quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 11: Sam



Estou de volta. Sentiram saudade da minha narração? É claro que sentiram. Ninguém faz comentários cínicos tão bem quanto a rebelde aqui.
Eu disse a verdade a Josh, em partes. Não tinha medo de ficar sozinha em florestas. O caso é que eu jamais fora muito à florestas. Das vezes em que eu fora... Bem, digamos que não tive muita escolha.
Tentei pensar nessa ida à floresta como todas as outras. Afinal, por que essas árvores tinham que ser tão fechadas? Eu mal via o sol dali! O que também não era grande coisa, porque eu não conseguia nem ver meus próprios pés com clareza.
Não poderia dizer com certeza há quanto tempo estava caminhando. Todas as árvores pareciam iguais, então eu perdera a noção do tempo. Eu sabia bastante sobre mitologia grega, mas a pista simplesmente não entrava em minha cabeça. Algo ali não se encaixava.
"A curiosidade não é pecado, porém certos hábitos devem ser evitados. Se a contaminação do mundo for o preço, a que objeto não deve-se demonstrar afeto?"
Era vago e incompleto. Era como se eles não quisessem que eu descobrisse quem eu era. Fora que os versos nem sequer rimavam direito. Eu estudara tudo o que havia para saber sobre deuses... Como poderia estar deixando algum detalhe passar?
Vez ou outra eu me pegava colocando a mão no bolso de trás de minha calça jeans. Gostava de ficar sozinha, mas não solitária. Uma parte de mim queria apenas apertar o botão vermelho de meu walkie-talkie e conversar com Josh, mesmo que fosse... Josh.
Mas eu me segurava. Primeiro porque sabia que estava sendo filmada, não importava o que Cory dissesse. Eu não podia demonstrar fraqueza. Nem para o público, nem para Josh, e muito menos para Tiffany. Não depois que eu recusara a oferta de aliança dela.
Algo me dizia que me deixar sozinha na floresta era apenas o começo de sua vingança. A única coisa que me fazia sentir melhor era pensar em como Tiffany provavelmente estava dando em cima de Josh das formas mais escrotas possíveis. Era ainda melhor pensar nas caretas que ele devia estar fazendo.
A não ser que ele sentisse algo por ela, claro. O que era pouco provável, considerando a forma como ele reagiu quando descobrira que teria de ir com ela nesse desafio.
Josh parecia se esforçar para me irritar. Ah, isso se não considerarmos a pequena irmandade dele e de Luke no iate enquanto me zoavam.
Que classe, Joshua. Que classe. Claro que eu já esperava isso de Luke, e deveria ter esperado isso de seu amiguinho filhinho de mamãe popular também.
Mas, estupidamente, eu confiava em Josh. Confiava que ele viria se eu o chamasse. Lá, lá no fundo, mesmo que nem a pior das torturas medievais pudesse me fazer admitir em voz alta, uma parte de mim achava que talvez Josh fosse um cara legal. Talvez.
"A curiosidade não é pecado, porém certos hábitos devem ser evitados..."
Esses dois versos eram a única coisa que estava mantendo meu walkie-talkie no bolso, por mais que eu soubesse que eles não tinham nada a ver com a solidão.
Meu refúgio era pensar que Maddie também estava na mesma situação, e parecia estar aguentando bem. Afinal, eu ainda não a tinha ouvido gritar uma vez sequer.
Cory havia mencionado deuses que talvez pudessem me ajudar. Resolvi procurá-los, afinal, que escolha eu tinha?
Mudei a rota e comecei a seguir pelo Leste. Percebi depois de um tempo que estava na parte de baixo da tirolesa, o final dela. É, talvez houvesse algo na tirolesa.
E foi então que ouvi o grito.
- DAVID!
Eu conhecia aquela voz. Era a garota surfista. E ela estava em apuros. Me escondi atrás de uma árvore para ver se a encontrava.
Tudo o que vi foi um grande urso pardo, mas imaginei que a garota estava atrás dele. Ouvi outro grito, mas dessa vez vinha de um borrão loiro na tirolesa. David estava vindo ao resgate.
Eu podia ter simplesmente dado o fora dali e deixado que eles se resolvessem, mas não fiz isso.
Primeiro esperei para ver como David se sairia. Ele estava indo bem, até que levou uma patada do urso e desmaiou.
- EI! SEU MONSTRENGO! - Gritei antes que pudesse me conter.
O que raios eu estava fazendo? Era um urso pardo, e não Luke ou a chefe da cozinha. Eu podia morrer. Talvez morresse, mesmo. Provavelmente morreria.
Respirei fundo e joguei um galho no urso.
- Sam? - Brianna levantou uma sobrancelha, incrédula.
- Brianna! Que bom te ver, garota! Cheguei a tempo para o chá das cinco? CALE A BOCA E CORRA, IDIOTA!
Ela assentiu por um momento, paralisada, e depois obedeceu.
Aproveitando os momentos de confusão do urso, saí correndo também.
- PARA O LAGO! - Gritei.
Pulamos no lago sob a tirolesa logo depois. O urso rugiu, frustrado, e mudou a direção.
- David - Brianna lembrou.
- O urso está indo para o lado contrário. Vamos esperar que se afaste, e depois podemos ir buscar o sr. Frescurento.
Quando saímos da água, ela me fitou por um minuto.
- Você salvou a minha vida.
- É, tanto faz.
- Não, é sério. Eu estaria morta se você não estivesse chegado. Por que fez isso?
- O quê?
- Me salvar. Nem sou da sua equipe.
Ri, debochada.
- Ah, claro. Eu realmente levo em consideração a equipe de uma pessoa num reality show estúpido quando vou defendê-la de um urso pardo - Revirei os olhos e dei um tapa no rosto de David. - ACORDE, OTÁRIO!
David resmungou alguma coisa, mas não se levantou. Encarei Brianna.
- Certo, cuide aí do seu cavaleiro, eu tenho um desafio para vencer.
Quando estava me distanciando, Brianna falou:
- Eu não te agradeci devidamente. Obrigada, Sam.
- Esquece isso, tá?
- Não posso.
- Faça um esforcinho.
Andei por mais alguns minutos. Já havia me distanciado de Brianna e David. Qual é. Eu podia não ser a pessoa mais simpática do mundo, mas não tinha coração de pedra.
Tudo estava bem, até que alguém me puxou.
- EI! - Berrei antes de qualquer coisa.
Quando me virei para ver quem era, descobri que era a chefe da cozinha. Mas ela estava vestindo uma roupa de leão dos ombros aos pés.
- Você ajudou a loirinha e o idiota? - Ela me encarou, ainda me segurando.
Depois de ter enfrentado um urso pardo, eu definitivamente não tinha medo de uma cozinheira mal-encarada.
- Isso não é da sua conta.
- Eles não eram da sua equipe.
- Continua não sendo da sua conta.
- Sabe, revoltadinha - Ela estalou o pescoço. - Eu não gosto de você. E não gosto nada de traidores. Infelizmente, você consegue ser os dois.
Tudo aconteceu muito rápido. Eu bati, chutei, gritei, mas nada adiantou. Afinal, ela era cento e cinquenta quilos de pura gordura. Eu era como um palito de dente sem ponta perto daquilo.
Então, antes que percebesse, eu estava amarrada a uma árvore.
- Talvez assim aprenda a não brincar de agente dupla - Ela me fulminava enquanto dava o último nó.
"Brincar de agente dupla" era a última coisa que eu estava fazendo, mas não seria útil discutir. A mulher me deu as costas por um minuto para buscar mais corda.
Aproveitei a deixa. Eu definitivamente não queria pedir a ajuda de Josh, mas que escolha eu tinha? Só Deus sabia que tipo de tortura aquela psicótica tinha em mente.
Consegui ativar o botão vermelho do walkie-talkie depois de algumas tentativas. Eu deveria ter me controlado, mas simplesmente comecei a balbuciar, desesperada.
- JOSH! Caramba, vem logo, estou presa, sério, estou desesperada, não sei o que essa louca preparou pra mim, eu... Eu preciso de você, vem logo, pelo amor de Deus...
Admitir que precisava de Josh pareceu ainda pior do que qualquer tortura, mas apenas tive que engolir meu orgulho. Rezei baixinho para que ele me ouvisse.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Middle Of Nowhere


I always say I can make it on my own
Say I don't need somebody to make it through
So everybody left me and here I am
In middle of nowhere...

Chorus:
I scream your name but you can't hear me
Weren't you the one who would never leave me?
I always liked to be alone
But I'm tired of making it all on my own
I confess I need somebody to save me
To take me away from here before I freak out
Seems like this nightmare never ends
No one can listen 'cause I'm in middle of nowhere...

I ask myself how did I let it happen?
How did I lose my power, sir?
Seems like I didn't take a single measure
Seems like I am just alone.

You said I could trust in you
You said I'd be always your best friend too
So now I'm stuck here and you disappeared
Where are you now, my little dear?

Chorus:
I scream your name but you can't hear me
Weren't you the one who would never leave me?
I always liked to be alone
But I'm tired of making it all on my own
I confess I need somebody to save me
To take me away from here before I freak out
Seems like this nightmare never ends
No one can listen 'cause I'm in middle of nowhere...

Some people start talking to me
Are they liars or thugs?
All nice people walked away
And I prefer to be alone than with them

I feel so disconnected, like I’m just passing through life
All things around don’t look real
Is this a dream or am I really dead?
‘Cuz seems like there are only ghosts surrounding myself.

Chorus:
I scream your name but you can't hear me
Weren't you the one who would never leave me?
I always liked to be alone
But I'm tired of making it all on my own
I confess I need somebody to save me
To take me away from here before I freak out
Seems like this nightmare never ends
No one can listen 'cause I'm in middle of nowhere...

The stars that I used to see are dead
They burned with my peace
It's supposed to be the best dream I've ever had
But it don’t look like a dream anymore.

People from my golden team
Stuck me in my own daydream
But I guess I made it, someway
What did I to be here, my friend?

Chorus:
I scream your name but you can't hear me
Weren't you the one who would never leave me?
I always liked to be alone
But I'm tired of making it all on my own
I confess I need somebody to save me
To take me away from here before I freak out
Seems like this nightmare never ends
No one can listen 'cause I'm in middle of nowhere...

I’m the girl who wants to be alone
But don’t want to be lonely
But it just happened and I can’t control
So I just hate the way it seems!

Out


once upon a time
in a lanD that used to have magic
it all began in one night
and the end was so tragic

so thank you for making me believe
thank you for letting me go in the end
thank you for breaking my heart so deep
thank you for making me write this stupid song i'll never send
little liar, stop hiding.

chorus:
sorry if i understood wrong
it's totally my fault if i don't get your messy words
so if you can't forgivE me
just go away and leave me
cause i don't wanna talk to you right now
after the out.

i just wanna fall into pieces
just to be my old self again
and i guess tilL i find it
everyday it will rain.

i should just move on
like everybody is telling me to
"the life will go on"
bUt my heart in set on you.

~chorus~

i bleed my heart out on this song
cause some things hurt too much when said loud
when everything feels so wrong
i know the music can throw away the clouDs.

hurt me, cut me
like you did with my heart
lie to me, hide from mE
that's just why we fell apart.

