quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 46: Josh

— Sam! — gritei quando Maddie se afastou.
A morena se virou, focando os olhos acizentados em mim. Mas logo se desviaram.
— Meu Deus, Seaton, você está bem?!
Ela se aproximou, mas logo desejou não tê-lo feito.
— Luke... O que é isso na sua perna?
— Ah — Luke fitou o pequeno filete de sangue saindo da própria perna. Bem pequeno. — Sangue. Nunca ouviu falar?
Ela se afastou. Será que eu havia descoberto mais uma fobia de Sam?
— Não é nada — ele deu de ombros. — Mas se quiser usar sua blusa para estancar o sangue, fique à vontade.
— Ha. Que engraçado — ela revirou os olhos. — Joshua, o que está fazendo aqui? Cadê a Maddie?
— Foi abrir o baú. Eu deveria estar atrás dela.
— E não está por que...?
— Como vai o seu desafio?
Ela pareceu irritada por eu responder à pergunta dela com outra pergunta.
— Bem. Muito bem.
— Toma — entreguei-lhe o mapa.
— Sua metade é igual à minha.
— Eu e Maddie juntamos nossas metades. Está tudo aí.
Sam me encarou por um momento, tentando prever uma pegadinha.
— Não precisa me ajudar, Joshua. Não somos mais uma equipe.
— Bem, talvez eu queira ajudar você. Além do mais, eu e Maddie já encontramos nossas chaves.
— Você pode, por favor, parar de dizer "Eu e Maddie" na mesma frase o tempo todo? — Luke fingiu vomitar. Eu havia me esquecido de que ele ainda estava ali. — Está me dando azia.
— Ciúme, Seaton? — Sam provocou, rindo.
Luke se levantou.
— Olha, Price! — ele passou o dedo no pouco de sangue em sua perna. — Sabe o que é isso? O dedo sangrento vai pegar vocêê...
— Qual é, Luke. Eu não tenho oito anos.
Mas quando ele se aproximou alguns centímetros, ela gritou. Luke riu.
— Não é engraçado! Joshua, faça alguma coisa!
— Ah, agora você quer minha ajuda?
— Tire a camisa.
— Quê?!
— Eu mandei tirar! Rápido!
— Não é o jeito mais romântico de pedir para um cara se despir — provoquei, tirando a camisa. — E você poderia ter pedido por favor.
— Blá, blá, blá. Seaton, sente-se.
Luke o fez. Sam se agachou e enrolou minha camisa na perna de Luke, para "estancar" o sangue, mesmo que não houvesse sangue o suficiente para fazê-lo. Mas ela parecia tratar como se o garoto estivesse tendo uma hemorragia.
De algum modo, ela parecia saber fazê-lo. Estava muito concentrada, frequentemente afastando uma mecha do cabelo castanho-claro dos olhos.
— Se eu fosse atendido por uma enfermeira gata assim toda vez que fosse ao hospital — Luke sorriu. — Eu cairia de uma árvore bem mais vezes.
— Cale a boca ou eu faço você cair direto no inferno.
— Ela é tipo a Megan Fox em Garota Infernal — comentou Luke comigo. — Tipo, assustadora. Mas ainda gostosa. E assustadora. E gostosa.
— Seaton, não faça com que eu me arrependa de ter que ficar vendo o Joshua se exibindo seminu por aí por sua causa.
— Ficar me vendo sem camisa? Que tragédia — zombei. — E eu não estou falando nada.
— Sua existência já me enlouquece.
— Ah, Samantha, eu sei que deixo você louquinha, mas não achei que fosse admitir.
— Argh! — ela se levantou.
— Escuta, você pode tirar a sua própria blusa e dar para ele, assim ele cala a boca — sugeriu Luke.
— Olha, essa é, na verdade... uma péssima ideia! Eu não vou tirar a blusa, Luke, que inferno! Afinal, cadê a Brianna?!
Foi quando uma massa loura caiu em cima de mim. Segurei-a e a coloquei no chão por puro reflexo.
— Obrigada — Brianna sorriu levemente, tirando algumas folhas do próprio cabelo. — Bem, já subi em umas cinco árvores aqui em volta, Luke, não tem chave.
— Porque a Maddie pegou, loira idiota — Luke revirou os olhos.
— Não fale assim com ela! — Josh censurou-o.
— Ah, ainda bem que o Super Joshua está aqui para salvar e defender a Bree — Sam resmungou, falando a última palavra como se fosse uma doença contagiosa.
— Ciúme, Price? — Luke riu. — Afinal, o que vocês moças veem nele?!
— Hã... Ele tem um abdomen bem bacana — Brianna comentou.
— Qual é, o meu é bem melhor.
— Verdade — concordou Sam, o que basicamente surpreendeu todo mundo.
Luke abriu um sorriso malicioso.
— Todinho seu, Price.
— O abdomen do Luke definitivamente não é melhor do que o meu — resmunguei.
Luke respondeu tirando a camisa.
— É, sim.
— Não, não é — Brianna defendeu.
Sam parecia prestes a voar no pescoço dela. Não que fosse admitir.
— Se a Bree disse, tá falado — zombou.
— Ah, Sam, você não tem com o que se preocupar. Você me tem por inteiro — prometi, fitando-a.
Ela soltou um riso debochado.
— Como se eu quisesse.
Sorri, envolvendo-a pela cintura.
— Não quer? — sussurrei, falando perto de seu ouvido.
— Não comece os joguinhos.
— Quem está jogando?
— E todos esses hormônios infestando o ar aí? — Luke debochou.
Sam tentou se soltar, mas eu sabia que ela não estava sequer se esforçando.
— Luke está com abstinência de YouPorn.
— Não, tudo bem, você e o... Como você falou mesmo na música? Uptown boy? Ah, sim. Você e o uptown boy estão compensando isso.
— Eu não escrevi aquela música — ela resmungou. — Luke, faça um favor ao mundo e dê o fora daqui.
— Haha, como se...
— Vamos, Luke — Brianna empurrou-o para longe.
Sam riu.
— Olha, a loira foi útil para alguma coisa.
— Além de provocar crises de ciúme?
— Você só está bravinho porque o tanquinho do Luke é melhor do que o seu.
— Então, por que está aqui e não lá?
— Ei, é você quem está me segurando.
— Quer que eu solte você?
— Quero.
— Quer mesmo?
— Eu já respondi.
Inclinei-me e beijei a bochecha dela. Ela pareceu surpresa com a simplicidade do gesto, o que me fez rir. Surpreender Sam era sempre uma sensação boa.
E então soltei-a.
— Se me dá licença — fitei-a. — Tenho um desafio para ganhar. Tente não chegar em último.
— Claro, porque não sei como você sobreviveria aqui sem mim.
— Eu também não sei — falei, e então saí correndo.
Acho que deixei-a imaginando por um longo tempo se estava sendo sarcástico ou não.
* * *
David e Barbie chegaram antes de eu e Maddie, mas pelo menos não havíamos sido os últimos.
— É assim que se joga — sorri para Maddie, que me abraçou. — Quem você acha que vai ficar em último?
— Não sei... Já abriu seu baú?
Fiz que não com a cabeça.
— E você?
— Também não. Sei lá, tenho um pouco de receio do que vou encontrar. Não quero ter pessoas por perto quando abrir.
— É, sei como se sente. Não quero ser o Anjo. É muita responsabilidade. Posso acabar tendo de escolher entre duas pessoas que gosto. Tipo, só sobraram Sam, Luke e Brianna, e eu não ia querer ser responsável por mandar eles para casa.
Maddie assentiu, pensativa.
Meu pequeno baú pesava em minhas mãos. Eu não sabia o quão perto Sam estava de encontrar uma chave quando a vi, mas suponho que não muito.
Eu poderia ajudá-la, mas... Qual é. Já dei o mapa a ela. Ela podia se virar com o resto.
Mas minha mente não se desviava da questão central: Um deles vai para casa.
E pode ser a Sam.
...
E pode ser o Luke. E pode ser a Brianna.
Mas também pode ser a Sam.
Ou o Luke.
Ou a Brianna.
— Tudo bem? Você está meio pálido — Maddie observou, me fitando.
— Eu estou... — minha voz falhou quando a vi. — Ah, você. Parabéns, não chegou em último.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

