quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 13: Maddie


Eu estava indo muito bem. Se esquecermos a escuridão. E a solidão. E o pânico. E a insegurança. E a frustração.
Se esquecermos esses detalhes, eu estava indo muito bem. Eu sabia quem era meu personagem, porém não tinha ideia de onde ir para um desafio.
Enquanto procurava, tentei achar pessoas de minha equipe para ver como elas estavam indo. Até que encontrei Brianna e David.
- Ei, vocês! - Sorri. - Como estão? Brianna... Por que está encharcada?
- Longa história - Ela fez uma careta. - Como está a sua caça?
- Sou Perséfone - Eu disse decidida. - E vocês?
- Afrodite - Disse ela. - Mas não sabemos o de David.
- Me dê o papel.
Quando o li, tudo em que pude pensar foi que era a coisa mais óbvia do mundo.
- Ártemis - Concluí. - A deusa da lua e da caça.
- Então... Eu sou uma garota? - Ele ergueu uma sobrancelha.
- Sim, sim. Meus pêsames. Como vai o desafio?
- Achamos isso - Brianna tirou do bolso uma pequena caixinha de prata. - Há uma presilha de prata dentro. A pista de David cita o prata.
- É, faz sentido... Eu, por outro lado, estou totalmente no escuro.
- Estávamos aqui pensando... O que fica no ar, no céu e no mar?
- O oxigênio? - Chutou David.
- Não há oxigênio no mar, idiota - Revirei os olhos. - Ou por acaso você respira embaixo d'água?
David corou um pouco.
- Então que tal... Aves?
- Pombos são o símbolo de Afrodite - Lembrou Brianna. - Não são?
- Não há aves no mar. Apenas na água, como patos, mas eles não vivem em água salgada.
- Que tal gaivotas?
- Bem... Não exatamente...
- Então explique aquele pombo com um coração amarrado no pescoço naquela árvore - David me encarou, apontando.
Era uma árvore muito alta. Alta para qualquer pessoa destreinada escalar.
- Eu subo - Me ofereci. - Fui bandeirante águia.
- Isso existe?
- É claro que existe. Continuando...
Caminhei até a árvore e comecei a escalar. Quando subi os primeiros trinta centímetros, levei um tiro no traseiro.
Depois de um pequeno momento de pânico, descobri que o tiro vinha de uma arma de paintball.
- Você de novo, não! - Reclamou David.
Ele falava com a chefe de cozinha, que vestia uma fantasia de leão.
- Você é a Esfinge! - Sorri para ela.
- Finalmente reconhecida! - Ela bateu palmas, feliz. - Agora desça daí. Apenas a loira pode subir. É o desafio dela.
- Mas...
- Não discuta comigo. Não estou de bom humor desde que a punk fugiu de meu sequestro.
- Você... Você sequestrou a Sam? - Perguntou Brianna, levemente perturbada.
- Ela mereceu.
- E ela fugiu?
- Aposto a vida de meu gatinho, o Lasanha, que aquele bonitão irritantemente lindo está por trás disso.
- Josh? Josh salvou a Sam? - Ri, cética. - Por que ele faria isso?
- Hããã, eles são da mesma equipe - Lembrou-me Brianna. - Afinal, seu gato chama-se Lasanha?
- ALGUM PROBLEMA COM ISSO, LOIRINHA?
- Nenhum, nenhum mesmo, absolutamente nenhum...
- Ótimo. Suba logo.
Brianna começou a escalar a árvore, de modo que tive que tragicamente começar a conversar com David.
- Não... Não tem nada a ver o Josh ter salvado a gótica, não é? - Perguntei, incerta.
- Ele estava com o walkie-talkie - Disse David. - Era o dever dele.
- Ah, é... Claro...
- Sabe, se você está tão a fim do Josh, devia começar a fazer o seu próprio jogo ao invés de perseguir a Sam.
- Acha que a Sam gosta dele?
- Não - Ele deu de ombros. - Mas cuide para que o contrário também seja válido, só por precaução. Claro, se você tiver certeza de que está mesmo a fim dele.
- A fim de quem? - Disse uma voz cínica atrás de mim.
- De ninguém, Luke. Dê o fora - Revirei os olhos.
- Calma, Princesa - Ele sorriu. - Espere. Desde quando peixes escalam árvores?
- Ha. Muito engraçado, Luke - Brianna debochou.
- Você, por acaso, não viu a outra rebelde por aí, viu? - Perguntei a Luke.
- Sam? Não. Por quê?
A chefe de cozinha recarregou a arma de paintball.
- Porque ela está foragida no meu radar - Ela cerrou os dentes
- Aquela garota é fogo, hein? - Ele riu, parecendo estar se divertindo.
- Luke, desista. Ela não está na sua - Revirei os olhos.
