussurrou Daniel. A visão dele era incrível. Tudo aquilo para ela pareciam apenas formas desfocadas, mas ele conseguia ver através.
— A garota veio? — disse a figura encapuzada. Definitivamente era um homem.
— Sim, senhor, ela espera lá embaixo com os outros...
— Excelente — sua voz soava satisfeita.
— Podemos matar a refém agora?
— Não. Gwen Frey precisa ver a irmã primeiro. Eles precisam saber o que está em jogo. Mas agora, garoto, pare de falar. Você não me avisou que nossos convidados eram tão... curiosos.
Lolla cutucou Daniel e eles começaram a voltar devagar.
— A que se refere, senhor?
— Refiro-me aos dois anjinhos escutando nossa conversa da escada. Não, não, Alison. Não fuja.
Lolla praguejou baixinho. Não se moveu. Daniel fitou-a por um momento, esperando uma indicação.
— É Aryan para você, palhaço — ela cerrou os dentes.
— Como ele sabe seu nome? — Daniel sussurrou, um pouco surpreso. Ele pouco sabia sobre as origens de Lolla, mas sabia que seu sobrenome era muito antigo e que os descendentes geralmente mantinham as mesmas características físicas — olhos e cabelos claros —, mas acima de tudo, mantinham a chama acesa dentro deles que se simplificava pelo significado da palavra Aryan (que Lolla obviamente pesquisara por horas na biblioteca enorme do Lugar): Guerreiro.
Era uma coisa aquele homem saber o sobrenome dela, mas seu segundo nome era desconhecido até por pessoas do convívio dela. Ela abominava aquele nome. Era a pior coisa da qual podia ser chamada, ao ver dela.
— Ah, então esse é o famoso Daniel? — o garoto não podia ver o rosto do homem, mas imaginou que ele estava se divertindo.
— Fique longe dele.
— Lolla, como esse homem...
— É uma longa história, Daniel.
— A-li-son — pronunciou o homem, sílaba por sílada. — É de origem germânica, não é? Significa tipo nobre, mas também pode significar inflamado ou exaltado. Sua mãe sempre foi uma mulher interessante.
— Ele conhece a sua mãe? Lolla, o que diabos... — Daniel a encarou.
— Daniel Knowles, cale a boca.
— Eu sabia que você não conseguiria não enfiar seu nariz em tudo isso, Alison. — disse o homem.
Daniel não entendia toda a conversa, mas imaginou que enquanto o homem continuasse falando, eles continuariam vivos.
— Pelo menos eu não puxei esse seu nariz de batata, senão seria realmente um problema enfiar meu nariz em qualquer lugar.
Lolla nunca perdia a chance de falar demais.
— Mas talvez devêssemos dar algumas respostas ao seu amigo, certo, Alison?
— Escuta aqui, seu babaca dos infernos... E não me interrompa! Se me chamar disso mais uma vez, eu juro pela minha alma que...
O homem tirou o capuz e ela parou de falar. Era um homem de meia-idade, com as feições ossudas, além de cabelos louros e olhos claros.
— Olá, garota.
Lolla estava um pouco mais pálida do que o normal quando se virou para o amigo e suspirou, dizendo:
— Daniel, esse é o Tio Jack.
Daniel estava ocupado demais sentindo como se tivesse levado um soco no estômago.
— Tio... Jack?
— Jackson Aryan, prazer em...
Foi quando uma faca voou a dois milímetros da cabeça de Jack.
— Errou — Jackson sorriu. — Você tem amigos interessantes, Alison. — disse ele enquanto fitava Jason.
— Eu tinha tudo sob controle, Cooper! — Lolla se virou, irritada.
— Você estava demorando demais. — Jason encarou Jack. — Diga-me agora onde está Miranda Frey ou eu juro que vou acertar o alvo da próxima vez.
— A cada momento de conversa, ela se afasta ainda mais — Jack sorriu.
— Bem, eu não sou um grande fã dessa coisa de conversar.
— Que bom que disse isso.
Logo depois, Jack ergueu os braços e todos os objetos de vidro sobre uma mesa de madeira atrás dele voaram nos adolescentes.
Eles desviaram rapidamente, e Lolla abriu um sorriso fraco.
— Ah, é. Esqueci de mencionar que ele sabe fazer isso.
E foi então que o caos começou.

— Aryan, um plano de ataque agora seria ótimo! — gritou Jason, desviando de mais vidro voador.
— Não consigo me concentrar, Cooper!
— Teve todo esse tempo para usar o seu poder e não o fez? — Daniel ergueu uma sobrancelha.
— Eu estava preocupada demais garantindo que ele não matasse você, seu idiota!
— Lolla.
— Sim?
— Eu odeio a sua família.
— Somos dois. Cooper, cadê a novata?
— Lá embaixo com a Abigail.
— Jason Scott Cooper, você...
Jason sorriu para ela.
— Não pode só dizer "obrigada, Cooper"?
— Certo. Obrigada, Cooper, por atirar uma faca, errar, e começar uma guerra que eu estava tentando evitar!
— De nada!
— Sem querer ser chato — Daniel os encarou. — Mas temos uma certa questão de vida ou morte aqui.
— Aryan, pelo amor de Deus, use essa droga de talento...
— Já disse que não consigo desse jeito! Só se... — o brilho em seus olhos deu a Daniel a certeza de que ela tinha uma ideia. — Abigail.
E então correu escada abaixo.
— Abigail — ela fitou a latina, que junto com Gwen tentava decidir o que fazer. — Aquele seu talento lá... Poderia ajudar?
— Eu poderia tentar.
— Ótimo. Novata... — Lolla encarou Gwen. — Droga, certo. Eu protejo você. Vamos logo, não posso te largar sozinha.
— Obrigada pela compaixão, mas... você vai me proteger?
Lolla cerrou os dentes.
— Um pouco convencida demais para alguém que mal passou em Combate. — ela sacou sua faca. — Vamos, antes que eu erre o alvo acidentalmente e acerte você com isso.
Eles subiram as escadas. A briga havia piorado. Coisas maiores estavam voando agora. Móveis, e similares.
— Abigail — Lolla engoliu em seco. — Agora.
Abigail fechou os olhos e por um momento nada aconteceu. Mas então uma esfera de energia roxa formou uma parede estática os separando de Jackson.
— Não vou aguentar todos vocês por muito tempo — avisou Abigail, mordendo o lábio. Foi no exato momento que o escudo começou a fraquejar. — Oh oh.
— Gwen, abaixa! — Lolla jogou a morena no chão no exato momento em que uma porta voava nelas. A loira se levantou, cerrando os dentes, e encarou Jackson. — Por que está fazendo isso, seu verme?! Vai matar todos nós e depois o quê?! A Corte vai encontrá-lo e matá-lo! Mandará você diretamente para o inferno!
— A Corte? — ele riu. — A Corte está acabada, garota. E há uma explicação simples para tudo isso: Poder. Talvez eu deva dar um incentivo a você.
Foi quando Jackson levantou os braços novamente e uma porta voou na cara de Daniel. O rosto de Lolla se contraiu em um acesso de raiva tão grande que Gwen até deu um passo para trás.
— Me deem um segundo — ela encarou Abigail. — Pode fazer um escudo só em mim?
Abigail assentiu e o escudo se formou em volta de Lolla. Ela semicerrou os olhos e encarou Jackson, rezando para conseguir invadir a mente dele. Tinha que conseguir, tinha que...
E foi então que ela viu o anel no dedo anular de Jackson.
— É isso! — ela abriu um grande sorriso.
Jason tomou a tarefa de não deixar Gwen morrer. Ele frequentemente berrava comandos, que ela seguia sem pestanejar. O suor fazia com que seus cabelos escuros grudassem na testa. O garoto pegou algo em seu bolso: um pequeno quadrado de metal. Quando o pressionou, a coisa se transformou em um escudo de bronze.
— Fique atrás de mim — ele ordenou, soando cansado. Ele abraçou Gwen e apenas torceu para que o escudo aguentasse. Era apenas um protótipo, e nunca havia sido usado. Podia desmontar a qualquer momento, mas ele não tinha muita escolha.
— Martinez, tire o escudo! — gritou Lolla antes de avançar até Jackson.
Jason consideraria suicida qualquer um que avançasse contra um homem com o dobro de seu tamanho e experiência. Mas Lolla Aryan era a única exceção a esse "qualquer um".
— Seu filho da mãe! Covarde! Nojento! Asqueroso! Só está aqui porque minha mãe teve pena de você! Aposto que está vivendo na fortuna dela agora, não está? Barata suja e ranzinza! Idiota! Idiota! Idiota!
Jason já havia visto Lolla irritada. Já havia visto Lolla muito irritada. Mas o ódio nos olhos dela, a sede por sangue, era algo novo para ele.
Ela avançava com sua faca, frequentemente conseguindo fazer algum estrago. Lolla era pequena fisicamente, mas era muito rápida e ágil, tanto fisicamente quanto mentalmente.
Num momento aleatório, inexplicavelmente conseguiu chutar a virilha de Jackson.
— Pirralha maldita...
E então ela apenas chutou a cara dele quando ele se agachou.
— Jason? — pediu.
Jason se aproximou dele e o amarrou rapidamente enquanto ele estava inconsciente. Lolla sempre se surpreendia com a quantidade de objetos úteis que Jason carregava.
Lolla se aproximou do tio e pegou o anel em seu dedo anular.
— Isso não pertence a você — ela cuspiu na cara dele, colocando o anel no próprio dedo.
Foi apenas quando ouviu um pequeno gemido vindo do fundo da sala que se lembrou de que não havia checado Daniel. Ela sentiu um aperto no coração e jogou a porta longe, quase acertando a cabeça de Jason sem querer.
— Dani? — chamou ela, fitando o garoto. Estava com um corte feio na testa, mas nada que não pudesse ser resolvido. — Cooper, e se ele teve uma convulsão?!
Daniel resmungou alguma coisa e tateou o chão até encontrar a mão dela.
— Cuide... Cuide da minha família por mim. Lolla, eu...
— Knowles, eu sei que você não está morrendo. Levante logo.
Daniel abriu um pequeno sorriso e abriu os olhos, encontrando os dela.
— Mas você ficou preocupada, não ficou? Mesmo que só por um momento?
Lolla sorriu. Jason era o único que sabia que Lolla deixava Daniel acreditar que a havia enganado, quando na verdade ela sabia exatamente as intenções dele.
— Claro que fiquei, Daniel.
Mas não era mentira. Ela estava mesmo preocupada com Daniel. Bem, ela sempre estava preocupada com Daniel. Ao perceberem que ainda estavam de mãos dadas, soltaram rapidamente.
— Ai meu Deus, eu sinto muito... — disse Gwen, mordendo o lábio.
— Gwen, cale essa droga de boca — Lolla revirou os olhos.
Jason se divertia com a capacidade de Lolla de usar a palavra "droga" como um substantivo, adjetivo, advérbio, interjeição e sabe-se lá mais o que diversas vezes em uma conversa. Junto com "por que raios", era provavelmente sua expressão idiomática favorita.
Daniel se sentou, mas no mesmo momento desejou não tê-lo feito. Se tivesse comido alguma coisa, provavelmente teria vomitado, e a dor de cabeça o invadiu como se nunca mais fosse passar.
— O que a Gwen fez dessa vez?
— Duvidou da minha habilidade com isto — Lolla balançou a faca na mão esquerda.
Daniel fitou Gwen, horrorizado.
— Meu Deus, jamais faça isso. A loirinha nunca erra um alvo. Nunca.
— Vou ver se acho uma pomada, ou alguma coisa para cobrir o machucado — Lolla disse a Daniel, levantando-se.
— Não precisa, olha, já até parou de sangrar... — Daniel levou a mão à testa e a retirou encharcada de sangue. — Bem, quase. Mas sério, estou bem.
Lolla ergueu uma sobrancelha, deixando claro que não havia espaço para discussão.
— Jason, eu poderia realmente usar o seu vasto conhecimento em saber quais frascos contêm veneno e quais são remédio.
— A sabe-tudo está pedindo ajuda? — ele abriu seu típico sorriso presunçoso.
— Faça valer aquela droga de treinamento de bellator do qual você tanto fala. Sinceramente, vocês devem ter uma aula sobre como irritar o oponente até que ele desista para se livrar de vocês, porque pelo amor de Deus... — ela resmungava enquanto descia as escadas.
— Aryan! — ele berrou e a fitou, formando com os lábios Frey.
— Você não se importou com isso até agora — ela franziu o cenho. — Nem vem.
Lolla apenas queria sentir-se útil. A verdade era que não entendia nada de medicina ou de cuidados médicos, e temia que o problema de Daniel fosse sério. Ela não podia confiar na palavra dele de que estava tudo bem. Nunca sabia se ele estava dizendo aquilo apenas para confortá-la.
Quando eles estavam no andar de baixo, Jason segurou a mão de Lolla. Ela se virou para perguntar o que raios ele estava fazendo quando viu que ele fitava o anel dela.
— Isso é o que eu acho que é?
— Provavelmente — ela deu de ombros, soltando-se.
— Como aquele cara tinha isso?
— Ah. Aquele... Aquele é o Tio Jack.
— Hummm... O seu Tio Jack?
— Isso aí. Esse anel pertence a mim por direito. Eu não ligo para o que ele pensa.
Aquele era o anel da família Aryan. A maioria das famílias antigas de Nefilim — a mistura entre anjos e mortais — possuía um. O dos Aryan era um anel prateado simples, parecido com uma aliança, com um raio gravado nele.
— Por que um raio?
Lolla mordeu o lábio.
— Hum, é complicado. Enfim, vamos pegar logo o kit de primeiros socorros antes que mais algum parente meu nos ataque.
Lolla nunca havia falado muito sobre a família dela, e Jason nunca conhecera nenhum outro Aryan até aquele dia. Se as reuniões familiares dela costumavam ser assim, ele entendia porque ela não falava sobre elas.
Eles chegaram à cozinha e Lolla começou a revirar todos os armários. Jason tratou de ser útil e procurar nos armários altos que ela não alcançava.
— Achei — disse ela, na ponta dos pés. — Aqui, Jason, me ajude.
Jason se aproximou e a segurou pela cintura, levantando-a sem dificuldade como fizera diversas vezes quando eles eram crianças. Ela pegou um pote de sorvete sem tampa cheio de band-aids, remédios, pomadas... Tudo o que eles precisavam. Ela sorriu e ele a colocou no chão.
— Lolla — ele a fitou, sentindo que deveria dizer alguma coisa em meio a tudo o que estava acontecendo. — Eu... Eu..
— Você o quê?
— Eu sinto m... Quero dizer, me desc...
Jason suspirou. Era orgulhoso demais para pedir desculpas a ela, ou a qualquer um. Mas para a surpresa dele, ela sorriu.
— Tudo bem. Só... fique vivo, tá?
E esses eram os momentos mais próximos de afeto que Jason e Lolla conseguiam dizer em voz alta um para o outro. Sabiam que iriam ao inferno para defender um ao outro, mas nunca sentiram a necessidade de dizer isso. Costumavam se comunicar apenas com os olhos.
— Você sentiria tanto a minha falta, Aryan! Sabe o que eu acho? — ele colocou o braço em volta dos ombros dela. — Acho que você seria capaz até de chorar no meu enterro.
Lolla sorriu.
— Se você diz... Vamos subir logo, antes que mais algum parente meu resolva jogar móveis na gente.
Quando chegaram ao andar de cima, Lolla correu imediatamente até Daniel, que continuava sentado no chão. Havia um pano encharcado de sangue cobrindo sua testa.
— Está se sentindo melhor? — perguntou a loira, e Gwen surpreendeu-se com a ternura.
— Claro, afinal, eu apenas fui acertado com uma porta pelo seu tio do mal. Apenas mais um dia comum no Mundo Mágico do Knowles.
Lolla ergueu uma sobrancelha com a expressão censuradora que usava quando ele fazia piadas de coisas sérias. O que, ela tinha de admitir, acontecia o tempo todo. A garota pegou alguns curativos — o básico de enfermagem que ela aprendera por necessidade, já que eles quase morriam frequentemente — e cuidadosamente afastou os cabelos dourados de Daniel do rosto.
Jason estava parado, observando Lolla fazer o curativo, quando uma vozinha aguda e conhecida falou atrás dele:
— É uma pergunta um pouco estúpida, mas você está bem, não está?
Ele se virou, um pouco surpreso, para fitar Gwen Frey.
— É, a droga do escudo funcionou — ele sorriu.
Ela abriu um sorriso intrigado.
— "A droga do escudo"?
— Estou passando muito tempo com a Aryan — ele fingiu estar horrorizado, dando de ombros.
— Posso ouvir o que diz! — Lolla gritou.
— Cuide logo do seu namorado, Aryan!
O resultado disso foi uma pomada voadora que passou a dois milímetros da cabeça de Jason.
— Achei que tinha dito que ela nunca erra o alvo — Gwen comentou.
Lolla pegou a faca.
— Quer testar?
Gwen fitou o chão como se nunca tivesse feito comentário algum.