~chorus~

i just thought you felt the same
but of course you didn't
cause you can't feel anything
for me
or her
or anyone
or anything in the whole worlD
you said you'd never fall in love
i'm starting to believe...
after the out.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 10: Chloe


Luke ainda estava aborrecido pelo fato de Brianna ter escolhido David ao invés dele. Eu não a culpava. Se pudesse escolher, também teria escolhido David. Luke era assustador.
A floresta fazia-me sentir como Alice antes de cair na toca do coelho: Confusa e descrente, mas ao mesmo tempo animada para descobrir o que mais poderia haver ali.
"Há quem diga que sou rígida, mas ao menos sou fiel; há quem diga que meu marido com seu próprio filho foi cruel."
"A movimentação me atrai, como a comida atrai o pacman, alguns usam o meu talento como forma de impressionar alguém."
Essas eram as nossas dicas. Eram simples, mas Luke insistia que revirássemos a floresta em busca de outras confirmações. Ele se parecia um pouco com um cara de um filme que eu vira, exceto pelo fato de não ser um panda rosa, então decidi que obedecê-lo era a melhor opção. Afinal, quem poderia saber mais sobre a vida do que pandas rosas?
Descobri a resposta alguns minutos depois: Leões com cabeça de mulher.
- Ei, você! - Gritei quando vi um passando.
Ele estava desesperado, correndo como louco, mas não me contive.
- Ele parece com a chefe de cozinha - Abri um sorriso bobo para Luke.
- Porque é a chefe de cozinha - Ele revirou os olhos.
- Não, não. Estou bem certa de que é ela não tinha corpo de leão da última vez que a vimos.
- É uma fantasia, Chloe. Quer saber, esqueça... - Ele virou-se para a leoa. - Olá, srta. Leão.
- Eu sou a Esfinge - Disse ela. - Quem são vocês?
- Eu sou o Luke e essa é a Chloe... Ela parece meio doidinha, mas ela não está usando nada... Ao menos, eu acho que não...
- Quem são vocês? - Ela repetiu impaciente.
- Eu sou a Chloe e esse é o Luke... - Sorri.
- No jogo, estúpidos! - Ela corrigiu.
Luke tomou a dianteira.
- Não podemos te contar isso!
- Na verdade, nós... - Comecei.
Ele tampou minha boca rudemente com a palma de sua mão direita.
- Querem uma dica? - Ofereceu ela.
Assentimos, nervosos.
- Antes, devem responder a um teste: Um homem acorda de manhã, e quand...
- Cachorros-quentes - Respondi convicta. - A resposta é cachorros-quentes.
- Como você...? - Ela piscou, incrédula. - Eu nem terminei de falar!
- Oras, é muito óbvio!
- Espere, ela acertou? - Luke ergueu uma sobrancelha.
- Certamente - Confirmou a leoa. - A verdadeira riqueza de prata pode ser tão pequena quanto um prendedor de cabelo.
- Que raio de dica é essa? - Luke cerrou os dentes.
- Isso é tudo o que poderei dizer - E então ela voltou a correr.
- Estamos ferrados - Resmungou ele, suspirando. - Você, por acaso, não tem um prendedor de cabelo, né?
- Não...
- Ótimo. Perfeito. Muito bom, mesmo.
Andamos mais um pouco pela floresta, até que Luke parou do nada.
- Chloe.
- O que foi? - Perguntei, parando também.
- Não olhe para os lados. Não se mexa. Tem algum animal naquele arbusto.
- QUAL?! - Gritei, curiosa.
- Eu disse para não...
Tudo ficou mais tenso quando um esquilo pulou em minha cabeça.
- Awn, que bonitinho - Sorri.
- Ele está te arranhando!
- Não, ele só está fazendo carinho... Não é, queridinho? Ai!
- Fique quieta.
E então ele apenas pegou um toco de árvore e bateu no esquilo com ele.
- SEU... SEU SEM CORAÇÃO!
- Ele estava te machucando!
- Eu não quero falar com você agora!
- Ah, qual é, não é como se ele estivesse morto... Ou como se não estivesse... Venha, vamos dar o fora daqui.
- Não sairei daqui. Estou em greve por todos os esquilinhos prejudicados por causa de garotos maus como você!
Sentei de pernas cruzadas no chão de terra e fiquei lá.
- Nossa equipe vai perder se você não levantar - Disse Luke.
- Eu não ligo.
- E vão te eliminar.
- A não ser que os esquilos se vinguem de você antes!

sábado, 26 de janeiro de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 9: David


- Sabe, Brianna, eu só queria te dizer que estou muito feliz em ser seu par nesse desafio.
- Bem, você não teve muita escolha - Brianna deu de ombros. - Ou era eu, ou a Chloe, e ela é meio excêntrica... Não que eu não goste dela! Não tenho nada contra ela! Ai, Luke deve estar me xingando agora...
- Porque você me escolheu ao invés dele - Abri um grande sorriso.
- É, algo assim. Pode ler a sua dica de novo, por favor?
Brianna era a pessoa mais educada que eu já conhecera. Ela sempre dizia "por favor" e "obrigada", e nunca dizia uma palavra ruim sequer sobre alguém, além de ser bonita e inteligente. Brianna Jensen era como o sonho de todo David.
- Claro, é... "Entre as maiores árvores estarei, espadas não usarei. Meu irmão gosta do ouro, mas eu prefiro o prata; ele reluz como a Lua, que brilha de forma nata".
- A minha é: "Meu elemento está no céu, está no ar, está no mar; está em todo lugar, desde que saiba-se amar". É Afrodite, obviamente.
- Essa foi fácil. E a minha?
- Eu não sei absolutamente nada de mitologia - Brianna mordeu o lábio. - Só conheço Zeus, e tal... E você?
- Eu estava doente nessa aula - Abri um sorriso nervoso. - Estamos ferrados.
- Talvez possamos perguntar para a Maddie!
- Mas como vamos achá-la?
Brianna me encarou por um momento com seus olhos verdes, erguendo uma sobrancelha.
- Ah, claro, você tem o walkie-talkie... - Ri, ainda mais nervoso.
- Mas Cory disse que era apenas para emergências...
- Tenho certeza de que ele não se importaria...
- Vamos tentar mais um pouco, ok? É só... Subir até a árvore mais alta e achar algo de prata.
- Faz sentido - Decidi.
Na convicção de Brianna de seguirmos as regras com afinco, andamos por algum tempo entre as árvores, escalando uma ocasionalmente.
Até que ela parou do nada.
- David.
- O que foi?
- A tirolesa.
- O que tem ela?
- Fica no morro. Ainda faz parte da floresta, é o ponto mais alto.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela saiu correndo. Saí correndo atrás dela.
Corremos por muito tempo. Eu não entendia como ela estava conseguindo manter o ritmo sem parar nem uma vez sequer, mas tentei acompanhá-la da melhor maneira.
Chegamos lá depois de algum tempo. Era uma cadeirinha enferrujada, presa a um fio não muito resistente. Caso quebrasse, cairíamos direto no lago. Eu podia jurar que vira alguma coisa se mexendo naquele lago, e torcia para que fossem peixes inofensivos.
Quando Brianna se aproximou da cadeirinha, algo a segurou.
Talvez não seja muito legal para a minha reputação se eu contar que berrei como uma garotinha e usei todo o meu resto de energia para resistir à vontade de dar o fora dali... Droga.
Me acalmei depois de um tempo, e então finalmente parei para analisar quem a havia agarrado. Era a chefe da cozinha, a da verruga, só que ela estava vestindo uma roupa de leão. Com exceção da cabeça, que estava quase humana como sempre. A visão, é claro, apenas me fez berrar mais.
Não me julguem. Aquela mulher era mais assustadora do que a maioria dos monstros por aí.
- Quem são vocês? - Ela nos fulminou com o olhar, ainda segurando Brianna.
- Oi, eu sou o David, e essa é a minha amiga Brianna, será que você poderia...
- Quem são vocês? - Ela repetiu, irritada.
- Ela quer dizer quem nós somos no jogo, David - Explicou Brianna.
- Ah... Nós... Nós... - Minha voz falhou.
- Esperava mais de você, soldada - A chefe lançou um olhar de desaprovação à Brianna. - Antes de passarem, respondam a um teste.
- Testes? Eu não gosto de testes... - Mordi o lábio, inseguro.
- Eu sou a Esfinge - Continuou ela, me ignorando. - Se não passarem no teste, pensarei em algum castigo que os mantenha ocupados até o fim do desafio.
- Qual é o teste? - Perguntou Brianna.
- Um assassino é condenado à morte... - Começou a Esfinge/cozinheira.
- Por que a história tem que envolver assassinos condenados à morte? - Resmunguei. - Não poderiam ser fadas, ou esquilos...?
- UM ASSASSINO É CONDENADO À MORTE - Repetiu ela, gritando. - Ele, então, tem que escolher entre três salas. A primeira está cheia de focos de incêndio; a segunda está cheia de assassinos com armas carregadas e a terceira sala está cheia de leões que não comem há três meses. Qual das salas é mais segura para ele?
- A segunda, porque talvez os assassinos sejam comparças dele, e...
- David, fique quieto - Pediu Brianna, calma. - Deixe-me pensar.
Ela pensou ali por alguns minutos. Fez algumas contas nos dedos e desenhou especulações no ar antes de dar sua resposta final:
- A terceira sala é a mais segura.
- Ah, é? - A chefe abriu um sorriso malicioso. - E por quê?
- Não é óbvio? - Seu rosto se iluminou em um grande sorriso triunfante. - Leões que não comem há três meses estão mortos.
Meu queixo caiu. Era realmente óbvio. Como eu não pensara naquilo? Cara, eu sabia que Brianna era esperta... Mas não tanto assim.
- Você é um gênio! - Bati palmas, animado.
- Bom raciocínio, loira - A cozinheira assentiu, soltando-a. - Vocês podem continuar a aventura. Apenas um passa pela tirolesa.
- Eu vou - Disse Brianna.
Eu estava me sentindo inútil em muitos sentidos. Francamente, eu não havia feito nada até ali. Porém, lá no fundo eu sabia que Brianna era nossa melhor chance.
- Tem certeza que não quer que eu...?
- Não, tudo bem. Eu vou.
Brianna se prendeu à cadeirinha e eu a empurrei morro abaixo. Ela chegou ao outro lado em segurança. Depois começou a andar pela área até que a perdi de vista.
Sentei-me na grama, esperando que ela voltasse. Me sentia desconfortável com a chefe de cozinha me encarando, mas não era corajoso ou louco o suficiente para pedir que ela parasse.
Até que ouvi um berro agudo e horrorizado do outro lado do lago.
- DAVID!
Tudo o que se seguiu ao berro foi um estrondo.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 8: Barbie


