quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 16: Luke


Já haviam me dito que loiras não eram as criaturas mais espertas do universo, mas Tiffany nos espionando? Isso não tinha preço.
O esconderijo dela não era ruim. Josh não tinha percebido que ela estava lá, mas minha experiência negativa com policiais me ensinara algumas coisas.
Nossa conversa não era interessante a nível de valer uma espionagem. Apenas estávamos falando sobre o que acontecera no desafio. Eu achava que nada superaria o pacman robô, mas Josh pulando com Sam de um penhasco parecia bem pior.
Não contei para Josh a parte em que Maddie me salvara. Não porque estivesse envergonhado, ou porque não quisesse parecer fraco, mas porque não queria que Josh me dissesse que ela fizera aquilo para benefício próprio. Apesar de que as pessoas nunca fizessem coisas para me ajudar, eu sabia que Maddison não estava pensando em si mesma quando desviou a atenção do pacman. Ao menos, não APENAS em si mesma. Eu duvidava que ela fizesse qualquer coisa sem pensar um pouquinho em si. Mas sendo quem sou, não podia julgá-la. Nunca fui a um lugar onde me ensinassem solidariedade e, francamente, eu tinha mais o que fazer.
A eliminação de Anthony não me trouxe benefício algum. Muito pelo contrário, me fizera perder a pessoa que era mais divertido intimidar. Talvez eu começasse a usar David como alvo de minhas provocações dali em diante. Mas Maddie não podia saber disso, porque David era de nossa equipe. Ela jamais permitiria.
Eu não ligava muito para os protestos de Maddie, mas não duvidava nada que ela pudesse convencer a equipe a me eliminar. Então, enquanto eu não pudesse convencer todos do contrário, talvez fosse melhor não dar mais motivos a ela, apesar de eu estar quase certo de que os motivos que ela já possuía eram mais do que suficientes.
Josh fora dormir. Eu estava sozinho na varanda da cabana, apenas observando o céu. Não costumava fazer isso, mas estava com uma vontade excepcional naquela noite.
Eu provavelmente era o único acordado, mas não ligava muito. Provavelmente não teríamos desafios no dia seguinte.

Como sempre, eu estava errado. Quando preguei os olhos, uma buzina alta e larga com um daqueles temas de acampamento tocou.
Ouvi um estrondo vindo da cabana das garotas. De duas, uma: Ou alguém (Barbie ou Sam) colocara alguma coisa no cabelo de Tiffany enquanto ela dormia, ou alguém (Barbie ou Sam) havia acabado de fechar os olhos quando descobriu que tinha que acordar.
Olhei para o relógio de cabiceira de Josh. Seis da matina. SEIS. Para entrar no clima, soltei seis palavrões bem sujos enquanto ia tomar banho.
- ...Você chama ele - Ouvi a voz de David sussurrar no quarto.
- Por que eu?
- Oras, alguém tem que dizer para ele sair logo.
- Vai você.
- Já estou saindo, seus inúteis! - Gritei, revirando os olhos.
Ótimo, que se dane o condicionador. Vesti uma camiseta preta e uma calça jeans rasgada, além de coturnos.
Saí da cabana logo depois.
- E AGORA?! - Berrei para o céu. - POSSO DORMIR?
- Cory bateu na porta de nossa cabana para nos mandar ir à entrada da floresta - Disse Maddie, parando ao meu lado.
- E o que estamos esperando?
- A equipe toda vir aqui fora, para que possamos ir todos juntos.
- É brincadeira, certo?
Ignorando os protestos dela, saí andando até o lugar especificado. Josh era o único que já estava lá.
Maddie chegou alguns segundos depois, com o resto da equipe atrás dela.
Cory chegou atrás e lançou um olhar de desaprovação ao constatar que não estávamos todos lá.
Sam decidiu aparecer depois de dez minutos. Talvez ela fosse diva demais para chegar na hora. Talvez quisesse irritar Cory. Eu não sabia dizer. Se tratando dela, qualquer explicação era plausível. Tiffany chegou logo depois. Ela encontrara tempo para passar base, maquiagem, arrumar cada fio de cabelo, colocar brinco e colar, além de perfume. Deus sabe como.
Mas a última a chegar foi Barbie. Cory fuzilou-a por um longo momento.
- O que foi? - Ela ergueu uma sobrancelha. - Esse cabelo aqui precisa de mais do que cinco míseros minutos, ok, queridinho?
O apresentador ignorou-a, revirando os olhos.
- Bem, agora que estamos todos aqui... Talvez seja educado perguntar: Vocês dormiram bem?
Apenas Maddie balançou a cabeça afirmativamente.
- Ótimo! - Cory bateu palmas, feliz. - Que bom que estão todos descansados, porque hoje o dia será loooongo... E com isso eu quero dizer "exaustivo".
- "Exaustivamente divertido"? - Brianna tentou, dando um sorriso fraco.
- Claro! Exaustivo para vocês, e divertido para mim!
O murmúrio de lamentação foi unânime entre os participantes.
- E que tal você nos dar nosso merecido café-da-manhã, então? - Tiffany pediu. "Pediu" entre aspas. Seu tom de voz era totalmente autoritário.
- NA GUERRA NÓS COMEMOS O QUE PODEMOS ENCONTRAR, QUANDO PODEMOS, SOLDADO! - Uma voz grave ecoou de algum lugar atrás de nós.
Minha reação imediata ao ver o homem de uniforme foi o desejo de fuga. Algo que meus anos de encrenca me ensinaram: Qualquer oficial de uniforme tem uma foto minha no bolso, e se ele me achar, não vai ser nada bonito.
Obriguei-me a ficar parado quando Maddie me encarou e perguntou o que diabos eu estava fazendo.
- Pessoal, esse aqui é o comandante... - Começou Cory.
- CAPITÃO, SOLDADO BRYAN! CAPITÃO! E eu posso me apresentar sozinho. Permissão para se retirar concedida.
Cory arregalou os olhos para o homem, incrédulo. Mas depois apenas deu de ombros e nos disse:
- Boa sorte com esse aí, minha gente. Ele está no comando até que esse desafio acabe.
Pareceu bem mais real quando ele disse "desafio". Foi como se ele dissesse "Parem de enganar a si mesmos, vocês sabem que terá um desafio".
Pode parecer paranoico, mas fiquei apreensivo quando ele disse "até que esse desafio acabe", e não "até o fim do dia", ou "até o almoço", ou "até amanhã". Foi como se nem ele soubesse onde isso tudo daria.
Portanto, automaticamente não daria em coisa boa.
- Ótimo! Simplesmente ótimo! - Sam revirou os olhos.
- EU LHE DEI PERMISSÃO PARA FALAR, SOLDADO? - O homem berrou no ouvido dela.
Ela parecia a ponto de recuar, mas continuou firme onde estava e encarou o homem de volta.
- Hm, não.
- PARA VOCÊ É "NÃO, SENHOR", SOLDADO!
- Permissão para não ter os tímpanos estourados?... Senhor?
Ele encarou-a por mais um minuto. Silêncio absoluto.
- Permissão concedida - Decidiu ele, abaixando o tom de voz. - Eu sou o capitão Shelton, e vocês me chamarão de capitão Shelton. Estou aqui porque já passou da hora de alguém exigir rigidez e obediência de vocês, molengas. Vocês farão o que eu mandar, quando eu mandar. Vão comer quando eu mandar comer, vão dormir quando, e se, eu mandar dormir, e...
- E se quisermos ir ao banheiro? - Perguntei. - ...Senhor.
- ME INTERROMPA DE NOVO E VOCÊ IRÁ AO BANHEIRO! MAS PARA LIMPÁ-LO, NÃO USAR! E FAREI QUESTÃO DE QUE VOCÊ USE A SUA ESCOVA DE DENTES MAIS NOVA PARA FAZER ISSO! - Ele berrou em meu ouvido também. Ai. - Mas caso precise mesmo fazer suas necessidades... - Ele apontou para a floresta. - Escolham um ponto afastado de nós, por favor. Eu não quero ser abençoado com a visão de alguém urinando em uma árvore.
O capitão Shelton andava de um lado para o outro enquanto explicava. É desnecessário dar detalhes de sua aparência, mas de qualquer forma... Tinha pelo menos 1,90m de altura, o que o fazia bem mais alto do que todos nós ali, com exceção de Josh, que tinha perto de 1,85m. O capitão possuía cabelos pretos cortados em corte militar, uma sobrancelha bem grossa e olhos escuros sem emoção. Vestia roupas militares e coturnos.
- Agora, corrida ao redor do perímetro da ilha - Ordenou ele. - Vejo-os no almoço, se chegarem a tempo. JÁ!
- Ao redor... De toda a ilha? - Ergui uma sobrancelha.
- Ah, eu não corro, senhor - Disse Tiffany. - Não com esses sapatos.
- AH, VOCÊS VÃO RECLAMAR? TALVEZ PREFIRAM RECLAMAR NO OUVIDO DA MÃEZINHA DE VOCÊS QUANDO EU OS MANDAR PARA CASA, SEUS BUNDAS MOLES!
- Vamos, guaxinins - Chamou Maddie. - Vamos logo, eu não quero perder.
Começamos a correr. Depois de trinta segundos, ela ordenou que parássemos.
- Vamos fazer da seguinte forma: - Decidiu ela. - Ao invés de correr, vamos trotar, assim não cansaremos tão rápido, e...
- Espere aí, princesa - Ergui uma sobrancelha. - Houve alguma votação para líder e eu não fiquei sabendo? Porque não me lembro de ter votado em você.
- Bem, mas todos sabemos que eu sou a mais qualificada - Ela chegou mais perto de mim, desafiando-me a contrariá-la.
- Vem, Luke - Pediu Brianna. - Podemos decidir isso depois.
- Ah, para que você possa colocar o seu nome na urna também? - Maddie acusou-a, cerrando os dentes.
Brianna recuou, ofendida.
- Eu não quero ser líder.
- OLHA, GENTE, EU ACHEI UMA BANANA NO CHÃO... ESPERE, POR QUE A BANANA ESTÁ SE MOVENDO...? Ah, olá cobra amiga! - Isso foi Chloe apenas sendo Chloe em algum lugar atrás de nós.
A ideia de que havia uma cobra atrás de nós foi suficiente para fazer todo o resto da equipe ativar a velocidade turbo. Não tive escolha senão acompanhar.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Feel Again