CdD - Capítulo 21 (apenas um update pra Mandika [nao, eu ainda nao tive coragem de sair das cobertas e ligar o pc grande]): Ódio


— Ela está brava comigo, não está? Isso é tudo minha culpa. — Gwen continuava perguntando a Jason, e ele continuava respondendo do mesmo jeito:
— Ela está brava comigo. Não é sua culpa.
— A festa é daqui a duas horas. Eu preciso da minha mala, Jason!
— Peça um vestido à Lolla, Frey.
— Ótimo, afinal, Lolla gosta tanto de mim.
— Você não tem certeza.
— Argh, eu só queria que ela fosse mais...
— Quer saber? Essa tensão entre vocês duas já está me dando nos nervos. Resolvam-se. E Frey — ele a encarou. — Peça a droga do vestido. Você me deve isso.

Gwen acabou concordando e bateu na 3a porta à esquerda, a porta de Lolla.
— Oi — a morena sorriu quando a porta se abriu. — Eu sei que você provavelmente não quer me ver aqui, mas... Você não teria um vestido para me emprestar?
Lolla encarou Gwen por um longo minuto com aqueles olhos tempestuosos.
— Certo. Entra.
Gwen o fez. Lolla começou a jogar um monte de vestidos na cama e pediu que a outra garota escolhesse o que quisesse. Gwen acabou optando por um vestido preto de renda simples.
Era engraçado, porque Gwen não conseguia imaginar a loira em nenhum daqueles vestidos.
— Agora cai fora — o tom de Lolla era brincalhão, mas Gwen percebeu que ela estava falando sério, então apenas saiu dali.
Ao chegar em seu próprio dormitório, encontrou Abigail sentada em sua própria cama. Ela usava um vestido azul bonito que ressaltava a cor da pele dela.
Gwen se trocou, passou um pouco de maquiagem e fitou-se no espelho. O vestido era bem feito e fazia maravilhas com as poucas curvas que a garota tinha. Fez com que ela se sentisse, ao menos, apresentável.
— Nada mal — elogiou Abigail.
— Obrigada — Gwen sorriu e abriu a porta.
— Onde vai?
— Acredite ou não, fazer um favor para Jason Cooper.
Foi o que ela fez. Gwen bateu novamente na porta de Lolla.
Quando a loura abriu a porta, a auto-estima recém adquirida de Gwen baixou tragicamente.
Lolla usava um vestido sem mangas azul simples, mas que nela ficava estonteante. Seus cabelos louros caíam em cachos perfeitos como sempre, e seus olhos azuis estavam mais destacados, pois estavam contornados com lápis de olho. Como sempre, ela irradiava uma espécie de luz própria, como se inconscientemente demandasse atenção.
Ela estava menos produzida, mas mesmo assim parecia infinitamente elegante. Gwen concluiu que algumas garotas simplesmente nasciam com glitter em suas veias.
— Sim? — Lolla a encarou.
— Posso entrar?
Hesitante, a loira lhe deu passagem. Gwen sentou-se em uma cadeira.
— Eu nunca te agradeci por tudo o que disse na Cerimônia.
— Não foi nada.
— Claro que foi. Obrigada, de verdade. Mesmo que você não goste muito de mim...
— Eu nunca disse isso.
— Isso não faz com que o fato deixe de ser veridico.
Lolla suspirou.
— Não é sua culpa. É só que... — ela encarou Gwen. — Você é irresponsável, Gwen. Não pensa de forma racional. É impulsiva, e arrasta as outras pessoas com você. Jason também é assim, mas ele nunca fez nada desse tipo que afetasse outra pessoa além dele mesmo. — ela fez uma pausa. — Bem, quase nunca.
Gwen assoviou baixinho.
— Que bom que estamos sendo sinceras. Lolla, você... Você não sente como se tivesse que competir comigo, ou algo do tipo, né? — Gwen fez uma pausa. — Porque é idiotice. Quero dizer... Se eu tiver que competir com você... Quero dizer, olhe para você.
Gwen odiava admitir que Lolla fazia com que ela se sentisse um patinho feio, mas era verdade.
Lolla sorriu.
— Viu só? Eu odeio você — ela suspirou. — Acabei de falar um monte para você, e você me elogia. Faz com que eu me sinta uma pessoa horrível. E talvez eu seja, porque ainda não me arrependo de nada do que eu disse por você ou contra você. E por mais que esse motivo faça com que você seja muito irritante, é o motivo pelo qual eu te defendi na Cerimônia. Porque você não é uma pessoa ruim, Frey. Porque você vê bondade nas pessoas, e eu vejo bondade em você. E se isso não for tudo o que você esperava... — a voz dela falhou. — Bem, dane-se, eu só vou falar isso.
Gwen ficou atônita por um instante, sem fazer ideia do que dizer.
— Se me dá licença — Lolla se encaminhou até a porta. Gwen entendeu que deveria sair também.
As duas garotas bateram na porta de Daniel e Jason. Os dois garotos a abriram. Gwen tinha certeza de ter visto os olhos de Jason pousarem em Lolla por um instante, mas depois finalmente pareceram perceber a existência de Gwen. Tudo o que ele disse foi:
— Muito melhor do que os moletons, Frey — ele sorriu. Depois se voltou para Lolla. — Pare de humilhar a todos nós com sua beleza divina, Aryan.
Lolla apenas franziu o cenho, sem alterar a expressão:
— Não vai me comprar com elogios, Cooper. Cadê a droga da latina, para que possamos ir logo a essa droga de festa e...
— Estou aqui, branquela — Abigail a encarou, irritada. — Vamos.
Gwen se apressou para caminhar com os outros. Fitou Daniel por um instante, cujos cabelos molhados faziam com que parecesse ainda mais dourado.
— Lolla está brava com Jason? — perguntou.
— Lolla está sempre brava com Jason — ele deu de ombros.
— Por quê?
— Porque ela se importa demais — ele suspirou, e ela não conseguiu ver a expressão em seu rosto. — Fica irritada porque ele quase morre o tempo inteiro. Não sei o que ele fez dessa vez, mas imaginar o quão perigosas são as ideias dele deixa qualquer um preocupado. Esse é o jeito dela de dizer a Jason que se importa.
— Ele sabe disso?
— Claro que sabe. O caso é que Lolla pensa demais.
— Sempre?
— Sempre. Mesmo quando parece que ela age por impulso, ela está avaliando tudo. Exceto com algumas coisas que diz. Algumas coisas só soam bem na mente dela.
— Você a conhece bem — Gwen notou.
— É, pode-se dizer que sim.

