segunda-feira, 29 de abril de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 29: Josh


Nós dois ficamos em silêncio por alguns minutos, apenas observando a fogueira. Meu pai sempre me disse que apenas duas pessoas em perfeita sintonia podem fazer companhia uma à outra em silêncio sem ficarem desconfortáveis.
Notei que tal lição fazia algum sentido. De alguma forma, eu me sentia confortável ali onde estava. Mesmo que estivesse um pouco frio, escuro, eu estivesse com sono e sentado no chão, não sentia vontade de abandonar aquele momento. Eu não sentia aquele tipo de paz há um bom tempo.
Sam estava tão imóvel que por um momento me perguntei se ela havia adormecido. Estava sentada com os braços abraçando as pernas dobradas. Seu olhar parecia distante. A fogueira refletia em seus olhos cinzentos, fazendo-os parecer que crepitavam com o fogo.
— No que está pensando? — perguntei de repente.
Ela não respondeu de imediato, mas se virou e olhou para mim quando o fez.
— Não sei.
— Está com sono?
— Sim — confessou. — Mas não planejo dormir tão cedo.
— Eu comi demais, então agora estou sofrendo com o efeito comer-dormir.
O comentário a fez curvar o lado esquerdo do lábio para cima.
— Sorte a sua. Eu não comi nada.
— Não gosta de frango assado?
— Sou vegetariana, Joshua.
— Ah.
— Você parece surpreso.
— Sei lá. Sempre vi vegetarianos como pessoas que são preguiçosas demais para caçar.
— Você fala como se realmente caçasse sua própria comida.
Dei de ombros.
— Se serve de algo, você é a vegetariana mais legal que eu já conheci.
Ela ficou em silêncio por um momento, olhando em volta, até que me chamou baixinho:
— Ei.
— O que foi?
— Tiffany sumiu.
— Isso é bom, certo?
— Claro, o Bin Laden fora do campo de vista faz todo mundo se sentir seguro.
Enquanto procurava Tiffany com os olhos, notei que Luke me encarava com uma expressão interessada. Por via das dúvidas, acenei.
— Você e o sr. Machão são amigos agora? — Sam ergueu uma sobrancelha.
Dei de ombros.
— Algo assim. Ele tem uma quedona por você, mas acho que sabe disso.
— Ele TINHA uma queda por mim. Depois do negócio da bomba, duvido seriamente.
Escondi um sorriso.
— Talvez esteja certa. O olhar dele não parece fuzilador.
Sam continuava me fitando. Quando a olhei nos olhos por alguns segundos, me dei conta de algo: pela primeira vez, o olhar dela também não parecia fuzilador. Parecia mais ameno, quase sociável. "Decidido, porém vulnerável": isso basicamente definia o olhar, e até mesmo a ela mesma.
Olhei para a mão dela, que estava batucando no chão. Lembrei-me do toque de nossas mãos quando pulamos do penhasco. A sensação de segurança.
— Sam.
— Sim?
— Lembra de quando eu te disse que não tinha medo de altura?
— Lembro.
— Então, eu menti.
Ela franziu o cenho.
— Vinte segundos de insanidade.
— Vinte segundos de insanidade.
Um surto de entendimento transpareceu nos olhos dela, e imaginei que o mesmo surto se passava pelos meus. Uma espécie de conexão.
Uma conexão que foi interrompida quando Barbie pigarreou atrás de nós. Sam foi trazida de volta à realidade com tanta força que bateu a cabeça no tronco de árvore em que apoiava as costas.
— Desculpe — Barbie deu um sorriso fraco. — Pela batida e por, hm, interromper.
— Não está interrompendo — Sam respondeu tranquila. — O que foi?
— Você precisa vir comigo. Agora.
Talvez tivesse visto nos olhos de Barbie que era importante, pois apenas assentiu e tornou a me fitar.
— Já volto.
— Ok.
Sam se levantou e saiu correndo atrás de Barbie até o chalé das garotas. Fiquei sentado por um tempo indefinido, observando o crepitar da fogueira. Continuei pensando em tudo o que acontecera. Eu tinha que falar com alguém. Não podia falar com Sam. Muito menos com Luke. E foi então que me lembrei do confessionário.
Levantei-me e caminhei um pouco até chegar à conhecida cabine fotográfica. Puxei a cortina e sentei no banquinho. Liguei a câmera e a fitei por um momento sem saber por onde começar.
—... Oi! — esbocei um sorriso. — Então... Se eu falar alguma besteira, vou culpar o sono. É. A culpa é do sono. Ah. Estou com sono. Já disse isso? Hm, indo para o que importa... Eu tenho fobia de altura. Tinha medo até de roda gigante. E, é, eu pulei de um penhasco. Pensei em descrever a sensação, mas não sei direito. O momento de pânico era muito grande, e eu havia fechado os olhos. Foi como... Vinte segundos de insanidade. — a lembrança me fez sorrir. — Sam parecia um pouco aflita também, mas não gritou. Ela apenas segurou minha mão com força. Fiquei feliz por ela o ter feito. Não porque eu gosto dela, porque não gosto. Quero dizer, ela é legal, e somos amigos... Acho que somos, ao menos, mas... Hm, enfim. O motivo real foi porque a mão dela era a única coisa que me prendia à realidade. O último resquício de sanidade. E, apesar de todo o medo... Eu me senti vivo.
Fiz uma pausa, repetindo em minha mente as palavras que usara. "Eu me senti vivo". Era verdade, me dei conta.
— A verdade é que o fato de você respirar quer dizer que você existe. Não quer dizer que você está vivo.
Desliguei a câmera e voltei para o acampamento. Uma corrente de ar frio gelou minhas bochechas. Entrei no chalé dos garotos e peguei dois cobertores de microfibra. Depois voltei para a fogueira. Sam estava sentada exatamente como antes, observando a fogueira. Quando me aproximei dela, ela espirrou.
— Imaginei que estivesse com frio — disse eu, mostrando os cobertores. — Se você quiser um pouco de calor humano, não me importo de dividir um cobertor.
Ela apenas ergueu uma sobrancelha.
— Imaginei — dei de ombros. — Por isso trouxe dois.
Sentei-me ao lado dela, entregando-lhe um dos cobertores.