two months apArt
probably forgot you by now
tell everybody I'M alright
you arE no long on my mind...

but then
i saw you again
and i couldn't help but going back to that place...

chorus:
we meet again, i feel again
everything i've ever felt befoRe
you look into my eyes, i mIssed you so bad
i've found a place to my heart
my thoughts have never felt so vain
i guess i'm starting to feel again.

we haven't talked, but your eyes tell everything
talking to my heart like only you know how to
without a word, made me believe
if feels like a new beggining for the story of me and you.

maybe i sCrewed up
but what cAn i do
but asking for another shot
on those nights below the moon?

~repeat chorus~

i meaN, you must have better things to do
but you're still looking at me
It makes me wanna talk to you
but the grounD seems to be stuck on my feet.

dark bright eyes chasing mine wherever yOu are
looking fine, but feeling empty inside.
watching the sunrise, thinking that sunsets are so brighter
little shining stars, slowLy travelling the sky.

i see you, i need you
why ain't you here? is that killing you?
spinning faster than a hurricane
the waterfall of feelings starts again...

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 16: Brianna


Barbie falava sobre como o momento mais feliz de seu dia fora quando a "arrogantezinha" saiu do quarto para fazer o que quer que fosse. Ela também enfatizou que torcia silenciosamente para que envolvesse ursos famintos, maníacos da serra elétrica ou roupas psicóticas da estação passada.
O caso era que Tiffany ainda não havia voltado, de modo que finalmente tínhamos algo parecido com paz. Maddie havia saído também, então também não havia alguém para reclamar da temperatura do chuveiro durante um discurso revoltado de 57 minutos.
Eu e Barbie estávamos sentadas na cama de Sam com ela, conversando um pouco.
- Sabe, aquele Luke está realmente a fim de você - Barbie comentou com Sam, descontraída.
Ela balançou a cabeça.
- Não. Ele só quer saber o quanto não-certinha eu sou.
- Como tem tanta certeza? - Perguntei, cautelosa.
- Conheço vários garotos como Luke - Respondeu Sam, dando de ombros. - Talvez isso responda à dúvida dele, afinal.
Ficamos em silêncio por um minuto.
- Mas... Ele acha que a Sam está totalmente na do Josh - Lembrei.
Sam automaticamente mandou-a se calar, levemente irritada.
- E essa suposição é ridícula - Ela revirou os olhos. - Eu e Joshua mal nos suportamos.
- Mas ele é lindo - Barbie riu um pouco.
- Eu não o acho tão bonito - Ela bufou um pouco.
Eu e Barbie encaramos Sam por algum tempo, esperando que ela começasse a rir. Mas ela não o fez.
Ficamos então as três em silêncio, sem saber como reagir. Quebrei o silêncio depois de um tempo, incerta:
- Aquele David... Ele é fofo, não é?
- Se você diz... - Barbie respondeu, sorrindo levemente.
Corei um pouco e tratei de rapidamente mudar de assunto. Sam parecia estar bem distraída desde que fora o foco da conversa, e eu duvidava seriamente que ela tivesse ouvido qualquer palavra dos assuntos seguintes. Mas quando este tornou a ser Josh, a atenção dela aumentou consideravelmente.
- Mas por que o desafio de Josh era mais comprido do que a maioria dos outros? - Perguntei, mesmo que não soubesse qual fora o desafio de Josh. Imaginei que Sam não ficaria muito felix se eu insinuasse que ela e Josh haviam feito mais do que apenas o desafio.
- Chloe achou um prendedor de cabelo e eu e Joshua pulamos de um penhasco - Disse Sam, indiferente, - Qual é o nexo disso?
- Vocês fizeram O QUÊ?! - Barbie arregalou os olhos, incrédula.
Sam repetiu devagar, como se estivesse falando com uma criança de cinco anos. Tentando absorver o que ela havia dito, Barbie desesperadamente concentrou-se em outra coisa:
- Ainda não sei como a Tiffany continua aqui.
- Se livrar de uma vaca é mais difícil do que parece - Sam suspirou.
- Deve ser por isso que você ainda não foi para casa - Observou Tiffany, que entrava no quarto naquele momento.
Sam suspirou mais uma vez, indiferente. Ela disse alguma malcriação para Tiffany e anunciou que iria tomar banho.
Maddie chegou ao chalé logo depois, mas não falou conosco. Acho que a vi lançar um olhar significativo para Tiffany, mas não tinha certeza.
Se Tiffany estivesse envolvida em uma aliança com o inimigo, eu tinha certeza de que, se dependesse de Barbie, ela não estaria viva para contar a história no dia seguinte. Se bem que eu já não sabia mais diferenciar amigos de inimigos. E aquele era apenas o segundo dia.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O Amor