The Last Prayer

~picking~
It feels choreographed
One step further, one step closer
My heart beats fast
Kisses a little bit shorter, a little bit longer
My heart should know best.

~pre-chorus:
That I won't give in
Don't care about my pride
I won't give up
But what is the point of crying
For a lost fight?

~chorus:
You come near, I come off
Cause once you have me, it's never enough
I wish your smile wasn't so charming
I wish I didn't feel like I were dying
Everytime you look at me
Cause I can't have you, I can't have you...

Won't ask you to stay
Cause I don't think I'm worth it
Even if you feel the same
I know deep inside you know it

We were meant to be tragic
Something that hurts because it matters
Somewhere between it became magic
And I'm keeping all the letters
I would send to Heaven
The same day you get gone
Guess it will be easy for you
But I will never be over you.
Yeah, I'll never be over
You.

~strumming~
~pre-chorus:
I won't give in
Don't care about my pride
I won't give up
But what is the point of crying
For a lost fight?

~chorus:
You come near, I come off
Cause once you have me, it's never enough
I wish your smile wasn't so charming
I wish I didn't feel like I were dying
Everytime you dither me
Cause I can't need you, I can't need you...

~bridge:
So here I am at your door
But I will not knock
Guess you didn't knock
Before getting into my heart.
Guess that's a silent goodbye
Before I lose my mind
Before you make my walls
Fall down...
Like if you haven't yet.

~picking~
~chorus:
You come near, I come off
Cause once you have me, it's never enough
I wish your smile wasn't so charming
I wish I didn't feel like I were dying
Everytime you kiss me
Cause I can't love you, I can't love you...
But... I...
Do.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 45: Maddie

Acho que somos eu e você, então — apareci atrás de Josh depois de me certificar de que nossos mapas eram diferentes.
Ele se virou, focando seus orbes verdes em mim.
— Tudo bem, então — sorriu. E que sorriso.
Pegamos nossas metades e juntamos.
— Que tal aquela ali na beira da floresta? — sugeri, apontando para o mapa. — Deve passar despercebida pelos outros.
— Soa como um plano.
Eu ri.
— Ei, Samantha! — ele chamou quando viu Sam entrando na floresta. — Quem é sua dupla?
— Era a Barbie, mas nossos mapas são iguais... Vou me virar — ela deu de ombros e continuou andando.
— Você pode vir com a gente, se quiser.
Sam se virou. Seus olhos se intercalaram entre eu e Josh por alguns momentos.
— Não, valeu — e então voltou à floresta.
Graças a Deus.
Adentramos pela lateral.
— Então... Você tem problemas com animais, ou alguma coisa do gênero? — perguntou Josh.
Ri um pouco.
— Que tipo de pergunta é essa?
— Bem, da primeira vez em que estive aqui com uma garota, me arrependi de não ter perguntado. Não que ela fosse responder, de qualquer forma.
— Eu amo animais.
Ele suspirou, aliviado.
— Ótimo!
Estávamos passando por uma lagoa quando Josh viu algo brilhando no fundo.
Ele nem deu sinal. Só tirou a camisa e pulou na água.
Sem objeções da minha parte.
Voltou depois de alguns segundos com uma chave em uma das mãos. Seus cabelos pretos pareciam mais escuros por causa da água, o que fez com que seus olhos verdes se destacassem ainda mais. Ele afastou os fios molhados do rosto e me fitou.
— O que está esperando? — encarei-o. — Corra para o auditório!
— Não, nada disso. Somos uma dupla, vou procurar a chave com você — disse ele, deixando bem claro que não era um pedido.
Bem, sem objeções da minha parte. De novo.
Caminhamos por alguns minutos. Finalmente encontrei a tal árvore.
— Eu subo — me ofereci. — Sou mais leve. Além do mais, é minha chave.
E então escalei rapidamente e peguei a chave. Antes que pudesse descer, ouvi vozes.
— Brianna. Chave.
— Sério?
— Não, pegadinha. Ha. Ha. Ha. Claro que é sério, Loira.
Quando Luke chegou ao topo da árvore, empurrei-o com um pouco mais de força do que previra.
— Ai meu Deus, eu sinto m...
Mas ele se segurara bem. Havia se segurado em um tronco e desceu calmamente.
— ESTÁ LOUCA?! — berrou para mim, bufando.
Dei de ombros e desci, abanando a chave.
— Vamos, Josh? — fitei meu companheiro.
— Claro — ele focou o olhar em algum lugar atrás das árvores. — Estou bem atrás de você.
E então corri até o auditório.