Eu não entendia por que as pessoas tinham medo da Sam. Depois do fora que ela deu na Tiffany? Aquela punk era a melhor.
Tipo, não que ela fosse totalmente normal. Ela costumava simplesmente sumir às vezes, e ninguém nunca sabia para onde ela estava indo. Se bem que nenhum de nós ali era muito normal, então eu não podia julgá-la.
Aquela menina surfista era bem gente boa, era uma pena que ela não estivesse na minha equipe. Ao invés dela, ganhei a patricinha idiota que nasceu com o traseiro virado para a Lua.
Era o dia do primeiro desafio. Ninguém fazia ideia de como seria, mas as garotas já faziam suas apostas e especulações na cabana, antes do café:
- Ah, não deve ser nada muito pesado - Brianna deu de ombros, pensativa. - Afinal, se todos morrermos no primeiro desafio, não tem mais programa.
- É um bom ponto - Maddie comentou. - Talvez façam algo para que nos conheçamos melhor.
- Equipes, apresentem-se na fogueira. AGORA! - Ouvi a voz de Cory ecoar no auto- falante.
- E o café? - Tiffany ergueu uma sobrancelha, confusa.
- Vocês nunca assistiram a um reality show? - Sam, que até agora estava quieta em sua cama, levantou-se com um caderno na mão. - É o primeiro episódio do programa. Eles têm que alavancar o máximo de audiência possível. E se lesões graves é o que faz as pessoas assistirem, digam adeus às suas pernas. O público gosta de nos ver sofrer.
Depois de dizer isso, ela colocou seu caderno dentro do travesseiro e saiu do chalé revirando os olhos.
Tiffany assobiou quando Sam já estava longe.
- Alguém acordou com o pé esquerdo...
- Não, ela tem razão - Brianna sacudiu a cabeça, nervosa. - Estamos ferrados.
Eu não estava muito no clima de sentir pena de mim mesma, ainda que lá no fundo soubesse que Sam estava certa. Levantei e saí do chalé atrás dela.
Ao chegarmos à fogueira, nos sentamos nos tocos de árvore por equipes. Fiquei entre Sam e Anthony.
- Dormiram bem? - Cory sorriu de forma marota, como se estivesse prestes a fazer algo nem um pouco legal.
- Cadê a comida? - Indagou Luke, cerrando os punhos.
- Aqui! - O apresentador jogou uma maçã meio amarelada para cada um de nós. Comemos mesmo assim. Era muito melhor do que o grude do dia anterior.
- Nunca odiei tanto amarelo - Sam revirou os olhos.
- Tá, que seja. Agora, o desafio: É algo que eu gosto de chamar de "O lado negro da mitologia".
- E isso quer dizer que...? - Ela ergueu uma sobrancelha.
- Caramba, me deixem falar! Por acaso essas roupas pretas estão esquentando o cérebro de vocês?
Sam e Luke pareciam estar a ponto de pular em cima de Cory, mas eu e Maddie os seguramos.
- Muito bem. Vocês entrarão na floresta em quatro pares. Os dois restantes entrarão sozinhos. Eu lhes darei uma pista inicial, e então vocês devem ir deduzindo o resto conforme acham novas pistas. Vocês podem até achar coisas boas lá dentro, como deuses, ou podem achar alguma hidra de onze cabeças...
- Na verdade, a hidra de lerna tem apenas sete cabeças - Anthony corrigiu.
Hidras? Como Cory poderia ter feito algo que se parecia com uma hidra e posto na floresta? Eu não queria descobrir.
- Certo, eu não ligo. O caso é que cada um de vocês também será um personagem mitológico, porém não saberão qual. O jogo acaba quando a buzina soar. Ao final, a equipe que tiver descoberto mais personagens, ganha. Todos entenderam? Chloe?
- Aqui, pronta para a caçada!
- Muito bem. Mas vocês não só descobrirão seus personagens, vocês também terão de realizar um desafio que deverão deduzir pelas pistas. Deixarei que escolham as duplas. Rápido.
O desafio não parecia tão ruim. Talvez Sam estivesse errada, afinal.
- Ei, Sam - Josh apontou para si mesmo e depois para ela, antes de finalmente apontar para a floresta.
Antes que ela pudesse responder, Tiffany interveio.
- Não, não. A Sam "joga sozinha" - Ela repetiu o que a garota lhe dissera na noite anterior, cerrando os dentes.
- Quer saber? Ela está certa - Sam forçou um sorriso. - Tudo bem, não tenho medo de ficar sozinha na floresta. - Acrescentou ao ver a expressão no rosto de Josh.
- Então acho que somos nós dois, Jooooosh - Tiffany enganchou seu braço no dele, abrindo um grande sorriso.
- É, parece que sim - Ele riu um pouco, nervoso.
Sobraram então eu e Anthony. Teria que servir.
Como Sam e Maddie iriam entrar na floresta sozinhas, Cory deixou que elas entrassem primeiro (depois de dar uma pista para cada uma).
Fiquei surpresa com a coragem da branquela certinha. Comecei a calcular quanto tempo demoraria para ela sair da floresta correndo e gritando.
- Como vocês duas estarão totalmente sem observação ou ajuda - Continuou Cory, fitando as duas garotas. -, podem levar isso. E usar apenas em emergências, como se... Sei lá, se algum dos animais selvagens que habitam essa floresta, como ursos ou cobras, resolver atacar vocês.
E então ele deu um walkie-talkie para cada uma. 
- C-cobras? - Repetiu Maddie, horrorizada.
- Ah, são inofensivas - Cory tranquilizou-a. - Quero dizer, acho que são. Hm, enfim. O walkie-talkie da Sam se comunica com esse aqui em minha mão, que darei para... Josh, meu caro! - Ele jogou outro walkie-talkie para Josh. - E o que se comunica com a Maddie pode ficar com...
- A Brianna! - Implorou Maddie. - Deixe com a Brianna!
- Tá, que seja - Ele deu de ombros, jogando o walkie-talkie para a loira.
- Ei! - Protestou Sam. - Por que eu não pude escolher?
- Você não pediu - Cory encarou-a, sério.
- Não se preocupe, pode me chamar para qualquer coisa - Josh garantiu a ela, sorrindo.
- Promete? - Ela ergueu uma sobrancelha, cética.
- Prometo. Só chamar.
Sam parecia ter acreditado na promessa, porque contraiu os lábios em um sorriso. Não um sorriso completo, com dentes e tudo. Apenas um pequeno sorriso agradecido.
- Legal. Estou pronta, Cory - Disse, colocando o walkie-talkie no bolso de sua calça jeans.
Sam entrou na floresta, seguida por Maddie. Logo depois entraram Brianna e David, e então era nossa vez.
- O que sabe sobre mitologia grega? - Ergui uma sobrancelha para Anthony.
- Bastante.
- Ótimo!
Fazer dupla com o nerd da competição tinha lá suas vantagens. Adentramos na floresta.
A mata era bem fechada, portanto a luz do sol não conseguia penetrar muito, o que fazia com que o lugar ficasse bem escuro e macabro. Anthony se assustava a cada vez que ouvia um barulho, mesmo que fosse seu próprio pé pisando em um graveto.
Fazer dupla com o nerd da competição tinha suas desvantagens também.
- Certo, a pista é: - Anunciei, abrindo o papel que Cory me dera. Esperei que já estivéssemos longe das outras duplas antes de lê-lo. - "A garota conserta o mundo perdido, talvez assim o Olimpo não terá falido; em água ou fogo o mundo acabará, mas ela adiou isso cedendo seu lugar."
- É uma dica sobre o seu personagem - Concluiu Anthony. - Mas como vamos achar a próxima dica?
- Leia o seu papel - Pedi esperançosa.
- "O homem tem um peso maior carregado, será que Zeus compreende o tamanho do
fardo dado? Ele sozinho é incapaz, mas pode salvar-se se for sagaz."
- Isso não faz o menor sentido - Revirei os olhos. - Se ele é incapaz, como pode salvar- se?
- Eu... Eu não sei...
- Vamos andar mais um pouco, quem sabe achamos alguma coisa...

Apenas um Desabafo


Dizem por aí que a sociedade matou o adolescente. Eu discordo. Afinal, quem pode ser considerado "a sociedade", senão nós? Somos a maior parte dela, considerando que há mais jovens do que adultos no Brasil. E então me dizem que "a mídia matou o adolescente". A mídia não matou o adolescente. Ela simplesmente fez com que houvesse menos coisas nas quais vale a pena se inspirar. A mídia diz para nos inspirarmos em rockeiros drogados, mas esquece de nos dar as razões reais para que nos inspiremos. Axl Rose, Steven Tyler, Kurt Cobain... Eles são lendas no rock? Com certeza. Mas são lendas por conta de sua voz e de seu talento. A mídia diz aos jovens rockeiros que eles só vão ter o talento de Axl se virarem drogados. Isso não faz sentido, mas a TV distorce isso tudo.
Em quase todo seriado de TV existem garotas bulímicas. E a garota bulímica sempre trata isso como  se fosse a última moda em Paris. Bulimia não é legal. Não é engraçado. É uma DOENÇA, mas ninguém liga para isso. Pode causar anemia, anorexia, automutilação, depressão... Mas ninguém nem pensa nisso, porque a mina do programa na televisão trata isso como se fosse totalmente normal e saudável.
E então nos dizem que vivemos em um país livre, onde temos direitos iguais, dizem que vivemos em uma democracia. Se você que está lendo isso já estudou esse conceito, sabe que o Brasil está longe de ser uma democracia. Vivemos em uma tirania escondida de forma tão patética quanto o dinheiro na cueca dos deputados, prefeitos, governadores... Nada mudou desde que os militares mandavam no país. O governo apenas varre todos os problemas para debaixo do tapete, assim ninguém vai notar as ruas esburacadas e perigosas enquanto os políticos vão de jatinho particular para Paris.
E então me dizem que NÓS colocamos esses lavadores de dinheiro no gabinete. Portanto, devo culpar o povo. O povo não sabe votar. Francamente, se votar mudasse alguma coisa nesse país, seria proibido votar.
Como se não bastasse, o Brasil inventou que vai sediar a Copa do Mundo. O resultado já era bem previsível: Pegamos o dinheiro que não tínhamos, investimos milhões em estádios, melhorias nos aeroportos... Afinal, o estrangeiro tem que ser bem recebido ao vir assistir à Copa. O estrangeiro tem que ter onde sentar. O estrangeiro tem que ter estradas pavimentadas.
E os brasileiros? E os filhos da puta que moram nesse país subdesenvolvido esquecido por Deus? Ah, esses podem se fuder. Afinal, os brasileiros se fodem desde que Portugal chegou aqui. Por que agora seria diferente?
Alguns criticam o Obama por ter feito o país entrar em recessão. Certo, isso ferrou a Europa, mas e daí? Os Estados Unidos já estavam numa crise há dois anos. Eles já estavam se ferrando há dois anos. Obama decidiu que o país dele não podia sofrer mais. Então, ele fez o que era melhor para o país dele.
E é exatamente por isso que o Brasil nunca vai evoluir. Afinal, até estrume europeu vale mais do que um cidadão brasileiro. O governo brasileiro não liga para o país passando fome, desde que a Europa tenha roupinhas novas para usar.
E então me dizem que o Brasil não vai para frente porque brasileiro não é patriota. Ah, vão dormir, vocês. Enquanto eu estou aqui amando meu país, ele está me apunhalando pelas costas e roubando a minha carteira.
Brasileiros são uns merdas, mesmo. São pedaços de carne podre que não fazem nada além de feder. Não apoiam o país, mas não fazem nada contra ele. Apenas sentam a buzanfa no sofá e assistem à repórter dizer que temos quatro mil novos lugares no estádio da puta que pariu. E quantos quartos e funcionários novos temos no hospital da puta que pariu? Exato.
Pensando melhor, na puta que pariu nem tem hospital. O dinheiro do hospital acabou indo para a construção de um monumento, para saldar dívidas que o Brasil fez por falta de planejamento, talvez para "AUMENTAR QUANTIDADE DE LUGARES EM ESTÁDIO". QUE PORRA É ESSA?! Mas a maioria acabou simplesmente indo para a cueca, mesmo. Nem tentem fingir que não é verdade.
Uma pessoa seriamente doente que more em cidade pequena tem que dirigir até alguma cidade próxima para entrar em uma fila enorme e ainda ser mal-atendida. Muitas morrem antes de chegar ao hospital, mas o governo abafa isso.
O próprio povo abafa isso. Ninguém fala sobre isso. Ninguém realmente se importa com isso. E por quê? Porque o brasileiro é um ser conformado. Conformado com o fato de que o país é uma merda, conformado com o fato de que está sendo roubado até mesmo quando vai ao mercado e vê o preço da cerveja. Inflação, meu amigo. Ela está bem debaixo do seu nariz, te jogando de volta na lama toda vez que você tenta se levantar.
A prova da conformação do brasileiro são as músicas. Não se vê mais músicas questionando a autoridade, a política, a mídia... Elas simplesmente sumiram do mapa, junto com o pouco de dignidade que esse país ainda tinha.