Sou do tipo tradicional, que acha que Shakespeare sabia bem o que dizia. Me encanto por filmes românticos onde duas pessoas que se amam ficam juntas no final, especialmente se envolver corridas longas ou aeroportos.
Há quem diga que não pensamos direito quando estamos apaixonados, mas isso é porque o amor não é calculista nem racional; ele vem do coração, bem do fundo da alma, puro e simples, apesar de termos a mania de complicá-lo.
O caminho para o amor não é um vale verde e cheio de flores, onde há várias opções e você pode escolher quando e onde ir, e pode voltar atrás quando quiser. O caminho para o amor é a borda de um precipício cujo você não vê a profundidade. Pode haver algo muito bom lá embaixo, mas também pode haver muito sofrimento e solidão.
Algo que me encanta muito é o termo "suicida do amor". Em minha mente, ele designa alguém que pula do penhasco sem olhar para baixo. Sem olhar para trás. Alguém que toma o risco apenas porque algo incrível pode acontecer. Porque assim é o amor. Somos todos burros, ingênuos e emotivos. Mas o que nos diferencia um dos outros é a coragem. A audácia. Os cinco segundos de insanidade que nos levam a pular do penhasco.
O caso é que, às vezes, tudo o que precisamos são cinco segundos de insanidade. Cinco segundos que podem mudar totalmente o rumo de qualquer coisa. De nossas vidas, de nossa forma de pensar...
Mas, mesmo que tudo pareça uma droga, jamais se arrependa de ter amado. Porque se te fez feliz, mesmo que só por um momento, valeu qualquer pena possível. Todas as trocas de olhares, os sorrisos... São motivo para sorrir de novo. A vida é passageira, assim como os amores. Sei que quando minha vida acabar, lembrarei de tudo pelo o que passei, e não apenas de como meus dias terminaram. Procuro tratar o amor da mesma forma.

— Gaby Molina, suicida do amor.

Adolescentes Selvagens; Capítulo 15: Tiffany


- Bem, eu posso dar razões para que vocês não me eliminem - Disse Anthony, convicto. - Primeiro: Eu sou o único com cérebro aqui.
- E o que você quer dizer com isso? - Barbie ergueu uma sobrancelha.
- Achei que fosse óbvio. Vocês quatro não são exatamente as mentes mais brilhantes do mundo, não é?
- Talvez não, mas você está prestes a conhecer o punho mais brilhante do mundo - Sam tentou avançar em Anthony, mas Josh a segurou.
- Tipo, vocês não podem me eliminar - Continuou Anthony. - Vocês precisam de pelo menos um cérebro na equipe. É a lógica.
- Mas, a não ser que me falhe a memória - Barbie o encarou, séria. -, fui eu que descobri nossos personagens, não foi? Você não serviu nem de burro de carga.
- O caso é que vocês não têm nenhuma razão real para me eliminar.
- Mas o caso é que eu estou muito a fim de te eliminar nesse exato momento - Resmungou Sam, olhando para seu prato.
Por mais que eu jamais admita isso em voz alta, a revoltada estava certa. Quem aquele magricela achava que era?
Não continuamos a discussão depois daquilo. Saímos do refeitório e fomos direto para o confessionário votar em quem deveria sair.
Pensei por um minuto enquanto Josh votava. Por mais que quisesse votar na punk , Barbie e ela poderiam estar fazendo uma aliança para me eliminar. Por isso, votei em Anthony. Era a melhor estratégia. Eu iria mostrar para aquele idiota quem era a burra ali.
Alguns minutos depois, estávamos na primeira fogueira. Sentamos nos tocos de árvore e esperamos por Cory, que chegou em alguns momentos.
- Todos sabem porque estamos aqui - Começou ele, com um tom de suspense na voz. - Aquele cujo nome eu não chamar deve entrar no iate e voltar direto para casa, perdendo a chance de ganhar um milhão de verdinhas. O primeiro Quati salvo e indo direto para o próximo desafio é: - Ele parou por um minuto. - Josh. Pode ir para o dormitório e aproveitar uma boa noite de sono... enquanto pode.
- Isso! Valeu, galera - Josh agradeceu, levantando-se e indo para a cabana. - Boa sorte!
Agradecemos o voto e Cory continuou a eliminação.
- O próximo participante que não vai embora hoje é...: Barbie!
- Barbie arrasando e pronta para o que vier, queridinhos! - Ela também se dirigiu feliz para a cabana.
- Sam, você também está salva - Anunciou Cory.
- Legal! - Ela sorriu por um momento antes de se retirar.
O apresentador nos fitou por um minuto de tensão.
- Olhem só quem temos aqui... Tiffany e Anthony - Ele abriu um sorriso misterioso. - E o participante que vai para casa, perdendo tudo, estritamente baseado nos votos de seus colegas de equipe é...
Ele balançava o dedo indicador, apontando para mim e depois para Anthony. Aquele momento de mistério somado com aquele sorrisinho infeliz no rosto dele estavam me deixando louca. Depois de algum tempo, ele anunciou o perdedor:
- Anthony, hora de dar o fora.
- O QUÊ?! - Anthony arregalou os olhos, incrédulo. - Está falando sério?!
- Seríssimo.
- AH HA! - Gritei animada. - SE FERROU, IDIOTA! ADEUS!
E depois apenas saí feliz para a cabana das garotas.
- Oláááá! - Abri um grande sorriso ao abrir a porta.
- Droga, você ainda está aqui - Sam revirou os olhos.
- Não vai se livrar de mim assim tão fácil.
Fiquei ligeiramente deslocada ali no chalé naquela noite, devo admitir. A surfista, a gótica e a cosplay de Adele resolveram fazer um grupinho de conversa, de modo que me sobrou só a maluquinha, ou dar uma de Sam e fazer um passeio.
Optei pela segunda alternativa. Pensei em passar no chalé dos garotos. Será que Josh dormia sem camisa?
Encontrei Luke e Josh (de camisa, infelizmente) na varanda da cabana Leste, conversando. Me escondi atrás da varanda para observar sem que eles me vissem.
- Afinal, por que você e a Sam demoraram tanto? - Perguntou Luke com seu costumeiro tom malicioso.
- Tivemos alguns... Imprevistos - Josh torceu o nariz.
- Que tipo de imprevistos, hein?
- Não, não - Josh balançou a cabeça, parecendo levemente surpreso. - Imprevistos tipo nos perdermos, sermos perseguidos por um animal selvagem... E depois ainda tivemos que completar o desafio de Poseidon.
- Que era...?
- Sabe aquela montanha mais alta, depois da colina? - Perguntou ele. Luke assentiu. - Pulamos do penhasco e capturamos uma miniatura de tridente lá no mar.
Luke arregalou os olhos, esperando Josh começar a rir. Mas ele não o fez.
- Você... Você está falando sério?
Josh fez que sim com a cabeça.
- ...E a Sam pulou com você?
- Eu precisava de um estímulo - Ele deu de ombros. - Ela insistiu. Eu não ia pular, mas ela agarrou minha mão e se jogou do penhasco. Fui junto.
Luke começou a rir sem conseguir evitar. Espere... Ela segurou na mão dele? Como ela se atreveu?!
- Tiffany, você pode sair daí agora - Pediu Luke, sério.
Continuei escondida por uma questão de dignidade. Nada no mundo me faria prestar aquele papel na frente do idiota do Luke.
Abaixei ainda mais e continuei andandi até a parte de trás do chalé, dando a volta para dar o fora dali. Mas quando estava me afastando, dei-me conta de algo: Eu não era a única espionando. Encostei no ombro de Maddie, que estava agachada do outro lado da varanda.
Ela soltou um gritinho assustado, mas logo depois tampou a boca com a palma da mão. Nos entreolhamos por um segundo antes de sair correndo pela parte de trás do chalé. Quando atingi,os uma distância segura, nos atacamos ao mesmo tempo:
- O que você estava fazendo lá?
- Eu queria ter certeza de que Luke não ia expor as estratégias da nossa equipe para o Josh - Respondeu Maddie calma.
- E eu queria descobrir as estratégias eu mesma - Menti, encarando-a em tom de desafio.
- Funcionou para você?
- Em partes.
- É mesmo?
- É bom saber que vocês, guaxinins, confiam taaanto uns nos outros - Sorri e saí andando.
Maddie não era idiota. Ela provavelmente se dera conta de minha mentira, mas seria mais cuidadosa a partir dali. Afinal, se eu quisesse descobrir os planos dos guaxinins, havia muitos modos mais eficientes.
Droga, como eu pudera esquecer-me de Maddie? Se eu tivesse notado que ela não estava no quarto, nada daquilo teria acontecido. Talvez eu devesse ter apenas dito a verdade. Agora ela começaria a observar atentamente cada mísero movimento meu.
E aquele era o momento onde eu seria mais esperta do que todos eles.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 14: Anthony


