domingo, 3 de fevereiro de 2013
Adolescentes Selvagens; Capítulo 12: Josh
Tiffany era tão inútil quanto plástico-bolha que já foi estourado. Na verdade, era pior, porque o plástico-bolha ao menos calava a boca.
Havíamos encontrado uma mulher da produção que dizia ser Deméter. Ela estava prestes a nos dar uma dica quando a voz de Sam saiu do walkie-talkie em meu bolso.
- JOSH! Caramba, vem logo, estou presa, sério, estou desesperada, não sei o que essa louca preparou pra mim, eu... Eu preciso de você, vem logo, pelo amor de Deus...
Tudo em que pude pensar foi que, se Samantha estava admitindo que precisava de mim, a coisa devia estar realmente séria. Minha respiração acelerou antes que eu pudesse controlar.
- Sam? - Chamei. Minha voz saiu um pouco aguda demais, mas o pânico na voz de Sam estava me contagiando também. - Sam, onde você está?
- Joooosh? - Chamou Tiffany. - O que você está fazendo?
- Pare de falar, Tiffany, eu não consigo ouvi-la... Sam, você está bem?
Sam falou alguma coisa que eu não entendi.
- Vem logo, Deméter vai nos dar uma dica... Sabe, eu sou muito parecida com Afrodite. Você não acha que poderíamos ser irmãs?
- Tiffany, por favor, pare de falar... Sam, você está aí?
Mas a voz que saiu do walkie-talkie logo depois não era de Samantha:
- Ah, então a rebeldezinha está tentando fugir? Deixe-me capturar esse seu brinquedinho falante...
- Josh, por favor!
Isso foi tudo o que ela disse antes de dar um berro final e a conexão ser cortada.
Minha mão direita, a que segurava o walkie-talkie, tremia de pânico. Eu não conhecia Sam muito bem, mas sabia que ela não agiria daquele jeito se a coisa não fosse séria. Muito séria.
- Sam está em apuros - Eu disse à Tiffany. - Temos que salvá-la.
- Mas antes vamos ouvir a pista da Demi...
- Tiffany - Encarei-a, cético. - Sam pode estar numa grande enrascada agora.
- Ela só quer chamar atenção - Tiffany deu de ombros.
- Não, isso é sério. Temos que ir lá.
- Se formos, nossa equipe vai perder o desafio. Eu não vou.
- Ótimo - Revirei os olhos. - Fique aqui.
- Não darei a dica se não estiverem os dois aqui - Disse Deméter.
- Viu só? - Tiffany ergueu uma sobrancelha. - Não pode ir.
Mas é claro que eu podia. Não porque gostasse de Sam, ou porque me sentisse culpado, mas por uma simples verdade:
- Eu prometi a ela - Disse, convicto. - E vou cumprir. Fique com isso - Entreguei-lhe meu walkie-talkie. - Se precisar de alguma coisa, Sam estará com o walkie dela, e podemos te ajudar.
- Ah, claro - Ela pegou o objeto de má vontade e me lançou um sorriso forçado. - Vá lá se divertir com a punk, eu farei todo o trabalho pela equipe... Ao menos sabe onde ela está?
- Não - Dei de ombros, me afastando.
- Não vou deixar que vá.
- Então experimente me impedir.
Depois disso, saí correndo até sumir da vista de Tiffany. Eu prometera à Sam. Além do mais, algo me dizia que ela me mataria se eu não a encontrasse. E se eu ia morrer, ao menos morreria de forma heroica enquanto a salvava.
Não era um plano muito bem feito, eu admito isso. A maioria dele contava com basicamente a ideia de que alguém lá em cima gostava de mim.
- SAMANTHA! - Gritei, exasperado. - SAMANTHA, PODE ME OUVIR?
Corri por muito tempo, olhando atrás de cada árvore, arbusto... Qualquer coisa.
- Onde você está, Sam...? - Suspirei, falando mais comigo mesmo do que com ela.