Adolescentes Selvagens, Capítulo 44: Luke

Eu tinha uma bela coleção de Objetos Possivelmente Úteis Para Uma Caça Ao Tesouro. Canivetes, estiletes, uma pá (não pergunte), tesoura, corda, isqueiro, e por aí vai.
E agora tinha metade de um mapa, que Cory nos entregara.
Senti uma rajada de cabelos louros perto de meus ombros. Eu sempre me assustava com o quanto Brianna era alta se comparada às outras garotas da competição. Tinha perto de 1,72m ou algo do gênero.
— É diferente da minha metade — disse ela. — Precisamos nos juntar.
— Desculpe, gata, mas eu trabalho sozinho.
Ela suspirou.
— Luke, isso é SÉRIO. Esse é o objetivo. Você não pode se localizar com apenas metade de um mapa.
— É mesmo? Acha que a Sam está sem dupla?
Ela revirou os olhos.
— A metade do mapa dela é igual a sua.
— Ah, você checou? Que amor. Ou obsessão por mim. Sei lá.
— Na verdade, Maddie me disse. Falando nisso, a metade da Maddie é diferente da sua.
A ideia de ficar preso com Maddie procurando uma chave pela floresta me enjoou só de pensar. Até que Brianna não era tão ruim assim.
— Vamos logo — resmunguei e empurrei-a floresta adentro.
Na parte positiva, ela não tinha medo de floresta. Na parte negativa, achava que havia muitas outras chaves muito mais fáceis de encontrar, e que a floresta seria bem mais trabalhosa.
— Exatamente — revirei os olhos. — Os outros vão direto para essas chaves. O que quer dizer que as chaves da floresta serão nossas com certeza, não precisamos nem nos apressar tanto.
Brianna queria muito contestar. Eu podia ver nos olhos dela. Mas, por algum motivo, não o fez.
Caminhamos por um longo tempo. Brianna parou repentinamente.
— Luke.
— Sim?
Ela segurou meu pulso, me fazendo parar também.
— Eu acho que tem alguma coisa atrás daquelas árvores.
— E com "alguma coisa" você quer dizer...?
Foi quando uma cobra saiu dali.
— Certo, eu estudei isso em Biologia. Se as pupilas forem redondas, ela não é venenosa, mas se... — a voz de Brianna falhou.
A verdade é que ninguém se lembrava daquilo quando estava diante de uma cobra.
— Não é venenosa — declarei.
— Você checou a pupila?
— Você é burra ou o quê? Claro que não. Eu tinha uma dessa.
— Você... tinha uma cobra?
— É, é uma coral falsa.
— Isso não é... ilegal?
— Você vai fazer o que, Loirinha? Me denunciar?
Eu ri enquanto ela pegava um pedaço de tronco.
— A picada dela ainda dói, ok? — lembrei-a. — Abaixe isso.
Brianna me ignorou, se aproximando. E então acertou a cobra em cheio, que saiu literalmente voando.
Eu passei um longo minuto simplesmente embasbacado, de modo que ela teve que bufar e me puxar.
— Vamos dar o fora daqui!
Corremos mais ainda, até que vi algo brilhando no topo de uma das árvores.
— Brianna. Chave.
— Sério?
— Não, pegadinha. Ha. Ha. Ha. Claro que é sério, Loira — revirei os olhos e comecei a escalar a árvore.
Quando cheguei ao topo, aconteceu bem rápido.
Em um único movimento contra mim, eu estava em queda livre.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 43: Barbie