Estávamos quase desistindo, até que encontramos Cronos, o senhor do tempo. Ele disse que poderia aplicar o meu desafio.
Eu só não sabia que isso consistia em jogar uma pedra enorme em minhas costas e me fazer segurá-la por meia hora.
- Que personagem você é? - Perguntou Cronos.
- Eu não sei!
E então ele apenas jogou outra pedra por cima daquela em minhas costas. Meu rosto respingava de suor. Cinco minutos depois, ele voltou a perguntar:
- Quem é você?
- Eu não sei!
Mais uma pedra.
- Anthony, você está bem? - Perguntou Barbie, incerta.
- Pareço bem? Sinto como... Como se estivesse segurando o céu nas costas, ou sei lá.
- Céu nas costas? - Ela repetiu. - Anthony, você é um gênio.
- Eu sou?
- Sim! Não vê? Você é Atlas!
- Muito bem, senhorita - Cronos bateu palmas, aprovando.
Mas isso não tirava as pedras de minhas costas.
- Barbara... Eu... Eu não aguento mais...
Quando eu ia cair, Barbie veio correndo e me ajudou a segurar as pedras.
- Sai daí, eu cuido disso.
- Não, não posso...
- Agora pode - Cronos sorriu. - Vocês dois acabam de completar seus desafios.
- Como é que é?! - Perguntou ela.
Eu não prestei muita atenção na segunda parte. Parei de ouvir no "Agora pode". Soltei as pedras.
- Tudo o que eu tinha que fazer era ajudá-lo? - Barbie concluiu, soltando-as também. - Eu... Eu sou Héstia?
E foi então que entendi. Héstia cedera seu lugar a Dionísio no conselho olimpiano para evitar a guerra. Barbie cedera o lugar dela para mim para evitar que a equipe perdesse o desafio.
- Isso quer dizer que... Terminamos o desafio? - Repeti.
- Parabéns!
Barbie veio e me deu um grande abraço. Mas considerando que ela pesava bem mais do que eu, fui literalmente esmagado.
- É isso aí, branquelo! Conseguimos! E agora, o que fazemos?
- Talvez possamos procurar os outros membros da equipe para ver como eles estão se saindo...
Mas naquele momento, a buzina tocou.
- ...Ou não - Completei, lembrando que a buzina simbolizava o fim do desafio.
Voltamos então para a área da fogueira. Brianna, Maddie, Luke, David, Chloe e Tiffany já estavam lá, além de Cory. Esperamos então por Josh e Sam.
- Tiffany, você não deveria estar com o Josh? - Perguntei, cauteloso.
- É, era o que eu achava também - Ela resmungou irritada.
Resolvi não pedir mais explicações. Sam e Josh chegaram depois de alguns momentos. A primeira coisa que notei foi que ambos estavam encharcados. Josh trazia uma miniatura de tridente em uma das mãos.
- Finalmente - Luke revirou os olhos.
- Toma - Josh jogou o tridente para que Cory o pegasse.
- Muito bem! - Cory sorriu, fazendo menção para que os recém chegados se sentassem. - Vamos começar com os Guaxinins, pois eles chegaram primeiro. Chloe?
- Peguei o prendedor de cabelo - Anunciou ela. - E sou Hera.
- O quê?! - Luke arregalou os olhos, parecendo confuso. - Desde quando sabe disso?
- Desde sempre, ué. Mas você teimava em procurar mais pistas, e eu não queria contrariar um panda...
Antes que Luke pudesse dizer qualquer coisa sobre a história do panda, Cory o interrompeu:
- Ótimo! Um ponto para os Guaxinins! Anthony?
- Ainda estou com dor nas costas por causa das pedras - Torci o nariz. - Sou Atlas.
Luke abafou uma risada, mas ignorei.
- Certo... Um ponto para os Quatis. Tiffany?
- Eu não consegui nada - Ela jogou o cabelo louro para trás em um gesto de indignação. - Já que o meu parceiro tinha mais o que fazer.
- Bem, o seu parceiro completou o desafio sem você - Sam encarou-a. - Você é a única dependente aqui.
- Ui, tensão! A-do-ro isso! - Cory bateu palmas animado. - Josh, quem é você?
- Poseidon - Disse Josh.
- Com esses olhos, quem mais poderia ser? - Tiffany suspirou por um momento, secando Josh descaradamente. - Olhos verdes que estavam olhando para a gótica quando deveriam estar olhando para mim.
- Estou achando que alguém se sente ameaçada... - Barbie sussurrou baixinho para mim.
Abafei um riso, apenas observando o circo pegar fogo.
- Tiffany, não é nada dis... - Começou Josh, mas Sam fez menção para que ele se calasse.
- Amiga, vamos esclarecer uma coisinha: Isso - Sam apontou para uma de suas orelhas. - É a minha orelha, e não um penico. Você pode falar as suas asneiras para alguém que realmente se importe.
Cory não escondia que adorava Samantha. Ela definitivamente trazia audiência para esse programa idiota. As discussões dela eram lendárias. Estávamos aqui há apenas um dia, mas eu tinha aprendido a não me meter com ela.
Tiffany resmungou alguma coisa, irritada.
- Continuando... - Pediu Cory, hesitante. - Barbie?
- Héstia - Ela respondeu. - Ajudei Anthony.
- Muito bem... E os Guaxinins lideram por enquanto! Brianna?
- Afrodite - Disse ela.
- Ela é Afrodite? - Tiffany revirou os olhos. - Qual é o sentido disso?
- Tiffany - Chamou Brianna. - Com todo o respeito possível, você poderia, por favor, ficar quietinha por cinco minutinhos?
Eu e Sam abafamos um riso. Nos entreolhamos por um segundo e depois tentamos nos fingir de mortos.
- E o desafio? - Lembrou Cory.
- Serve esse bicho aqui? - Brianna mostrou um pombo de pelúcia que estava em sua mão direita.
- Com certeza! Maddie?
- Perséfone. Mas não consegui completar o desafio.
Todos arregalaram os olhos, surpresos. Mas não tão surpresos quanto com o comentário seguinte:
- Eu também não consegui nada - Admitiu Sam, um pouco corada.
Josh lançou-lhe um olhar significativo que somente ela entendeu. Eu duvidava seriamente que eles estivessem envolvidos romanticamente como Tiffany supunha, mas podia apostar que havia muito mais história ali do que sabíamos.
- Nem o personagem? - Perguntou Cory.
Ela fez que não com a cabeça.
- Ah, essa eu sei! - Animou-se Tiffany. - Que tal Medusa?
- Não foi culpa da Sam, ela estava me ajudando - Defendeu Josh.
- Joshua, não precisa fazer isso... - Pediu Sam, cautelosa. - Eu não completei o desafio. Um ponto a menos. Não há o que fazer.
- Exato! - Concordou Cory. - David? Luke?
David ganhara um ponto. Luke não sabia seu personagem, mas completara o desafio.
- Então... A vitória é dos Guaxinins Explosivos! - Anunciou Cory com o megafone.
Os Guaxinins levantaram-se animados e começaram a fazer uma pequena festa ali. Nós ficamos onde estávamos.
- Quatis Indomáveis, vejo você na cerimônia de eliminação - Disse o apresentador, sério. - Mas por enquanto... Todos para o jantar! Agora!
Ele estava certo. Já estava escurecendo. Passáramos o dia inteiro naquele desafio idiota e tudo o que comêramos fora uma maçã. E nem era das melhores.
Mesmo assim nos dirigimos ao refeitório, alguns mais felizes do que outros. Sentamos à mesa.
As conversas tornaram-se uma discussão sobre quem deveríamos mandar para casa.
- É óbvio, não é? - Tiffany tomou a dianteira. - Temos que eliminar a gótica! Ela não completou o desafio!
- Até onde me lembro, você também não completou - Sam se defendeu. - E enquanto você reclamava porque o seu namoradinho não te quer, eu estava sendo sequestrada por uma cozinheira/leoa psicótica!
Josh abafou uma risada.
- Qual é o seu problema? - Sam o encarou, séria.
- Eu... Eu lembrei de você lá, sabe... Amarrada na árvore...
- Certo... - Ela corou um pouco, mas tentou manter a expressão rígida. - Foi extremamente trágico. Por mim, a aspirante a Britney Spears tem que vazar.
- Eu só não completei o desafio porque o Josh foi correndo salvar você ao invés de ouvir as dicas que estávamos recebendo!
- Então sugere que o mandemos para casa? - Barbie ergueu uma sobrancelha.
- É claro que não!
- A Sam não fez nada de errado - Defendeu Josh. - Tudo o que ela fez foi me ajudar a completar o meu desafio. E por isso, ela não teve tempo de completar o dela.
- Ah, que romântico - Tiffany debochou.
- Desculpem, eu ainda não consegui ver a parte romântica nisso - Barbie franzeu o cenho. - Sam chamou o Josh, Josh salvou ela de ser torturada por uma cozinheira, e em troca ela o ajudou com o desafio dele.
- Obrigada! - Sam agradeceu.
- Por que não fazemos uma lista de razões para eliminar alguém? - Sugeri, escolhendo com cuidado as palavras.
- Eu sou a favor - Apoiou Sam. - Vamos por ordem alfabética... Razões para eliminar o Anthony?
- Ele tem cara de idiota - Comentou Luke, que passava pela mesa no momento.
- Dá o fora daqui - Sam revirou os olhos, irritada.
Foi o que ele fez, surpreendentemente.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Invisible