Eu estava prestes a me sentar numa árvore para descansar. Estava andando há muito tempo, não conseguia dar nem mais um passo.
Antes que eu me abaixasse, ouvi uma voz aguda, irritante e sarcástica do outro lado da árvore:
- Muito bom, príncipe encantado - Sam riu, debochada. - Você está fazendo um excelente trabalho.
Eu realmente não sabia se ficava feliz porque ela estava bem ou se eu simplesmente voava no pescoço dela.
Ela estava amarrada a uma árvore, então apenas comecei a rir.
- O que houve, Samantha? Uma tribo de índios achou que você fosse um demônio e por isso te amarrou?
- Não. Mas até índios me achariam mais rápido do que você - Ela me fuzilou por um minuto. - E é Sam para você, palhaço. Pode me desamarrar, por favor?
- Não sei, acho que gosto mais de você assim... - Abri um sorriso desafiador. - É uma pena que não tenham posto nada para tampar a sua boca. Afinal, por que está encharcada?
- Me desamarre logo antes que ela volte - Seu tom de voz ficou mais sério, e ela mordeu o lábio.
- Antes que quem volte?
- Por favor, só me desamarre, ok? - Ela suavizou sua expressão, o que fez com que a frase soasse quase como uma... Súplica.
Assenti e a desamarrei rapidamente. Quando estava livre, ela me fitou por um momento com aqueles grandes olhos cinzentos.
- Eu provavelmente deveria... Agradecer.
- Sim, seria legal. Mas sem pressão.
- Bem - Ela abriu um pequeno sorriso. - Obrigada por me salvar.
- Você falando "por favor" e "obrigada"? Quem é você e o que fez com a Sam?
- Cale a boca e faça a sua pose de galã enquanto diz: - Ela limpou a garganta e começou a me imitar na frase seguinte: - "Não precisa me agradecer, senhorita, eu estava apenas fazendo o meu trabalho como um mauricinho imbecil!"
- Eu gosto muito mais da versão sua que sorri e me agradece.
- Pena. Não se acostume com ela. Falando nisso, onde está a aspirante a Paris Hilton?
- Tiffany? Provavelmente em algum lugar te xingando muito.
- Certo, isso não é novidade. Qual é o motivo dessa vez?
- Nós tínhamos encontrado uma deusa quando você me chamou no walkie-talkie - Expliquei. - E ao invés de ficar e ouvir a dica, eu saí correndo atrás de você. Digamos que a Tiffany não gostou muito disso.
- Sinto muito por irritar a sua namoradinha - Ela abriu um sorriso malicioso. - Na verdade, não sinto, não.
- Por favor, me xingue, me zoe, faça o que quiser - Suplico, encarando-a. - Mas não diga isso de novo.
- Ok, Joshua. Ok.
- Joshua?
- Você vai pagar por todos os "Samantha", e mais quantos eu quiser - Ela abriu um sorriso triunfante e tomou a dianteira. - Você vem?
Andamos sem rumo por alguns minutos. Não era a coisa mais responsável e estratégica a fazer, mas era impossível ser responsável perto de Sam.
- Sabe, foi muito legal o que você fez - Ela disse sem olhar em meus olhos depois de um tempo. - Deixar de ganhar para me salvar.
- Eu prometi a você, certo? - Sorri.
- É, prometeu - Ela sorriu também.
- Sei que está tentando me compensar, mas pode parar com os elogios se eles estiverem doendo muito.
- Esse último foi bem difícil de dizer - Ela me encarou. - Dê valor.
- Acho que é o melhor que vou conseguir arrancar de você, não é?
- Não crie expectativas.
- Imaginei.
- Bom - Ela me fitou por um momento. - Eu não gosto de ficar devendo às pessoas. Então... Como está indo a descoberta do personagem?
- Não muito bem...
- Leia para mim.
- "Se da montanha mais alta pular, me salvarei porque meu elemento estará lá; sempre me esperando como um velho amigo, é também a moradia que está sempre comigo."