Havia um silêncio mortal na cabana enquanto todas nós encarávamos Sam, que, por sua vez, lia calmamente
Isso foi, obviamente, só até Maddie chegar.
— VOCÊ BEIJOU JOSH EVANS!
A resposta foi um coturno passando a dois centímetros da cabeça de Maddie. Sam pegou um canivete suíço no bolso e começou a "casualmente" olhar para ele.
Maddie entendeu o recado e se sentou na própria cama, contentando-se em observá-la como o resto de nós.
Não havia sinal de Tiffany.
— Vamos mandar a loira idiota para casa. Não vamos? — perguntei às meninas, para só depois lembrar que a única ali que era da minha equipe era a Sam. — O que ela fez com a Sam foi terrível. Ela não deixou nenhuma escolha.
— Exatamente, por isso ela beijou o Josh — Brianna completou.
— O quê?! — Sam franziu o cenho.
— Para validar a música da Tiffany e dar aos Quatis mais uma chance de vencer. Não foi por isso que o beijou?
Antes que Sam pudesse responder, Maddie voltou a se pronunciar:
— Vocês falam como se fosse um grande sacrifício! A Sam fica se fazendo de difícil, mas queria beijá-lo tanto quanto qualquer uma aqui!
— É claro que sim. Eu beijo muito bem — gabou-se uma voz conhecida da janela. Josh. — Oi, moças. Oi, Sam.
Sam o ignorou. Continuou lendo seu livro.
— A Sam saberia confirmar isso — resmungou Maddie.
— Maddison, vá à merda, antes que eu me esqueça. — resmungou Sam.
— Eu adoro o quão unidas vocês são — Josh sorriu.
— Como se as coisas na sua cabana também fossem uma maravilha. O valentão chutando a bunda do Cody Gêmeo em Ação e o aspirante a Troy Bolton simplesmente fingindo que nada está acontecendo, como sempre.
— Ah, sou EU que ignoro os acontecimentos?!
— Eu não disse seu nome, mas se a carapuça serviu...
— Cheiro de DR — comentei. — Ela é sempre assim?
— Não. Às vezes é pior. Mas pelo menos está falando comigo, o que já é um progresso. — Josh deu de ombros.
— Por que eu sempre esqueço de trancar essa droga de janela...? — Sam bufou. — Tchau, Josh.
— Sam.
— Não tô no clima.
— Você está tentando fazer com que eu te odeie ou o quê? Porque está falhando miseravelmente.
Em resposta, Sam fechou a janela, quase acertando a cabeça dele. Trancou. E voltou a ler como se nada tivesse acontecido.
* * *
— Vamos mandar a loira idiota para casa, não vamos? — encarei Josh quando o vi sentado na varanda da própria cabana
— Eu não tinha pensado nisso.
— Estou te fazendo pensar agora. Vamos, não é? Depois do que ela fez com a Sam... Quero dizer, você não pode deixar por isso mesmo.
Josh soltou uma pequena risada de desdém.
— O que te faz pensar que eu me importo com a Samantha?
— Você sabe que ela faria mesmo por você — encarei-o.
— Sei, é?
— Minta para mim. Tudo bem. Só não minta para si mesmo — dito isso, saí dali.
* * *
Um voto para Sam. E — pasmem — três votos para Tiffany. Meus olhos encontraram os de Josh por um momento. Ele deu de ombros e observou Sam subir no toco de árvore onde estava sentada e começar uma espécie de dança da vitória enquanto cantarolava uma sequência de insultos a Tiffany.
Pelo menos alguém estava se divertindo.
Sam correu com a mala de sapatos de Tiffany e jogou-a no mar. Depois soltou um riso maligno e voltou a sentar-se.
Demos um high-five. Cara, eu adorava aquela garota.
— SUA... SUA... ARGH! VOCÊS VÃO PAGAR! Principalmente você — Tiffany estreitou os olhos, apontando para Sam.
— Pode vir, Beverly Hills contra Connecticut! Não mexa com o sul — Sam soltou uma risada alta e observou Tiffany sendo levada.
* * *
Num padrão Sam de ser, ela até que estava de bom humor no dia seguinte.
— Oh, bom dia, seus grandes sacos de merda! — ela nos cumprimentou no dia seguinte na mesa do refeitório, mas ao menos estava sorrindo.
— Bom dia, Price — Luke apertou a cintura dela, o que rendeu-lhe uma cotovelada no estômago.
— Da próxima vez, eu acerto mais para baixo — ameaçou ela, cerrando os dentes.
Uma Sam sorridente ainda era uma Sam altamente letal. Josh riu enquanto Luke se contorcia.
— Como se ninguém tivesse previsto isso — Josh zombou.
— Cale a boca — ela retrucou.
Uma Sam sorridente ainda era... Bem... Uma Sam.
— Bom dia, bom dia, bom dia, bom dia, bom dia! — Cory sorriu, falando ao microfone.
— Merda, ele está animado. Estamos ferrados — Maddie murmurou. Ela provavelmente estava certa. Não que eu fosse admitir.
— Quantos de vocês estão no último ano do colégio? — perguntou Cory.
Josh, Luke, Maddie e eu levantamos a mão. Eu não fazia muita questão de decorar, mas sabia que Luke tinha 18 anos, enquanto nós três e Brianna tínhamos 17. Sam e David tinham 16. Quão estranho era isso?
— E sabem o que tem no último ano do colégio?
— S.A.T? — deduziu Sam.
— Trotes nos calouros? — deduziu Luke.
Fez-se silêncio.
— BAAAAAAAAAAAILE! — Maddie gritou, animada.
Cory sorriu.
— Será? Não vou revelar a segunda parte do desafio. Ainda. Por enquanto... Faremos uma caça ao tesouro, meus amigos.
— Temos o que, oito anos? — Sam ergueu uma sobrancelha. — Porque eu costumava fazer isso no acampamento de verão, sabe.
— Ah, no reformatório também! Só que os magrelos idiotas procuravam um óculos ou um remédio caro para caramba de asma que havíamos escondido — Luke riu, satisfeito.
Maddie encarou-o.
— Isso foi malvado!
— Princesa, talvez eu seja malvado. Já pensou nessa possibilidade?
Maddie bufou, desviando o olhar.
— Vocês procurarão por chaves — continuou Cory. — Cada chave abre um baú, que estará no palco do auditório quando vocês a encontrarem. Dentro do baú haverá coisas que o ajudarão na segunda parte do desafio. Ou não — ele soltou uma risada alta. — No entanto, em um dos baús há um anel de ouro. É o Anel do Anjo. Quem consegui-lo será o Anjo da próxima eliminação.
— Virou Big Brother essa droga? — Sam resmungou.
— Não, nada disso. Os dois últimos a abrirem seus baús correrão risco de eliminação. Mas o Anjo, que ninguém vai saber quem é, pode salvar um deles. O outro irá para casa.
Todos gelaram, secretamente imaginando quem os salvaria caso chegassem por último. Assim como imaginando quem eles salvariam se fossem o anjo.
Comecei a fazer uma lista de prioridades em minha cabeça.
— Cada um de vocês terá metade de um mapa — disse Cory. — Há apenas um modelo de mapa, onde estão listadas todas as chaves.
— Metades iguais para todo mundo? — indagou Brianna.
— Sabia que alguém se daria conta. Mas, como tudo isso vai funcionar? Simples — ele fez uma pausa. — As equipes estão desfeitas. Agora é cada um por si.
Os murmúrios foram interrompidos pelos berros de "ALELUIA!" de Luke e Maddie.
A caça ao tesouro começaria depois do almoço. Tínhamos algum tempo para prepararmos o que quer que considerássemos útil para a tarefa, pois não poderíamos voltar ao quarto depois que a caça começasse.
— Se eu pegar metade do mapa, e você pegar uma metade diferente — propus para Sam quando saímos do refeitório. — Topa procurarmos juntas?
— Tipo uma aliança?
— É. É, tipo uma aliança. E se uma de nós duas chegar em último e a outra for o Anjo...
— Vou salvar você. Não se preocupe.
— E se tiver que escolher entre eu e Josh?
Sam escondia bem, mas eu podia ver que minha pergunta a desconcertara um pouco.
— O que está insinuando?
— Estou insinuando que vocês meio que tem um tipo de aliança, não é? Quero dizer, sempre se ajudaram nos últimos desafios.
— Eu não tenho nenhum compromisso com Joshua. Ele faz o jogo dele e eu faço o meu.
Eu sabia que ela estava tentando me convencer, e sabia que Sam era honesta.
Mas no fundo sabia que, mesmo que não fosse a intenção dela, eu tinha uma parceira que não era 100% confiável.

