terça-feira, 16 de abril de 2013

Feliz Aniversário, Knowles


Cara...
Se algum dia você se sentir mal sobre si mesmo, lembre-se de que existe uma garota baixinha sabe-tudo que sempre vai te achar a pessoa mais incrível do mundo.
Não sei se isso significa muito. Mas saiba que tudo o que você me diz retumba na minha cabeça para sempre e me faz sorrir.
Hoje é seu aniversário, e eu queria fazer algo especial. Decidi então contar uma história. Algo que nunca contei a ninguém, nem mesmo ao meu diário. Talvez eu demore um pouco para escrever isso, caso lágrimas escorram dos meus olhos no meio ou algo bobo assim. Bem, lá vai:

Era uma vez uma garota de aspecto comum. Ela não era muito alta, nem muito forte, nem muito rápida. Nunca dizia o que sentia a ninguém, e por causa disso nunca aprendeu a fazê-lo. Ela não era feliz. Apesar de jovem, possuía uma amargura interna que jamais entendeu, um vazio que nunca fora preenchido.
Nunca fora próxima da mãe. Seus pais se divorciaram quando era pequena demais para se lembrar, e ela nunca teve uma daquelas famílias dos filmes, onde uma família unida e feliz janta junto em união e os pais perguntam como foi o dia da filha na escola realmente querendo saber a resposta.
Era filha única e não tinha nenhuma família que gostasse, exceto a prima Stephany, que já quase não via. De qualquer forma, Stephany era muito pequena para entender.
Não tinha amigos. Certo, tinha alguns colegas com que passava a hora do intervalo, mas nenhum com que realmente pudesse contar. Às vezes se perguntava o que significava "amizade verdadeira". Parecia um termo tão surreal, como que algo criado pela sociedade para se sentirem melhores. Algo tão fantástico quanto uma fada madrinha, algo bom demais para acontecer de verdade.
Ao ver da garota, mães deveriam apoiar seus filhos, os encorajar. Sua mãe não fazia isso. Ela sempre criticava a filha, dizendo coisas extremamente dolorosas para uma garotinha tão pequena.
Ela ainda se lembra de uma vez na mesa de jantar, quando sua mãe virou-se para ela e lhe disse:
"Você tem um coração ruim. Não importa o que eu faça. Você é arrogante e mesquinha, e sempre será assim, porque não é uma pessoa boa de natureza. Não se importa com ninguém além de si mesma, pois é incapaz de desenvolver compaixão. E eu sinto pena de você por isso."
Por meses, a garota chorou no quarto por causa dessas palavras. Se fosse mesmo assim, nunca poderia mudar. Afinal, como se muda a própria natureza? E como poderia acreditar em mudanças em seu comportamento quando sua própria mãe já perdera a fé nela?
A única coisa que ela sentia que sabia fazer era escrever. Porém, não escrevia mais. Não tinha mais forças para isso, e nem nada para usar de base. Não conseguia pensar em coisas felizes, e não queria ter as próprias depressões documentadas.
A única pequena fonte de felicidade que a garota possuía era o acampamento que ía a cada seis meses. Era como um pequeno escape da realidade, nada mais que isso. Um lugar para não ser julgada.
Em sua terceira temporada no tal acampamento, ela conheceu um garoto. Ele parecia ser totalmente o oposto do que ela era no momento. Quando ele entrava no ambiente, uma luz se acendia. Ele a fez sorrir de verdade pela primeira vez em séculos. Havia algo bom dentro dele. Foi a primeira coisa que ela constatou.
Imaginou que ele a abandonaria se a conhecesse de verdade. Ele perceberia que ela era exatamente o poço de mesquinhez que sua mãe descrevera e, francamente, quem iria querer alguém assim por perto?
Há um ano, ela começou a se aproximar desse garoto. Ele era tão... Incrível. Via o mundo de uma forma tão diferente. Ele sabia exatamente quem ele era, e ela o invejava por isso.
Mas isso não era o melhor sobre ele. Com o tempo, ele a conheceu. Conheceu todas as partes dela, mesmo aquelas das quais ela não se orgulhava. E ficou. Não a julgou e não a abandonou.
Ela não entendia. Sentia-se tão pequena, uma pessoa tão vazia. Por que fora abençoada com alguém tão incrível?
Ela ficou com medo. Ele era tão bom e verdadeiro, e ela não sabia o que ela era. Não sabia se era algo bom. Sempre tivera esse medo. E se, no fim, ela apenas tivesse um coração ruim?
Mas ele a ensinou, inconscientemente, a mudar. Ensinou-a a não olhar para trás. Já sabia onde estivera, agora precisava decidir para onde iria. Ela não fazia ideia de para onde iria, mas a ideia de que ele a apoiaria não importa o que era mais do que ela ousaria pedir.
Mas acima de tudo, ele a ensinou que uma garota irritante sabe-tudo frescurenta com um ego que tampa o sol pode não ser só isso. A ensinou que existem pessoas que conseguem ver através da máscara. Pessoas que percebem que você está triste sem você dizer. Pessoas que não vão te deixar quando as coisas ficarem difíceis. Pessoas que, quando você mostrar a elas todos os seus lados — mesmo os que você não se orgulha... Pessoas que não vão te abandonar. Muito pelo contrário, pessoas que vão te amar ainda mais depois disso.
E essas são as pessoas que realmente importam.

E, nesse momento, ele está lutando uma batalha parecida. Ela sabe que deveria ter dito tudo isso a ele, dito a ele que entendia exatamente o que ele estava passando. Mas não o fez, porque era covarde demais para isso. Ela pode sentir a dor enterrada ardendo todas as feridas que ela pensou ter curado. Talvez possa perdoá-la depois de ler isso. Lá vai ela, mais uma vez, abusar da sua compaixão. Porque isso é algo que ela nunca duvidou, ao contrário de si mesma, que você tivesse.
É ridículo o quanto ela te admira, mesmo que não diga com frequência. É engraçado pensar que uma garota que se sentia como uma pedra pudesse ter tantas emoções conflitantes. Não espero que entenda. Ela não entende também.
Porém, ela se sente mais do que satisfeita ao constatar que você lutará qualquer batalha com algo que ela não tinha: uma pessoa disposta a ir ao Hades por você.
Um dia, todos encontraremos o que estamos procurando. Ou talvez não. Talvez encontremos algo muito melhor. Feliz aniversário, Mah. Obrigada por tudo.

Amo você,
— Aryan

Nenhum comentário:

Postar um comentário