Abigail queria dar um soco na cara de Lolla durante todo o caminho até a Pensilvânia. Eles estavam parados no jardim do Lugar.
— Vamos de Portal? — perguntou Daniel.
— Sim, vou abri-lo em um instante — disse Lolla, pegando algo em sua bolsa. — Droga, eu quero minha calça jeans de volta. Preciso de bolsos.
— O que você está procurando? — indagou Gwen.
— O Transportador — Lolla respondeu como se isso explicasse tudo. — Droga, devo ter esquecido no quarto. Frey, seja útil e traga essa droga para cá.
— O quê?!
— Teste de ABM, rápido. Mentalize que o Transportador está na minha bolsa.
— O treinamento já acabou, Lolla.
— Você completou a Cerimônia? Se formou? Não. Então não acabou. Eu não te dei aquela nota incrível na minha matéria para que você avacalhe agora.
— Achei que tínhamos combinado que você não daria nota máxima à Gwen para não levantar suspeitas da Corte — lembrou Jason.
— Eu não ia dar, mas alguma coisa precisava compensar aquele desastre em Combate.
Gwen se concentrou por um momento, e imaginou o Transportador viajando até a bolsa de Lolla.
— Cheque.
Lolla abriu a bolsa e lá estava o Transportador. Era um pequeno objeto redondo que parecia um espelho de maquiagem. Talvez fosse essa a intenção.
— Ótimo! — a loira sorriu. — Agora deixe-me abrir, já que tenho permissão para fazê-lo...
— Eu também tenho permissão — comentou Jason.
— Sem querer ser estraga-prazeres, mas sinto-me mais confortável com o convencido abrindo o portal do que com a loira — disse Abigail.
Lolla a fulminou com o olhar.
— Eu poderia transportá-la de volta para o Peru ao invés de para a Pensilvânia — ameaçou. — Mas gosto demais do meu emprego.
— Podemos apenas... ir? — Daniel as fitou, sempre impedindo a guerra.
Lolla abriu o Transportador e uma luz azul refletiu na grama.
— Pulamos no três — estipulou ela.
— Pular na luz? — indagou Gwen.
— Exatamente — Jason sorriu.
— Um... Dois... — Lolla abriu um sorriso de divertimento. — Três!
E então eles pularam na luz.

Gwen não conseguiria descrever a sensação de ser Transportada. Uma força a puxou e ela ficou rodopiando no ar por um tempo indefinido até que caiu de cara em um gramado. Por algum motivo, estava segurando a mão de Jason, que cuspia um pouco de grama.
Lolla, a única em pé, observava impecável enquanto os outros quatro se levantavam. Possuía seu sorriso irônico de sempre no rosto.
— Eu adoro estas viagens.
Jason soltou a mão de Gwen para levantar-se, mas depois a estendeu para ajudá-la. Ela se surpreendeu com o gesto, mas o aceitou. O ceticismo da garota pareceu diverti-lo.
— Bem — disse ele, voltando-se para Lolla. — Onde estamos, exatamente?
— No endereço que havia na carta. Imagino que aquela ali seja a casa — Lolla apontou para a casa ao qual o gramado pertencia. As luzes estavam acesas e uma música alta tocava.
— Bem, ao menos há uma festa — ele deu de ombros, tirando o que sobrara de grama de seu cabelo.
— Vamos acabar logo com isso — Lolla pareceu se lembrar do porquê de estarem lá. — Antes que peguemos bactérias dessa grama suja e morramos de alguma doença relacionada a animais nojentos.
Gwen não aguentava mais os comentários da loura. Engolindo em seco, virou-se para ela e disse:
— Bem, se é um sacrifício tão grande para você estar aqui, não precisava ter vindo. Podia ter ficado no seu quarto reclamando.
Fez-se um silêncio fúnebre. Todos fitavam Lolla, esperando pela bomba. A loura fitou Gwen por alguns longos segundos. A tempestade em seus olhos pareceu aumentar.
— Não, eu precisava, sim, ter vindo — disse, seca. — Parece que preciso garantir pessoalmente que ninguém que eu gosto se sacrifique de novo por sua causa. Se todos aqui estão dispostos a morrer para que você possa ver sua irmã, eu não estou. E tem razão, é um sacrifício para mim. Não ganho nada estando aqui ou indo embora. Agora, se eu for, você vai acabar morrendo antes mesmo de conseguir pensar no quanto sente muito por só pensar em si mesma. Mas agora eu tenho motivos para não permitir que você morra, e apenas trinta por cento deles tem a ver com qualquer resquício de simpatia que eu possa ter por você. Também tem o fato de que não mato ninguém. E o resto... — Lolla fez questão de fitar Jason sem que Gwen percebesse. — Não é da sua conta.
— Lolla — Daniel a fitou. — Você está usando aquilo de novo.
— Não, não estou usando a droga do meu talento, Daniel. Estou apenas dizendo a verdade. Ou só ela pode fazê-lo?
Daniel segurou Lolla pelo pulso e a puxou para longe antes que pudesse dizer mais alguma coisa.
— Quem diz o que quer, ouve o que não quer — diz Jason para Gwen. — E no caso de Lolla, todo mundo sempre acaba ouvindo.
— Você deveria dizer algo do tipo "Ela não quis realmente dizer aquilo", e tal, sabe.
— Por quê? Lolla realmente quis dizer tudo aquilo. Ela nunca diz nada se não for o que ela pensa. Posso te dizer que pode ser que ela mude de ideia, mas neste momento, isso é realmente o que se passa na cabeça dela.
— Eu só gostaria que ela parasse de despejar tudo em mim.
— Bem, depois da reunião, ela me chamou de pedaço de carne podre sem cérebro estúpido. Mas eu mereci, acho.
— O que você fez?
Ele a fitou por um momento e sorriu.
— Uma coisa muito estúpida da qual eu não vou me arrepender. Acho que Lolla sabe disso. O fato de ela não entender meus motivos a deixa louca. Ela sente como se eu devesse uma explicação a ela.
— E você deve?
— Devo. — ele deu de ombros. — Acredite em mim, ela não odeia você. Assim como não me odeia. Ela odeia as idiotices que eu faço por você.
— Sabe, você tem essa mania de ficar devendo explicações para todo mundo. Estou cansada dos "Porque sim, Frey".
— A curiosidade é seu defeito fatal, Frey. Não faça perguntas se não conseguir aguentar as respostas.
— Estou tentando confiar em você, mas você não está exatamente facilitando.
— Está com frio?
Gwen se deu conta de que estava batendo os dentes. Provavelmente era pela raiva, mas percebeu que estava realmente com frio. Porém, não respondeu.
— Aqui, toma — ele tirou o casaco e jogou para ela sem muito cuidado. Mesmo tentando ser gentil, ele ainda era Jason Cooper.
Abigail estava andando um pouco atrás dos dois, e Gwen pôde ver que ela ergueu uma sobrancelha quando Gwen colocou o casaco.
Quando eles bateram na porta, um garoto a abriu. Era alto e magro, e possuía cabelos e olhos pretos e pele pálida que o faziam parecer um pouco fantasmagórico.
— Você deve ser a Gwen — o garoto sorriu para ela. — É a cara da sua irmã. Meu nome é Augustus. Augustus Parker.
— E... Cadê a irmã dela? — indagou Jason.
— Entrem aí, já vou chamá-la.
Eles entraram na casa. Apesar da música, não havia ninguém lá.
— Achei que fosse uma festa — Jason comentou.
— Ah, a festa é toda lá em cima — Augustus sorriu. — Esperem um minuto que vou chamar Miranda.
Quando ele subiu as escadas, Jason fitou Gwen.
— Você já veio aqui?
Ela fez que não com a cabeça. Ele sentou-se no sofá e Lolla se sentou ao lado dele.
— Vamos apenas nos deixar encurralar nessa armadilha ridícula? — Lolla ergueu uma sobrancelha.
Jason pegou sua adaga na cintura e começou a afiá-la.
— Por aí.
— Guarde isso, Jason.
— Por quê?
— Porque não seria muito esperto começar um confronto, ou mostrar a eles que temos armas.
Jason queria falar algo sobre o fato de Lolla ter se esquecido de que estava brava com ele, mas geralmente era assim. Eles não conseguiam se odiar por muito tempo.
Lolla encostou a cabeça no ombro dele enquanto esperavam.
— No que você se meteu, Jason... — ela suspirou, parecendo mais pensativa do que irritada.