Passamos a noite inteira em claro. David foi o segundo a dormir, seguido de Brianna, Tiffany, Maddie, e depois Barbie. Luke continuava sentado no mesmo lugar, olhando para cima enquanto ouvia música em um iPod rosa que imaginei ser de Maddie.
— Isso é tão bonito — disse Sam de repente.
Percebi que ela se referia ao nascer do sol. Eu raramente o assistia. Nova iorquinos são tão ocupados e ambiciosos, não dão importância a coisas tão simples.
— É mesmo.
Quando olhei para ela, percebi que nossos corpos estavam quase se encostando. Quando aquele aproximamento ocorrera?
— Sabe — comecei. — Quando você saiu com a Barbie, fui até o confessionário. Pensei em quando pulamos do penhasco, da sensação. Me fez perceber muitas coisas, como...
Parei de falar quando notei que ela havia encostado a cabeça em meu ombro. Porém, não me virei para fitá-la, pois não queria deixá-la constrangida, então apenas continuei olhando para o céu.
—... Como o quanto o medo nos impede de fazer as coisas — continuei. — Talvez nosso cérebro seja medroso, pois sempre desistimos quando pensamos demais. E se essa for a função do coração? Às vezes parece que as coisas mais sem sentido são as que nos fazem sentir mais. — fiz uma pausa. — Certo?
Virei-me, esperando por sua resposta, quando um pequeno suspiro escapou de seus lábios. A respiração dela havia desacelerado e seus olhos estavam fechados. Ela havia adormecido.
Por um momento memorizei o quão pacífica ela parecia enquanto dormia. Entrava em uma espécie de paz de espírito inquestionável, sem se mexer nem uma vez.
O cobertor dela estava caído à sua esquerda, e ela parecia um pouco encolhida. Peguei meu próprio cobertor e a cobri com uma das pontas.
— Boa noite, Samantha — sussurrei.

Quando pensei que ainda teria que esperar Luke dormir, me deparei com uma surpresa: ele estava roncando do outro lado da fogueira. Um suspiro aliviado escapou de minha boca. O capitão Shelton anunciou baixinho minha vitória. Mas eu não queria comemorar. Então apenas me ajeitei com cuidado para não acordar Sam e dormi.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 28: Tiffany


Saí correndo para o chalé antes que alguém me visse. Estava exausta por um lado, mas a ideia de vingança renovava minhas energias de alguma forma. Dei três voltas na fechadura da porta com a chave que Maddie me emprestara e entrei no chalé.
Olhei embaixo de sua cama, embaixo de suas cobertas e embaixo de seu travesseiro, mas não havia sinal de nada que pudesse ser usado contra a punk. Notei então um baú marrom de madeira nos pés de sua cama.
Me abaixei para checá-lo e percebi que estava trancado. O cadeado possuía uma senha — quatro números — que, depois de algumas tentativas, desisti de descobrir.
No mesmo momento a porta do quarto foi arrombada.
— Tiffany, o que diabos você está fazendo? — era Barbie.
— Nada — respondi rapidamente enquanto ficava de pé.
— Isso não se parece com "nada".
Não repliquei.
— Escute aqui — Barbie me fulminou com o olhar. — Não sei você, mas eu quero muito ganhar essa droga. E vou fazer o que precisar para garantir que você não sabote esta equipe.
— Não estou sabotando a equipe.
— Está sabotando a Sam, e ela é parte da equipe. E não é exatamente um elo fraco, não é mesmo?
— Vocês são tão dramáticos. Não é à toa que estamos em um reality show.
— Estou falando sério sobre a Sam.
— Claro, Sam, Sam, Sam... Porque tudo é sempre sobre a Sam, não é mesmo? Então me desculpe se eu não quero participar do Show da Punk que isso aqui virou.
— Quer saber, dane-se você.
Barbie saiu do quarto apressada. Dei de ombros e voltei a fuçar nas coisas de Sam.
Olhei pela janela para ver o andamento do desafio. Chloe havia dormido. Já era de se esperar, ela estava dançando um tipo de Macarena/street dance há um bom tempo. Uma já foi. Faltam sete.

domingo, 21 de abril de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 27: Maddie


— Essas músicas são uma droga. Eu já disse isso?
— Algumas vezes. Você pode tirar o fone de ouvido quando quiser. Sabe disso, não sabe?
Luke deu de ombros, mas não disse nada. Ele observava a fogueira, que queimava lentamente os tocos de árvore colocados para acendê-la. O fogo era a única luz do ambiente, mas de alguma forma parecia confortável. O sono começou me pegar desprevenida e deixei escapar um bocejo.
— Pode dormir — disse ele. — Eu dou conta. Não estou com sono.
— Não vou deixar o desafio em suas mãos.
— Elas são grandes, e mais fortes do que parecem.
— Isso deveria soar poético?
Ele ergueu uma sobrancelha.
— Pareço alguém que pensa no lado poético de qualquer coisa?
— Não vou dormir. — decidi, firme.
— Como quiser.
— Maddie, Maddie, Maddie! — ouvi a voz de Tiffany se aproximando de mim. Ela parou na minha frente. — Desculpe interromper...
— Fico feliz por ter interrompido — sorri. — Que é?
— Você tem uma chave do quarto?
— Tenho. Por quê?
— Me empresta?
— Para...?
Tiffany olhou para trás, visivelmente fuzilando Sam.
— Nada. Só vou pegar meu iPod.
Dei a ela a chave e ela se afastou.
— Sabe o que ela vai fazer, não sabe? — perguntou Luke, ligeiramente acusador.
— Pegar o iPod dela.
— Você sabe que ela vai ferrar a Sam.
— Isso não é problema meu.
— Você só pode mentir para os outros sobre como se sente enquanto continuar mentindo para si mesma.
— O que quer dizer com isso?
— E por que eu iria querer dizer alguma coisa?
Não insisti. Era inútil, de qualquer forma.
— Isso é um pouco nojento — disse Luke do nada, e notei que ele estava fitando Josh e Sam. — Ele parece tirar a roupa dela com o olhar.
— Não. Isso é o que você faz.
— Sempre esperando o pior de mim, princesa. Daqui você consegue ver se o amiguinho lá de baixo de Josh está...
— Não ouse terminar essa frase. Não acredito que estou realmente conversando com você sem ser obrigada.
— Pode até ser, mas as minhas besteiras estão te mantendo acordada.
Dei de ombros quando percebi que ele tinha razão.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Tudo por ela