Músicas em 1987:
"Nas favelas, no senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação!
Que país é esse?!"
- Que Pais É Esse, Legião Urbana

Músicas em 2013:
"Nossa, nossa, assim você me mata!
Ai, se eu te pego, ai, ai, se eu te pego..."
- Ai Se Eu Te Pego, Michel Teló

Ambos ganharam muitas premiações dentro e fora do Brasil. Ambos são sinônimo de sucesso no estilo de música que representam. E se você consegue gostar de ambos... Bem, reveja seus conceitos.
Vivemos em uma rotina tirana pré-determinada. Você não pode quebrá-la. Se o fizer, há consequências. Você será, no melhor dos casos, excluído socialmente. No pior, será preso.
Brasil: Um país livre onde é crime expor sua opinião.
Trafique drogas, cause a morte de dezenas de pessoas por overdose e ganhe dois anos de pena. Fale mal do seu país e ganhe vinte por ser considerado terrorista.
Eu tenho minhas teorias. Se é para ganhar vinte, vamos pôr fogo na câmara no meio de uma reunião. O país é tão lixo que é capaz de morrermos daqui a sessenta anos e ainda não terem descoberto que fomos nós.
Então aqui vai para todos os desajustados, rebeldes, encrenqueiros, loucos, quadrados, sem senso de realidade, revoltados e insanos. Aqui vai para todos os que são corajosos o suficiente para pensar diferente. Para todos os que ousam considerar um "E se...?".
Eu considero. E é por isso que estou expondo minha opinião dessa forma: Pelo simples fato de que agora você que está lendo isso pode me responder o que estou me perguntando desde que apertei o "Enviar". E se eu consegui mudar a sua forma de pensar?

Apenas um desabafo de uma desajustada, rebelde, encrenqueira, louca, quadrada, sem senso de realidade, revoltada e insana.
— Gabriela Molina

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Entrevistas - Adolescentes Selvagens

Olá, queridos (:
Durante o reality, eu farei alguns capítulos especiais entrevistando os participantes que foram eliminados. Podem me mandar perguntas que vocês querem que sejam feitas, eu vou gostar muito. Quem vai ser o primeiro na berlinda?

XOXO,
Gaby

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Pequena surpresinha...

Bom dia, bom dia, bom dia, bom dia, bom dia! (entendedores entenderão)
Muita gente me perguntou sobre como os competidores se pareceriam na vida real, então eu fiz isso aqui:
http://www.polyvore.com/adolescentes_selvagens/set?id=68580359
É só a primeira versão, e teve que ser pequeno para caber .-. Mas enfim, se alguém tiver alguma ideia melhor, eu adoraria ouvir :3
Votem na enquete de quem vocês querem que ganhe o reality ali no canto direito da página e me digam o que estão achando.

Por enquanto é só...
Beijinhos,
Almirante Gaby, Vossa Beldade.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Outside

i look at the sky and i think about you
i count down stars and i want you here
i need you, i need you
to complete the empty space you left on Me.

chorus:
it's dark outside, i need your jokes to make the place better
it's cold outside, i need your coat and your warm chest
it's empty outside, but it's empty on me too
i'm outside writing a song, and this one is for you.

i need you here
but you're there
and there doesn't know
how lucky it is

and...
then i think about
how this moment looks without
you, you

i shouldn't stArt talking about you, but i can't help
because our songs keep getting out of my mouth
i just wanna scream how much i need you
cause that would be the
truth, truth

~chorus~

i was there when you were sad
now i need you to do the same for me
so many things to say, i feel so bad
but i have to take a deep breath and count to three.

i know i'm on your mind and heart
but it's so hard when you're far away
everytime i try to stop, i talk about you more and more
i feel like crying everytime i Hear your name.

~chorus~

and i hope...
you look at the sky and you think of me
you count down stars and you wanna be here
you need me, you need me
and you need to hear me saying these things.

Adolescentes Selvagens; Capítulo 7: Anthony


As coisas nem eram tão ruins na cabana masculina. Digo, com exceção daquele delinquente juvenil ex-presidiário que já chegou tocando terror. Ceder o meu beliche para aquele pedaço de carne sem cérebro também não foi nada legal, mas o que eu podia fazer?  Aprendi da pior forma que discutir com caras assim nunca acaba bem. Ao menos ele não estava na minha equipe...
Como se não bastasse, ainda teve aquela comida, se é que podia-se chamar aquilo de comida... Meu estômago é uma coisa muito sensível, e eu tenho intolerância a vários grupos alimentícios, cujos provavelmente estavam no meio daquela coisa.
Eu sentia um enjoo marítimo terrível, por isso já tinha posto coisa demais para fora naquele dia. E a Tiffany ainda me vira correndo para o banheiro no iate - entre todos, a mais linda, loira e perfeita -, o que não fora muito legal.
Claro que uma garota como ela nunca olharia para um cara como eu, mas nem por isso eu queria fazer papel de otário na frente dela.
- Seu cabelo parece molho de tomate - Disse Chloe, que estava passando pela mesa dos Quatis na hora. - Tem gosto de molho de tomate? Posso provar?
Ah sim, e tinha a maluquinha. Ela não era loira, o que era bem irônico, considerando o Q.I dela. Não que eu tivesse algo contra loiras... Loiras são gatas.
- Temos câmeras em exatamente cada centímetro dessa ilha - Continuou Cory, encarando-nos para ter certeza de que estávamos prestando atenção. - Ligadas vinte e quatro horas por dia. Sem privacidade, sem descanso.
- Maravilha... - Josh suspirou, deitando a cabeça na mesa.
- Sigam-me - Cory saiu pela porta.
Três... Dois... Um... Todos nós levantamos ao mesmo tempo e fomos na mesma direção que Cory.
O seguimos por uma trilha de terra por uns dois minutos, até que paramos em frente a algo que não deveria estar em um acampamento.
- O que uma cabine fotográfica faz aqui? - Perguntou David, se aproximando para observá-la melhor.
- Esse é o confessionário de vocês - Contou Cory, animado. - Há uma câmera aí dentro, onde vocês podem dizer para a galera de casa como realmente se sentem. Também será aí que vocês votarão para eliminar um membro da equipe toda vez que perderem um desafio. ANTHONY!
Demorei uns momentos para perceber que havia sido chamado.
- Senhor, sim, senhor!
- Você é o primeiro.
E então ele apenas me jogou dentro da cabine fotográfica.
Era bem apertado lá, então apenas sentei no banquinho e encarei a câmera sem saber o que dizer.
- Bem - Comecei, incerto. - Isso tudo definitivamente não é como eu imaginei. Luke? Um idiota, valentão e sem cérebro. E aquela menina punk também não é flor que se cheire. A surfista? Desconfio dela. Ninguém é tão legal com todo mundo. Ao menos a punk fala tudo o que sente em relação aos outros...
E, antes que eu percebesse, havia posto para fora tudo o que estava remoendo desde a chegada. E devo dizer, a sensação foi maravilhosa.
Alguns outros ficaram para usar o confessionário, e os restantes foram direto para a cabana. Num gesto de extrema bondade, Cory nos dera essa noite de folga antes do início dos desafios pela manhã.
Caminhei calmamente até o chalé dos garotos. Era uma noite serena e agradável, perfeita para reler o sétimo volume de Física Quântica Avançada na varanda.
Quando finalmente me sentei nos degraus e abri o livro, me dei conta de que serenidade não existia ali.
- O que você está fazendo? Posso ver? - Disse David, sentando ao meu lado.
Ele parecia uma criança que comera açúcar demais. Eu torcia para que não fosse o caso.
- Estou lendo, David - Encarei-o, tentando permanecer calmo. - Coisa que prefiro fazer sozinho.
- Ah, claro. Você está lendo... Hmmm... Química?
- Física Quântica.
- Que legal... Eu gosto de animes...
- Animes te ensinam aceleração? Força? Calor? Atmosfera? Equações? Inequações?
- Hm, não.
- Então são inúteis - Dei de ombros, voltando a ler.
Eu realmente torcia para que os desafios envolvessem capacidade mental, assim eu podia vencer e ao mesmo tempo ver o Luke se dar mal. O que mais se podia pedir?
Minha equipe não era muito animadora. Havia a punk, a patricinha gata, a que parecia ter mais força do que todos nós juntos (e não era no bom sentido), o atleta bonitão, e eu, o único cérebro dali.
Sendo assim, eles não poderiam me eliminar. As chances eram bem remotas.
- Onde você vai? - Perguntou David quando Joshua saiu do chalé.
- Banheiro - O moreno respondeu, erguendo uma sobrancelha para o outro garoto.
- Ah...
- Espere - Chamei, confuso. - O banheiro não é no chalé?
- Não. Só tem um, e é ao lado do refeitório - Josh deu de ombros. - Cory nos disse enquanto você estava no confessionário.
Banheiro comunitário. Qual era o próximo passo? Eu teria que dividir meu pijama também?
Minha cama era embaixo da de Josh. Surpreendentemente, o cara foi até bem gente boa quando se ofereceu para dividir um beliche, mesmo que pudesse ter ficado com um inteiro apenas para ele.
Era de certa forma reconfortante, já que até David tinha um beliche próprio e eu não. Ao menos Josh também não tinha. Eu me contento com pouco, ok?
Fui o primeiro a dormir. Imaginei que acordaria com o barulho de Josh subindo no beliche de cima, mas não. Na verdade, não poderia nem afirmar que ele voltara para a cabana no meio da noite.
Sonhei que estava ganhando o programa e um milhão de dólares. Até que os livros que eu não terminara de ler se revoltaram e começaram a correr atrás de mim... Oi?