terça-feira, 18 de junho de 2013

CdD - Capítulo 20 (apenas um update para a Mandika) - Protetor


Gwen, Jason, Lolla, Daniel e Abigail se encaminharam à sala de Louis Wolf na hora combinada no dia seguinte. Quando sentaram-se à mesa, o mais velho começou a falar:
— Acho que todos sabem por que estão aqui — Louis fez uma pausa. — A srta. Frey recebeu uma carta curiosa aparentemente vinda de sua irmã mais velha, Miranda.
— Sem querer soar pessimista — Lolla interrompeu. — Mas eu duvido que não seja uma armadilha.
— Mesmo que seja — Jason se pronunciou. — Depois do que aconteceu na Cerimônia e de todas as mudanças evidentes que a chegada da Frey trouxe, seria burrice não tentarmos descobrir mais sobre o assunto.
— Bem colocado — elogiou Louis. — Srta. Frey, gostaria de dizer algo?
Gwen, que estava aturdida demais para prestar atenção, demorou um momento para perceber que havia sido chamada.
— Eu preciso ver minha irmã, sr. Wolf — ela mordeu o lábio. — Depois de tudo o que aconteceu, se há qualquer chance de que eu possa conversar com ela, vê-la, ter certeza de que ela está bem... Preciso dessa chance.
— Compreendo. Entretanto, a senhorita deve compreender que é contra as regras e totalmente impulsivo permitir que um membro não-oficial saia sozinho em uma missão de tal risco.
— Ela não precisa ir sozinha — lembrou Jason. — Alguém experiente poderia ir com ela.
— Você se ofereceria? — Louis o encarou, e Jason soube que o que ele dizia nas entrelinhas: Você sabe o que isso implica?
Jason apenas fitou Louis por um longo momento sem dizer nada.
— Srta. Frey — disse Louis. — Gostaria de pedir a você e aos outros que se retirassem, com exceção do sr. Cooper. Quero ter uma palavra com ele.
— Na verdade — Jason interrompeu. — Eu gostaria que a srta. Aryan permanecesse na sala.
Louis pareceu considerar a ideia.
— Muito bem. Sr. Knowles, você, a srta. Frey e a srta. Martinez estão dispensados.
De má vontade, eles saíram pela porta.
— Certo — Louis foi o primeiro a falar. — Mesmo que vocês sejam extremamente astutos e acostumados, ainda são adolescentes. Falei com Callum e...
— Falou com Callum sobre a Frey? — Jason ergueu uma sobrancelha.
— Talvez devêssemos deixar claro a importância da Frey para tudo o que vem acontecendo —sugeriu Lolla.
Jason percebeu que ela poria todas as cartas na mesa. Não se opôs. Louis provavelmente já sabia de tudo, e até mais do que os dois adolescentes.
— Tudo começa pelo fato de Gwen Frey ser uma Pitonisa — disse Lolla, séria.
— Uma... O quê? — Jason se sentiu um pouco estúpido, mas as palavras voaram da boca dele.
— Pitonisa — começou Louis. — é o nome que os antigos gregos davam a todas as mulheres que tinham a profissão de adivinhas, porque o deus da adivinhação, Apolo, era cognominado de Pítio, quer por ter matado a serpente-dragão Píton, quer por ter estabelecido seu oráculo em Delfos, cidade primitivamente chamada Pito.
— Ou seja — concluiu Lolla. — Gwen é uma Vidente.
— E isso é um problema por que...?
— A Vidência é um dom esquecido — explicou Louis. — Não temos uma Pitonisa aqui desde... Bem, sendo sincero, desde a última Frey a integrar a Legião. Tornaram-se sinal de mau agouro, as Pitonisas. Tendem a mudar as coisas por onde passam.
"A última Frey a integrar a Legião". Jolene Frey, pensou Jason, lembrando-se da ficha.
— Pra pior?
— Se formos generalizar... Bem, sim.
— O que mais Callum disse? — quis saber Lolla.
— Eu disse a ele que vocês não eram mais crianças. Que eram legionários melhores do que a grande maioria.
— Mas isso não o convenceu — Jason adivinhou. — Teríamos de provar a ele.
— No que quer que esteja pensando, Jason... — ele parou de falar e encarou Lolla. — Se quiser saber alguma coisa, srta. Aryan, basta me perguntar e responderei com prazer. Não invada minha mente.
— Tarde demais — disse Lolla, sem demonstrar nenhum constrangimento. — Callum considera a ideia de que Gwen possa estar envolvida na armadilha. E com isso quero dizer, agindo contra a Corte.
— Frey, uma espiã? Isso é ridículo. — Jason revirou os olhos.
— Tenho conhecimento disso — disse Louis. — Entretanto, já que Callum não conhece nossa querida Frey, é sempre uma possibilidade. Estou de mãos atadas.
Eles ficaram em silêncio por um momento. Jason olhou para Lolla à procura de ajuda, mas ela não parecia ter nenhuma de suas ideias brilhantes para contornar as regras.
Foi então que Jason se lembrou do que a doutora Williams dissera. Para conseguir uma missão especial, ela precisaria de proteção oficial. Comprometimento.

A garota não deve perecer
E disso ele se assegurará
Concedendo proteção e segurança o fará

— Gwen não é um membro oficial, portanto não pode jurar — lembrou Jason. — Porém, eu posso.
— Pense no que está dizendo — pediu Louis.
— Já pensei. Há um jeito. Para conseguir uma missão oficial, ela precisaria de proteção oficial.
Um surto de entendimento passou pelos olhos de Lolla. Jason não queria ver o olhar horrorizado dela.
— Jason...
— Eu me ofereço como Protetor. — finalizou.
— E então Callum poderá pensar que você também está envolvido, Jason.
— Bem, se eu estiver, e ela morrer... — Jason a fitou. — Ele não terá com o que se preocupar.
Mais um surto se passou pelos olhos dela.
— O Juramento de Proteção é um dos Juramentos Perpétuos. — ela suspirou. — Jason Scott Cooper, o que raios você...?
— Sou um bellator. É meu dever. E, afinal, eu nunca dou as costas a uma missão suicida — ele sorriu.
— Jason — Louis o encarou. — Tem certeza quanto a isso?
Jason assentiu e começou a repetir o juramento.
— Eu juro acompanhar Gwen Cecilia Frey durante...

***

Gwen não estava nem um pouco feliz.
— Por que não posso estar lá enquanto eles decidem meu destino? — indagou ela a Daniel enquanto eles esperavam o fim da reunião na sala de estar.
— Deixe o Cooper fazer sua mágica — Abigail resmungou em tom de deboche.
— Por que ele pediu para a Lolla ficar? — Gwen continuava se dirigindo a Daniel.
Daniel era um daqueles garotos bonitos o suficiente para estar jogado em um sofá de camisa, jeans e descalço, olhando para o nada com uma expressão irritada no rosto e ainda assim parecer majestoso.
— Ela é boa em contornar as regras — disse ele. — Dificilmente é punida.
— É só por isso?
— Talvez ele queira alguém lá para testemunhar algum feito idiota e heroico que ele tem em mente.
— Achei que fossem amigos.
— Somos. Isso não torna os feitos dele menos heroicamente idiotas.
Daniel era normalmente tão cheio de vida e otimista. Era estranho para Gwen vê-lo tão revoltado.
— O que é isso na sua mão? — indagou Daniel de repente, apontando para a mão direita dela.
Havia uma marca esquisita, uma espécie de cicatriz.
— Não sei... Devo ter esbarrado em alguma coisa.
— Parece uma estrela de seis pontas — notou ele.
— São chamadas Estrelas de Davi, Knowles — corrigiu Abigail.
— É impressão — Gwen deu de ombros.

— JASON, SEU IDIOTA! PEDAÇO DE CARNE PODRE SEM CÉREBRO ESTÚPIDO!
Isso era Lolla gritando com Jason depois do fim da reunião. Não que ela geralmente fosse gentil, principalmente com ele, mas seus xingamentos estavam um pouco mais inspirados naquele dia.
Jason não estava prestando atenção. Olhava para sua mão, onde havia uma Estrela de Davi. Elas geralmente eram usadas para conceder proteção. Imaginou se havia uma na mão de Gwen.
— Jason, não finja que não está ouvindo — ameaçou ela. Odiava a falta de respeito que Jason tinha pela própria vida. Sempre se arriscando, sempre tomando a decisão mais ilógica. — Você ao menos sabe o que esse Juramento implica?
— Sei — ele a encarou. — Sou o Protetor da Frey. Devo protegê-la. Se ela morrer, eu morro junto. Entendido.
— Hã, eu sou a única que vê o quão grave é isso?
Jason sabia que Lolla se importava com ele, por mais que não admitisse. Ele também sabia que teria feito a mesma coisa se Lolla se tornasse Protetora de algum moleque por aí.
— Por que você fez isso? — perguntou ela, parecendo mais magoada do que irritada. Sua voz aguda magoada fez com que ela parecesse a Lolla de oito anos de novo, a única pessoa no mundo que era capaz de fazer Jason se sentir mal por algo que fizera.
Algumas coisas não mudavam
— É complicado, Lolla.
— Ai meu Deus — ela o interrompeu, de repente tendo certeza. — Você está apaixonado pela novata, não está?
Jason revirou os olhos.
— Não seja loira, Aryan. Opa. Tarde demais. Enfim — ele a encarou. — Ouviu o que Louis disse. Você é uma irritante sabe-tudo, mas não sabe o que há lá fora de verdade. A chegada da Frey muda tudo. Ela manipula realidades, Lolla. Imagine o que aconteceria se o poder dela fosse usado para fins obscuros?
Essa não era a única razão. Lolla não sabia sobre a profecia que ele recebera. Jason sabia que não era um blefe. Algo grande estava para acontecer.
— Afinal, você e a Frey são amigas ou não? — ele a encarou.
Ela sorriu de forma debochada.
— É complicado, Jason. — o imitou e saiu andando na frente.
Eles encontraram Daniel, Gwen e Abigail na sala de estar. Lolla tentou parecer feliz ao dar as notícias a Gwen.
— Parabéns! Você vai na droga da festa! E adivinha só? Nós vamos com você!
Depois de dizer isso, Lolla saiu andando e se trancou no próprio quarto.
— Você conseguiu? — Gwen fitou Jason, esperançosa.
— Eu te disse que conseguiria, Frey. Talvez agora você bote fé em mim.
Gwen abriu o sorriso maior e mais iluminado que Jason já havia visto no rosto dela. Ela levantou do sofá e o abraçou, afundando a cabeça em seu peito.
— Obrigada.
— O que aconteceu com a Lolla? — perguntou Daniel.
— Bem... — Jason não sabia o que dizer.
Mas Daniel não esperou pela resposta. Ele saiu correndo até o dormitório de Lolla. Bateu na porta e entrou. Encontrou a garota na varanda, olhando para o grande gramado.
— Ei, Lolz — ele sorriu. Era a única pessoa no Universo que a chamava de Lolz.
— Agora não, Daniel.
Ele ignorou o comentário e sentou-se ao lado dela.
— Quer conversar?
— Não.
— Quer que eu faça alguma coisa?
— Sim. Quero que cale a boca. E me abrace.
Daniel sorriu e a abraçou por um minuto, até que ela se sentisse à vontade para conversar.
— Você é meu melhor amigo, Dani. Sabe disso, não sabe?
— Claro que sei. Por que está me dizendo isso agora?
— Porque um monte de coisas tem mudado, e... E eu só não quero perder você também.
— Vai ficar tudo bem, Lolla.
Ela o fitou por um momento, e sorriu.
— Você não faz ideia do que estou falando, faz?
— Você me conhece bem demais, moça.
— Desculpe por estar evitando você.
— Espere — ele fingiu estar horrorizado. — Pausa. Lolla Aryan acaba de pedir desculpas?!
— Sim, mas não conte a ninguém. Você não está bravo?
— Não. O que quer que esteja acontecendo, pode me contar quando sentir que deve.
Lolla semicerrou os olhos, encarando-o.
— Parou com a gentileza fajuta.
Daniel sorriu.
— Ok, ok. Sério, estou morrendo, Lolla. Você está me matando com isso. O que está acontecendo?
— Pare de fazer com que eu me sinta culpada, idiota.
— Vai me contar?
— Não vou mais.
— Droga, eu deveria ter ficado com a gentileza fajuta.
Ela sorriu.
— Garotos gentis são uma espécie em extinção.
— Eu preciso ir agora, Lolz. Vejo você na tal festa?
Lolla bufou.
— Certo. Coloque uma roupa bonita.
— Pode deixar.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Not That Girl

Everytime I wake up
I did it again
My dreams are all about you
How did it begin?