domingo, 6 de outubro de 2013

Walk Out

Decided to text you
Tried to say I'm sorry
I'm so not ready to hear your voice.

I'm scared of what you may say
Of what you may think
I'm scared that it won't be the same.

~pre-chorus:
If I ask you to hug me, will you?
Even though you hate hugs and that's just fine
If I ask you to tell me the truth
Can we just go back to the start?

~chorus:
A real one this time
No games, no games
I just wanna see your smile
Again, again
And I wanna cause it
Just one more time
I promise I won't walk out of your life.

You decided to answer
It took you some days
Does that mean you don't hate me?

Or did you feel pity
Cause I don't think I deserve it
Don't think I deserve you at all

It's not like you're perfect
You were an ass too, but
It got so wronged that I don't even know
Who began it

~pre-chorus:
If I ask you to hug me, will you?
Even though you hate hugs and that's just fine
If I ask you to tell me the truth
Can we just go back to the start?

~chorus:
A real one this time
No games, no games
I just wanna see your smile
Again, again
And I wanna cause it
Just one more time
I promise I won't walk out of your life.

~bridge:
Come for a walk
You used to love it
Specially in the rain
You would just hold my hand
And everything... would be... okay
Somehow
Sometime
Not now
But when you were mine
And everything actually... made... sense.

~pre-chorus:
If I ask you to hug me, will you?
Even though you hate hugs and that's just fine
If I ask you to tell me the truth
Can we just go back to the start?

~chorus:
A real one this time
No games, no games
I just wanna see your smile
Again, again
And I wanna cause it
Just one more time
I promise I won't walk out of your life.
Ooh this time
Won't let you walk out of my life.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Paper Girl


Eating yogurt sugar free
Being a slave of TV
Listening to whatever media plays
Proud to be a real fake.

Taking photos at the bathroom
The same place you throw up after eating
Those disgusting cereal bars
But you smile with your friends
Isn't that so nice?

Deleting every picture where
One of them looks prettier than you
Posting the other ones on Facebook
Saying "I look ugly but I'm with you"

~chorus:
Girls
So beautiful
Girls
Not right after waking
Up
Without ten pounds of makeup
No...
You
Can't run away from this
World
You should be proud to be a paper girl.

Narcissism
Cause that's so amazing
You're my sis
Please, don't steal my boyfriend.

Secrets, secrets
A little gossip here and there
Whispers, whispers
You destroy people's lives and you do not care
You won't go out if your God damn hair
Is not ready
But you don't care about the inside
Who the hell cares about what's inside?

~chorus:
Girls
So beautiful
Girls
Not right after waking
Up
Without ten pounds of makeup
No...
You
Can't run away from this
World
You should be proud to be a paper girl.

~bridge:
A paper girl
That's what you are
Living at Barbie World
Branded clothes can't hide the scars.
Bad girls run worlds
Bad boys break hearts
They broke yours and now you're cold
Maybe you just don't have a heart anymore
(Or a brain)

~chorus:
Girls
So beautiful
Girls
Not right after waking
Up
Without ten pounds of makeup
No...
You
Can't run away from this
World
You should be proud to be a paper girl.

~outro:
I know it sounds like a Hollywood film
But I mean all of it.
So, when you tell a girl she's beautiful
I hope you mean it for real.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Wonderland


When you really can't stand the pain
And you are always just too late
Nothing ever goes in your way
That's when I go to wonderland.

I climbed the highest mountains
Flew faster then the best airplanes
Swam in the deepest oceans
Did things other people can't.

This world is magical
Red roses, shining rotes
It's not fantasy, it's real for me
Can be real for you, if you believe.

Gentle people that never lie
Lovely pets that never die
No traffic, just peace
A good place for you to fit in.

A guy who brings you flowers everyday
Somewhere you always know what to say
Friendly people that always sing
You don't need cars, you've got wings.

This world is magical
Red roses, shining rotes
It's not fantasy, it's real for me
Can be real for you, if you believe.

People who would never judge you
All they can do is love you
Somewhere everything you do is right
And no one is ever left behind.

Somewhere humans wouldn't destroy
Somewhere trees wouldn't annoy
And then be replaced by buildings and sadness
And hypocrites wouldn't cry because it's all so tragic
Somewhere I could be proud to stand as I am
Then tell everyone that's my wonderland.

domingo, 25 de agosto de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 42: Josh