Encontro-me em um estado mais de refletir do que de falar. Afinal, a mente não se limita a palavras. Porém, tentarei transmitir meus pensamentos aqui.
Eu tomei uma decisão. Tenho consciência disso. A dor que sinto, a que me corrói por dentro e me quebra em pedaços quando bem entende, eu a escolhi. Poderia tê-la tirado de meus ombros facilmente, mas não o fiz. Afinal, não se pode fazer uma dor sumir. Nesse caso, eu precisaria transmiti-la. Transmiti-la para uma das minhas pessoas favoritas no mundo, uma pessoa que é raio de sol nos dias nublados. E como, de alguma maneira, seria eu capaz de fazê-lo?
"Tudo por ela", eu disse. "Qualquer dor que eu sinta não se compara a que eu sentiria se a machucasse. O problema é... E se eu já estiver machucando?"
"A verdade, sempre a verdade", dizem eles. Mas seriam eles capazes de trazer à tona uma verdade que sabem que a vítima não seria capaz de suportar? "A verdade, sempre a verdade", uma voz continua retumbando em minha cabeça.
Disse a mim mesma para ser forte. Tudo passa. Mas é tão difícil ser forte quando tenho de encarar minha kriptonita pessoal todos os dias. Todo dia, lá está você, olhando para mim. Às vezes sorri, e então desabo. Todo dia, lá está você, como uma lembrança constante enviada pelos infernos, uma lembrança do que fiz — e do que deixei de fazer.
Não sei dizer qual dói mais. É como ser nocauteado em seu Calcanhar de Aquiles todos os dias e não morrer. Ao invés disso, sentir aquela dor profunda e aguda que não passa. De certo, há coisas piores que a morte. "Tudo por ela", repito quando te vejo.
Te ignoro, sabendo que é o certo a fazer, mas parece que você sempre está lá, em cada curva, em cada direção. "A suspeita sempre persegue a consciência culpada; o ladrão vê em cada sombra um policial.", escreveu Shakespeare uma vez. A consciência que tenho da verdade disso é tão presente que machuca.

Mas tudo isso, todo o lado racional, parece sumir quando você sorri. O sorriso branco, uma luz brilhante na completa escuridão, o primeiro raio de sol numa manhã nublada... Não existe nada de mesquinho ou presunçoso no seu sorriso, apenas um tipo de gentileza inconsciente. Um sorriso tão bonito que poderia refletir a alma, e por algum tempo imaginei que refletisse, mas agora tenho que repetir a mim mesma que não é assim. Minha parte racional continua me lembrando de tudo o que você fez, e quando tento te dizer tudo o que preciso dizer, as palavras não saem.
Gostaria que as pessoas se parecessem com suas personalidades. Isso simplificaria tudo.
Ela diz que tenho uma queda por garotos bonitos. Isso não é verdade. Não que ela saiba de ao menos 5% da história, mas me conhece bem.
Não tenho uma queda por você, nem ao menos simpatizo com você. Não sinto como se estivesse voando, ou efetivamente caindo, como se o chão não existisse. Você é minha fraqueza, e não de um jeito bom. Sei que o chão continua lá, mas sou fraca demais para suportar ficar de pé nele. Quando você se aproxima, parece ser mais difícil me livrar da sensação de que tem algo errado.
Não deveríamos nos falar. Por que você complica tudo? Seria melhor se nunca tivéssemos conversado, na verdade. Pensar na diferença é quase terapêutico.
Minha amiga me perguntou algo e eu respondi que "sei lá". Ela se surpreendeu, afinal, sempre tenho resposta para tudo. Percebi que ela tinha razão. A antiga eu saberia o que dizer, para quem dizer, quando dizer, o que fazer, com quem fazer... Ela teria um plano e saberia exatamente os passos infalíveis para completá-lo. E acredite quando eu digo que quero ser a antiga eu novamente, mas ainda estou tentando encontrá-la nesse redemoinho de sentimentos e tormento que me encontro.
"Afinal, todo mundo consegue dominar uma dor, exceto quem a sente".
"Tudo por ela", repeti uma última vez.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Feliz Aniversário, Knowles


Cara...
Se algum dia você se sentir mal sobre si mesmo, lembre-se de que existe uma garota baixinha sabe-tudo que sempre vai te achar a pessoa mais incrível do mundo.
Não sei se isso significa muito. Mas saiba que tudo o que você me diz retumba na minha cabeça para sempre e me faz sorrir.
Hoje é seu aniversário, e eu queria fazer algo especial. Decidi então contar uma história. Algo que nunca contei a ninguém, nem mesmo ao meu diário. Talvez eu demore um pouco para escrever isso, caso lágrimas escorram dos meus olhos no meio ou algo bobo assim. Bem, lá vai:

Era uma vez uma garota de aspecto comum. Ela não era muito alta, nem muito forte, nem muito rápida. Nunca dizia o que sentia a ninguém, e por causa disso nunca aprendeu a fazê-lo. Ela não era feliz. Apesar de jovem, possuía uma amargura interna que jamais entendeu, um vazio que nunca fora preenchido.
Nunca fora próxima da mãe. Seus pais se divorciaram quando era pequena demais para se lembrar, e ela nunca teve uma daquelas famílias dos filmes, onde uma família unida e feliz janta junto em união e os pais perguntam como foi o dia da filha na escola realmente querendo saber a resposta.
Era filha única e não tinha nenhuma família que gostasse, exceto a prima Stephany, que já quase não via. De qualquer forma, Stephany era muito pequena para entender.
Não tinha amigos. Certo, tinha alguns colegas com que passava a hora do intervalo, mas nenhum com que realmente pudesse contar. Às vezes se perguntava o que significava "amizade verdadeira". Parecia um termo tão surreal, como que algo criado pela sociedade para se sentirem melhores. Algo tão fantástico quanto uma fada madrinha, algo bom demais para acontecer de verdade.
Ao ver da garota, mães deveriam apoiar seus filhos, os encorajar. Sua mãe não fazia isso. Ela sempre criticava a filha, dizendo coisas extremamente dolorosas para uma garotinha tão pequena.
Ela ainda se lembra de uma vez na mesa de jantar, quando sua mãe virou-se para ela e lhe disse:
"Você tem um coração ruim. Não importa o que eu faça. Você é arrogante e mesquinha, e sempre será assim, porque não é uma pessoa boa de natureza. Não se importa com ninguém além de si mesma, pois é incapaz de desenvolver compaixão. E eu sinto pena de você por isso."
Por meses, a garota chorou no quarto por causa dessas palavras. Se fosse mesmo assim, nunca poderia mudar. Afinal, como se muda a própria natureza? E como poderia acreditar em mudanças em seu comportamento quando sua própria mãe já perdera a fé nela?
A única coisa que ela sentia que sabia fazer era escrever. Porém, não escrevia mais. Não tinha mais forças para isso, e nem nada para usar de base. Não conseguia pensar em coisas felizes, e não queria ter as próprias depressões documentadas.
A única pequena fonte de felicidade que a garota possuía era o acampamento que ía a cada seis meses. Era como um pequeno escape da realidade, nada mais que isso. Um lugar para não ser julgada.
Em sua terceira temporada no tal acampamento, ela conheceu um garoto. Ele parecia ser totalmente o oposto do que ela era no momento. Quando ele entrava no ambiente, uma luz se acendia. Ele a fez sorrir de verdade pela primeira vez em séculos. Havia algo bom dentro dele. Foi a primeira coisa que ela constatou.
Imaginou que ele a abandonaria se a conhecesse de verdade. Ele perceberia que ela era exatamente o poço de mesquinhez que sua mãe descrevera e, francamente, quem iria querer alguém assim por perto?
Há um ano, ela começou a se aproximar desse garoto. Ele era tão... Incrível. Via o mundo de uma forma tão diferente. Ele sabia exatamente quem ele era, e ela o invejava por isso.
Mas isso não era o melhor sobre ele. Com o tempo, ele a conheceu. Conheceu todas as partes dela, mesmo aquelas das quais ela não se orgulhava. E ficou. Não a julgou e não a abandonou.
Ela não entendia. Sentia-se tão pequena, uma pessoa tão vazia. Por que fora abençoada com alguém tão incrível?
Ela ficou com medo. Ele era tão bom e verdadeiro, e ela não sabia o que ela era. Não sabia se era algo bom. Sempre tivera esse medo. E se, no fim, ela apenas tivesse um coração ruim?
Mas ele a ensinou, inconscientemente, a mudar. Ensinou-a a não olhar para trás. Já sabia onde estivera, agora precisava decidir para onde iria. Ela não fazia ideia de para onde iria, mas a ideia de que ele a apoiaria não importa o que era mais do que ela ousaria pedir.
Mas acima de tudo, ele a ensinou que uma garota irritante sabe-tudo frescurenta com um ego que tampa o sol pode não ser só isso. A ensinou que existem pessoas que conseguem ver através da máscara. Pessoas que percebem que você está triste sem você dizer. Pessoas que não vão te deixar quando as coisas ficarem difíceis. Pessoas que, quando você mostrar a elas todos os seus lados — mesmo os que você não se orgulha... Pessoas que não vão te abandonar. Muito pelo contrário, pessoas que vão te amar ainda mais depois disso.
E essas são as pessoas que realmente importam.

E, nesse momento, ele está lutando uma batalha parecida. Ela sabe que deveria ter dito tudo isso a ele, dito a ele que entendia exatamente o que ele estava passando. Mas não o fez, porque era covarde demais para isso. Ela pode sentir a dor enterrada ardendo todas as feridas que ela pensou ter curado. Talvez possa perdoá-la depois de ler isso. Lá vai ela, mais uma vez, abusar da sua compaixão. Porque isso é algo que ela nunca duvidou, ao contrário de si mesma, que você tivesse.
É ridículo o quanto ela te admira, mesmo que não diga com frequência. É engraçado pensar que uma garota que se sentia como uma pedra pudesse ter tantas emoções conflitantes. Não espero que entenda. Ela não entende também.
Porém, ela se sente mais do que satisfeita ao constatar que você lutará qualquer batalha com algo que ela não tinha: uma pessoa disposta a ir ao Hades por você.
Um dia, todos encontraremos o que estamos procurando. Ou talvez não. Talvez encontremos algo muito melhor. Feliz aniversário, Mah. Obrigada por tudo.