Once upon a time
A little girl tried to find her place
She was so smart
But figured out she was so naive.

She didn't have any friends
And she acted like it was ok
"Look, the unfit is passing by"
But deep inside
She just wanted to cry
And she said...

Try to take a look at the mood of the unfit girl
If you just tried...
Maybe you could tell me what's so wrong
With my life
Try to take a risk talking to miss invisible
She feels so lonely right now
Because no one cares
Bout how is she doing right now...
Try to be the person who can talk to someone so little
Too miserable, and maybe even...
Invisible.

She sits under the table, where no one can see her
Or make fun of the sandwich she brought from home
Only cause she wore jeans when it wasn't fashion
Before bullying existed, when she felt just like a girl with no passion.

Her backpack is not pink, and definitely not expensive
It's kind of cheap, but her mom bought with her heart
And that's all she cares about
When she finds it in the trash
Because someone threw it there.
And she said...

Try to see the heart of miss know it all
If you just tried...
Before calling her a waste of time
Maybe then you'd see
How much honesty she used to have
Try to know the story of the girl in the bubble
Before throwing her notebook on a puddle
Maybe then you'd know
How much that meant to her
Before you ruined it up
Try to be the person who can talk to someone so little
Too miserable, and maybe even...
Invisible.

She was a dreamer before you let her down
She's been crying on the bathroom for 45 minutes
And nobody misses her till now
And she didn't tell anyone she was there
Because no one would really care.

Cause she is and will always be
Doesn't matter how hard she's tried
She will always be the one left on a side
She was a dreamer, but now she's nothing
She's lost her faith, she's so imperfect
She's a useless piece on the world's machine
A broken toy that nobody wants to fix.