As palavras de Sam depois de nossa conversa sobre o piano ainda retumbavam em minha cabeça.
"Droga, Joshua", ela suspirara. "Eu... Sei lá. Sinto como se estivesse confundindo você. Só não quero que você pense que não sou quem pareço ser."
"Não estou entendendo", admiti.
"Você nunca me entende. Essa é a graça", ela sorriu. "Eu ajo como se eu não tivesse medo de nada nem de ninguém, mas você sabe que há coisas que me assustam. E são coisas tão patéticas, como gansos e freios de bicicleta..."
Eu descobrira no desafio de confiança que Sam tinha medo de freios de bicicleta. Sempre achava que eles não parariam a tempo, o que me rendeu um timing imperfeito da minha navegadora.
"... Só não quero que pense que sou duas caras ou algo do gênero. É complicado, só isso."
"Você é uma rebelde que toca piano. Posso viver com isso. Você não deveria ter que esconder isso das outras pessoas. Seria um ato de rebeldia e tanto se você tocasse em frente ao país todo, hein?"
Ela sorrira na ocasião. Um sorriso sem dentes, como os que sempre lançava a mim, mas ainda assim um sorriso.
"Suponho que sim."
— Sam. Quer mesmo que eu acredite que Tiffany escreveu aquela música? — encarei-a enquanto nos encaminhávamos ao auditório para o desafio final.
— Sim, porque é verdade.
— Samantha, Tiffany nem sabe o que a palavra "inhabitant" significa.
— Você e a Brianna mereceram vencer aquele desafio — Sam comentou. — Foram muito bem.
Um elogio de Sam era o mesmo que uma aprovação divina.
—... Você teve sorte de poder fazer par com alguém que você gosta. Quero dizer, você até tem um apelido para ela e tal... — ela afastou uma mecha do cabelo dos olhos. — Bree.
Sorri.
— E eu chamo você de Sam. Também não é um apelido?
— Não é a mesma coisa, Joshua.
— Afinal, por que você me chama de Joshua? No começo, achei que fosse só para implicar comigo.
— No começo, eu também — ela deu um meio sorriso.
— Mas não é só isso, é?
Ela deu de ombros e foi falar algo com a Barbie. Quando chegamos ao auditório, ficamos esperando por Phillip. Foi quando percebi algo.
— Cadê a Sam? — perguntei a Luke, olhando em volta.
— Sei lá, cara.
Levantei-me e fui procurá-la. Eu estava caminhando por perto dos dormitórios quando ouvi aquela voz masculina levemente conhecida:
— Qual é, Samantha. Você fica se fazendo de difícil, mas eu vejo como me olha.
— Com nojo? Como se você fosse um vendido, artificial e supérfluo?
— Diga que não sente nada por mim, e eu deixo você ir.
— Se você gosta das suas mãos, tire-as de mim agora! É uma ordem!
Corri até a lateral dos dormitórios, onde encontrei Sam pressionada contra a parede por Phillip Fadaye, que tentava beijá-la. Ela o xingava e o afastava, mas não era forte o bastante.
Eu era.
Puxei-o pela parte de trás da camisa e o arremessei na outra parede.
Em um reflexo, levei meu punho até a cara dele. A sensação de socá-lo foi melhor do que eu teria imaginado.
— Isso foi por tentar beijá-la? — ele perguntou, limpando o pouco de sangue que saía do lábio.
— Não. Isso foi por chamá-la de Samantha. Só eu posso fazer isso. Esse aqui — dei outro soco nele. — Foi por tentar beijá-la, seu merda.
Arremessei-o na outra parede e fitei Sam, que parecia se divertir com o fato de eu estar mais irritado do que ela.
— Vamos — chamou ela, e nos afastamos.
Quando atingimos alguma distância, ela me lançou um sorriso dissimuladamente satisfeito.
— Você o jogou na parede! E depois bateu nele! E depois bateu de novo! E depois o jogou na parede! Eu ia colocá-lo no meu caderninho, mas você concretizou a vingança por mim!
Sorri.
— Você não parece muito irritada quanto a isso.
— Só estou feliz por você estar andando muito comigo. — ela beijou minha bochecha.
Tentei esconder minha expressão óbvia de surpresa.
— Tem razão, é tudo sua culpa.
— Meu heroi — Eu ri com o tom debochado com o qual ela disse isso.
Coloquei o braço em torno dos ombros dela numa tentativa de enforcá-la, mas ela me deu uma cotovelada no estômago.
— Eu poderia ter lidado com a situação — ela me encarou. Depois sorriu. — Mesmo assim, que bom que você apareceu.
— O maldito movimento feminista não te deixa dizer apenas "Obrigada, Joshua"?
Ela riu e se afastou.

Sentei-me ao lado dela no auditório. Phillip apareceu depois de algum tempo, passando gelo na parte do lábio onde eu o acertara.
— Bamos coezar — disse ele, sem conseguir falar direito. — A brimera é... Brianna!
Brianna se encaminhou ao palco. Ela havia me pedido para tocar para ela, então comecei a dedilhar o violão.
— I don't really know you... But I bet you are nice. People are people, and they try to make up our minds. They tell me you're mean, but I think everyone deserves their chance... — cantarolou Brianna, e foi para o refrão. — Everyone has a story. Everyone has gone through something that has changed them. I wanna hear your story. I'm sure your blue eyes are not as cold as they say...
Eu sempre me impressionava com o quanto Brianna sempre pensava o melhor de todo mundo. Até mesmo de Tiffany. Era uma letra tão bonita dedicada a uma pessoa tão terrível.
Acho que o excesso de bondade se torna ingenuidade às vezes.
Ela foi muito aplaudida.
— Diffany. Sua vez.
Tiffany se levantou, sorrindo, e foi até o palco.
— Bem — começou ela. — A minha dedicatória é para alguém que eu gosto e admiro muito. Mas... eu não sabia como colocar em palavras o quão incrível essa pessoa é, e descobri que uma colega minha sabia exatamente.
— Dudo bem — disse Phillip. — Mas a clega terá de brovar que tais palavras são berdaderas, caso contrário, nada de ponto.
— Concordo plenamente.
— Josh — Cory apareceu ao meu lado. — Pode vir comigo um instante?
— O que é? Eu vou junto — decidiu Sam.
Cory suspirou.
— É, pode ser melhor que você venha também.
Quando tomamos alguma distância, ele me encarou.
— Você acertou um dos rostos mais rentáveis da mídia atual.
— Foi.
— Por que faria isso?
— Não sei.
Sam bufou.
— Ele estava me protegendo.
Cory ergueu uma sobrancelha.
— Ah, é?
— É, sim. Aquele porco que vocês contrataram não sabe ouvir 'não' de uma garota.
O apresentador arregalou os olhos.
— Phillip tentou...?
Ela fez que sim.
— Certo. Obrigado pela colaboração. Podem voltar ao auditório.
Fizemos isso. Mas, quando chegamos, Sam congelou ao ouvir o que Tiffany estava dizendo e balançou a mão no ar até encontrar a minha, e então a esmagou.
— Deeear diary... — cantava Tiffany em sua voz aguda e chata. Comecei a acompanhar no violão.
"It's getting harder not to smile.
He acts stupid and does not care about it
I think he's just patiently waiting for all my walls
To fall down
And I think they are.