Amo você,
— Aryan

sábado, 13 de abril de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 26: Barbie


Talvez eu devesse explicar como acabei dançando Macarena com Chloe e David em volta da fogueira. De qualquer forma, vou resumir.
Pensando melhor, eu não quero resumir. Tudo em que eu pensava naquele momento era dormir, e "dale a tu cuerpo alegria macarena" estava me cansando ainda mais, ao invés de me despertar.
Mas eu fui campeã mesmo assim. Bem, David não sabia nem a ordem dos passos... Mas, mesmo assim, ainda podemos considerar que eu fui melhor do que a Chloe.
O que não é nenhum consolo, porque a garota é meio que uma mistura meio psicótica de Luna Lovegood + Pessoas da Capital + Íris + Pessoas da década de 60, com um toque de algum personagem muito excentricamente esquisito.
Eu sabia que as pessoas mais hardcore, como Sam e Luke, demorariam pelo menos mais doze horas para dormir. Talvez mais. Eu tinha grandes chances também.
A maioria das pessoas estava conversando com alguém, para se sentir entretida e não cair no sono. Eu faria isso também, mas só me sobrara um David muito irritado, uma Chloe muito chapada e Tiffany que... Bem, era Tiffany.
Nada exatamente animador aconteceu naqueles primeiros momentos. Pensei em falar com Sam, mas ela parecia entretida demais com Josh.
Por um momento imaginei sobre o que estavam falando. Não consegui pensar em nada; eles não tinham nenhum interesse em comum. Que eu soubesse, ao menos.
— VINTE POLICHINELOS, AGORA! — Berrou o capitão Shelton aleatoriamente para mim e David.
Fizemos o ordenado de má vontade.
— Argh, eu vou matar aquela cretina! — O olhar no rosto de Tiffany era tão assassino que imaginei-a jogando um salto de 25cm na cabeça de alguém.
A ameaça era, na verdade, dirigida à Sam, que continuava conversando com Josh.
— Qual é. Eles não estão nem se tocando. — Defendi.
— Dane-se, ela... ela... ela não vai parar até destruir a minha vida!
— Eu tenho certeza de que Sam tem muitas outras prioridades na vida dela que não envolvem destruir a sua.
— Humpf. Vou ter que fazer algo sobre isso.
— Como é que é?!
— Você tem uma chave do quarto aí?
— Mesmo se eu tivesse, não ajudaria alguém que cheira como uma prostituta bebê.
Tiffany não ouviu a ofensa, pois já saíra correndo.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 25: Josh


