— Se quer perguntar alguma coisa, apenas o faça — disse Daniel, fitando Gwen.
Ele percebeu que ela estava fitando Jason e Lolla, e frequentemente se virava para ele, mas parecia mudar de ideia logo depois.
— Jason... e Lolla... Eles...
— Não. Nunca aconteceu nada entre eles. Apesar de que provavelmente já pensaram nisso algumas vezes ao longo dos anos. — Daniel deu de ombros. — Ele mais do que ela.
Gwen gostava de falar com Daniel. Ele era sempre gentil, e não ficava desviando as respostas. As pessoas frequentemente se esquecem de que gentileza é de graça, pensou ela.
—... Afinal, esse aí é o casaco dele?
Gwen abraçou os próprios braços cobertos, enrubescendo um pouco.
— Bom, gente — disse Lolla, se levantando. — Eu e Daniel vamos subir até a suposta festa. Os outros, por favor, não morram. Já voltamos.
Daniel se levantou, checando a espada em seu bolso. Lolla e Jason preferiam facas, por serem mais práticas e fáceis de esconder, mas Daniel se apegara às espadas. Ainda era melhor com o arco e flecha, mas não conseguia esconder uma aljava na camisa.
— Ei — Jason protestou, claramente não gostando da ideia de ficar no andar de baixo.
Lolla o encarou como que dissesse Você se enfiou nisso, então agora proteja a novata.
Ele suspirou. Sabia que ela estava certa, mas nada no mundo o faria admitir em voz alta. Então apenas afundou no sofá novamente e observou os dois loiros subirem as escadas.
— É só uma missão de reconhecimento — disse Lolla, fitando Daniel. — Não quero que eles nos vejam.
Lolla adorava Daniel, mas ele não era exatamente... sutil. Fazia muito barulho ao caminhar, e tendia a derrubar coisas nas horas erradas.
A primeira coisa que a garota notou quanto à parte de cima é que aquilo não era uma festa. Augustus falava com uma figura encapuzada que ela não conseguia reconhecer.
— É um homem — sussurrou Daniel. A visão dele era incrível. Tudo aquilo para ela pareciam apenas formas desfocadas, mas ele conseguia ver através.
— A garota veio? — disse a figura encapuzada. Definitivamente era um homem.
— Sim, senhor, ela espera lá embaixo com os outros...
— Excelente — sua voz soava satisfeita.
— Podemos matar a refém agora?
— Não. Gwen Frey precisa ver a irmã primeiro. Eles precisam saber o que está em jogo. Mas agora, garoto, pare de falar. Você não me avisou que nossos convidados eram tão... curiosos.
Lolla cutucou Daniel e eles começaram a voltar devagar.
— A que se refere, senhor?
— Refiro-me aos dois anjinhos escutando nossa conversa da escada. Não, não, Alison. Não fuja.
Lolla praguejou baixinho. Não se moveu. Daniel fitou-a por um momento, esperando uma indicação.
— É Aryan para você, palhaço — ela cerrou os dentes.
— Como ele sabe seu nome? — Daniel sussurrou, um pouco surpreso. Ele pouco sabia sobre as origens de Lolla, mas sabia que seu sobrenome era muito antigo e que os descendentes geralmente mantinham as mesmas características físicas — olhos e cabelos claros —, mas acima de tudo, mantinham a chama acesa dentro deles que se simplificava pelo significado da palavra Aryan (que Lolla obviamente pesquisara por horas na biblioteca enorme do Lugar): Guerreiro.
Era uma coisa aquele homem saber o sobrenome dela, mas seu segundo nome era desconhecido até por pessoas do convívio dela. Ela abominava aquele nome. Era a pior coisa da qual podia ser chamada, ao ver dela.
— Ah, então esse é o famoso Daniel? — o garoto não podia ver o rosto do homem, mas imaginou que ele estava se divertindo.
— Fique longe dele.
— Lolla, como esse homem...