Dear diary,
I'm still wearing his coat
It's warm and I hate it
As much as I hate that damn uptown boy.

Dear diary,
He's actually kinda smart
Or just super observant
He always knows what is in my eyes
And I don't know how, but he gets
Everything I feel
Even when he doesn't understand
What I say for real
And since I started to talk
I love that his name is..."
— JOSHUA! — Sam berrou comigo e eu parei de tocar.
Silêncio mortal.
— Será que minha colega, Sam, quer falar algo sobre isso? — Tiffany abriu um sorriso satisfeito.
Sam caminhou até o palco, me arrastando junto pelo pulso. Não entendi por que, mas fui.
— Se vcê confssar — disse Phillip. — Su equipe pod gãrrar 30 pontos, o desapio, e não ter ninguém da equipe eliminado.
Sam suspirou. Eu podia ver que ela sentia que não tinha escolha.
— Certo. Essa megera loira roubou meu diário. — Silêncio. — É, eu admito que tenha escrito isso. Pá, babado forte — zombou ela. Se não zombasse, não seria Sam.
Depois se virou para mim — para mim, especificamente, e segurou minha mão, esmagando-a novamente. Não reclamei.
— Acho que te devo uma explicação, não é?
Assenti lentamente.
— Certo. Lá vai.
Sam me fitou por um longo minuto com aqueles olhos cinzentos tempestuosos. Depois apenas se inclinou e me beijou nos lábios.

Por um momento, fiquei tão atônito que não reagi, mas depois fechei os olhos e a beijei de volta. Se um abraço de Sam Price já era surreal, aquilo era o quê?
Quando nos separamos, ela ficou olhando para mim. Não desviou os olhos para os outros competidores nem uma vez. Acho que não queria ver a reação deles, então preferiu assistir à minha.
Ela também parecia surpresa, na verdade. Não reconheci sua expressão, mas com certeza havia um pouco de "o-que-diabos-eu-acabei-de-fazer?" nela.
Minha expressão era tão ridícula que a fez sorrir. Uma mistura de embasbacamento, confusão, surpresa e incerteza quanto a o que dizer agora.
— Eu estaba sperando apenaz uma confssão, mas isso serve também — Phillip deu de ombros. — Josh, sua vez.
Sentei-me no banquinho com o violão e Sam desceu para a plateia.
— Uou. Essa música parece tão errada agora. Ou tão certa. Não sei. Chamo essa de "Daydreamer" — dei de ombros e comecei a tocar.
"Daydreamer
You're lost in outer space
Am I the one to blame?
Let me save
You.

Daydreamer
You know who you are
Queen of sarcasm
The hero for the lost cause
A war of head versus heart...

Daydreamer
You've built your walls
I can't come across
Wish I were but I'm not
More than a stupid lacrosse star..."
— But I have a guitar... — essa última parte fez Sam sorrir levemente. — First I'm a nice guy. Then I'm kinda smart. You should stop calling me Joshua. Or I'll start to think I have your heart.

Sam ficou realmente irritada quando Phillip anunciou Brianna como vencedora do desafio. Algo me dizia que, se eu já não tivesse arrebentado a cara dele, Sam já teria feito algo muito pior, como... Sei lá. Mergulhar o rosto dele em alguma coisa nuclear e radioativa que a derreteria totalmente.
Mas ela ainda não falara direito comigo. Phillip nos dera o resto da tarde livre antes da eliminação de um Quati à noite.
Corri até Sam, que caminhava até o dormitório.
— Sam! Sabe que vamos ter que falar sobre isso, não sabe?
Ela continuou andando, fingindo que eu não havia dito nada.
— Acho que vou ficar lendo hoje... — comentou.
— Samantha.
— Eu sei que você não é o maior fã de livros, mas eu gosto deles.
— E eu sei que você não é a maior fã de... mim, mas você me beijou!
— Obrigada pela informação extremamente útil, Capitão Óbvio.
— Por nada, Tenente Sarcasmo.
A resposta à provocação dela a fez sorrir, mas ela fez de tudo para que eu não percebesse.
Percebi.