Era estranho ver Sam sem saber o que dizer, considerando que ela geralmente tinha resposta para tudo.
Eu precisava falar com ela, e talvez ela até me agradecesse por interromper o que provavelmente era uma conversa bem embaraçosa com a Brianna.
- Eu vou... Eu tenho que... - Balbuciou Sam.
- Ter uma conversa séria comigo - Me aproximei, segurando os dois pulsos dela com uma mão, para garantir que a garota não fugisse, ou os usasse para me bater.
Eu sou um cavalheiro. Não bato em garotas, por mais que Sam praticamente implorasse por um soco às vezes.
- Não era isso o que eu ia dizer.
Ignorei-a, por mais que ela me fuzilasse com aqueles olhos claros.
- Me empresta a Sam por um minuto, Bree? - Sorri de forma gentil.
Brianna pareceu surpresa com o sorriso, mas feliz.
- Ela é toda sua - A garota sorriu de volta.
Pisquei para ela e me afastei, levando Sam junto. Eu esperava que a morena começasse a me xingar ou tentasse se livrar de suas "algemas", mas ao invés disso ela apenas olhou para cima, me encarando, e disse:
- Desde quando você chama Brianna de "Bree"?
Abri um sorriso presunçoso.
- Por quê? Não é como se você se importasse... Ou é?
- Odeio quando faz isso.
- O quê?
- Essa... Coisa. De me testar.
- Não estou te testando.
- Não minta.
- Ah, só você pode?
- Viu? Está fazendo de novo!
- Vamos entrar nessa discussão porque eu chamei a Brianna de Bree?
- Não - Ela decidiu, ainda me fuzilando. - Mas eu não sabia que vocês dois são amigos.
Eu poderia ter dito que aquela fora a única vez em que falara com Brianna. Seria a verdade, mas que graça teria?
- Talvez sejamos, então. Eu chamo minhas amigas por um apelido, ok?
- Sabe, é meio impressionante.
- O quê?
- Você sorri para uma garota e a tem na palma de sua mão.
- Não é bem assim.
- Ah, não?
Eu não entendia por que, mas havia um sorriso brincalhão no rosto de Sam.
- Ah, já sei - Ela estalou os dedos. - Você tem que inventar um apelido bonitinho para a garota também.
- Você nunca vai cansar de me julgar?
- Digo o mesmo.
- Hipócrita!
- É você!
- Cínica!
- Manipulador!
- Olha quem fala!
Ela recuou instantaneamente, me fazendo soltá-la. Pude ver que a última acusação a atingira um pouco mais do que eu prevera.
- Se sou uma pessoa tão ruim assim, talvez você devesse parar de falar comigo - Decidiu ela, me fuzilando.
Esse jeito "bomba relógio" dela já estava me dando nos nervos. Qualquer coisa que eu falava a atingia, e tudo o que eu falara fora exatamente o que ela dissera a mim.
Ela jamais admitiria, mas na verdade era bem sensível.
- Talvez eu pare, então.
- Ótimo.
- Ótimo!
Sam virou as costas para mim e saiu andando, irritada. Eu fiquei parado no mesmo lugar em que estava, porque sabia o que aconteceria depois. Três dias com Sam e eu já sabia exatamente como ela agia quando ficava irritada.
Talvez fosse porque ela ficava irritada com frequência.
Oito segundos e treze passos depois, ela tornou a se virar para mim, me fitando nos olhos por um momento.
- Sam - Chamei, disposto a ceder. Brigar com ela não me levaria a nada. - Desculpe.
- Não, você está certo - Ela balançou a cabeça, falando um pouco mais alto, já que estávamos longe um do outro. - Eu sou uma manipuladora. E sou exatamente o que Luke pensa de mim. Uma versão rockeira da Regina George, e não finja que não é verdade.
- Samantha - Ergui uma sobrancelha. - Pare de falar. Você já está delirando.
Ela suspirou.
- Não, não estou. Quer saber? Você é um cara legal, Joshua. Apesar de ser um mauricinho, sarcástico, presunçoso, e muito cretino às vezes... Hm, enfim. Mas é um dos mocinhos da história. Então, por favor, pare de se sentir obrigado a me consolar. Eu estou legal. Não sou uma garotinha retardada que fica se fingindo de coitada para que um garoto venha consolá-la.
Não pude evitar sorrir ao ouvi-la dizer tudo aquilo. "Um cara legal" era ainda melhor do que o pedido de desculpas que eu sabia que não chegaria.
- E então? - Ela me encarou, cruzando os braços.
- Você pediu por favor - Me dei conta, sorrindo ainda mais.
- Argh, por que raios você não entende que...
- Sam, cale a boca - Revirei os olhos, já farto daquilo. - Você passou de Regina George rockeira para uma versão ainda mais feminina de Edward Cullen. Já é demais para a minha cabeça.
Ela parou de falar. Ficou em silêncio por um minuto, por fim dizendo em tom baixo:
- Ok.
- E pare com esse discursinho de "blá blá blá, fique longe de mim".
- Você ficaria, se fosse esperto.
- Talvez eu seja burro. Tudo bem. Ainda sou um cara legal.
Ela sorriu levemente.
- Eu ganho um abraço amigável agora? - Abri os braços, esperançoso.
- Calma aí, Evans. Tira o burrinho da sombra.
- Isso é um "não"?
Ela apenas revirou os olhos. Caminhei até ela calmamente. Parei em frente à garota e olhei bem fundo em seus olhos cinzentos.
Precisávamos de um recomeço, e eu estava disposto a oferecer um.
- Olá - Sorri levemente, estendendo a mão. - Meu nome é Josh.
Ela ergueu uma sobrancelha, mas compreendeu, apertando minha mão.
- Sam.
- Sam vem do quê? Sammy? Samara? Santana?
- Precisamos mesmo...?
Pigarreei.
- Samantha - Ela me encarou. - Sam vem de Samantha.
- Sem mais discussões?
- Vou guardar o quanto você é irritante para mim mesma - Ela concordou. - Falando nisso, odeio a sua camisa.
Olhei para baixo, conferindo com que camisa estava.
- E falando nisso, eu odeio a sua jaqueta - Alfinetei.
- Eu odeio os seus olhos.
- Odeio o seu cabelo.
- Odeio a sua cara.
- Quer falar sobre mais coisas que você gosta em mim sentada ali no toco de árvore?
O comentário resultou em um tapa de leve no braço, mas Sam me puxou pelo braço e me fez sentar no chão encostado no toco. Ela se sentou ao meu lado.
- Afinal - Fitei-a por um momento, curioso. - Que história foi aquela que o David falou?
- Nada - Ela não olhou nos meus olhos ao dizer isso.
- Não sabia que você era amiga do David.
- Talvez eu seja. Talvez eu o chame de "Dave", ou de "Dee".
- Não desvie do assunto.
- Certo - Ela suspirou. - Um urso pardo estava atacando Brianna, e eu distraí o bicho para que ela não fosse devorada viva. David estava desmaiado em algum lugar perto dali porque toda a macheza inexistente dele se foi quando o urso rugiu.
- "Macheza" é uma palavra?
- Não vou ganhar lições de gramática de você, Joshua.
- Sempre gentil, Samantha. Mas... Era um urso pardo... De verdade?
- Não, Joshua. Era um Ursinho Carinhoso disfarçado, eu não contei? É CLARO QUE ERA DE VERDADE, IDIOTA.
- Então deixe-me resumir: - Pigarreei, contando as suposições nos dedos. - Você luta com ursos pardos, pula de penhascos, quase vai para reformatórios... Mas não consegue lidar com pessoas?
- Gente cansa - Ela deu de ombros. - Quando você sai de vista deles, vê realmente o que importa na vida e o que te faz bem. A gente convive com as pessoas porque tem esse medo bobo de ser solitário.
Refleti sobre o que ela disse, chegando a apenas uma conclusão:
- Só não dá para fugir de si mesmo.
Ela mordeu o lábio, observando as estrelas como se algo a incomodasse.
- Luke está bravo com você? Por causa... Por causa do... - Eu não conseguia terminar a frase sem explodir em gargalhadas.
- Não - Disse ela. - Na verdade, ele trata como se fosse normal. Como se fosse uma coisa legal. Assim como você. E isso não está certo.
- Qual parte?
- Todas as partes. Não é quem eu sou, e nem quem eu quero ser.
- Não é grande coisa, Sam.
Ela me fitou por um momento, levemente incerta.
- Então por que me sinto tão mal?
Eu sorri um pouco, fitando-a de volta. Não costumava ter certeza sobre muitas coisas, mas sabia que estava certo sobre Sam.
- Porque você é uma boa pessoa - Disse eu. - E essa é a coisa incrível que as pessoas boas possuem. É o que as diferencia das outras.
- Você está errado.
- Quer uma prova? - Ergui uma sobrancelha. - Essa dorzinha chata bem no meio do seu peito, que te deixa a imaginar que alguma coisa foi mal-concluída... Juntamente com isso, parece que todos os seus sentidos se juntam para te repreender. Às vezes, você tem dor de cabeça. E por quê? Porque você sabe que fez algo que não é certo, e isso está te matando.
Sam ficou em silêncio. Era um silêncio afirmativo, como se ela silenciosamente dissesse que estou certo. E aquilo era tudo o que eu precisava. Mas, acima de tudo, era tudo o que ela precisava também.
- Obrigada - Disse ela, baixinho.
- Não se preocupe com isso - Sorri levemente. - Às vezes, fazemos coisas sem pensar. Dizemos coisas sem pensar. Ei... Posso te fazer uma pergunta?
Ela ergueu uma sobrancelha.
- Pode, acho.
- No primeiro desafio... Quando estávamos andando pela floresta... Você viu algum tipo de animal e saiu correndo, até que fomos parar nas montanhas. Que animal era?
Para minha surpresa, Sam riu um pouco e voltou a olhar as estrelas.
- É que eu não consigo pensar em nenhum - Completei. - Quero dizer... Você lutou com um urso pardo.
Ela ficou um pouco corada, mas não disse nada.
- E então? - Pedi novamente.
- Gansos - Sussurrou ela. - Eram gansos.
Realmente esperei que ela começasse a rir. E quando ela não o fez, realmente me segurei para que EU não começasse a rir.
- Não é engraçado - Ela censurou. - Certo, é um pouco, mas não é educado.
- Claro, porque, de repente, você é uma expert em gentileza?
Eu sabia que tínhamos que parar de nos alfinetar se quiséssemos sobreviver com todos os membros do corpo, mas era simplesmente divertido demais.
Sam me ignorou.
- Eu tenho minhas razões - Resmungou ela.
Fossem quais fossem as razões para que ela fizesse um estardalhaço por causa de gansos, eu sabia que eram razões que ela não compartilharia.
Sam Price tinha o tipo de sorriso que dizia "Você não me conhece, e nunca vai conhecer".