— É uma longa história, Daniel.
— A-li-son — pronunciou o homem, sílaba por sílada. — É de origem germânica, não é? Significa tipo nobre, mas também pode significar inflamado ou exaltado. Sua mãe sempre foi uma mulher interessante.
— Ele conhece a sua mãe? Lolla, o que diabos... — Daniel a encarou.
— Daniel Knowles, cale a boca.
— Eu sabia que você não conseguiria não enfiar seu nariz em tudo isso, Alison. — disse o homem.
Daniel não entendia toda a conversa, mas imaginou que enquanto o homem continuasse falando, eles continuariam vivos.
— Pelo menos eu não puxei esse seu nariz de batata, senão seria realmente um problema enfiar meu nariz em qualquer lugar.
Lolla nunca perdia a chance de falar demais.
— Mas talvez devêssemos dar algumas respostas ao seu amigo, certo, Alison?
— Escuta aqui, seu babaca dos infernos... E não me interrompa! Se me chamar disso mais uma vez, eu juro pela minha alma que...
O homem tirou o capuz e ela parou de falar. Era um homem de meia-idade, com as feições ossudas, além de cabelos louros e olhos claros.
— Olá, garota.
Lolla estava um pouco mais pálida do que o normal quando se virou para o amigo e suspirou, dizendo:
— Daniel, esse é o Tio Jack.
Daniel estava ocupado demais sentindo como se tivesse levado um soco no estômago.
— Tio... Jack?
— Jackson Aryan, prazer em...
Foi quando uma faca voou a dois milímetros da cabeça de Jack.
— Errou — Jackson sorriu. — Você tem amigos interessantes, Alison. — disse ele enquanto fitava Jason.
— Eu tinha tudo sob controle, Cooper! — Lolla se virou, irritada.
— Você estava demorando demais. — Jason encarou Jack. — Diga-me agora onde está Miranda Frey ou eu juro que vou acertar o alvo da próxima vez.
— A cada momento de conversa, ela se afasta ainda mais — Jack sorriu.
— Bem, eu não sou um grande fã dessa coisa de conversar.
— Que bom que disse isso.
Logo depois, Jack ergueu os braços e todos os objetos de vidro sobre uma mesa de madeira atrás dele voaram nos adolescentes.
Eles desviaram rapidamente, e Lolla abriu um sorriso fraco.
— Ah, é. Esqueci de mencionar que ele sabe fazer isso.
E foi então que o caos começou.
— Aryan, um plano de ataque agora seria ótimo! — gritou Jason, desviando de mais vidro voador.
— Não consigo me concentrar, Cooper!
— Teve todo esse tempo para usar o seu poder e não o fez? — Daniel ergueu uma sobrancelha.
— Eu estava preocupada demais garantindo que ele não matasse você, seu idiota!
— Lolla.
— Sim?
— Eu odeio a sua família.
— Somos dois. Cooper, cadê a novata?
— Lá embaixo com a Abigail.
— Jason Scott Cooper, você...
Jason sorriu para ela.
— Não pode só dizer "obrigada, Cooper"?
— Certo. Obrigada, Cooper, por atirar uma faca, errar, e começar uma guerra que eu estava tentando evitar!
— De nada!
— Sem querer ser chato — Daniel os encarou. — Mas temos uma certa questão de vida ou morte aqui.
— Aryan, pelo amor de Deus, use essa droga de talento...
— Já disse que não consigo desse jeito! Só se... — o brilho em seus olhos deu a Daniel a certeza de que ela tinha uma ideia. — Abigail.
E então correu escada abaixo.
— Abigail — ela fitou a latina, que junto com Gwen tentava decidir o que fazer. — Aquele seu talento lá... Poderia ajudar?
— Eu poderia tentar.
— Ótimo. Novata... — Lolla encarou Gwen. — Droga, certo. Eu protejo você. Vamos logo, não posso te largar sozinha.