The same kind of wrong everytime
Mistakes that keep me awake all night
I just wanna learn
I'm not the good girl.

~pre-chorus:
I can see it now
But I don't know how
I'm diving in desire
Two wrongs doesn't make a right

~chorus:
I can hear my head screaming
Everytime my heart takes control
I just have that kind of feeling
"It might end up on something", you know
I just keep wondering why
Do the good girl always fall for the bad guy
Well, he may be that guy
But I'm not that girl, I'm not that girl.

Everytime I wake up
I convince myself
I'm gonna end it up
And I'm pretty sure.

But then I see you
Same beautiful smile
I feel like I need you
And then I watch it restart.

~pre-chorus:
I can see it now
But I don't know how
I'm diving in desire
Two wrongs doesn't make a right

~chorus:
I can hear my head screaming
Everytime my heart takes control
I just have that kind of feeling
"It might end up on something", you know
I just keep wondering why
Do the good girl always fall for the bad guy
Well, he may be that guy
But I'm not that girl, I'm not that girl.

~bridge:
There are just so many things I wanna say
But all I can think is I love how it sounds when you say my name
And then I get so confused and naive
What the hell was I trying to say?
So I'm sorry if I'm a little nervous
But it's all your fault
And well, someday I may get through this addiction
Before you become my mortal flaw.

~pre-chorus:
I can see it now
But I don't know how
I'm diving in desire
Two wrongs doesn't make a right

~chorus:
I can hear my head screaming
Everytime my heart takes control
I just have that kind of feeling
"It might end up on something", you know
I just keep wondering why
Do the good girl always fall for the bad guy
Well, he may be that guy
But I'm not that girl, I'm not that girl.

CdD - Capítulo 19 (apenas um update para a Mandika) - Um dia


Daniel segurou a mão de Lolla enquanto ela se encaminhava para o Vocacionário, fazendo-a parar de andar.
— Sim? — ela o fitou com aqueles olhos azuis tempestuosos.
— Jason fez você fazer aquilo?
Para a surpresa dele, o comentário a fez sorrir.
— Jason? Qual é, Knowles. Como se eu fizesse alguma coisa porque Jason me fez fazer. — ela fez soar como um deboche. — Apenas achei que fosse o certo a fazer. Quando sinto que tenho algo a dizer, o faço.
— Eu não entendo você.
— Talvez não. Talvez ninguém entenda ninguém claramente. Talvez tudo seja uma ilusão. Talvez o mundo se parta em dois no próximo segundo e fiquemos tragicamente separados e jamais saibamos por que. — ela piscou. — Mas algumas dúvidas deixam as coisas interessantes.
Após dizer aquilo, Lolla saiu andando. Daniel sabia que ela dissera tudo aquilo para confundi-lo e desviá-lo da questão central. Não seria a primeira vez.
Quando chegou à Cerimônia Vocacional, Gwen estava posicionada ao lado de Jason, quieta, enquanto os membros da Corte se acomodavam.
— Sr. Cooper — chamou Callum. — Devo pedir que se sente.
— Na verdade, ele pode ficar aqui? — pediu ela. As palavras pularam para fora de sua boca novamente, e ela desejou não tê-las pronunciado.
Jason olhou intrigado para ela. Seu olhar dizia algo como Nervosa, Frey?
— Ficarei se a garota quiser que eu fique — decidiu ele, firme. Ela ficou surpresa por ele não ter feito piada com a situação. Parecia algo que ele faria naquelas circunstâncias. Ou em qualquer circunstância.
— Como desejar — prosseguiu Callum. — A Cerimônia Vocacional funciona de forma bem simples. Gwen Frey fará um juramento de lealdade perante a Corte, e então um sinal brilhará sobre sua cabeça, determinando sua Vocação, ou seja, seu Setor. Depois deverá coletar o amuleto feito com sua própria energia, seu comunicador com o Lugar e com seu posto.
Gwen engoliu em seco. Uma parte dela quis segurar a mão de Jason — precisava de qualquer apoio naquele momento —, mas não o fez.
Jason via que ela confiava nele, mesmo que só um pouco e que jamais fosse admitir. Ele se sentiu mal por estar guardando aquela carta de sua irmã no bolso do jeans naquele momento. Desejou que a carta apenas desaparecesse, mas as coisas não eram tão simples assim.
Callum recitou o julgamento e fitou Gwen esperando que ela o fizesse também.
— Eu, Gwen Cecilia Frey, juro lealdade perante a Corte e...
Foi quando o bolso de Jason começou a pegar fogo. Ele tentou apagá-lo com a mão — apenas mais uma de suas ideias estúpidas —, o que não funcionou. Gwen deixou escapar um grito quando viu, e logo começou a gritar com Daniel e Lolla.
— Água! Onde tem água?
Ninguém tinha água. As portas estavam fechadas. Lolla formou uma palavra com os lábios, mas Gwen não a identificou. Droga, tudo o que ela queria era que o fogo se apagasse sozinho...
Então finalmente entendeu o dizer de Lolla: Concentre-se.
Foi quando Jason percebeu que a calça parara de pegar fogo. Viu na expressão de Gwen que ela havia usado seu talento sem querer novamente, então tratou de bater estupidamente no bolso para fingir que o havia apagado com a mão.
Gwen congelou quando percebeu que todos os olhares estavam nela, já que Jason também a observava, uma atitude bem pouco inteligente.
— O que foi isso?! — exigiu saber Callum, visivelmente frustrado.
— Meu isqueiro. Estava no bolso. — disse Jason. — Acendeu sozinho.
Era uma explicação bem pouco razoável, mas Gwen sentiu-se grata.
— Isqueiros são considerados armas perante a Corte — lembrou Callum. — Portanto, proibidos.
— Devo sempre levar uma arma comigo. Sou um bellator, somos uma unidade independente.
— Ainda que independente, o senhor está sujeito às ordens da Corte.
— Jurei lealdade primeiro aos bellatores, e depois à Corte. Prioridades foram estabelecidas quanto a regras conflitantes.
Jason era mais sagaz do que deixava transparecer, pensou Gwen. Sua petulância às vezes não era só isso.
Foi quando uma voz preencheu a sala. Aguda e fria, arrepiou a garota, que não conseguia identificar seu paradeiro.
A Corte não a controlará, o que é seu será
Todos os segredos serão reinvidicados
Não se renda agora
Fuja sem demora
Salve o que lhe importa
Juramentos serão seu leito
Leito de morte, sim, dito e feito
Não se renda, não entre no sistema
Corra, Escolhida, corra
Corra para longe, ou morra.
Gwen estremeceu. Não entendera muita coisa, mas a última frase era o suficiente para despertar seu pânico. Todos pareciam aturdidos, mas a garota percebeu que apenas uma frase preenchia a sala, disponível aos ouvidos de todos os presentes:
Parem a Cerimônia ou a Corte sofrerá
Várias e várias vezes, aquilo parecia ser tudo o que eles ouviam. Gwen pensou nas frases que recebera, o aviso ritmado, e imaginou que fora a única a escutá-lo.
— A Corte deliberou — anunciou Callum. Mas já? Aparentemente, seu aviso tomara mais tempo do que ela pensava. — A Cerimônia será adiada. Gwen será aceita como membro honorária, e poderá permanecer no Lugar.
***
Jason também teve o desprazer de ouvir a voz assustadora. Negou quando Gwen perguntou. As palavras a assustariam ainda mais do que o assustaram, e de nada lhe serviriam.
Não tema
O garoto deve sofrer
A garota não deve perecer
E disso ele se assegurará
Concedendo proteção e segurança o fará
Seu destino em nada lhe favorece
Não há ninguém para ouvir sua prece
Não fracasse
Jason sabia que ninguém mais ouvira tal mensagem. Ele caminhava com Gwen de volta aos dormitórios, mas sua cabeça estava bem longe dali. Ele checou a carta depois do incidente com o fogo. Permanecia intacta. Não que ele já não soubesse disso antes, mas era óbvio agora que o fogo não era natural.
— Frey — chamou Jason quando eles chegaram ao corredor dos dormitórios.
— Sim?
— Foi você quem começou o fogo?
Ela estremeceu.
— Não. Afinal, o que foi tudo aquilo?
— Está perguntando ao cara errado.
— Você fica mexendo no seu bolso. O que tem nele?
Jason havia se esquecido da curiosidade monumental de Gwen.
— Nada.
— Não sou idiota, Jason.
— Jura?
Gwen o encarou, com seu olhar censurador de sempre. Ela se despediu dele e bateu a porta.

Obviamente, ela invadiu o quarto de Jason mais tarde. Nem ele nem Daniel estavam presentes, então ela apenas começou a revirar as coisas do moreno à procura do que fosse que estivesse no bolso dele.
O quarto já era tão massivamente bagunçado que eles jamais perceberiam. Gwen encontrou a calça que Jason vestira na Cerimônia, e logo enfiou a mão nos bolsos. De lá tirou um pequeno envelope escrito com uma letra caprichada que ela reconheceu: Miranda.
Olázinho, Gwen
Bom, sendo breve, vou dar uma festa no Domingo, nada muito chique, na casa de uma amiga. Só uma festinha de veteranos, mas eu realmente gostaria que você viesse. Sinto que deveríamos conversar sobre... Sabe, algumas coisas.
Ah, e você pode trazer um convidado se quiser. Mamãe disse que você fez um amigo.

Espero que esteja bem,
Miranda
Embaixo havia um endereço. Gwen se agarrou à carta como se fosse seu oxigênio, reprimindo a vontade de sair dali e dar um soco na cara de Jason Cooper.