That notebook had all of her poems
Everything that she've ever felt
And this one was the only one
That managed to last
She wrote this song on a broom closet
In the first time she asked herself if she was worth it
There are tears all over the page
So salt for someone so young, they fell down her face
There was a deep pain inside her eyes
But no one saw, because there was no person by her side.
Cause no one wants to talk to someone so little
Too miserable, and now sure...
Invisible.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 13: Maddie


Eu estava indo muito bem. Se esquecermos a escuridão. E a solidão. E o pânico. E a insegurança. E a frustração.
Se esquecermos esses detalhes, eu estava indo muito bem. Eu sabia quem era meu personagem, porém não tinha ideia de onde ir para um desafio.
Enquanto procurava, tentei achar pessoas de minha equipe para ver como elas estavam indo. Até que encontrei Brianna e David.
- Ei, vocês! - Sorri. - Como estão? Brianna... Por que está encharcada?
- Longa história - Ela fez uma careta. - Como está a sua caça?
- Sou Perséfone - Eu disse decidida. - E vocês?
- Afrodite - Disse ela. - Mas não sabemos o de David.
- Me dê o papel.
Quando o li, tudo em que pude pensar foi que era a coisa mais óbvia do mundo.
- Ártemis - Concluí. - A deusa da lua e da caça.
- Então... Eu sou uma garota? - Ele ergueu uma sobrancelha.
- Sim, sim. Meus pêsames. Como vai o desafio?
- Achamos isso - Brianna tirou do bolso uma pequena caixinha de prata. - Há uma presilha de prata dentro. A pista de David cita o prata.
- É, faz sentido... Eu, por outro lado, estou totalmente no escuro.
- Estávamos aqui pensando... O que fica no ar, no céu e no mar?
- O oxigênio? - Chutou David.
- Não há oxigênio no mar, idiota - Revirei os olhos. - Ou por acaso você respira embaixo d'água?
David corou um pouco.
- Então que tal... Aves?
- Pombos são o símbolo de Afrodite - Lembrou Brianna. - Não são?
- Não há aves no mar. Apenas na água, como patos, mas eles não vivem em água salgada.
- Que tal gaivotas?
- Bem... Não exatamente...
- Então explique aquele pombo com um coração amarrado no pescoço naquela árvore - David me encarou, apontando.
Era uma árvore muito alta. Alta para qualquer pessoa destreinada escalar.
- Eu subo - Me ofereci. - Fui bandeirante águia.
- Isso existe?
- É claro que existe. Continuando...
Caminhei até a árvore e comecei a escalar. Quando subi os primeiros trinta centímetros, levei um tiro no traseiro.
Depois de um pequeno momento de pânico, descobri que o tiro vinha de uma arma de paintball.
- Você de novo, não! - Reclamou David.
Ele falava com a chefe de cozinha, que vestia uma fantasia de leão.
- Você é a Esfinge! - Sorri para ela.
- Finalmente reconhecida! - Ela bateu palmas, feliz. - Agora desça daí. Apenas a loira pode subir. É o desafio dela.
- Mas...
- Não discuta comigo. Não estou de bom humor desde que a punk fugiu de meu sequestro.
- Você... Você sequestrou a Sam? - Perguntou Brianna, levemente perturbada.
- Ela mereceu.
- E ela fugiu?
- Aposto a vida de meu gatinho, o Lasanha, que aquele bonitão irritantemente lindo está por trás disso.
- Josh? Josh salvou a Sam? - Ri, cética. - Por que ele faria isso?
- Hããã, eles são da mesma equipe - Lembrou-me Brianna. - Afinal, seu gato chama-se Lasanha?
- ALGUM PROBLEMA COM ISSO, LOIRINHA?
- Nenhum, nenhum mesmo, absolutamente nenhum...
- Ótimo. Suba logo.
Brianna começou a escalar a árvore, de modo que tive que tragicamente começar a conversar com David.
- Não... Não tem nada a ver o Josh ter salvado a gótica, não é? - Perguntei, incerta.
- Ele estava com o walkie-talkie - Disse David. - Era o dever dele.
- Ah, é... Claro...
- Sabe, se você está tão a fim do Josh, devia começar a fazer o seu próprio jogo ao invés de perseguir a Sam.
- Acha que a Sam gosta dele?
- Não - Ele deu de ombros. - Mas cuide para que o contrário também seja válido, só por precaução. Claro, se você tiver certeza de que está mesmo a fim dele.
- A fim de quem? - Disse uma voz cínica atrás de mim.
- De ninguém, Luke. Dê o fora - Revirei os olhos.
- Calma, Princesa - Ele sorriu. - Espere. Desde quando peixes escalam árvores?
- Ha. Muito engraçado, Luke - Brianna debochou.
- Você, por acaso, não viu a outra rebelde por aí, viu? - Perguntei a Luke.
- Sam? Não. Por quê?
A chefe de cozinha recarregou a arma de paintball.
- Porque ela está foragida no meu radar - Ela cerrou os dentes
- Aquela garota é fogo, hein? - Ele riu, parecendo estar se divertindo.
- Luke, desista. Ela não está na sua - Revirei os olhos.
- Por que a preocupação? - Ele me lançou um sorriso malicioso. - Quer se candidatar no lugar dela?
- Você pode sonhar... Afinal, como estão as pistas? E onde está a Chloe?
- ChegandooooOOOOOOOOO...! - Disse ela quando atropelou todos nós vindo correndo.
- Ah. Olá, Chloe - Luke revirou os olhos, frustrado.
- HORA DO PAINTBALL! - Gritou a chefe de cozinha.
- HORA DO QUÊ? - Berrou Brianna de volta, desesperada.
Como resposta, a cozinheira atirou nas costas dela. Depois disso, ela passou a se concentrar em não cair da árvore e em não levar mais tiros.
- Isso não mancha, né? - Perguntei, olhando para o estrago em minha calça.
- É só uma calça - Lembrou-me Luke.
- Fique na sua.
- Bem, quanto às pistas... Precisamos de uma prendedor de cabelo.
- Como este? - Brianna balançou a fivela de prata em sua mão.
- Exatamente como esse.
- Não, esse é o objeto do desafio de David - Encarei Luke.
- E por que não pode ser dos dois? - Sugeriu a cozinheira.
- Então... Acabamos de matar dois coelhos com uma cajada só?
- Basicamente.
- Foi fácil!
- Pena que eu não possa dizer o mesmo... AI! - Berrou Brianna quando um tiro acertou sua perna esquerda.
- Ei, garoto do piercing - A cozinheira chamou Luke, lançando-lhe um sorriso malicioso. - Acho que seu desafio está vindo.
- Meu desafio? E o prendedor de cabelo?
- Não, aquele era o desafio da Chloe. O seu é aquilo ali. TOUCHÉ!
Foi quando ouvimos passos. Grandes e pesados, seguidos de um barulho de metal. Antes que eu pudesse deduzir qualquer coisa, vi a criatura.
Tinha três metros de altura, no mínimo. Era um pacman amarelo gigante de metal, só que com pernas. Ele estava prestes a pular em cima de Luke.
- O que espera que eu faça com isso? - Ele recuou, em pânico.
- Bem... Derrote-o.
Quando se recuperou do choque, Luke começou a jogar tudo o que estava em seu alcance no robô. Não fazia muito efeito. Era como se ele estivesse jogando plumas, mesmo que estivesse jogando pedaços de tronco de árvore.
Luke não ia durar muito tempo.
- EI! GRANDÃO! - Gritei num momento de súbita insanidade, jogando um tronco no monstro.
- M... Maddie? - Luke piscou, incrédulo.
- Não fique tão surpreso, idiota.
Eu não planejei o que viria depois. Tudo o que sei é que o pacman ficou meio confuso sobre quem atacar.
Agarrei o braço de Luke e começamos a correr. Nos escondemos atrás de uma pedra perto do lago.
- Acha que o despistamos? - Perguntei, arfando.
- Por que não me deixou morrer? - Luke ergueu uma sobrancelha.
- Porque eu não quero perder o desafio, idiota.
- Se ganharmos, você não pode me mandar para casa.
- É um fardo que vou ter que carregar, por hora.
Ele riu.
- É mesmo um fardo?
- Cale a boca.
- Nossa, como ela é áspera.
- Eu já disse que te odeio?
- Muitas pessoas usam isso como uma forma de flertar, sabia?
- Cale a boca antes que o monstro nos ache.
- Ei, eu estava pensando...
- Eu não quero te beijar.
Ele abriu um sorriso zombeteiro.
- Na verdade, eu só ia te dar uma ideia para derrotar o pacman, mas se você insiste...
Corei levemente, mas tentei esconder esse fato com o cabelo.
- Qual é a ideia?
- Bem... Ele é um robô, certo? E se o jogarmos no lago?
- Os circuitos dele vão pifar! - Sorri. - Essa... Essa é na verdade uma boa ideia, Luke!
- Obrigado!
- Mas como vamos fazer isso acontecer?
- Deixe comigo.
Luke apenas se levantou e ficou parado na borda do lago. O monstro apareceu alguns minutos depois. Ele acelerou o passo para atacar o garoto, já preparando um encontrão.
Luke continuava parado na borda. Abafei um grito com a mão.
Quando o monstro já estava a poucos milímetros de Luke, o garoto se moveu para a direita.
Ele estava certo. O pacman era grande e forte, mas não era ágil. Portanto, não teve tempo de parar antes de cair com tudo no lago.
Saí de meu esconderijo, fitando Luke por um minuto.
- Por que está tão pálida? - Ele sorriu. - Não é como se você pensasse que poderia me perder, e essa ideia estivesse te esmagando por dentro... Ou é?
- Cale a boca, eu só não queria ficar em desvantagem numérica no time.
- Veja como quiser.
- Cale a boca.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 12: Josh