Blind (inspirada em Jace Wayland [Os Instrumentos Mortais])


There was a time
That sounds like an eternity ago
There was this guy
Just a child, afraid to grow.

He has grown as a warrior
Always learning how to let go
Looking for a savior
Kinda hero, you know.

His dad was busy
Lived with him in the greatest city
Kinda cold-hearted
Never taught much about how to be loved.

Chorus:
Life is hard, harder to him
Is he allowed to have dreams?
They seem to be always destroyed
By that thing called love
Maybe it's true what they say
Why would he lie about that, anyway?
A lonely kid stuck in a lie
Smart enough to feel blind.

Everybody was there but he felt alone
Why wouldn't him, his only family is gone
He's got memories
Somehow he told himself they were good
But he still remembers the ocean of blood.

His dad always gave him weapons and books
But that doesn't make a child feel any lucky
Because weapons and books may be cool today
But it's not what they want for they birthday.

Chorus:
Life is hard, harder to him
Is he allowed to have dreams?
They seem to be always destroyed
By that thing called love
Maybe it's true what they say
Why would he lie about that, anyway?
A lonely kid stuck in a lie
Smart enough to feel blind.

But nothing can ever be compared
To the sadness and experience he gets
Everytime he reminds himself of this old story
Sometimes asking if his dad ever felt sorry.

He still remembers the eyes of the hawk
The one he should take care, not love
With that he learned a primordial task
One he followed without looking back
To love is to destroy and to be loved is to be destroyed
In his hands he feels the old blood of the hawk, murdered on the neck
By the only family member the boy had ever met.

Chorus:
Life is hard, harder to him
Is he allowed to have dreams?
They seem to be always destroyed
By that thing called love
Maybe it's true what they say
Why would he lie about that, anyway?
A lonely kid stuck in a lie
Smart enough to feel blind.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Cara Ashley


Cara Ashley,
Escrevo-lhe essa carta mesmo sabendo que você nunca a lerá. E talvez, quando o fizer, será tarde demais.
O loiro continua me dizendo que devo contar a você tudo o que aconteceu, mas apenas não consigo fazê-lo. Imagino as lágrimas em teus olhos e o sorriso desaparecendo de seu rosto e desisto, mostrando apenas o quão devota aos sentimentos sou.
Então apenas continuo lhe dizendo como se sentir, mas nunca lhe dou os motivos certos. Lhe dou conselhos deturpados, aparentemente sem fundamento, e por isso sinto muito.
Vejo o quanto gosta dele, o quanto se importa. Eu gostaria de poder lhe dizer que ele sente o mesmo, mas sei que não é verdade. Talvez ele não seja uma pessoa ruim. Talvez apenas esteja confuso. De qualquer forma, você não merece ter que passar por esse momento de confusão junto com ele. A montanha russa de sentimentos nunca terminará, pois ele nunca será sincero com você. E de algo tenho certeza: eu o odeio por isso. O odeio por não só nunca lhe dizer a verdade, mas por me colocar nessa situação onde também não posso ser verdadeira.
Eu achei que você seguiria em frente quanto você e ele tomaram caminhos separados. Mas agora vejo que não. Você está apaixonada. E não está apaixonada por alguém que não te corresponde; a situação é muito pior do que isso. Você está apaixonada por alguém que não se importa.
Ele implorou seu perdão, mas não te deu os motivos reais para precisar ser perdoado. Eu gostaria de acreditar que ele se arrepende, mas se este fosse o caso, por que motivo no mundo ele continuaria a mentir e se esquivar? Por que motivo fingiria toda essa vulnerabilidade se realmente quisesse amá-la como você o ama? É isso o que ele faz, aceite. Ele jamais se entregará. Nada com ele jamais será simples, pois você nunca lidará com a verdade.
A mente cria ilusões para nos trazer uma falsa sensação de felicidade, e me entristece notar que você está usando isso. Coloca a culpa em si mesma, mesmo que não tenha feito nada.
Este é o problema, você disse. Eu não fiz o bastante.
Ah, se você soubesse... Temo dizer que você fez demais por alguém que não merecia nem o seu mínimo. E está disposta a fazer mais, porque de repente você não pode mais ser feliz sem ele.
Você sempre foi feliz sem ele, e isso não pode mudar agora. Bem você, a única pessoa que nunca deixou alguém determinar sua felicidade.
Você disse para que ele seguisse um caminho separado e ele não contestou. Não lutou por você. Como isso pode parecer certo? Desistir tão facilmente?
Falei com ele hoje. Ele não está triste, não está nem perto do caco que você está. Ele está com raiva, e isso não é saudável.
Então agora farei tudo o que estiver ao meu alcance. Prefiro ficar fora da sua vida do que assistir ele voltar a ela. E se um dia você puder me perdoar, será o dia onde encontrarei novamente uma felicidade.
Confio em você para fazer o que é certo, disse eu. E você nem faz ideia de quantas lágrimas essa simples frase provocou em meus olhos.
E você se culpa, mas não pode ser culpada pela forma como se sente. Nunca teve um exemplo de amor que fosse ao menos remotamente real. Entendo sua confusão. Mas, por favor, tente entender a minha.
Um voto de confiança é tudo o que peço. Você é melhor que tudo isso, e isso é tudo o que sei. Talvez eu ainda esteja presa a toda essa bola de neve, e farei isso de bom grado se você puder escapar ilesa.
Descobri aqui pessoas que realmente se importam com você. E nenhuma delas envolve você-sabe-quem. Charme é difícil de resistir, e isso ele tem de sobra. Eu, por outro lado, tenho de usar a boa e velha franqueza como arma de troca.