Lolla em nada melhorara o humor de Jason.
— Daniel não está aí, né? Você não está me levando até ele? Isso não é uma armadilha, certo, Cooper?
Jason revirou os olhos.
— Aryan, qualquer que seja o motivo pelo qual você está se escondendo de Daniel, eu não dou a mínima.
— Não estou... me escondendo, exatamente — ela corrigiu, hesitando. — É só que tem algumas coisas que não quero explicar.
— Não quer ou não pode? Admita. Pensando melhor, você é orgulhosa demais para admitir que não sabe alguma coisa. É seu defeito fatal, sabe.
— E você é prepotente demais para admitir que não sabe alguma coisa.
— Você me xinga, desviamos do assunto, e você se safa. Conheço você há muito tempo, Aryan.
Ela sorriu.
— Sempre esperando o pior de mim.
— Eu poderia dizer o mesmo — ele a empurrou de leve com o ombro.
Ela o empurrou também.
— As coisas estão diferentes. Mas acho que algumas coisas apenas não mudam.
— Você consegue ficar mais irritante a cada ano.
— Cale a boca, Cooper.
Jason colocou o braço em volta dos ombros dela em um jeito mais enforcador do que afetivo. Eles riram enquanto ela tentava se soltar, e foi quando Jason abriu a porta do próprio quarto.
Gwen estava lá dentro com uma carta na mão. Oh, não, ele pensou. Os olhos dela se intercalavam entre Jason e Lolla, provavelmente esperando por uma explicação ou algo do tipo.
— Como. Você. Pôde?! — Gwen cerrou os dentes, fixando-se em Jason.
— Está tudo bem? — perguntou Lolla, perdida.
— Ah, ele não te contou? Jason...
Jason fitou Lolla com sua melhor expressão de Conversamos depois. A garota assentiu e saiu do quarto. Jason fechou a porta e se preparou para o drama.
— Eu não li a carta. Recebi-a ontem.
— Recebeu?
— A doutora Williams confiscou a carta pensando se tratar de algum tipo de farsa.
— É a letra de minha irmã.
A ideia o fez gelar na espinha.
— Mas como sua irmã saberia o endereço do Lugar, Frey?
Gwen pareceu considerar a ideia.
— Você deveria ter me contado sobre a carta.
— Eu queria contar, mas achei melhor esperar o fim do treinamento. Assim haveria mais chance de autorizarem a visita.
— Autorizar? Estou presa aqui ou algo do gênero?
— Não. É só que... Provavelmente emitiriam um certificado de Missão, já que a visita foi considerada fora dos padrões e até perigosa. Ah, e jamais deixariam que fosse sozinha.
— Eu quero ir, Jason. Eu tenho que ir. Depois de tudo o que aconteceu... — a voz dela falhou.
— Eu sei, Frey. Eu jamais impediria que fosse. Infelizmente, não cabe a mim.
— O que acontece se eu fugir?
Ele tinha certeza de que ela estava realmente considerando a opção. Jason se aproximou dela e segurou sua mão com força. Ela não o impediu. Ele se divertiu com o quanto os dedos dela eram longos e finos, quase desaparecendo em meio à mão dele.
— Me dê um dia.
— Por quê?
Ele sorriu.
— Tenho um plano.
Ela o fitou por um momento.
— Ok.
— Ok? Sério?
Ele não queria parecer tão surpreso com o desaparecimento instantâneo da teimosia dela, mas não conseguiu se controlar.
— É, sério.
Gwen queria perguntar por que ele se importava, mas sabia que a resposta seria a mesma de sempre:
Porque sim, Frey
A voz de Abigail retumbava na cabeça dela às vezes:
Jason Scott Cooper não se importa com ninguém além de si mesmo. Confie em mim.
Gwen não tinha mais certeza de que era capaz de pensar assim.

Jason bateu na porta de Louis cinco vezes antes que o senhor atendesse.
— Jason — Louis sorriu, como sempre que via o garoto. — A que lhe devo a visita?
— Preciso de uma reunião amanhã sobre a carta de Miranda Frey. A Little Frey sabe sobre ela.
Um adulto normal, e até mesmo Lolla, automaticamente culparia Jason e começaria um sermão censurador. Mas Louis preferia ater-se ao que de fato importava.
— Eu estava pensando na possibilidade de que ela pudesse ir — disse Jason, cauteloso.
Louis sorriu de forma intrigada. O garoto continuou falando:
—... Eu sei que pode ser uma armadilha, mas mesmo assim, principalmente depois do que aconteceu na Cerimônia, seria idiotice não investigar algo tão...
— Peça à srta. Frey que esteja na minha sala às 8 em ponto. Tenho certeza de que o senhor pode acompanhá-la. Chame a srta. Aryan, o sr. Knowles e a srta. Martinez também, por favor.
Jason sorriu.
— Valeu, Louis.
— Eu jamais recusaria um pedido altruísta de Jason Cooper. São raridades, geralmente valem uma fortuna.

CdD - Capítulo 18 (apenas um update pra Mandika) - Burocracia Angelical


Gwen não sabia o que dizer, então esperou que a doutora Williams fizesse perguntas.
— Como se sente?
— Estou melhor.
— Ainda está com tontura?
— Não muito — Gwen ainda se sentia meio tonta, mas tinha quase certeza de que não era por causa do desmaio.
— Posso lhe fazer uma pergunta?
— Hum, sim...
— Por que toda vez que você vem no consultório, Jason está na sua cabeça?
O comentário a fez corar.
— Não sei...
— Bem, se ajuda — a doutora baixou os óculos e fitou a garota. — Ele também estava pensando em você quando veio aqui.
— Achei que a senhora não conseguisse ler a mente dele.
Amelia sorriu.
— Raciocínio rápido, gosto disso. Tem razão, não consigo. Mas não precisei ler; ele mesmo disse isso.
— Ele me odeia.
— Ambas sabemos que isso não é verdade. Jason disse que você estava com a srta. Aryan.
Gwen notou que a doutora e Lolla provavelmente não se gostavam muito. A doutora sempre chamava Jason pelo primeiro nome, mas quando se referia à Lolla, era sempre "srta. Aryan".
— Sim, estava.
— Uma parceria perigosa, uma Frey e uma Aryan. Juntas, têm o poder de mudar o mundo, a não ser que destruam uma à outra ou a si mesmas antes disso.
— Inspirador — Gwen debochou. — E eu achando que minha mãe tinha perspectivas indecifráveis sobre minhas amizades.
— Aryan é sua amiga agora?
— Bem, não exatamente...
A doutora suspirou, parecendo aliviada.

A coisa à qual Jason se referiu como a "Formatura" de Gwen aconteceu no dia seguinte. Lolla apareceu também (provavelmente obrigada, já que era professora), além de Daniel, Finn e Hayley (os dois irmãos haviam terminado o treinamento no dia anterior).
Daniel acompanhava Gwen até o lugar onde acontecia a Cerimônia de Iniciação, nome que a lembrava de algum tipo de ritual illuminati, enquanto falava sobre um monte de coisas sem nenhuma relação. Gwen imaginou que ele fazia aquilo quando estava nervoso.
— Somos divididos em Coros... Ah, Jason já deve ter explicado a você sobre os Coros, não é... Bem, eu e Lolla somos do mesmo Coro.
— E qual é?
— O amor, Gwen Frey. Cuidamos dos relacionamentos das pessoas.
— E como ninguém nunca ouviu falar de vocês?
— Claro que já ouviram. Muitos nos classificam como um certo tipo de anjo. O primeiro de nós foi cultuado como um deus na mitologia greco-romana.
A ficha caiu.
— Cupidos.
— Sim, Cupido era seu nome romano. Recebemos o mesmo nome desde então.
Ela tomou um tempo para absorver aquilo.
— Então... Você é um cupido?
— Isso aí.
— E esse é um trabalho considerado... másculo?
Para a surpresa dela, ele riu.
— Faz sucesso com as garotas — deu de ombros. — Você me lembra a Lolla às vezes.
— Interessante.
— Ela também não pensa muito antes de falar.
— Parece que ninguém aqui pensa.
Daniel a fitou por um momento. Os olhos dele eram de um azul tão limpo. Gwen percebeu no mesmo momento que ele sabia o que se passava na cabeça dela. Não da mesma forma que a doutora Williams sabia.
Daniel era apenas bom com pessoas.
— Jason possui filtros. Ele apenas não se importa o suficiente para usá-los.
Gwen odiava a constante atitude suicida de Jason.
Eles chegaram a uma sala redonda contornada por muitas cadeiras, compostas por anjos. Anjos completos, batendo suas asas enquanto observavam Gwen. Na mais alta das cadeiras estava Callum. Vestia-se de branco, o que combinava com sua barba branca e tal. Quase tudo ali era dourado e majestoso, com aquele ar de antigo mas bem-cuidado.
Gwen deu um passo à frente, mas Daniel a segurou.
— Modos — lembrou ele. Depois assumiu sua expressão confiante natural e se voltou para a multidão de superiores. — Daniel Knowles, Criador do Destino, Setor A, Quarta Classe, materializador de Nível 3, presente à função de acompanhante.
Depois se virou para Gwen, como se esperasse que ela repetisse o feito. Ela o encarou, em pânico.
— Gwen Cecilia Frey, humm...
Daniel continuou por ela.
— Gwen Cecilia Frey, em treinamento para se tornar Criadora do Destino, Setor indefinido, Quinta Classe, talento não especificado, presente à função de inicianda.
— Atrium accipit vestri dedicatur — anunciou Callum. Todos os outros membros concordaram.
Gwen fitou Daniel à procura de tradução, mas ele também parecia perdido. Para garantir, fez uma reverência. Gwen o imitou.
As portas se abriram.
— A Corte aceita vossa dedicação — traduziu Jason, entrando calmamente na sala. — Estou atrasado para a festa? — Gwen lhe lançou um olhar censurador, mas ele não pareceu ligar. — Jason Scott Cooper, bellator, Setor Confidencial, Quarta Classe, bloqueador de Nível 5, presente à função de espectador, tradutor e paixão platônica da inicianda.
Gwen forçou mais ainda o olhar censurador, mas Jason ainda não parecia ligar.
— Atrium accipit speciem tuam, et serotinum — disse Callum.
— A Corte aceita vosso atraso e vossa especificação — traduziu Jason baixinho para Gwen.
— O Criador do Destino deve sentar-se — Callum indicou uma cadeira no canto da sala e Daniel sentou-se. — A inicianda não será punida pelas indulgências do companheiro romântico.
Gwen não se dava bem com palavras difíceis, mas entendeu o que aquilo queria dizer.
— Ele não é meu namorado!
Jason deu-lhe uma cotovelada, temendo a reação da Corte. Ele não dava a mínima para o que aquele bando de velhos achava dele, mas não queria prejudicar Gwen.
Para sua surpresa, Callum sorriu.
— Como desejar.
— A srta. Frey não está de forma alguma sujeita à forma como ajo — Jason especificou. — Como eu disse, estou aqui apenas para assistir e traduzir.
— Muito bem. Gostaria de pedir que a pessoa responsável pela análise psicológica de Gwen Cecilia Frey se levante.
Amelia Williams levantou-se.
— Amelia Rita Williams, psicóloga, Terceira Classe, Legilimens de Nível 5, presente à função de avaliação das condições mentais da inicianda.
— Atrium agnoscit tua disciplina.
— A Corte reconhece vossa capacitação — sussurrou Jason, mas fez soar como um deboche.
— Prossiga com a avaliação, srta. Williams.
— Pois bem — a doutora suspirou. — Venho avaliando Gwen Cecilia Frey diariamente, durante trinta minutos, desde sua chegada no dia dez de Junho. Gwen parece bastante determinada, porém impulsiva, e tende a se distrair facilmente. Por tais razões, mesmo que eu não desconfie de suas boas intenções absolutas, talvez não fosse sensato...
Jason encarou Lolla, que estava sentada em uma cadeira na ponta da sala com os outros professores enquanto fingia não existir, porém ele tinha certeza de que ela sabia onde aquele depoimento terminaria. Qualquer argumento que Jason propusesse à Corte seria ignorado. Ele precisava de Lolla.
A garota suspirou baixinho e se levantou.
— Com licença, senhores — disse Lolla em sua erudição e audácia típicas. — Sinto a necessidade de lembrar-lhes que o dever de Williams para com a inicianda foi descrito para a paciente como algo terapêutico devido à grande mudança que ocorreu inesperadamente na vida desta jovem. Diz-se coisas pessoais em um consultório psicológico, e vejo a privacidade da paciente se esvairindo quando as coisas que ela disse à terapeuta em um lugar mostrado como "seguro" — ela fez aspas com os dedos. — são usadas contra ela em algo que se tornou um julgamento.
Jason sorriu. Ele jamais deixaria de se impressionar com a sagacidade de Lolla Aryan.
A Corte não parecia entrar em acordo. Alguns protestavam, mas Callum a fitava com interesse.
— Apresente-se, jovem — pediu, calmo.
— Lolla Alison Aryan, professora e Criadora do Destino,  Setor A, Terceira Classe, leitora de Nível 4.
— E quinze anos — completou Williams. — Quinze anos.
— Atrium agnoscit sapientiam tuam. — disse Callum.
— A Corte reconhece vossa sabedoria. — traduziu Jason, parecendo satisfeito.
— Na qualidade de professora, também avaliei, com a ciência de Gwen, seu desenvolvimento. Ela demonstrou grande facilidade de aprendizado e eu não duvido de sua capacidade de exercer com perfeição o cargo.
— Senhor, devemos considerar a pouquísssima experiência da Aryan... — começou a doutora.
— Eu me lembro de sua iniciação, srta. Aryan — comentou Callum, interrompendo Amelia. — Três anos atrás. Extremamente sensata e inteligente. E quanto à experiência dela, doutora Williams, se ela não fosse completamente capaz de tal avaliação, não teria sido convocada para o cargo de professora.
— Eu fui contra...
— Justo. Mas a decisão não cabe a você.
Jason vibrou baixinho, esforçando-se para não tirar sarro da doutora.
— A srta. Aryan também foi minha paciente — argumentou a doutora Williams. — Ela convenientemente esqueceu-se de comentar sobre sua especialização no campo de leitura de mente.
Gwen soube pela expressão no rosto de Callum que ele tinha consciência da informação e não a achava relevante, mas mesmo assim ele se virou para Lolla.
— Gostaria de dizer algo sobre isso?
Lolla revirou os olhos.
— É verdade que nasci com a capacidade de deduzir com mais facilidade os pontos fracos das pessoas, o que foi o ponto de partida para que eu pudesse expandir muito mais o termo "leitora". Atualmente uso meu talento para ver as maiores dificuldades dos alunos e ajudá-los a contorná-las, como especifiquei quando solicitei o cargo.
— Muito bem então. Quero falar com a garota.
Mas Callum não olhou para Lolla. Ele olhou para Gwen, que ainda estava meio aturdida pelo o que acabara de ouvir. Lolla sabia os pontos fracos de todos naquela sala e a melhor maneira de atingi-los. Gwen tremeu ao imaginar o quanto a loira sabia sobre ela.
— Olá, querida — Callum sorriu. — Perdão. Não costumamos ser tão burocráticos.
— Humm... — Gwen murmurou enquanto pensava em algo pertinente para dizer.
— A senhorita parece causar discórdia na Corte.
— Desculpe — as palavras pularam para fora da boca dela.
Jason se divertiu em silêncio. Gwen tinha aquele jeito tão... Tão dela. Era como se a garota de preto com mechas roxas no cabelo e a garota certinha que enrubescia sempre que achava ter feito alguma coisa errada nunca entrassem em consenso, mas ao mesmo tempo se encaixassem perfeitamente.
— A senhorita gostava das sessões de terapia?
— Eu...
Callum sorriu. Ao ver de Jason, não parecia um sorriso exatamente gentil. Trazia uma espécie de interesse.
— Entendo. Devo parabenizá-la por suas notas em Abertura e Bloqueio da Mente, foram impressionantes.
Gwen se deu conta de que não havia checado suas médias finais. Nem havia lhe ocorrido que elas existiam.
— Bem... Obrigada.
— Encontrou facilidade nessa matéria?
— Suponho.
— Qual seu sobrenome, novamente?
— Frey.
Callum ficou em silêncio, como se aquilo decidisse tudo.
— Senhor, realmente não vejo necessidade em toda essa conversa e teatralidade... — protestou Lolla.
— Deveríamos fazer uma votação — sugeriu a professora de Latim, a sra. Montgomery, falando pela primeira vez.
— A garota está aprovada — anunciou Callum imediatamente.
O salão permaneceu em silêncio durante um minuto.
— Se... Senhor? — a doutora Williams disse, cautelosa.
— Gwen Cecilia Frey deve ser encaminhada ao Vocacionário.
Gwen olhou para Jason à procura de... Bem, não sabia ao certo o quê. Informação, socorro, confirmação... Pensando melhor, imaginou que apenas não queria sentir-se sozinha. Enquanto Jason a fitava, ela desejou saber o que se passava na mente dele.
Quando estava saindo da sala, ela viu que alguns dizeres em latim estavam escritos na maior das paredes:
"Libertas est illusionem sine quibus homo non potest superesse"
Antes que ela pudesse pedir uma tradução, Jason a acompanhou até uma sala semelhante a que estavam, exceto pelo fato de que havia um pedestal ornamentado feito de ouro no centro dela. Nada havia nele.