— Obrigada pela compaixão, mas... você vai me proteger?
Lolla cerrou os dentes.
— Um pouco convencida demais para alguém que mal passou em Combate. — ela sacou sua faca. — Vamos, antes que eu erre o alvo acidentalmente e acerte você com isso.
Eles subiram as escadas. A briga havia piorado. Coisas maiores estavam voando agora. Móveis, e similares.
— Abigail — Lolla engoliu em seco. — Agora.
Abigail fechou os olhos e por um momento nada aconteceu. Mas então uma esfera de energia roxa formou uma parede estática os separando de Jackson.
— Não vou aguentar todos vocês por muito tempo — avisou Abigail, mordendo o lábio. Foi no exato momento que o escudo começou a fraquejar. — Oh oh.
— Gwen, abaixa! — Lolla jogou a morena no chão no exato momento em que uma porta voava nelas. A loira se levantou, cerrando os dentes, e encarou Jackson. — Por que está fazendo isso, seu verme?! Vai matar todos nós e depois o quê?! A Corte vai encontrá-lo e matá-lo! Mandará você diretamente para o inferno!
— A Corte? — ele riu. — A Corte está acabada, garota. E há uma explicação simples para tudo isso: Poder. Talvez eu deva dar um incentivo a você.
Foi quando Jackson levantou os braços novamente e uma porta voou na cara de Daniel. O rosto de Lolla se contraiu em um acesso de raiva tão grande que Gwen até deu um passo para trás.
— Me deem um segundo — ela encarou Abigail. — Pode fazer um escudo só em mim?
Abigail assentiu e o escudo se formou em volta de Lolla. Ela semicerrou os olhos e encarou Jackson, rezando para conseguir invadir a mente dele. Tinha que conseguir, tinha que...
E foi então que ela viu o anel no dedo anular de Jackson.
— É isso! — ela abriu um grande sorriso.
Jason tomou a tarefa de não deixar Gwen morrer. Ele frequentemente berrava comandos, que ela seguia sem pestanejar. O suor fazia com que seus cabelos escuros grudassem na testa. O garoto pegou algo em seu bolso: um pequeno quadrado de metal. Quando o pressionou, a coisa se transformou em um escudo de bronze.
— Fique atrás de mim — ele ordenou, soando cansado. Ele abraçou Gwen e apenas torceu para que o escudo aguentasse. Era apenas um protótipo, e nunca havia sido usado. Podia desmontar a qualquer momento, mas ele não tinha muita escolha.
— Martinez, tire o escudo! — gritou Lolla antes de avançar até Jackson.
Jason consideraria suicida qualquer um que avançasse contra um homem com o dobro de seu tamanho e experiência. Mas Lolla Aryan era a única exceção a esse "qualquer um".
— Seu filho da mãe! Covarde! Nojento! Asqueroso! Só está aqui porque minha mãe teve pena de você! Aposto que está vivendo na fortuna dela agora, não está? Barata suja e ranzinza! Idiota! Idiota! Idiota!
Jason já havia visto Lolla irritada. Já havia visto Lolla muito irritada. Mas o ódio nos olhos dela, a sede por sangue, era algo novo para ele.
Ela avançava com sua faca, frequentemente conseguindo fazer algum estrago. Lolla era pequena fisicamente, mas era muito rápida e ágil, tanto fisicamente quanto mentalmente.
Num momento aleatório, inexplicavelmente conseguiu chutar a virilha de Jackson.
— Pirralha maldita...
E então ela apenas chutou a cara dele quando ele se agachou.
— Jason? — pediu.
Jason se aproximou dele e o amarrou rapidamente enquanto ele estava inconsciente. Lolla sempre se surpreendia com a quantidade de objetos úteis que Jason carregava.
Lolla se aproximou do tio e pegou o anel em seu dedo anular.
— Isso não pertence a você — ela cuspiu na cara dele, colocando o anel no próprio dedo.