Tiffany era tão inútil quanto plástico-bolha que já foi estourado. Na verdade, era pior, porque o plástico-bolha ao menos calava a boca.
Havíamos encontrado uma mulher da produção que dizia ser Deméter. Ela estava prestes a nos dar uma dica quando a voz de Sam saiu do walkie-talkie em meu bolso.
- JOSH! Caramba, vem logo, estou presa, sério, estou desesperada, não sei o que essa louca preparou pra mim, eu... Eu preciso de você, vem logo, pelo amor de Deus...
Tudo em que pude pensar foi que, se Samantha estava admitindo que precisava de mim, a coisa devia estar realmente séria. Minha respiração acelerou antes que eu pudesse controlar.
- Sam? - Chamei. Minha voz saiu um pouco aguda demais, mas o pânico na voz de Sam estava me contagiando também. - Sam, onde você está?
- Joooosh? - Chamou Tiffany. - O que você está fazendo?
- Pare de falar, Tiffany, eu não consigo ouvi-la... Sam, você está bem?
Sam falou alguma coisa que eu não entendi.
- Vem logo, Deméter vai nos dar uma dica... Sabe, eu sou muito parecida com Afrodite. Você não acha que poderíamos ser irmãs?
- Tiffany, por favor, pare de falar... Sam, você está aí?
Mas a voz que saiu do walkie-talkie logo depois não era de Samantha:
- Ah, então a rebeldezinha está tentando fugir? Deixe-me capturar esse seu brinquedinho falante...
- Josh, por favor!
Isso foi tudo o que ela disse antes de dar um berro final e a conexão ser cortada.
Minha mão direita, a que segurava o walkie-talkie, tremia de pânico. Eu não conhecia Sam muito bem, mas sabia que ela não agiria daquele jeito se a coisa não fosse séria. Muito séria.
- Sam está em apuros - Eu disse à Tiffany. - Temos que salvá-la.
- Mas antes vamos ouvir a pista da Demi...
- Tiffany - Encarei-a, cético. - Sam pode estar numa grande enrascada agora.
- Ela só quer chamar atenção - Tiffany deu de ombros.
- Não, isso é sério. Temos que ir lá.
- Se formos, nossa equipe vai perder o desafio. Eu não vou.
- Ótimo - Revirei os olhos. - Fique aqui.
- Não darei a dica se não estiverem os dois aqui - Disse Deméter.
- Viu só? - Tiffany ergueu uma sobrancelha. - Não pode ir.
Mas é claro que eu podia. Não porque gostasse de Sam, ou porque me sentisse culpado, mas por uma simples verdade:
- Eu prometi a ela - Disse, convicto. - E vou cumprir. Fique com isso - Entreguei-lhe meu walkie-talkie. - Se precisar de alguma coisa, Sam estará com o walkie dela, e podemos te ajudar.
- Ah, claro - Ela pegou o objeto de má vontade e me lançou um sorriso forçado. - Vá lá se divertir com a punk, eu farei todo o trabalho pela equipe... Ao menos sabe onde ela está?
- Não - Dei de ombros, me afastando.
- Não vou deixar que vá.
- Então experimente me impedir.
Depois disso, saí correndo até sumir da vista de Tiffany. Eu prometera à Sam. Além do mais, algo me dizia que ela me mataria se eu não a encontrasse. E se eu ia morrer, ao menos morreria de forma heroica enquanto a salvava.
Não era um plano muito bem feito, eu admito isso. A maioria dele contava com basicamente a ideia de que alguém lá em cima gostava de mim.
- SAMANTHA! - Gritei, exasperado. - SAMANTHA, PODE ME OUVIR?
Corri por muito tempo, olhando atrás de cada árvore, arbusto... Qualquer coisa.
- Onde você está, Sam...? - Suspirei, falando mais comigo mesmo do que com ela.
Eu estava prestes a me sentar numa árvore para descansar. Estava andando há muito tempo, não conseguia dar nem mais um passo.
Antes que eu me abaixasse, ouvi uma voz aguda, irritante e sarcástica do outro lado da árvore:
- Muito bom, príncipe encantado - Sam riu, debochada. - Você está fazendo um excelente trabalho.
Eu realmente não sabia se ficava feliz porque ela estava bem ou se eu simplesmente voava no pescoço dela.
Ela estava amarrada a uma árvore, então apenas comecei a rir.
- O que houve, Samantha? Uma tribo de índios achou que você fosse um demônio e por isso te amarrou?
- Não. Mas até índios me achariam mais rápido do que você - Ela me fuzilou por um minuto. - E é Sam para você, palhaço. Pode me desamarrar, por favor?
- Não sei, acho que gosto mais de você assim... - Abri um sorriso desafiador. - É uma pena que não tenham posto nada para tampar a sua boca. Afinal, por que está encharcada?
- Me desamarre logo antes que ela volte - Seu tom de voz ficou mais sério, e ela mordeu o lábio.
- Antes que quem volte?
- Por favor, só me desamarre, ok? - Ela suavizou sua expressão, o que fez com que a frase soasse quase como uma... Súplica.
Assenti e a desamarrei rapidamente. Quando estava livre, ela me fitou por um momento com aqueles grandes olhos cinzentos.
- Eu provavelmente deveria... Agradecer.
- Sim, seria legal. Mas sem pressão.
- Bem - Ela abriu um pequeno sorriso. - Obrigada por me salvar.
- Você falando "por favor" e "obrigada"? Quem é você e o que fez com a Sam?
- Cale a boca e faça a sua pose de galã enquanto diz: - Ela limpou a garganta e começou a me imitar na frase seguinte: - "Não precisa me agradecer, senhorita, eu estava apenas fazendo o meu trabalho como um mauricinho imbecil!"
- Eu gosto muito mais da versão sua que sorri e me agradece.