- Por que a preocupação? - Ele me lançou um sorriso malicioso. - Quer se candidatar no lugar dela?
- Você pode sonhar... Afinal, como estão as pistas? E onde está a Chloe?
- ChegandooooOOOOOOOOO...! - Disse ela quando atropelou todos nós vindo correndo.
- Ah. Olá, Chloe - Luke revirou os olhos, frustrado.
- HORA DO PAINTBALL! - Gritou a chefe de cozinha.
- HORA DO QUÊ? - Berrou Brianna de volta, desesperada.
Como resposta, a cozinheira atirou nas costas dela. Depois disso, ela passou a se concentrar em não cair da árvore e em não levar mais tiros.
- Isso não mancha, né? - Perguntei, olhando para o estrago em minha calça.
- É só uma calça - Lembrou-me Luke.
- Fique na sua.
- Bem, quanto às pistas... Precisamos de uma prendedor de cabelo.
- Como este? - Brianna balançou a fivela de prata em sua mão.
- Exatamente como esse.
- Não, esse é o objeto do desafio de David - Encarei Luke.
- E por que não pode ser dos dois? - Sugeriu a cozinheira.
- Então... Acabamos de matar dois coelhos com uma cajada só?
- Basicamente.
- Foi fácil!
- Pena que eu não possa dizer o mesmo... AI! - Berrou Brianna quando um tiro acertou sua perna esquerda.
- Ei, garoto do piercing - A cozinheira chamou Luke, lançando-lhe um sorriso malicioso. - Acho que seu desafio está vindo.
- Meu desafio? E o prendedor de cabelo?
- Não, aquele era o desafio da Chloe. O seu é aquilo ali. TOUCHÉ!
Foi quando ouvimos passos. Grandes e pesados, seguidos de um barulho de metal. Antes que eu pudesse deduzir qualquer coisa, vi a criatura.
Tinha três metros de altura, no mínimo. Era um pacman amarelo gigante de metal, só que com pernas. Ele estava prestes a pular em cima de Luke.
- O que espera que eu faça com isso? - Ele recuou, em pânico.
- Bem... Derrote-o.
Quando se recuperou do choque, Luke começou a jogar tudo o que estava em seu alcance no robô. Não fazia muito efeito. Era como se ele estivesse jogando plumas, mesmo que estivesse jogando pedaços de tronco de árvore.
Luke não ia durar muito tempo.
- EI! GRANDÃO! - Gritei num momento de súbita insanidade, jogando um tronco no monstro.
- M... Maddie? - Luke piscou, incrédulo.
- Não fique tão surpreso, idiota.
Eu não planejei o que viria depois. Tudo o que sei é que o pacman ficou meio confuso sobre quem atacar.
Agarrei o braço de Luke e começamos a correr. Nos escondemos atrás de uma pedra perto do lago.
- Acha que o despistamos? - Perguntei, arfando.
- Por que não me deixou morrer? - Luke ergueu uma sobrancelha.
- Porque eu não quero perder o desafio, idiota.
- Se ganharmos, você não pode me mandar para casa.
- É um fardo que vou ter que carregar, por hora.
Ele riu.
- É mesmo um fardo?
- Cale a boca.
- Nossa, como ela é áspera.
- Eu já disse que te odeio?
- Muitas pessoas usam isso como uma forma de flertar, sabia?
- Cale a boca antes que o monstro nos ache.
- Ei, eu estava pensando...
- Eu não quero te beijar.
Ele abriu um sorriso zombeteiro.
- Na verdade, eu só ia te dar uma ideia para derrotar o pacman, mas se você insiste...
Corei levemente, mas tentei esconder esse fato com o cabelo.
- Qual é a ideia?
- Bem... Ele é um robô, certo? E se o jogarmos no lago?
- Os circuitos dele vão pifar! - Sorri. - Essa... Essa é na verdade uma boa ideia, Luke!
- Obrigado!
- Mas como vamos fazer isso acontecer?
- Deixe comigo.
Luke apenas se levantou e ficou parado na borda do lago. O monstro apareceu alguns minutos depois. Ele acelerou o passo para atacar o garoto, já preparando um encontrão.
Luke continuava parado na borda. Abafei um grito com a mão.
Quando o monstro já estava a poucos milímetros de Luke, o garoto se moveu para a direita.
Ele estava certo. O pacman era grande e forte, mas não era ágil. Portanto, não teve tempo de parar antes de cair com tudo no lago.
Saí de meu esconderijo, fitando Luke por um minuto.
- Por que está tão pálida? - Ele sorriu. - Não é como se você pensasse que poderia me perder, e essa ideia estivesse te esmagando por dentro... Ou é?
- Cale a boca, eu só não queria ficar em desvantagem numérica no time.
- Veja como quiser.
- Cale a boca.

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