Adolescentes Selvagens; Capítulo 6: Brianna


Eu cheguei à cabana Oeste querendo paz. Cheguei mesmo. Se eu tinha esperanças de que nós garotas iríamos dividir segredos, comer marshmallows e pintar as unhas umas das outras? Tinha.
Mas todas elas foram destruídas e esmagadas quando eu abri a porta.
- Eu não posso dormir perto da janela - Disse Tiffany, impassível.
- Você vai dormir aí e pronto - Decidiu Barbie, de braços cruzados.
- Oi, gente... - Abri um sorriso acanhado. - Eu sou a Brianna...
A única que se virou para falar comigo foi Chloe.
- Olá, companheira de aventuras! - Ela veio correndo e me deu um longo abraço.
- SUA BRANQUELA FRESCURENTA DOS INFERNOS!
- OLHA QUEM FALA! Sua... Sua aspirante a estrela do rap, dançarina de boate de quinta categoria, sua... sua...
- Qual é, gente, é só o primeiro dia... - Tentei ajudar, atraindo a atenção de Barbie e Tiffany.
- Eu espero que estejam filmando isso - Sam, que até agora estava quieta no beliche de baixo no fim do quarto lendo um livro sorriu de forma maliciosa.
- Estamos! - Cory berrou ao longe em seu amado megafone.
- Certo, eu fico na janela - Ela fechou o livro, caminhando até as duas garotas - Tiffany pode ficar na cama da frente e Barbie na cama em que eu estava, assim vocês ficam bem longe uma da outra.
Agradeci silenciosamente por ela ter feito isso.
- A surfista pode dormir em cima de mim - Ela completou, apontando para mim. - Não que você tenha muita escolha, é claro.
- Em cima de você está ótimo! - Sorri animada e joguei minha mala azul no beliche de cima à direita.
- Muito bom - Ela se sentou em sua cama. - Agora, caso a srta. Certinha não decida que tem medo do escuro, ou sei lá, acho que acabamos.
- É chamado nictofobia, e é um problema muito sério! - Maddie se defendeu, encolhida em seu colchão.
Todas olharam para Maddie por um minuto, imaginando se ela tinha mesmo medo do escuro.
- Eu só estava zoando com a sua cara - Sam diminuiu o tom de voz, calma. -, mas se você está falando sério...
- Eu não consigo dormir com a luz acesa - Tiffany se pronunciou.
- Então vá dormir no meio da floresta - Barbie revirou os olhos. - Tenho certeza de que ninguém aqui se importaria.
- Por que você não vai? Quem sabe assim você pararia de sugar todo o oxigênio do quarto!
- Calem a boca, desmioladas - Sam ordenou, ainda calma e controlada. - Eu não vim até aqui para ouvir vocês discutirem sobre uma lâmpada idiota, ou uma janela estúpida.
Havia algo no tom de voz dela que fazia com que todas obedecessem. Ela estava sempre calma e calculista, como uma bomba relógio que poderia explodir a qualquer momento.
De alguma forma, seu tom calmo conseguia ser ainda mais assustador do que se ela estivesse aos berros.
O único som que se seguiu à ordem foi o dos coturnos de Sam batendo no chão enquanto ela saía da cabana.
Por mais que tivéssemos certeza de que a punk não estava mais nos ouvindo, ninguém ousou abrir a boca.
Então apenas desfizemos as malas e fomos para o jantar.
Se eu mandasse no mundo, recomendaria que todos surfassem. É extremamente relaxante e estimulante, e surfistas são bem mais pacíficos do que os outros grupos de pessoas.
As garotas daqui decididamente precisavam da terapia do surf.
Estava caminhando sozinha até o refeitório quando Maddie me chamou:
- Ei, Brianna!
- Olá, Maddison!
- Posso caminhar com você?
Maddie era sempre cordial demais, educada e preocupada com a reação das pessoas, quando causada por seus comentários. Ela era como um oposto ambulante da Sam. Não que eu não gostasse da Sam, o método de terror dela estava de certa forma impondo a paz, afinal.
- Claro - Sorri.
- O que está achando do acampamento?
- Ah, não tenho problemas com ele, sabe - Dei de ombros. - Costumava ir a um acampamento de verão quando era mais nova.
- Mas é claro que você preferiria um resort, certo?
- Ah, eu gosto daqui...
Pude ver em seu semblante que ela estava esperando que eu começasse a rir. Mas era verdade, eu gostava de acampamentos. Cantigas em volta da fogueira, canoagem, marshmallows, a reunião fraternal com as colegas de quarto... Era divertido.
- Ei, Sam! - Ouvi a voz de Tiffany atrás de mim.
Maddie me puxou, fazendo com que ficássemos para trás, assim ela poderia ouvir a conversa.
- Que foi, Sharpay? - Sam se virou para encará-la, visivelmente irritada.
- Sabe, eu estava pensando... Nós somos duas das competidoras mais fortes aqui - Ela fitou a garota bem fundo. - Se jogássemos juntas, seríamos invencíveis.
- É muito tentador - Sam forçou um sorriso. - Mas eu jogo sozinha.
- Mas já que estamos na mesma equipe, deveríamos nos ajudar, amiga.
- Ah, é! Deixe-me pensar... Hm, não.
Dito isso, ela saiu andando.
- Perdeu, loira - O garoto delinquente, Luke, sorriu de forma maliciosa para Tiffany enquanto passava. - Eu, porém, estou disponível.
Tiffany revirou os olhos e saiu andando.
- Aquela gótica me dá medo - Comentou Maddie, mordendo o lábio.
- Medo impõe respeito e ordem - Luke deu de ombros. - Funcionou das primeiras duas vezes em que fui preso.
Sam não me dava medo. Luke, por outro lado, era aterrorizante.
Todavia, Tiffany percebera mais rápido o que todos ali tinham que concordar: Era melhor ter Sam ao seu lado do que contra você.
O que era exatamente o meu caso, já que ela era um Quati e eu um Guaxinim. Mas isso não queria dizer que nos odiaríamos, certo? Ainda podíamos ser amigas... Não é?
Sentamos à mesa de jantar por equipes. Me sentei ao lado de Maddie enquanto tentava desligar minha cabeça da briga de Barbie e Tiffany que estava ocorrendo na outra mesa. Afinal, quem fora o imbecil que colocara aquelas duas na mesma equipe?
- O jantar está servido! - Anunciou Cory.
Nos dirigimos até uma bancada com pratos e talheres. Havia uma mulher atrás da bancada, cuja imaginei ser a chefe da cozinha. Pesava no mínimo 150kg, e a rendinha em seu cabelo não segurava todas as mechas oleosas e crespas, mas esse não era o maior problema.
A cozinheira tinha uma verruga na ponta do nariz. Não, não era uma verruga. Era uma senhora verruga, uma verruga-mor, era a mãe de todas as verrugas-mor...
Senti meu estômago embrulhar ao ver aquilo. Então apenas peguei um prato e fiquei olhando para ele.
A cozinheira pegou uma colher enorme e jogou uma coisa no meu prato que se assimilava vagamente a comida. Estava mais para um... Grude? Uma massa branca e nojenta que mal queria se soltar da colher.
Forcei um pequeno sorriso nervoso.
- O que é isso?
- É o seu jantar, loira - Ela se debruçou na bancada, me fuzilando com aqueles olhos pequenininhos que quase sumiam naquela cara de buldogue. - E você não vai comer mais rápido se eu disser o que tem aí.
- Tem carne nisso aqui? - Sam perguntou, olhando para o seu grude. - Porque eu não como carne.
- Ah, me desculpe, srta. Amiguinha dos Animais - A mulher fez algo com o rosto que talvez fosse uma tentativa de sorriso. - Deixe-me pegar um prato especial para você, está bem?
E então ela apenas jogou mais do grude no prato de Sam.
Eu tinha sérias dúvidas de qual das duas era mais mortal: A gótica ou a cozinheira maléfica.
- Eu... Eu vou lá comer, sim? - Abri um sorriso acanhado, indo para a mesa.
- Já devia ter acabado de comer, soldado - A chefe disse antes de voltar sua atenção para a outra garota.
- Não pode me obrigar a comer isso! - Sam protestou, impassível.
- Eu cozinhei isso aqui com todo o amor e carinho - A mulher cerrou os dentes. - E não foi para uma punk esquisita e revoltada decidir que vai dar uma de diva e não comer.
Silêncio absoluto. Todos prenderam a respiração, esperando para ver a reação de Sam.
- Ótimo - Ela pegou seu prato, dando as costas à cozinheira. - A vigilância sanitária vai fechar esse lugar uma hora dessas, mesmo.
Pude perceber que aquilo não era realmente tudo o que ela queria dizer. Talvez tivesse se segurado por ser o primeiro dia, ou por estar curiosa para ver que tipo de intoxicações alimentares aquela coisa ia dar nos outros participantes.
- A comida da prisão é melhor - Luke sussurrou para Sam quando quando ela passou.
- Com exceção de ficar trancada em uma cela com você, qualquer coisa é melhor - Ela rebateu, também baixinho.
Eu não sabia se devia comer aquilo com uma colher, um garfo, ou apenas pegar um canudinho e sugar o conteúdo. Acabei me decidindo pela colher.
- Existe... Existe alguma lei sobre isso, não é? - Maddie deu um sorriso fraco, olhando para seu prato. - Tipo... Tem que haver alguma lei.
- Não tem - Luke deu de ombros.
Maddie ergueu uma sobrancelha.
- E desde quando você sabe algo sobre leis?
- Só conheço as que eu quebrei - Disse ele. - O que se resume a todas elas.
Parecia convincente. Depois que finalmente consegui fazer a colher desgrudar da... Comida, chamemos assim, tampei meu nariz e corajosamente enfiei uma grande quantidade daquilo goela abaixo.
Voltou tudo no mesmo instante, mas eu tinha que ser forte. Todos ali estavam comendo, e eu não podia me dar ao luxo de ser o elo fraco do time. Não sou Einstein nem nada, mas sabia que o elo fraco era sempre candidato à eliminação.
Quando todos acabaram de comer, Cory voltou a falar:
- Espero que tenham gostado do jantar - Ele abriu um grande sorriso triunfante. - Certo, Sam?
Em resposta, Sam resmungou algo que caracterizei como um palavrão.
- Esse é o espírito! E é ótimo que tenham gostado, porque essa vai ser a refeição de vocês pelas próximas oito semanas!
Houve uma ocasião onde eu tinha quatorze anos e me perdi na floresta. Fiquei lá por dois dias sem comer até que os guardas florestais me acharam. Então... Se eu comesse a cada dois dias, durante sessenta dias... Certo, não era muito animador.
O jeito era engolir e pronto. Não nos matariam em rede nacional... Não é?
Afinal, era a primeira temporada do programa. A audiência era bem instável. Não que eu entendesse muito de programas, ou audiências, mas... Ah, vou ficar na minha.