CdD, Capítulo 17 (apenas um update pra Mandika) - Poder


Gwen estava de volta ao corredor cheio de portas do sonho. Porém, dessa vez, tinha consciência do que estava fazendo, mas não controle total. Uma porta que ela não conhecia — estreita, reluzindo como ouro puro — chamava a atenção direto como um ímã atraído por polos opostos. Quando abriu a porta, tudo ficou escuro.
A garota acordou na mesma cama na enfermaria em que se encontrara no primeiro dia. Porém, Louis não estava lá. Por outro lado, Jason estava sentado em uma cadeira de plástico perto dela, lendo um livro. Ao perceber que ela havia aberto os olhos, ele a fitou:
— Bom dia, Bela Adormecida.
— Pare de me chamar assim.
— Então pare de desmaiar. Você tem tido três refeições diárias? Comido direitinho?
— Vá se danar, Jason. Por que está aqui?
— As enfermeiras me amam e me deixaram entrar.
— Claro, esqueci que tudo é simples assim para você.
Ele fechou a cara.
— Não sabe nada sobre mim.
— Talvez não. Mas sei que está aqui por um motivo. Por que está aqui?
— Porque sim.
Ela não insistiu.
— Que seja. Está lendo o quê?
Ele mostrou a capa do livro a ela.
— Técnicas de batalha, volume VII.
— Parece interessante — ela mentiu.
— Sempre se esquece de que sei quando você mente. De qualquer forma, esse não é o ponto. Viu alguma coisa enquanto dormia?
Ela se surpreendeu com a pergunta, mas não via sentido em mentir.
— Sim. Mas não é algo que acontecerá imediatamente. Levará algum tempo.
— Como sabe disso?
— Só... sei.
Para a surpresa da garota, Jason sorriu.
— Você e seus pressentimentos.
Gwen olhou para baixo.
— Acha que sou louca.
— É claro que não. Eu os considero interessantes, na verdade. Seus pressentimentos.
— Por que todo mundo aqui me trata como se eu fosse normal? Eu sei que não sou normal. Sei que tudo isso é esquisito. Por que ninguém aqui apenas me diz que estou pirando?
— Talvez sejamos todos pirados — ele sorriu.
—... E por que eu continuo desmaiando? Isso é tão patético.
— Eu não entendo nada sobre isso, Frey. De verdade. Se não envolver uma espada e algum sangue, duvido que eu possa te ajudar.
Ele não podia ajudá-la, mas ela conhecia alguém que podia.
— Chame a Lolla — pediu ela. — Por favor.
Jason olhou para o relógio na parede.
— Bem, acho que a aula já acabou... Tem certeza? — a garota assentiu. — Certo, vou chamá-la.

Lolla estava almoçando quando Jason apareceu.
— Lolla — o olhar dele era rígido. — Venha comigo. Agora. Eu explico no caminho.
Lolla não costumava seguir as pessoas sem perguntar por que, mas confiava em Jason o suficiente para isso. Ele segurou o pulso dela e a arrastou até o corredor central do Lugar.
— A Frey precisa falar com você. É importante.
A garota revirou os olhos azuis.
— Certo, que seja, Jason.
Lolla entrou na enfermaria e viu Gwen em uma das camas, fitando-a com certa expectativa.
— Jason, pode nos dar licença? — pediu.
Ele hesitou.
—... Claro — e saiu da sala.
Lolla sentou em uma das camas e Gwen falou sobre seus desmaios. Apenas os desmaios — nada do que veio antes, ou seja, nada sobre ter quase causado o suicídio da irmã.
— Curioso — a loira a estudou como se fosse uma cientista examinando uma nova amostra desconhecida que havia acabado de chegar ao laboratório. — Esse é seu dom. Essas... premonições. É algo muito poderoso, sabe. Uma chance de impedir o curso do destino. Poderoso demais, portanto você não pode controlar. Suponho que com o tempo e alguma prática você vai conseguir administrar melhor essas previsões, e não sofrerá um efeito tão forte quanto desmaiar.
— Não tem como... fazer parar?
— Provavelmente não — Lolla deu de ombros. — E mesmo que tivesse, você quer mesmo fazer parar? — Gwen não respondeu. — Imaginei. Quem mais sabe sobre isso?
— Jason — ela enrubesceu um pouco.
— Ótimo. Mantenha em segredo.
— Por quê?
O olhar de Lolla parecia distante.
— Confie em mim.

Gwen se lembrou depois de um tempo que tinha a consulta com a dra. Williams.
— Quer que eu te acompanhe? — ofereceu Lolla.
— É que Jason sempre vai comigo... — Gwen se sentiu como uma criança mimada ao dizer isso.
— Bem, eu não sei onde ele está — Lolla não tinha paciência para aquele tipo de drama. — Quer que eu vá com você ou não?
— Quero. — disse Gwen finalmente. — Quero, sim.