- Josh...
- O que acha?
- Josh...
- Eu?
- Joshua.
- Que é, desmiolada?
- COOOOOOOORRE!
Foi o que ela fez logo depois. Fiz o mesmo, sem parar para ver se havia algo atrás de nós. Passamos por bem perto do lago e começamos a subir um dos morros. Ao chegarmos ao topo, Sam respirava com dificuldade.
- Acho... Acho que os despistamos...
- Despistamos quem?
- Não... Não importa...
- Sam, você poderia tentar me explicar pelo menos um terço do que está ocorrendo aqui?
- Eu... Eu... Espere! Veja isso!
Ela foi até a ponta da montanha, que se assimilava a um penhasco.
- Cuidado - Alertei, vendo que ela se aproximava muito da borda.
- Josh.
- O que foi?
- Você... Você é Poseidon.
- Eu o quê?
- Escute com atenção - Ela pediu, usando os dedos para marcar cada uma de suas subjeções seguintes. - Estamos na montanha mais alta; há água lá embaixo, que é o elemento de Poseidon; Poseidon pode conjurar água do nada, então ela sempre o acompanha. E ele mora no mar, portanto a água é também sua moradia.
- Isso... Isso faz sentido! - Admirei, surpreso.
- Já a próxima parte não é tão legal... - Ela torceu o nariz. - Você precisa completar o desafio de Poseidon.
- Que seria...?
Ela apenas me fitou por um minuto, mordendo o lábio. E foi então que a ficha caiu. Montanha mais alta, água lá embaixo...
- Não - Respondi de imediato. - Você não espera que eu...
- Você tem medo de altura?
- Não, mas...
- Venha aqui.
Relutante, fiz isso.
- Olhe, tem uma área segura lá embaixo - Ela apontou para um círculo neon no mar. - Ela não está lá por acaso.
- Sam - Fitei-a, cético. - Sabe que isso é loucura, não sabe?
- Eu... Eu acho que... Tudo o que precisamos às vezes são vinte segundos de insanidade.
- É um jeito admirável de pensar - Elogiei.
- Bem, obrigada - Ela sorriu. - E é por isso que eu vou pular com você.
- Você o quê?
- Eu já estou toda encharcada, mesmo - Ela deu de ombros.
- Claro, Sam. Meu maior problema em pular de um penhasco de mais de trinta metros direto no mar é ficar molhado.
- Ótimo!
- Isso foi sarcasmo, certo?
- Cite uma frase minha que não foi sarcasmo.
- Ponto para você - Reconheci. - Por que está fazendo isso?
- Porque eu quero vencer, e também porque odeio dívidas.
- Não precisa quitar sua dívida pulando de um penhasco.
Ela apenas riu.
- E também estou fazendo isso porque a sensação deve ser incrível.
- Está dizendo isso apenas para me convencer, certo?
- Achei que atletas tivessem senso de aventura - Ela mostrou a língua.
- Temos, mas...
- Ei - Ela me fitou por um momento. - Eu vou segurar a sua mão agora. Apenas porque vai te dar mais segurança. Não tenho nenhuma segunda intenção, e você não vai pensar nenhuma merda disso, ok? - Ela me fulminou para ter certeza de que eu havia entendido. - E depois podemos fingir que isso nunca aconteceu.
- Qual parte? A do penhasco ou a das mãos? Ou... Algo sobre segundas intenções? Pode repetir? Eu não entendi direito - Provoquei.
- Cale a boca.
Segurei a mão dela antes que ela a usasse para me bater. Seu toque era macio, porém firme. Percebi que minha mão era bem maior que a dela, mas ela segurava com tanta força que esmagava meus dedos.
- Sam.
- Sim?
- Tem certeza quanto a isso?
- Não - Ela deu de ombros. - Três... Dois... Um... VAMOS!
- Espere, eu...!
Antes que eu pudesse impedi-la, ela havia me puxado para frente e estávamos em queda livre.
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