Adolescentes Selvagens; Capítulo 5: Luke


Eu estava associando a coisa toda muito bem. Não era de todo ruim, considerando que uma desistência resultaria em prisão. De novo.
O outro iate, que continha os outros cinco participantes, finalmente estava próximo o bastante para que pudéssemos ver quem estava nele.
Localizei na polpa do iate uma garota loira, alta e magra, como uma daquelas garotas gatas de filmes de festas do pijama. Vestia uma blusa branca de renda, saia de cintura alta e um salto médio. Seu cabelo dourado balançava por causa do vento e reluzia. Por um minuto pensei que ela estava acenando para mim, mas depois decidi que não.
- Ei, Sam - Chamei a garota, que estava na proa do iate com fones de ouvido no último. Cantava Guns N’ Roses baixinho. A gata tinha bom gosto. - Acho que estão te chamando ali no outro iate.
- O nome dela é Tiffany - Foi tudo o que ela disse. - É toda sua.
Acenei para a tal Tiffany e sorri. Ela bufou e saiu andando até não estar mais no meu raio de visão.
- Valeu por isso - Sam sorriu de forma marota.
Me aproximei dela, ficando ao seu lado na proa do barco.
- Tente alguma coisa e eu te jogo no mar - Ela avisou, calma.
Fingi estar ofendido.
- Eu jamais faria isso!
- Certo, guarde sua indignação para alguém que se importe.
- Você fica tão gata quando é rude com as pessoas.
- É, eu faço muito isso - Ela me encarou por um minuto. - Afinal, por que ainda está aqui? Vaza.
- Você não se parece muito com o tipo de pessoa que se inscreveria para um troço desses.
- Porque ela não se inscreveu - Cory berrou com um megafone do outro iate.
- Se desistir, vai ser mandada para a prisão também? - Abri um sorriso malicioso.
- Não - Ela forçou um sorriso. - ...é da sua conta.
- Eu pus fogo em uma cabine telefônica, nada que venha de você me surpreenderia.
- Por que você fez isso?!
- Gosto de ver as coisas queimarem - Dei de ombros.
Sam riu, debochada.
- Você é psicótico - Decidiu, indo para o interior do barco.
- Vou tomar isso como um elogio!
- Não conte com isso! - Gritou, já longe.
Revirei os olhos, ligeiramente frustrado. Resolvi me aproximar do outro cara, James... Ou seria Josh?
Apostei em Josh.
- Ei, Josh! - Chamei, parando ao seu lado. Ele estava andando sem rumo pelo iate.
Josh podia ser um mauricinho, atleta, excessivamente otimista, mas... Ele era o único cara aqui.
- Oi... Luke - Ele sorriu depois de um momento. - Por que está com essa cara?
Antes que eu pudesse responder, ele riu.
- Conheceu a Sam? - Ergueu uma sobrancelha. Não respondi. - É, imaginei.
- Qual é o problema dela? - Franzi o cenho.
- Sei lá - Ele deu de ombros. - Ao menos ela não é totalmente pirada.
Ao dizer isso, ele apontou discretamente para a Chloe.
- Aquela garota definitivamente tem problemas - Concordei, torcendo o nariz.
- Acho que gente normal não dá audiência - Ele abriu um sorriso maroto.
- Será que estão nos filmando agora? - Olhei em volta, procurando câmeras.
- E qual o problema de estarem? Vamos ser filmados pelas próximas oito semanas.
- Não quero que os foras que a Sam me deu apareçam em rede nacional - Fiz uma careta.
- Ah, não se preocupe. Não deve ser pessoal. Já comigo, é pessoal - Ele riu.
- Deu em cima dela?
- Não - Ele deu de ombros. - Ela simplesmente me odeia. Ei, Sam!
Josh abriu um grande sorriso, acenando alegremente para a garota, que estava comendo pizza.
Sam o fuzilou por um minuto e cerrou os dentes, dando uma mordida raivosa no pedaço de pizza como se imaginasse que era o coração de Josh.
- Eu também te amo, Sam! - Ele gritou, ainda sorrindo.
Ela revirou os olhos e saiu andando.
- Definitivamente é pessoal - Eu ri, dando um tapa nas costas dele. - Me sinto melhor agora. De qualquer forma, tem uma garota bem gatinha ali no outro iate.
- Cuja também te deu um fora?
Dei de ombros.
- Hoje não é meu dia de sorte.
- Estamos chegando, seus molengas!
Isso foi Cory berrando, novamente com seu megafone. Olhando para frente, localizei uma pequena ilha.
Quando o iate embicou, tudo o que consegui pensar foi que aquilo definitivamente não era um resort.
Era cercado por um floresta enorme e espessa. Havia uma fogueira ao centro, cercada por bancos que se resumiam a tocos de madeira. Também haviam duas cabanas de madeira azul-calcinha descascadas que pareciam prestes a desmoronar a qualquer minuto. À direita, via-se algo que lembrava um refeitório, cujo não estava em condições melhores do que as cabanas. O cheiro que tomava conta do ar lembrava esgoto, porém com um toque de cera de ouvido e cecê. Tendo sido preso três vezes, eu não costumava reclamar, mas...
- Bem vindos ao Acampamento Adolescentes Selvagens - Cory abriu um grande sorriso.
Ao descer do iate, Tiffany simplesmente deu um berro que era uma mistura de frustração, terror, pânico e indignação. Um berro estridente, longo e irritante o suficiente para fazer com que todos nós quiséssemos rolar no chão e implorar para parar.
- Cale a boca, aspirante a princesa do abacateiro - Berrou uma garota desconhecida ao meu lado, irritada.
O silêncio era absoluto, até Sam o quebrar:
- Obrigada por isso - Ela suspirou, fitando a garota. - Sou a Sam.
- Barbie.
Barbie? Sério?! Cara, a garota era enorme, e parecia capaz de quebrar os ossos de qualquer um dali com apenas uma das mãos. Se comparada a ela, Sam parecia uma princesa de contos de fada da Disney.
Tiffany não parecia estar tão comovida.
- Que droga é essa?! Disseram que ficaríamos em um resort! Isto não se parece nada com um resort! - Ela berrava indignada.
- Ela está certa! - Berrou Maddie ao meu lado.
Maddie, que vestia um suéter e uma calça jeans capri, parecia prestes a voar no pescoço de Cory.
- Não, isso é demais - Sam decidiu, se virando para voltar ao iate. - Adeus, perdedores.
- Ah, pode ir se quiser - Cory sorriu para ela. - Aproveite e diga ao capitão para te deixar direto no reformatório mais próximo. Ordens judiciais, lembra?
- Reformatório? - Ri, debochado.
Ela parecia prestes a me dar um murro, mas se conteve.
- E quanto ao resto de vocês, exceto o Luke, que vai direto para atrás das grades, vocês assinaram um contrato.
- Aqui é um acampamento de verdade? - Perguntou um dos garotos do outro iate. Era bem mais baixo que eu, e parecia ter onze anos. Sua voz era bem aguda e infantilizada. - Que muito louco!
- Ainda bem que alguém aqui está animado - Sam revirou os olhos, tomando a dianteira. - Vou desfazer as malas.
- Mas ainda temos que fazer um tour! - Gritou Cory enquanto ela se afastava.
- Eu não ligo!
- Rebeldes... - Ele bufou. - Certo, dane-se o tour. Se virem.
- Você... Vai dividir as equipes? - Maddie perguntou, cautelosa.
- Ah, sim - Cory pegou uma lista em seu bolso. - Quando eu chamar seu nome, dê um passo à frente.
Tiffany
Barbie
Josh
Anthony, o garoto ruivo cheio de sardas com cara de idiota
- ...E a srta. Revoltada - Cory terminou, fuzilando a cabana. - Vocês são, a partir de agora, os Quatis Indomáveis.
- Quatis? - Barbie ergueu uma sobrancelha. - É sério isso?
- O que são catis? - Perguntou Chloe ao meu lado.
- Quatis - Corrigiu Maddie.
- Estou quase certo de que são mamíferos - Respondi, me sentindo bem esperto de repente.
- Os restantes - Continuou Cory. - Luke, Maddie, Chloe, David e Brianna, vocês são agora os Guaxinins Explosivos.
- Por que tem duas garotas a mais na ilha? - Indaguei.
- Porque elas eram bem mais interessantes do que vocês - Cory me encarou, sério.
Fiquei calado depois daquilo.
- Os garotos ficarão na cabana Leste, e as garotas na Oeste - Ele continuou, apontando. - Suas bagagens já estão lá. Vocês têm vinte minutos antes do jantar.
Todos saíram correndo, mas eu não entendi o motivo. Então apenas andei calmamente até a cabana Leste. Ao abrir a porta, me deparei com três beliches (o que não fazia muito sentido, já que éramos só quatro).
- O terceiro beliche é inteiramente meu - Estipulei, sério.
- Mas... - O garoto magricela e desajeitado, Anthony, começou a falar.
Encarei-o com meu olhar de valentão. Eu o aperfeiçoara bastante na prisão e no reformatório.
- Não estou pedindo a sua permissão. Agora, se puder sair da frente...
Foi o que ele fez. Caminhei até o terceiro beliche e joguei minha mala na cama de cima.
Ninguém mais protestou. Ótimo, já estávamos nos entendendo.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 4: Tiffany