Foi apenas quando ouviu um pequeno gemido vindo do fundo da sala que se lembrou de que não havia checado Daniel. Ela sentiu um aperto no coração e jogou a porta longe, quase acertando a cabeça de Jason sem querer.
— Dani? — chamou ela, fitando o garoto. Estava com um corte feio na testa, mas nada que não pudesse ser resolvido. — Cooper, e se ele teve uma convulsão?!
Daniel resmungou alguma coisa e tateou o chão até encontrar a mão dela.
— Cuide... Cuide da minha família por mim. Lolla, eu...
— Knowles, eu sei que você não está morrendo. Levante logo.
Daniel abriu um pequeno sorriso e abriu os olhos, encontrando os dela.
— Mas você ficou preocupada, não ficou? Mesmo que só por um momento?
Lolla sorriu. Jason era o único que sabia que Lolla deixava Daniel acreditar que a havia enganado, quando na verdade ela sabia exatamente as intenções dele.
— Claro que fiquei, Daniel.
Mas não era mentira. Ela estava mesmo preocupada com Daniel. Bem, ela sempre estava preocupada com Daniel. Ao perceberem que ainda estavam de mãos dadas, soltaram rapidamente.
— Ai meu Deus, eu sinto muito... — disse Gwen, mordendo o lábio.
— Gwen, cale essa droga de boca — Lolla revirou os olhos.
Jason se divertia com a capacidade de Lolla de usar a palavra "droga" como um substantivo, adjetivo, advérbio, interjeição e sabe-se lá mais o que diversas vezes em uma conversa. Junto com "por que raios", era provavelmente sua expressão idiomática favorita.
Daniel se sentou, mas no mesmo momento desejou não tê-lo feito. Se tivesse comido alguma coisa, provavelmente teria vomitado, e a dor de cabeça o invadiu como se nunca mais fosse passar.
— O que a Gwen fez dessa vez?
— Duvidou da minha habilidade com isto — Lolla balançou a faca na mão esquerda.
Daniel fitou Gwen, horrorizado.
— Meu Deus, jamais faça isso. A loirinha nunca erra um alvo. Nunca.
— Vou ver se acho uma pomada, ou alguma coisa para cobrir o machucado — Lolla disse a Daniel, levantando-se.
— Não precisa, olha, já até parou de sangrar... — Daniel levou a mão à testa e a retirou encharcada de sangue. — Bem, quase. Mas sério, estou bem.
Lolla ergueu uma sobrancelha, deixando claro que não havia espaço para discussão.
— Jason, eu poderia realmente usar o seu vasto conhecimento em saber quais frascos contêm veneno e quais são remédio.
— A sabe-tudo está pedindo ajuda? — ele abriu seu típico sorriso presunçoso.
— Faça valer aquela droga de treinamento de bellator do qual você tanto fala. Sinceramente, vocês devem ter uma aula sobre como irritar o oponente até que ele desista para se livrar de vocês, porque pelo amor de Deus... — ela resmungava enquanto descia as escadas.
— Aryan! — ele berrou e a fitou, formando com os lábios Frey.
— Você não se importou com isso até agora — ela franziu o cenho. — Nem vem.
Lolla apenas queria sentir-se útil. A verdade era que não entendia nada de medicina ou de cuidados médicos, e temia que o problema de Daniel fosse sério. Ela não podia confiar na palavra dele de que estava tudo bem. Nunca sabia se ele estava dizendo aquilo apenas para confortá-la.
Quando eles estavam no andar de baixo, Jason segurou a mão de Lolla. Ela se virou para perguntar o que raios ele estava fazendo quando viu que ele fitava o anel dela.
— Isso é o que eu acho que é?
— Provavelmente — ela deu de ombros, soltando-se.
— Como aquele cara tinha isso?
— Ah. Aquele... Aquele é o Tio Jack.
— Hummm... O seu Tio Jack?
— Isso aí. Esse anel pertence a mim por direito. Eu não ligo para o que ele pensa.
