quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 1: Sam


Meu nome é Sam. Morava com meus pais, minha irmã caçula e meu irmão mais velho no subúrbio de Hartford, em Connecticut.
Eu não era uma princesinha, vamos deixar isso claro. Na verdade, me meti em mais problemas do que gostaria de admitir. Problemas o suficiente para quererem me mandar para um reformatório.
 Mamãe foi contra, então fez um acordo com o tribunal, me mandando para um novo reality show com normas bem rígidas onde seria mais provável que eu fosse morta do que seria que eu voltasse com a mesma falta de disciplina com que entrei.
Era uma ideia bem idiota, mas ao menos não era um reformatório. Além do mais, o reformatório não te dava a chance de ganhar o um milhão de dólares que o "Adolescentes Selvagens: Onde eles são os animais" prometia ao vencedor. Desprezível, eu sei. Mas o nível de alienação da América permitia que o povo idolatrasse programas assim.
A pior parte era que realmente existiam outros adolescentes que queriam participar dessa coisa. Eles esperavam ficar famosos, ou algo do tipo. E o programa era no verão. Eu teria que passar o verão inteirinho nesse reality.
Naquele momento, tudo o que eu queria era chegar ao fim disso e ganhar uma ficha limpa na polícia. Mas um milhão de dólares também não cairia mal...
- Samantha, já está pronta? - Minha mãe apareceu na porta de meu quarto. Seu tom de voz estava um pouco mais apreensivo do que o normal. - Espere, você ainda está de pijama?
- É, bem... - Abri um sorriso fraco, olhando para a minha camisola. - Minha mala está pronta, ao menos.
Seu semblante assumiu uma expressão mais rígida.
- Quinze minutos, Samantha.
- Pode deixar!
Ela saiu do quarto logo depois. Abri meu closet e peguei uma roupa qualquer: Blusa de alguma banda de rock, calça jeans rasgada, coturnos pretos e uma jaqueta de couro. Passei lápis de olho levemente em meus olhos acizentados e fui penteando meu cabelo castanho bem claro enquanto tomava um chocolate quente.
Minha irmã esperava por mim na porta do quarto. Ela tinha 9 anos - sete a menos do que eu.
- Sam! - Soltou um grito abafado, me dando um longo abraço.
- Oi, Lily... - Sorri de forma bondosa.
- Você tem que ir, mesmo?
Agachei para ficar do tamanho dela.
- Olhe pelo lado bom: Você vai poder assistir a todas as burradas que eu fizer direto na TV ao vivo.
- Você vai ficar famosa?
- Vou, muito - Assegurei, mesmo que não estivesse convencida de que isso era verdade. - E você vai poder dizer para todo mundo que a sua irmã apareceu na televisão.
A animação de Lily aumentou consideravelmente diante desse comentário.
- Mas agora eu tenho que ir - Fito-a por um longo momento. - Te vejo em oito semanas.
- A não ser que te bombardeiem antes - Trevor, meu irmão de 19 anos, disse enquanto descia as escadas.
- A Sam vai ganhar! - Lily me defendeu, irritada.
- Claro que vai - Ele forçou um sorriso. - Caso não coloque fogo em tudo antes e seja expulsa.
Dei um tapa nele.
- Eu deveria por fogo na sua boca. Quem sabe assim você a mantém fechada - Revirei os olhos. - Você não vai ter nem um centavo sequer da minha fortuna, vou garantir isso pessoalmente. Vamos, Lily.
- Infelizmente - Trevor entrou em minha frente, franzendo o cenho. -, eu vou te levar ao aeroporto.
- E a mamãe?
- Ela tem que ir trabalhar agora. Vamos?
Recuei um passo.
- A Lily vai junto.
- Como quiser.
Entramos no velho Chevrolet de Trevor. Eu no banco da frente e Lily no de trás. Trevor deu partida no carro, que roncou de uma forma que me fez ter quase certeza de que o motor iria pifar a qualquer momento.
A viagem pareceu bem mais longa do que realmente foi. Meu voo para Los Angeles sairia em duas horas quando chegamos ao aeroporto. Tirei minha mala vermelha do porta-malas e comecei a empurrá-la para dentro do aeroporto, tomando a dianteira.
Após despacharmos a mala, fomos comer pão de queijo em um pequeno café do aeroporto. O tempo passou mais rápido do que eu prevera, e logo era hora do embarque.
- Cuide do Trevor, sim? - Sorri para Lily quando fomos nos despedir. - Te vejo em dois meses.
- Talvez menos - Meu irmão abriu um sorriso cínico.
- Cale essa droga de boca - Ordenei, cerrando os dentes. - Tchau, Lil.
- Tchau, Sam! - Acenou, me abraçando uma última vez.
- Hm, tchau, Trevor - Fitei-o por um momento.
- Tchau. Não arrume nenhum namorado delinquente.
Ignorei o comentário e saí andando até meu assento. Era na parte da frente do avião, que estava relativamente lotado. Por sorte, a emissora do Adolescentes Selvagens pagara a passagem na primeira classe.
Foi uma viagem tranquila, exceto por um garoto encapetado de dez anos atrás de mim que ficava chutando a minha poltrona.
- Está com algum tipo de problema? - Virei para trás, fuzilando-o.
- Você é bonita - Ele abriu um sorriso bobo.
- E um pouco velha demais para você - Revirei os olhos.
- Quer sair comigo?
- Moça! - Chamei uma aeromoça que estava passando ao meu lado na hora.
- Sim?
- Pode, por favor, pedir para esse pirralho aqui atrás parar de chutar a minha poltrona?
- Eu tenho cara de professora do jardim de infância? - Ela ergueu uma sobrancelha para mim.
- Ei, eu estou na 4ª série! - O garoto corrigiu, irritado.
- Dylan, está se metendo em problemas de novo, caramba? - Um garoto aparentemente de minha idade revirou os olhos, sentando-se ao lado do suposto Dylan.
Possuía cabelos escuros curtos e olhos verdes marcantes. Era magro, porém estava em muita boa forma, como se seu passatempo favorito fosse levantar peso. Era mais alto do que eu, o que também não era grande coisa, porque eu não tinha mais do que 1,65m. Ele vestia uma jaqueta de lacrosse e jeans.
- Eu não estava fazendo nada, Josh! - O garoto mais novo protestou, frustrado.
Josh se dirigiu à aeromoça:
- Eu assumo daqui. Desculpe-me se meu irmão causou problemas.
- Não faço ideia do que está acontecendo - A mulher deu de ombros. - Fale com essa garota aí - Ela apontou para mim e saiu andando.
Josh me fitou por um momento.
- Dylan estava causando problemas?
- Ah, não. Ele só estava chutando a minha cadeira a viagem inteira - Dei um sorriso amarelo. - Não se fazem mais primeiras classes como antigamente.
- Me desculpe por isso - Ele abriu um sorriso fraco, parecendo constrangido. - Vou garantir que ele não te incomode mais.
Josh parecia ser o tipo de garoto que eu costumava desprezar. Físico perfeito, cara de galã de algum filme de Hollywood, capitão do time de lacrosse... E provavelmente complexo de superioridade e nada no cérebro.
- Que seja.

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