— Essas músicas são uma droga. Eu já disse isso?
— Algumas vezes. Você pode tirar o fone de ouvido quando quiser. Sabe disso, não sabe?
Luke deu de ombros, mas não disse nada. Ele observava a fogueira, que queimava lentamente os tocos de árvore colocados para acendê-la. O fogo era a única luz do ambiente, mas de alguma forma parecia confortável. O sono começou me pegar desprevenida e deixei escapar um bocejo.
— Pode dormir — disse ele. — Eu dou conta. Não estou com sono.
— Não vou deixar o desafio em suas mãos.
— Elas são grandes, e mais fortes do que parecem.
— Isso deveria soar poético?
Ele ergueu uma sobrancelha.
— Pareço alguém que pensa no lado poético de qualquer coisa?
— Não vou dormir. — decidi, firme.
— Como quiser.
— Maddie, Maddie, Maddie! — ouvi a voz de Tiffany se aproximando de mim. Ela parou na minha frente. — Desculpe interromper...
— Fico feliz por ter interrompido — sorri. — Que é?
— Você tem uma chave do quarto?
— Tenho. Por quê?
— Me empresta?
— Para...?
Tiffany olhou para trás, visivelmente fuzilando Sam.
— Nada. Só vou pegar meu iPod.
Dei a ela a chave e ela se afastou.
— Sabe o que ela vai fazer, não sabe? — perguntou Luke, ligeiramente acusador.
— Pegar o iPod dela.
— Você sabe que ela vai ferrar a Sam.
— Isso não é problema meu.
— Você só pode mentir para os outros sobre como se sente enquanto continuar mentindo para si mesma.
— O que quer dizer com isso?
— E por que eu iria querer dizer alguma coisa?
Não insisti. Era inútil, de qualquer forma.
— Isso é um pouco nojento — disse Luke do nada, e notei que ele estava fitando Josh e Sam. — Ele parece tirar a roupa dela com o olhar.
— Não. Isso é o que você faz.
— Sempre esperando o pior de mim, princesa. Daqui você consegue ver se o amiguinho lá de baixo de Josh está...
— Não ouse terminar essa frase. Não acredito que estou realmente conversando com você sem ser obrigada.
— Pode até ser, mas as minhas besteiras estão te mantendo acordada.
Dei de ombros quando percebi que ele tinha razão.
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