- Pena. Não se acostume com ela. Falando nisso, onde está a aspirante a Paris Hilton?
- Tiffany? Provavelmente em algum lugar te xingando muito.
- Certo, isso não é novidade. Qual é o motivo dessa vez?
- Nós tínhamos encontrado uma deusa quando você me chamou no walkie-talkie - Expliquei. - E ao invés de ficar e ouvir a dica, eu saí correndo atrás de você. Digamos que a Tiffany não gostou muito disso.
- Sinto muito por irritar a sua namoradinha - Ela abriu um sorriso malicioso. - Na verdade, não sinto, não.
- Por favor, me xingue, me zoe, faça o que quiser - Suplico, encarando-a. - Mas não diga isso de novo.
- Ok, Joshua. Ok.
- Joshua?
- Você vai pagar por todos os "Samantha", e mais quantos eu quiser - Ela abriu um sorriso triunfante e tomou a dianteira. - Você vem?
Andamos sem rumo por alguns minutos. Não era a coisa mais responsável e estratégica a fazer, mas era impossível ser responsável perto de Sam.
- Sabe, foi muito legal o que você fez - Ela disse sem olhar em meus olhos depois de um tempo. - Deixar de ganhar para me salvar.
- Eu prometi a você, certo? - Sorri.
- É, prometeu - Ela sorriu também.
- Sei que está tentando me compensar, mas pode parar com os elogios se eles estiverem doendo muito.
- Esse último foi bem difícil de dizer - Ela me encarou. - Dê valor.
- Acho que é o melhor que vou conseguir arrancar de você, não é?
- Não crie expectativas.
- Imaginei.
- Bom - Ela me fitou por um momento. - Eu não gosto de ficar devendo às pessoas. Então... Como está indo a descoberta do personagem?
- Não muito bem...
- Leia para mim.
- "Se da montanha mais alta pular, me salvarei porque meu elemento estará lá; sempre me esperando como um velho amigo, é também a moradia que está sempre comigo."
- Josh...
- O que acha?
- Josh...
- Eu?
- Joshua.
- Que é, desmiolada?
- COOOOOOOORRE!
Foi o que ela fez logo depois. Fiz o mesmo, sem parar para ver se havia algo atrás de nós. Passamos por bem perto do lago e começamos a subir um dos morros. Ao chegarmos ao topo, Sam respirava com dificuldade.
- Acho... Acho que os despistamos...
- Despistamos quem?
- Não... Não importa...
- Sam, você poderia tentar me explicar pelo menos um terço do que está ocorrendo aqui?
- Eu... Eu... Espere! Veja isso!
Ela foi até a ponta da montanha, que se assimilava a um penhasco.
- Cuidado - Alertei, vendo que ela se aproximava muito da borda.
- Josh.
- O que foi?
- Você... Você é Poseidon.
- Eu o quê?
- Escute com atenção - Ela pediu, usando os dedos para marcar cada uma de suas subjeções seguintes. - Estamos na montanha mais alta; há água lá embaixo, que é o elemento de Poseidon; Poseidon pode conjurar água do nada, então ela sempre o acompanha. E ele mora no mar, portanto a água é também sua moradia.
- Isso... Isso faz sentido! - Admirei, surpreso.
- Já a próxima parte não é tão legal... - Ela torceu o nariz. - Você precisa completar o desafio de Poseidon.
- Que seria...?
Ela apenas me fitou por um minuto, mordendo o lábio. E foi então que a ficha caiu. Montanha mais alta, água lá embaixo...
- Não - Respondi de imediato. - Você não espera que eu...
- Você tem medo de altura?
- Não, mas...
- Venha aqui.
Relutante, fiz isso.
- Olhe, tem uma área segura lá embaixo - Ela apontou para um círculo neon no mar. - Ela não está lá por acaso.
- Sam - Fitei-a, cético. - Sabe que isso é loucura, não sabe?
- Eu... Eu acho que... Tudo o que precisamos às vezes são vinte segundos de insanidade.
- É um jeito admirável de pensar - Elogiei.
- Bem, obrigada - Ela sorriu. - E é por isso que eu vou pular com você.
- Você o quê?
- Eu já estou toda encharcada, mesmo - Ela deu de ombros.
- Claro, Sam. Meu maior problema em pular de um penhasco de mais de trinta metros direto no mar é ficar molhado.
- Ótimo!
- Isso foi sarcasmo, certo?
- Cite uma frase minha que não foi sarcasmo.
- Ponto para você - Reconheci. - Por que está fazendo isso?
- Porque eu quero vencer, e também porque odeio dívidas.
- Não precisa quitar sua dívida pulando de um penhasco.
Ela apenas riu.
- E também estou fazendo isso porque a sensação deve ser incrível.
- Está dizendo isso apenas para me convencer, certo?
- Achei que atletas tivessem senso de aventura - Ela mostrou a língua.
- Temos, mas...
- Ei - Ela me fitou por um momento. - Eu vou segurar a sua mão agora. Apenas porque vai te dar mais segurança. Não tenho nenhuma segunda intenção, e você não vai pensar nenhuma merda disso, ok? - Ela me fulminou para ter certeza de que eu havia entendido. - E depois podemos fingir que isso nunca aconteceu.
- Qual parte? A do penhasco ou a das mãos? Ou... Algo sobre segundas intenções? Pode repetir? Eu não entendi direito - Provoquei.
- Cale a boca.
Segurei a mão dela antes que ela a usasse para me bater. Seu toque era macio, porém firme. Percebi que minha mão era bem maior que a dela, mas ela segurava com tanta força que esmagava meus dedos.
- Sam.
- Sim?
- Tem certeza quanto a isso?
- Não - Ela deu de ombros. - Três... Dois... Um... VAMOS!
- Espere, eu...!
Antes que eu pudesse impedi-la, ela havia me puxado para frente e estávamos em queda livre.