Saí de meu conversível vermelho com o vento fazendo meus cabelos dourados voarem de forma atraente e esperei. Nada. Limpei a garganta, frustrada.
- Carregadores? - Chamei esperançosa.
Um cara veio e abriu o meu porta-malas.
- Essas... - Ele fez uma conta rápida. - Sete malas são suas?
- Sim, sim. Tive que tirar o vestuário de inverno, por isso são só essas, mesmo.
Ele ergueu uma sobrancelha para mim e chamou outros dois caras. Juntos, carregaram minhas malas até o iate no píer.
- Tiffany Preston! - O apresentador do programa sorriu para mim. - Eu já estava ficando preocupado! Venha cá...
De cabeça erguida, andei até ele e outros três participantes: Uma garota e dois garotos.
- Você deve ser o Cody! - Sorri para ele.
- Cory - Ele corrigiu, repentinamente de mau humor.
Ah, tanto faz.
Cory foi falando o nome dos outros adolescentes, e tentei prestar atenção. A garota magra chamava-se Brianna Jensen. Possuía cabelos louros, longos e lisos presos em um rabo de cavalo baixo. Vestia um blusão da Gap, um shorts jeans e tênis All Star rabiscado com canetinha. Segurava uma prancha de surf em seu braço direito.
O mais alto dos garotos se chamava Anthony Collins. Era magro demais, desajeitado demais e seus óculos quadrados estavam tortos. Sua pele clara era cheia de sardas, principalmente no nariz. Seu cabelo curto era arruivado.
- CHEGUEI, QUERIDINHOS! - Disse uma voz feminina em algum lugar atrás de mim.
Olhei para trás em uma mistura de curiosidade e irritação. Não gostava muito de pessoas que tentavam fazer entradas mais fabulosas que as minhas.
Era uma garota robusta. Os grandes brincos de argola que usava nas orelhas eram a primeira coisa que se percebia nela, pois se destacavam em sua pele morena. Seus cabelos longos e ondulados estavam soltos. Sua blusa era cheia de strass dourados, e sua calça jeans era bem larga. Afinal, se não fosse, eu duvidava que coubesse aquelas nádegas protuberantes. Ah, isso foi rude? Dane-se.
- E você deve ser a Barbie! - Cory sorriu.
- Barbie?! - Ergui uma sobrancelha, abafando um riso.
- Vem de Barbara - Barbie me fuzilou, fechando o punho. - Tem algum problema com isso, branquela?
Eu poderia descrever aquela garota de muitas maneiras, e "Barbie Girl" não era uma delas. Na verdade, estava bem longe de ser uma delas.
- Absolutamente nenhum - Forcei um sorriso. - Eu sou Tiffany.
- E eu não me importo.
- Hm, certo... - Dei as costas a ela, olhando atentamente para aqueles grandes punhos fechados. Olhei para o garoto cujo nome eu não sabia. - E você é...?
- David Watson, encantado em conhecê-la - David respondeu embasbacado. - Você é tão... tão...
Ele possuía cabelos bem loiros, mas isso não fazia com que fosse bonito. Era pelo menos dez centímetros menor do que eu... Quinze, na verdade, porque eu estava de salto alto. Possuía feições infantis, apesar de que tinha de ter entre dezesseis e dezoito anos para poder estar no programa.
- Certo, ninguém liga - Cory revirou os olhos, andando até o píer. - Venham, vamos entrar.
Entramos no iate. Cory nos explicou que aquelas pessoas com quem estávamos não seriam nossas companheiras de equipe, o que eu achei excelente. Afinal, como os outros cinco participantes desconhecidos poderiam ser de alguma forma piores do que esses?
Brianna não abrira muito a boca, mas decidi não subestimá-la. Talvez ela viesse a ser útil caso eu precisasse de uma aliada. Anthony parecia ser simplesmente um grande tapado e David era esquisito. Prefiro não dizer nada sobre a "Barbie".
O caso era que ficaríamos em um resort esplêndido e eu ganharia um milhão de dólares. O que mais poderia importar?
Oito semanas longe de um SPA seria dureza, mas eu estava determinada. Afinal, eu tinha dezessete anos de experiência em lidar com pessoa menos bonitas e espertas do que eu. Nada poderia me pegar desprevenida.
Vi Brianna na proa do navio, observando o movimento das ondas.
- Olá! - Sorri, me aproximando. - Brianna, certo?
- Isso aí - Ela deu um meio sorriso. Sua voz era aguda e relaxada, e tive a quase certeza de que ela morava no Sul. - É... Terri, ou algo assim?
- Tiffany - Corrigi, dando o meu máximo para continuar sorrindo.
- Ah, é!
- E então... O que acha dos outros participantes?
- Bem, eu não os conheço...
- Sabe, eu acho que você poderia ser uma das favoritas do público - Fitei-a. - Com a minha ajuda, é claro.
- Quer dizer... Tipo uma aliança?
- Exatamente.
- É, pode ser... Sabe, tenho que pensar um pouco.
Cerrei os dentes.
- Como assim "pensar"?
- Só não quero tomar decisões precipitadas...
Dito isso, ela saiu andando.
Então tá. Ela que se bombardeasse sozinha, eu não estava ligando. Afinal, tinha certeza de que qualquer um dos outros oito participantes mataria para ser meu aliado...
Anthony passou correndo em minha frente. Se eu fosse chutar, diria que ele estava correndo para o banheiro para pôr todo o almoço para fora.
Mas tanto faz. Ele não era um candidato a aliado, mesmo. Não, eu precisava de alguém bom, alguém ambicioso, alguém cuja cara não parecia ter saído de algum filme de terror de quinta categoria...
E foi então que a avistei. A única na proa do outro iate, que finalmente se aproximara do nosso. Era bonita o suficiente, apesar de se vestir como se dissesse "Aqui, polícia! Venham me prender!", com suas jaquetas de motoqueiro, e aquelas botas de exército... Como elas se chamam, mesmo? Cortinos, ou algo assim?
Mas tinha um tipo atlético. Estatura média, magra... Teria que servir. Eu tinha que consegui-la antes que alguém o fizesse.
- Ei! Garota! - Gritei, acenando.
Ela me encarou por um minuto com seus grandes olhos cinzentos como se me avaliasse. Depois apenas aumentou o volume de seus fones de ouvido. Ah, isso foi demais para a minha paciência...
Respire, Tiffany. Respire.
- Meu nome é Tiffany!
Ela acenou para mim sem se importar muito e começou a cantar algum rock pesado.
Ah, era assim que ela queria brincar? Então, era assim que iríamos brincar. Ninguém me faz de otária e sai inteiro.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 3: Maddie


- Tchau, mãe! Tchau, pai! - Abracei-os uma última vez. - Vou sentir saudade!
- Nós também, querida - Minha mãe sorriu, acenando. - Vamos estar torcendo por você!
- Obrigada!
E então avistei Cory Bryan, o apresentador do programa. Meu coração começou a pulsar mais rápido. Eu ainda não estava acreditando que fora escolhida - entre todos, eu! - para participar de um novo reality show em Los Angeles.
Peguei meu celular e olhei meu reflexo uma última vez. Penteei meu cabelo cor de palha com os dedos mais uma vez e fiquei encarando meus olhos castanho-azulados.
Molhei meu lábio meio rachado com a língua e andei confiante com minha mala púrpura até uma pequena concentração que consistia em uma garota e Cory.
- Você deve ser a Maddison! Estou certo? - Cory sorriu, estalando os dedos. Dois carregadores vieram e levaram minha mala para um iate no píer. Iate. Que máximo.
- Maddison Stewart, senhor - Abri um grande sorriso, me apresentando.
- E você é Samantha Price? - Ele fitou a garota em minha frente.
- Sam - Ela corrigiu, séria.
Parei para observá-la melhor. Vendo suas roupas punks, torci baixinho para que os outros participantes não fossem meio góticos também.
Samantha se virou para trás e percebi que seu rosto era muito bonito; seu cabelo castanho o emoldurava de forma especial.
Seus lábios carnudos ficaram tensos de repente. Antes que eu pudesse decidir se ela estava olhando para mim ou não, Sam virou-se para frente rapidamente e voltou a fitar Cory.
- JOSHUA EVANS AQUI! - Um garoto gritou atrás de mim, correndo desesperado. - Espere... Estou no Clube da Luluzinha, ou algo do gênero?
Quando ele passou ao meu lado, deixei escapar um suspiro baixinho. Aquele garoto era... Uau. Ele era lindo. Arrumei minha franja rapidamente, esperando chamar a atenção dele, mas seus olhos verdes profundos estavam focados em outra pessoa.
- Sam? - Ele franziu o cenho, parando atrás da garota punk.
Ao ouvir seu nome, Samantha olhou para trás. Ela cerrou os dentes ao se deparar com o tal Joshua.
- Está me perseguindo, ou algo do gênero? - Ela ergueu uma sobrancelha, parecendo bem irritada.
- Eu estava prestes a te perguntar a mesma coisa...
- Ah, olá Josh! - Cory acenou para ele, sorrindo. - Graças a Deus algum garoto chegou.
- Você... Você é um dos participantes? - A cara de Sam ficou (ainda mais) pálida de repente.
- Hm, é...
A garota bufou e deu as costas a Josh. Bem, se ela não o quer, eu quero.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAH, VOCÊS SÃO TÃO FOFINHOS!
Uma garota louca pulou em cima de nós três.
- Vocês devem ser Maddie, Sam e Josh, certo? - Ela sorriu, apontando.
- Como... Como sabe o nome deles? - Cory arregalou os olhos, cético.
- Minha mãe pagou o seu acessor para ele me contar - Ela deu um grande sorriso bobo, como se achasse isso normal. - Ah, Deus, eu não acredito que estou aqui!
Depois disso, ela correu e deu um longo abraço em Cory.
- Você é muito mais bonito pessoalmente! - Disse, bagunçando o cabelo preto dele.
- Você... Você deve ser a Chloe...
- Chloe Parkins, animada em conhecê-lo, senhor!
- Não, uma pirada aqui, não... - Sam bufou ao meu lado.
- Deve dar mais ibope - Dei de ombros.
- Sou a Sam - Ela se apresentou sem olhar em meus olhos.
- Maddie - Estendi a mão, mas ela apenas acenou para mim. - Vocês são amigos? - Apontei para o Josh.
Ela me encarou por um minuto e abafou um riso.
- Ele é todo seu - Deu de ombros, andando até a ponta do píer.
Antes que eu pudesse me defender, ela já estava longe.
- SAI DA FREEEEEEENTEEEE....!
Sou lerda. Muito lerda. Talvez isso explique por que eu não saí da frente.
Fui atropelada logo depois.
- Opa, foi mal, gata - O garoto que gritara e caíra em cima de mim abriu um sorriso fraco.
Pedi perdão a Deus automaticamente por ter chamado Sam de punk.
Se Samantha era punk, o tal garoto estava muitos níveis acima disso. Possuía cabelos pretos bem curtos, olhos escuros e um sorriso malicioso. Vestia uma camiseta preta com dizeres que questionavam a autoridade da polícia, uma calça jeans rasgada no joelho e coturnos pretos. Parecia ser o tipo de garoto que tinha piercings em lugares estranhos. Eu duvidava muito que Samantha tivesse piercings.
- Saia de cima de mim! - Gritei exasperada enquanto tentava tirá-lo de cima de mim eu mesma.
- Como quiser, gata - Ele sorriu de forma maliciosa, se levantando. Percebi que ele tinha alguns piercings em uma das orelhas.
- E não me chame de gata.
- Luke Seaton! - Cumprimentou Cory, animado. - Vejo que já conheceu a Maddie!
- É, quase isso - Ele riu, me fitando.
Comecei a resmungar e saí dali.
- Sabe, eu achava que a ficha da Sam estava complicada - Cory bateu nas costas de Luke. -, até ver a sua, cara!
- É, eu fiz algumas coisinhas, hmmm...
- Ilícitas? - Sam ergueu uma sobrancelha para ele, ainda encostada na cerca do píer. - Sou a Sam.
- E eu sou o Luke, mas pode me chamar de "O cara por quem esperei a minha vida toda".
Samantha riu, debochada.
- Sonhar faz bem, não é o que dizem? - Ela zombou, sorrindo como se estivesse se divertindo.
O que os garotos daqui tanto viam em góticas? Bem, se ignorarmos a parte onde ela dava medo, Sam parecia ser bem legal.
Haviam dois iates. Ficaríamos cinco pessoas em cada um. Basicamente, éramos eu, a gótica, a pirada, o delinquente e o esportista galã da novela das sete.
Ótimo. Perfeito. Lembre-se do um milhão de dólares, Maddison, lembre-se do prêmio...
Entramos no iate. Ele era bem legal, o que aumentou bastante minhas expectativas sobre o resort onde se passaria o programa.
- Seus companheiros aqui não serão os mesmos que seus companheiros de equipe - Enfatizou Cory, nos fitando para ter certeza de que havíamos entendido.
Assentimos, cada um indo para um lado. Tínhamos absolutamente nada em comum, então apenas tentamos ficar o mais longe possível da Chloe.
Eu ainda tinha esperanças de que os outros cinco participantes desconhecidos eram legais, mas uma parte de mim se perguntava se não havíamos sido escolhidos propositalmente para sermos todos completamente diferentes.
Se fosse o caso, os produtores haviam feito um excelente trabalho. Deitei em uma das cadeiras de praia na proa do navio e fiquei ali relaxando um pouco, até que Chloe se sentou ao meu lado e começou a falar animadamente sobre a vez em que ela e sua prima caçaram um macaco.
No início eu pensara eu fazer alianças, mas naquele momento eu estava desistindo dessa ideia. Principalmente depois de ouvir a parte da história de Chloe onde ela falava sobre as genitais do macaco. Eca, eca, eca.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Dead


I walked through that door one more time
I've done that before, but now it hurts
I'm just standing there, I'm paralized
Cause I can't throw away this dirt.