Sinto muito.
— Lolla

Adolescentes Selvagens; Capítulo 24: Luke


Maddie ainda estava me perturbando para que eu dissesse como havíamos perdido o desafio das bombas. Mas eu não admitiria o plano de Sam nem sob a mais terrível tortura. E os dotes de uma princesa egocêntrica de dezessete anos, como Maddison, estavam bem abaixo disso.
Aquela garota me punha louco. A prova de meu auto-controle era minha faca, que estava em meu bolso, e não no pescoço de Maddie, o que eu considerava uma vitória pessoal.
Era perto de onze da noite quando Brianna cansou de me encobrir. Aparentemente, fingir que estava conversando comigo era muito mais tedioso do que eu pensava.
Minha sorte foi que ela não viu o olhar mortífero no rosto de David, senão ela teria cansado bem antes. De qualquer forma, ela era uma pessoa gentil demais para me xingar.
O eterno jeito Virgem Maria dela fazia com que fosse bem mais fácil convencê-la de qualquer coisa. E eu estava meio que torcendo para que David tentasse me dar um murro, porque já fazia algum tempo desde a última vez que eu batera em alguém.
Eu estava sentado embaixo de uma árvore, desenhando uma caveira no tronco dela, quando Maddie sentou-se ao meu lado.
- Olá - Disse ela.
- Hm, oi.
Eu esperei que ela me bombardeasse com um interrogatório irritante, mas não foi o que aconteceu:
- Está com sono?
- Não muito.
- Quanto tempo acha que isso vai durar?
- Mais um dia, no mínimo.
Ficamos em silêncio por um minuto, sem saber o que dizer.
 - Josh e Sam estão conversando.
- Tanto faz.
- Você não liga?
- Não.
- Mas...
- Você tinha razão, ok? - Disparei, revirando os olhos. - Pronto, eu disse. Feliz agora?
- Razão sobre o quê?
- Sobre a Sam. Ela não é para mim.
A expressão da garota se suavizou, assim como seu tom de voz:
- Luke...
- Estou bem, Princesa. E daí, eu não estou apaixonado por ela, mesmo.
- Não está?
- É claro que não.
- Acha que Josh está?
- Não.
- Acha que Sam gosta dele?
- Tanto faz, ela não admitiria se gostasse - Dei de ombros.
- Por que não?
- Qual é. Josh provavelmente saiu de algum baile de colegial, onde foi nomeado rei do baile. Sam quase foi para um reformatório. Uma garota como ela jamais admitiria que sente o mínimo de simpatia por um atleta popular. Eles são... De mundos diferentes.
Ela me fitou por um momento.
- Como nós?
- É, algo assim.
- Você já beijou uma garota?
Ergui uma sobrancelha, surpreso com a pergunta. Ainda estava tentando entender o que raios aquilo tinha a ver com o assunto.
- É claro que já. Você não?
- Não, Luke, eu nunca beijei uma garota.
- Sabe o que eu quero dizer. Já beijou... Alguém?
- Não - Ela corou um pouco.
- Está brincando, certo?
Não, ela não estava brincando.
 - Mas eu imagino como seria, às vezes.
- E como seria?
- Simples. Eu apenas espero que o sol brilhe, e que seja um dia bonito.
- As coisas tendem a nunca sair como planejamos, quando planejamos muito.
- Talvez seja porque você não sabe planejar. Como foi o seu primeiro beijo?
- Eu não vou falar sobre isso com você.
- Ah, qual é! Descreva em uma palavra.
Pensei por um momento.
- Molhado.
- Sempre poético, Luke.
- Certo, que seja.
Percebi que Maddie estava ouvindo música em seu iPod.
- Tem alguma coisa aí que não seja One Direction e Spice Girls? - Perguntei, erguendo uma sobrancelha.
- Pussycat Dolls - Declarou ela, me dando um dos fones.
E foi então que eu passei meu desafio de resistência ouvindo When I Grow Up.