Se Jason fosse chamado mais uma vez a alguma reunião idiota por causa de Gwen Frey, ele não conseguiria refrear a vontade de cravar a adaga que estava em sua cintura em alguém.
Ele sempre a carregava, mesmo que isso talvez fosse um pouco mórbido. Mas, para bellatores, era algo comum e necessário.
Porém, lá estava ele, em um dos lugares que mais odiava no mundo inteiro: o consultório da dra. Williams.
Gwen não sabia que Jason estava lá, ela provavelmente ainda estava conversando com Lolla. Ele ainda tinha um pouco de receio de deixar as duas sozinhas em uma sala.
Ele não conseguia se livrar da sensação de que elas eram tão parecidas em um ponto, mas que os pontos que as diferenciavam poderiam causar a 3a Guerra Mundial.
— Se você vai falar sobre a Frey — Jason encarou a doutora. — Eu não sei de nada, eu não dou a mínima.
— Você pode mentir muito melhor do que isso, Jason. O caso é que você é um garoto esperto. É de sua natureza reconhecer que tem algo acontecendo.
— Sim, tem algo acontecendo: minha paciência está se esvairindo. Onde quer chegar?
— Qual é o seu interesse na srta. Frey?
— Eu não tenho nenhum interesse na Frey.
— Não minta para mim. O que você viu nela?
— Como assim "o que eu vi nela"? — ele deu um sorriso debochado. — Ah, está falando sobre meu talento? Aquele que você nunca acreditou que eu tivesse?
— Dizer que você tem um talento seria ilógico. É totalmente impossível.
— Doutora, eu posso fazer exatamente o que venho te dizendo que posso fazer, e a senhora sabe disso.
— Assumamos que você tenha um talento — ela entrelaçou os dedos das mãos e o fitou. — Nesse caso, eu adoraria ouvir sua perspectiva sobre a srta. Frey.
— Por que eu? Pergunte à professora dela, ou à sua colega de quarto. Eu não sei nada sobre a Frey.
— Ambos sabemos que isso não é verdade. Vamos, Jason, coopere comigo.
— Só se você começar a falar. Vamos, Williams, qual o seu interesse na garota?
A doutora suspirou.
— Isto chegou ontem — ela tirou um pedaço de papel do bolso do casaco. — Eu confisquei antes que Gwen visse. É uma carta da irmã da Gwen, querendo encontrá-la.
— E por que você confiscaria isso?
— Não te parece suspeito? Como a irmã dela saberia para onde mandar uma carta? Como acertaria o endereço do Lugar?
Jason foi obrigado a entregar aquele ponto à doutora.
— Do mesmo jeito, por que...
— Você sabe por quê. Se Gwen recebesse isso, imediatamente iria...
— Procurar a irmã.
— Ambos sabemos que ela é muito impulsiva.
— Mas isto — ele apontou para a carta. —, mesmo que seja uma armadilha, pode ser a chave para todo esse quebra-cabeça.
— Se for uma armadilha, ela estaria desprotegida.
— Não estaria desprotegida se eu fosse com ela.
A doutora sorriu.
— Esse olhar no seu rosto — ela o fitou, desconfiada. — Isso não é apenas desejo de guerra. Há algo mais. Não é paixão. É algo diferente.
— Ok, como se eu fosse capaz de sentir algo tão complexo.
— De qualquer forma, Gwen é uma novata. Você sabe o que é provável que ela enfrente se for. E não se faça de burro.
Jason sabia a que ela se referia. O maior segredo dos bellatores. A verdadeira razão de todo o treinamento. Ele deveria ter ficado espantado por Amelia saber sobre uma informação restrita, mas nem sequer se surpreendeu. A doutora possuía fontes em todos os lugares possíveis.
— ...Para conseguir uma missão especial, ela precisaria de proteção oficial. Comprometimento.
— "Comprometimento" — ele repetiu. — Está aí uma palavra que não encontro em meu dicionário.
— De qualquer forma — ela piscou. — Pense nisso.

Gwen encontrou a porta do escritório fechada, mas podia ouvir a conversa que ocorria do lado de dentro. A primeira coisa que ouviu a perturbou um pouco:
— A Frey é muito curiosa — ela reconheceu a voz de Jason. — Não importa o que mais você estiver escondendo, ela vai acabar descobrindo.
— E quanto ao que você está escondendo, Jason? Ela não vai descobrir isso também?
Ele não respondeu, o que intrigou Gwen. O que Jason poderia estar escondendo dela?
— O que está fazendo aí? — perguntou Lolla, desconfiada. A garota havia parado para responder uma dúvida de um aluno, e só havia chegado naquele momento.
— A sala está ocupada — foi tudo o que Gwen respondeu.
Naquele momento, a porta se abriu.
— Ah, olá Frey — Jason franziu o cenho. — Oi, Lolla.
Lolla se posicionou entre Gwen e Jason, revezando seu olhar entre o garoto e a dra. Williams.
— O que você estava fazendo aí?
— Olá, Jason — Gwen disse baixinho.
— Você vem comigo — disse Lolla, decidida, e começou a puxar Jason pelo braço. Ele não ofereceu resistência. Nem mesmo Jason era louco o suficiente para desafiar Lolla.
— Tchau, Frey! — Jason não olhou para ela ao dizer isso. — Droga, Aryan, suas unhas estão compridas!
— Mimimi — Lolla mostrou a língua e se afastou com o garoto.
— Tchau, Jason. — disse Gwen, mais para si mesma do que para Jason, pois sabia que ele não podia ouvi-la.
— Vamos entrar? — a doutora fitou a garota.
Gwen, inutilmente, tentou esvaziar a mente.
— Ao que parece... — e entrou no consultório.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Maybe


I've been thinking through
I feel like I know you
As well as I know myself
We've paved our road to hell.

I should hate you but I can't
Cause our minds work the same
I'm not a judge, but I'm not a forgiver
I'm a little hard, but you are not a quitter.

~pre-chorus:
Let's just look at ourselves
Before we say anything
Life sometimes feels like hell
But sometimes the sky is clean
People need help and that's what we're here for
I feel like I like you even more.

~chorus:
Maybe people make mistakes
Maybe things are not all black and white
Maybe I should reveal the existence of gray
Maybe I'm thinking too much
Maybe I'm just not thinking enough
I'm not stuck on that sad little town
But maybe I know the power of doubt.

I've been feeling alright
You always know how to make me smile
Your smile is just so contagious
Now that your voice is no longer poisonous.

Apologizes are not my thing
But you don't care
Maybe it's fair
We got it bad.

~pre-chorus:
Let's just look at ourselves
Before we say anything
Life sometimes feels like hell
But sometimes the sky is clean
People need help and that's what we're here for
I feel like I like you even more.

~chorus:
Maybe people make mistakes
Maybe things are not all black and white
Maybe I should reveal the existence of gray
Maybe I'm thinking too much
Maybe I'm just not thinking enough
I'm not stuck on that sad little town
But maybe I know the power of doubt.

~bridge:
Feelings change so fast
Specially when they're bad
I'm just jumping down
On the cliff of your side smile
We're done with your doubts
Trusting is all I care
Hold my hand as I dream
Show me the side I couldn't see.

~chorus:
Maybe people make mistakes
But now I'm ready to forget
Gray exists, but your eyes are bright
Maybe I'm thinking too much
Maybe I'm just not thinking enough
Now I see everything I got
And yeah, I know the power of love.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Love Suicide


I can't say I quite understand
How society works nowadays
I'm just a girl lost in a bunch of books
Wishing on stars to make it through.

I eat junk food
At McDonald's with my crew
Sarcasm is my middle name
Along with Broadway.

~pre-chorus:
I sing loud and I don't care who's listening
Whatever they do, they can't hit me
My walls are always built too high
But sometimes the right people make them fall apart

~chorus:
I never let things go
When I don't understand
I'm kinda warrior
Don't need a savior
I like to play guitar
Singing along with the stars
In the most quiet nights
The silence is just too loud.

I understand poetry and Math
But there are things I just don't get
Like animal prints and high heels
I'm ok with my faded blue jeans...

I'm shy but I talk too much
I always think some guy is the one
He talks to me and my cheeks brush
Like, am I crazy
Or can it be more than just a crush?

~pre-chorus:
I sing loud and I don't care who's listening
Whatever they do, they can't hit me
My walls are always built too high
But sometimes the right people make them fall apart

~chorus:
I never let things go
When I don't understand
I'm kinda warrior
Don't need a savior
I like to play guitar
Singing along with the stars
In the most quiet nights
The silence is just too loud.

I can't dance but for you I do
Because I like how your eyes look when we're below the moon
Sometimes I let my heart take control
And it all sounds like...

~bridge:
Oh, can't you hear the beat?
You guys make me smile
I can't dance at all
But it feels so right
So I just jump and don't look back
Faith is stronger than death
Whenever I decide
I'm a love suicide.

I never let things go
When I don't understand
I'm kinda warrior
Don't need a savior
I like to play guitar
Singing along with the stars
Writing four minutes about a second
Because it all looks so bigger now
And in case you wonder why
I'm just a love suicide.

sábado, 8 de junho de 2013

Fireworks


i Love it when you hOld me
i look up smiling and you're the reason
i remember every single word you told me
i can't help it.

when i read your texts i can hear your Voice
don't wanna dive in, but you leave mE no choice
what can I do if you're so kind?
i can't help it.

~pre-chorus:
look through me
can't you See
that when i Say hi
inside i'm screaming "i'm in love with you"

~chorus:
cause nothing Ever matters when i'm with you
it sounds so tacky but it's stilL true
when we're talking, my heart is speaking
cause my head is stuck overthinking
not sure iF you feel a spark
but i feel fIreworks everytime you smile.

my head tells me it's So wrong
but when we're togetHer it just shuts up
i have it all figured out till you arrive
then i just wonder if i'm crossing your mind
cause then i would feel less dumb
for thinking about you all day long.

i know i read too many books
and our story is not that simple
complicated isn't always good
but i assure you it's always interesting.

~pre-chorus:
look through me
can't you see
that when i say hi
inside i'm screaming "i'm in love with you"

~chorus:
cause nothing ever matters when i'm with you
it sounds so tacky but it's still true
when we're talking, my heart is speaking
cause my head is stuck overthinking
not sure if you feel a spark
but i feel fireworks everytime you smile.

don't you see me getting nervous, and smiling
why are you so beautiful? i'm trying
to forget you, but i don't want to

~bridge:
cause i'm stuck with the way you look at me
your secret winks and smiles and nobody notices
liking you is like breathing, how can i stop?
everytime you look inside my eyes
you're making my life worthwhile.

~chorus:
cause nothing ever matters when i'm with you
it sounds so tacky but it's still true
when we're talking, my heart is speaking
cause my head is stuck overthinking
not sure if you feel a spark
but i feel fireworks everytime you smile.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Love and Hate (Gone)


Please, hold on
Don't hate me
Until I finish my song
Don't leave me
Believe me
Love is something I can not control.

Everytime I think I'm done
There he is, brighter than the sun
I'm too weak to let go
But not too weak to let you know.

~pre-chorus:
What would you do if your heart was torn?
Stuck in a way that always goes north
Don't give up on me...

~chorus:
Cause I hate how it sounds when he says hello
Like our life is a movie and nobody knows
I hate his side smile and his dumb sarcasm
I hate how his eyes always have that charm
Isn't that enough?
Maybe love and hate are close
But I swear the feelings will be gone.

"He's no good, he's no good"
That's so cliche
"I know that, I know that"
My head says
And I'll listen, I swear
My mind is not dead
... Yet.

~pre-chorus~
Don't give up on me!

~chorus~

~bridge:
Please, help me
I won't blow it
It'll be worth it
Believe me
But right now I'll just shout...

Cause I love how it sounds when he says hello
If our life is a movie, we're the only ones who know
His side smile is cute, I love the sarcasm
How can I resist the charm in his eyes?
Isn't that enough?
Maybe love and hate are close
But the feelings are too strong to be
Gone...
The feelings are too strong to be gone
Maybe love and hate are close
But the feelings are too strong to be gone.