The dirt is on me, that's what I've become
All the secrets I've kept, they exploded on my face
I feel bad, I feel numb
These guys treat everything like a race, but I'm tired of this sick game.

Chorus:
People keep reminding me of what I got, oh what I got
How do you expect me to react?
People keep telling me "you're not, oh baby you're not"
They say it's gonna pass
But they don't get...
Deep inside, I just feel dead.

My heart didn't stop, because I don't have one anymore
Everything I do, everything I say
Has no meaning, has no faith
How can I let go
When I'm far away from everyone I know?

I don't feel angry, I don't feel sad
Cause I can't feel anything but an empty place on my chest
It hurts, it hurts too much
I will never be good enough.

Chorus:
People keep reminding me of what I got, oh what I got
How do you expect me to react?
People keep telling me "you're not, oh baby you're not"
They say it's gonna pass
But they don't get...
Deep inside, I just feel dead.

This whole world, it's so sick
But it does make me feel so weak
I thought I was strong, I thought, I thought...
But maybe I'm just not myself anymore.

I keep reminding myself of what I got, oh what I got
But I just can't react
I keep telling myself "i'm not, oh baby i'm not"
I say it's gonna pass
But I don't get...
Why deep inside, I just feel dead.
Dead, just feel dead
I can't react
Cause I just feel dead.

Adolescentes Selvagens; Capítulo 2: Josh



Abri o melhor sorriso que consegui, tentando ignorar a falta de simpatia da tal garota. Ela parecia ser bem capaz de me dar um murro caso eu a irritasse, com sua jaqueta de motoqueiro e seus coturnos. Não costumava julgar as pessoas, mas ela estava me dando motivos demais para isso.
Então apenas continuei encarando-a até que ela me deu as costas e voltou a sentar em seu assento.
- Dylan, fique na sua, você não deveria nem estar aqui - Fuzilei meu irmão mais novo, censurando.
- Fica de boa - Ele revirou os olhos. - Mamãe vai estar no aeroporto de L.A, então é só pegar um avião de volta com ela.
- E se não tiver mais lugar no voo?
- Pegamos o próximo.
Por que eu ainda me dava ao trabalho?
- Tá, tanto faz.
Minha mãe, Sally Evans, estava em uma conferência na Califórnia. Dylan deveria estar em nosso apartamento em Manhattan, mas ele me seguiu, roubou o meu cartão de crédito para emergências e comprou uma passagem para ele nesse voo.
De uma coisa eu estava certo: Mamãe teria um treco quando o visse. Quanto a mim? Meu melhor amigo, Roger, me convencera a me inscrever para um novo reality show de Los Angeles. Eu não estava muito animado, mas talvez fosse ser legal. De qualquer forma, eu fora escolhido para ser um dos dez participantes.
E o prêmio era de um milhão de dólares, então provavelmente valia a pena.
Mas atravessar o país num avião com o meu irmão caçula? Eu não conseguia ver a parte boa disso.
- Por que você não deu em cima dela? - Sussurrou Dylan, apontando levemente para a cadeira da garota em nossa frente.
- Porque eu nem conheço ela, talvez?
- Mas ela é bonita, não é?
- Não é assim que as coisas funcionam, Dylan.
De qualquer forma, a garota meio gótica não parecia muito a fim de conversar comigo. E eu não tinha muita certeza de que queria conversar com ela, também.
O resto do voo foi tranquilo. A comida da primeira classe era até legal (para os padrões de comidas de avião), e meu irmão ficou calado na maior parte da viagem.
Mesmo que ainda fosse dia, cochilei em algum ponto da viagem. Dylan me acordou quando o avião pousou, dizendo que tínhamos que sair.
Peguei meu violão no compartimento de bagagens de mão (não confiava nos carregadores de mala e nem no compartimento de carga do avião) e o coloquei nas costas, tentando achar um espaço no corredor entre todos os passageiros apressados que queriam sair da aeronave.
A garota gótica não parecia muito a fim de esperar, então tentou se enfiar no meio da multidão, o que resultou em atropelamento. O colar dela voou até o meu pé.
Num momento de profunda inspiração ao bem, o peguei e estendi para ela. O colar possuía dois pingentes: Um com um "L" de prata e o outro com um "S".
A garota me encarou por um momento com seus grandes olhos cinzentos, parecendo me analisar. Depois de um minuto, pegou o colar e o colocou de volta em seu pescoço sem dizer nada.
- Aquela mochila ali é sua? - Perguntei, apontando para uma pequena mochila preta no meio do corredor.
Ela continuava me encarando como se desconfiasse de minhas boas intenções.
- Não preciso de sua ajuda.
Aquela foi a gota d'água.
- Ótimo, porque eu tenho mais o que fazer - Forcei um sorriso, contornando a garota. - Vamos, Dylan.
Meu irmão assentiu, correndo para chegar até mim. Saí do avião sem parar para ver a reação da srta. Mau Humor.
Cory Bryan - o apresentador do Adolescentes Selvagens - deveria estar me esperando no portão de embarque, porém eu não o via em lugar algum.
- Querido! - Minha mãe gritou de algum lugar à minha esquerda. - Dylan, o que você...?
Virei-me para cumprimentá-la. Trajava um elegante vestido azul marinho e um salto baixo nos pés.
- Ele me seguiu e roubou o meu cartão de crédito - Me defendi rapidamente.
- Calúnia!
- Certo, falaremos disso depois... - Sally fuzilou Dylan por um momento.
Aliviado, troquei o assunto antes que ela mudasse de ideia:
- Onde sr. Bryan disse que estaria, mãe?
- Novos planos. Acabei de receber uma ligação da assessora dele. Tenho que levar você ao porto.
- Já estamos no porto! - Meu irmão comentou.
- Estamos no aeroporto - Corrigi, revirando os olhos. - Ela quer dizer o porto. De barcos.
- Aparentemente, vocês do reality vão para um resort, ou algo do gênero... - Minha mãe completou.
- Sério?! - Abri um sorriso enorme, animado.
- Sério... Esperem aqui um minuto, eu preciso ir à toalete.
Dito isso, ela saiu andando. Porém, no caminho, parou para conversar com alguém.
- Ei, Josh, aquela ali não é a garota do avião? - Perguntou meu irmão, apontando.
A jaqueta... O cabelo brilhante... A mochila preta... Ele estava certo.
- Vem, essa eu quero ver - Puxei-o pelo braço, indo até a minha mãe.
Ao me ver, a garota arregalou os olhos, cética.
- Oi, mãe - Abri um pequeno sorriso. - Quem é essa?
- Ah, essa aqui é a...
- Sam - A garota completou, acanhada. - Meu nome é Sam. Quer saber, deixa para lá, eu me viro...
- O que foi, querida?
- A senhora sabe como chegar ao porto?
- Sei, sim, mas é meio longe daqui... Onde estão seus pais?
- Hm, do outro lado do país, na verdade - Ela torceu o nariz. - Eu ia pegar uma carona com um cara aqui, mas aparentemente ele não virá.
- Ah, a carona do Joshua também não vem... Por sorte, eu estava aqui na cidade. Estamos indo para o porto. Quer uma carona?
Sam pareceu bem surpresa com a oferta.
- Não, eu... Eu tenho dinheiro para o taxi, não precisa se incomodar...
- Eu insisto!
A garota mordeu o lábio, levemente desconfortável.
- Bem, se insiste...
- Excelente! - Minha mãe bateu palmas, animada.
- Vocês se importam? - Sam fitou eu e meu irmão, dando um sorriso fraco.
- Olha só como ela é educada! - Forcei um sorriso, sem conseguir me segurar. - Claro que não me importo. Por que me importaria, não é mesmo?
- Ótimo, então - Ela devolveu o sorriso forçado sem deixar barato. - Obrigada de novo, sra. Evans. É muito legal da sua parte.
- Me chame de Sally, querida. Venham, não podemos nos atrasar...
E então apenas caminhamos até o estacionamento, onde entramos no Ford Edge que a empresa disponibilizara para minha mãe.
O telefone de minha mãe começou a tocar. Ela atendeu e começou a falar em um tom preocupado e baixo. Depois desligou e nos fitou com uma expressão séria.
- Hm, mudança de planos novamente. Meu voo foi adiantado. Preciso estar no avião em meia hora, e você vai comigo - Ela fuzilou Dylan. - Joshua, vá com a Sam para o porto, sim? Alguém da locadora onde aluguei o carro vai buscar o Ford lá.
- Não, não, eu posso pegar um taxi... - Sam disse rapidamente.
- Não precisa, querida! Josh já disse que não se importa! Eu preciso ir...
Ela beijou nossas bochechas e saiu correndo com Dylan em seus encalços.
- Eu vou pegar um taxi - Decidiu Sam, se afastando.
Maldito gene Evans que me obrigava a fazer o que era certo.
- Sam - Chamei, respirando fundo. - Você pode ir comigo.
- Não precisa fazer isso.
Dei um passo a frente, puxando-a pelo braço.
- Preciso, sim. Você vai comigo e pronto.
Ela não protestou quanto a isso. Eu abri a porta do passageiro para a garota e ela sentou-se no banco de couro.
Sentei no lado do motorista e dei partida no carro.
- Sabe chegar ao porto? - Ela ergueu uma sobrancelha.
- Ah, é... - Desliguei o carro, constrangido.
Ela abriu o porta-luvas.
- GPS! - Anunciou animada e começou a programar o aparelho.
O GPS nos levou sem problemas até o porto, que era bem perto do aeroporto. Sam não falou comigo a viagem toda, e eu temia irritá-la. Mas, mesmo assim, não calei a boca.
- Sam vem do quê? - Indaguei curioso. - Sammie? Samara? Santana?
Ela me ignorou, aumentando o volume de seus fones de ouvido.
Quando chegamos ao porto, encarei-a antes que ela saísse do carro:
- Você não é obrigada a falar comigo - Comecei. - Mas bem que podia tentar ser gentil.
Sam me fuzilou por um momento, tirando os fones e os guardando.
- Samantha - Foi tudo o que ela disse. - Sam vem de Samantha.
E então abriu a porta e saiu andando.