Aquele era o anel da família Aryan. A maioria das famílias antigas de Nefilim — a mistura entre anjos e mortais — possuía um. O dos Aryan era um anel prateado simples, parecido com uma aliança, com um raio gravado nele.
— Por que um raio?
Lolla mordeu o lábio.
— Hum, é complicado. Enfim, vamos pegar logo o kit de primeiros socorros antes que mais algum parente meu nos ataque.
Lolla nunca havia falado muito sobre a família dela, e Jason nunca conhecera nenhum outro Aryan até aquele dia. Se as reuniões familiares dela costumavam ser assim, ele entendia porque ela não falava sobre elas.
Eles chegaram à cozinha e Lolla começou a revirar todos os armários. Jason tratou de ser útil e procurar nos armários altos que ela não alcançava.
— Achei — disse ela, na ponta dos pés. — Aqui, Jason, me ajude.
Jason se aproximou e a segurou pela cintura, levantando-a sem dificuldade como fizera diversas vezes quando eles eram crianças. Ela pegou um pote de sorvete sem tampa cheio de band-aids, remédios, pomadas... Tudo o que eles precisavam. Ela sorriu e ele a colocou no chão.
— Lolla — ele a fitou, sentindo que deveria dizer alguma coisa em meio a tudo o que estava acontecendo. — Eu... Eu..
— Você o quê?
— Eu sinto m... Quero dizer, me desc...
Jason suspirou. Era orgulhoso demais para pedir desculpas a ela, ou a qualquer um. Mas para a surpresa dele, ela sorriu.
— Tudo bem. Só... fique vivo, tá?
E esses eram os momentos mais próximos de afeto que Jason e Lolla conseguiam dizer em voz alta um para o outro. Sabiam que iriam ao inferno para defender um ao outro, mas nunca sentiram a necessidade de dizer isso. Costumavam se comunicar apenas com os olhos.
— Você sentiria tanto a minha falta, Aryan! Sabe o que eu acho? — ele colocou o braço em volta dos ombros dela. — Acho que você seria capaz até de chorar no meu enterro.
Lolla sorriu.
— Se você diz... Vamos subir logo, antes que mais algum parente meu resolva jogar móveis na gente.
Quando chegaram ao andar de cima, Lolla correu imediatamente até Daniel, que continuava sentado no chão. Havia um pano encharcado de sangue cobrindo sua testa.
— Está se sentindo melhor? — perguntou a loira, e Gwen surpreendeu-se com a ternura.
— Claro, afinal, eu apenas fui acertado com uma porta pelo seu tio do mal. Apenas mais um dia comum no Mundo Mágico do Knowles.
Lolla ergueu uma sobrancelha com a expressão censuradora que usava quando ele fazia piadas de coisas sérias. O que, ela tinha de admitir, acontecia o tempo todo. A garota pegou alguns curativos — o básico de enfermagem que ela aprendera por necessidade, já que eles quase morriam frequentemente — e cuidadosamente afastou os cabelos dourados de Daniel do rosto.
Jason estava parado, observando Lolla fazer o curativo, quando uma vozinha aguda e conhecida falou atrás dele:
— É uma pergunta um pouco estúpida, mas você está bem, não está?
Ele se virou, um pouco surpreso, para fitar Gwen Frey.
— É, a droga do escudo funcionou — ele sorriu.
Ela abriu um sorriso intrigado.
— "A droga do escudo"?
— Estou passando muito tempo com a Aryan — ele fingiu estar horrorizado, dando de ombros.
— Posso ouvir o que diz! — Lolla gritou.
— Cuide logo do seu namorado, Aryan!
O resultado disso foi uma pomada voadora que passou a dois milímetros da cabeça de Jason.
— Achei que tinha dito que ela nunca erra o alvo — Gwen comentou.
Lolla pegou a faca.
— Quer testar?
Gwen fitou o chão como se nunca tivesse feito comentário algum.