Adolescentes Selvagens; Capítulo 41: Luke


— Você realmente não nasceu para cantar — comentei com Tiffany enquanto esperávamos por Phillip.
Mas ela estava — pela primeira vez desde sempre — de bom humor.
— Não sei cantar, não sei dançar. Mas quem liga? Eu ando como a Rihanna.
— Citação desnecessária de The Wanted — comentou Barbie.
— Sempre gostei mais de One Direction — disse Maddie.
— Sempre gostei mais de vocês caladas — foi o resmungo já esperado de Sam.
— A segunda parte do desafio será de Conhecimento Musical! — anunciou Phillip, animado.
— Eu odeio esse cara — comentei baixinho com Josh.
— Ele é meio idiota, mas parece inofensivo.
— Serão perguntas de diversos gêneros e tipos, tudo relacionado a música. — continuou Phillip. — Cada um terá um botão vermelho desses. Se souberem a resposta, apertem o botão.
E começou.
— Quem era o vocalista da banda Oasis?
Sam foi mais rápida.
— Noel Gallagher.
— Um ponto para Samantha!
Xinguei por ter perdido uma tão fácil por demora.
— Por que a banda Guns N' Roses tem esse nome?
Sam de novo.
— Citando diretamente o gênio Axl Rose: "As armas são para mostrar que lutamos. E as rosas para mostrar que vencemos."
— Mais um ponto!
— Complete a música: I can't compete with your boyfriend...
Eu e Sam nos entreolhamos.
— HE'S GOT 27 TATTOOS — Maddie berrou como se fosse óbvio.
— Ponto para Maddie. Como deu-se a morte precoce de Mozart?
— A irmã o assassinou — respondeu ela novamente.
Metade das perguntas seguintes foi sobre música clássica, e Maddie era a única que sabia alguma coisa sobre isso. Bem, Sam cantou as notas da Nona Sinfonia de Beethoven, que sua mãe a obrigara a aprender no piano.
No final, os jogadores com mais pontos eram eu e Maddie.
— Rodada final! Luke versus Maddie. Usem estes botões — Phillip nos entregou dois botões azuis. — Primeira pergunta: Quantos Grammys têm os Rolling Stones?
Apertei o botão.
— AI! — gritou Maddie. O botão dava choque quando a outra pessoa o apertava.
— Um Grammy.
— Correto! Quantos Grammys Taylor Swift tem?
Maddie apertou o botão com força. Levei um choque leve.
— Sete.
— Exatamente!
E assim foi. Apertávamos o botão o tempo todo, tendo perguntas ou não, só pelo prazer de dar choque um no outro. Ver a cara de ultraje de Maddie satisfazia a alma.
—... Você fica linda de vermelho, Samantha — Phillip abriu o sorriso que ele provavelmente usava na capa do CD para derreter pré-adolescentes.
Senti-me vingado ao concluir que não funcionava com a Sam.
— Não me lembro de ter pedido a sua opinião — retrucou ela.
— Ele não pode fazer isso. Ele pode? — sussurrei para Maddie.
— Ele é famoso e atraente, diferentemente de você — respondeu ela, seca. — Então, sim, ele pode.
Sorri.
— Seus lábios dizem uma coisa, mas seus olhos não podem mentir.
Em resposta, ela me deu outro choque.
— Qual a capital da música country?
Dei um choque nela, apesar de não saber a resposta.
— Texas — chutei.
Ela me deu um choque.
— Nashville!
— E Maddie é a grande vencedora da segunda parte do desafio!

Sam Price


1) Sua vida em Connecticut
A) Dados Básicos e Família
Samantha Jean Price (ou apenas Sam Price) nasceu em Hartford, Connecticut em 6 de Fevereiro de 1996.
Atualmente mora em sua cidade natal com seus pais, Adriana e James Price, além de sua irmã caçula, Lily, e seu irmão mais velho, Trevor.
Apesar de ser a filha do meio, Sam sempre deu bem mais trabalho aos pais do que seus irmãos, mesmo que se considere a mais independente dos três.
Lily considera a irmã uma deusa, e é provavelmente sua maior admiradora. Elas são muito próximas, e Sam a classifica como "a única coisa de que sentiria saudade se fugisse de Connecticut".
O mesmo não acontece com seu irmão mais velho, cujo ela diz ser um "certinho babaca que se acha descolado porque usa o sarcasmo de uma forma babaca". Eles travam uma guerra diária, e a maioria dos delitos de Sam só foram ligados a ela por causa de Trevor.
B) Ficha Policial
Sua primeira aparição nos registros de polícia foi aos seis anos, quando tentou invadir uma prisão munida apenas de um urso de pelúcia e uma voadora poderosa. Desde então, a polícia local procura ficar sempre de olho nessa jovem em especial. Seus delitos incluem invasão e destruição de propriedade, desrespeito à autoridade, motim e obstrução da justiça, além de uma expulsão e oito suspensões. Também houve um incidente envolvendo um ganso, cujo o envolvimento de Samantha nunca foi confirmado. Isso se excluirmos as 17 vezes em que tentou fugir de casa, tendo sucesso em apenas três, incluindo a vez em que disse que ia à padaria e foi encontrada em uma padaria de Nova York duas semanas depois.

2) Adolescentes Selvagens
A) O Veredito
Depois de ter pegado um pouco mais pesado em sua rebeldia ao longo dos anos, a corte judicial decidiu mandá-la para um reformatório. Infeliz com a ideia, sua mãe fez um acordo com o juiz, mandando-a para um reality show que prometia ter regras bem rígidas.
O Adolescentes Selvagens acabou sendo tudo o que ela não esperava. Em algumas semanas, deixou de ser um lugar de punição para ser um lugar onde ela encontrou amigos, inimigos, e até talvez um amor... É como o colegial, só que com um prêmio de um milhão de dólares para o vencedor.
B) Está Aqui Para Vencer
Sam é uma candidata forte ao milhão desde que pisou naquela ilha. Nenhum dos outros competidores questiona sua chance de vencer. Nem mesmo Tiffany Preston que, vamos combinar, odeia a rebelde.
Sam está fazendo de tudo para ganhar. Tudo está indo muito bem para ela, exceto quando sua língua frouxa e sua personalidade forte a penalizam. Sam é única, e se orgulha disso. Mesmo não fazendo o mínimo esforço para ser legal, ainda é uma das favoritas do público.
C) Os Outros Competidores: Aliados, Rivais ou Inimigos?
Todas as opções acima. Para todos os competidores. As relações de Sam são complicadas de entender. Nunca se sabe se ela gosta de uma pessoa ou não.
Quando entrevistamos ela sobre isso, tudo o que ela nos disse foi "A surfista é suportável. Barbie sabe dar uma lição em alguém. Não me importo realmente com Luke. E se Tiffany morresse, eu iria ao enterro apenas para jogar bombas de bosta no túmulo dela".
Quando perguntada sobre Josh, ela recuou visivelmente. "O que vocês querem saber?!", ela cerrou os dentes. Perguntamos sobre os boatos de uma possível paixão, mas isso apenas a aborreceu mais. Como resposta, ela nos mandou tomar em um lugar que não tenho permissão para repetir aqui.
...Será que o bonitão realmente conseguiu fisgar o coração da srta. Frieza?

3) Curiosidades
A) Fobias
Sam se recusou a falar sobre isso, mas por sorte tínhamos os registros de uma antiga terapeuta dela (antes de ela se revoltar contra a mulher e fazer com que sua mãe parasse com a terapia).
Algumas de suas fobias:
- Gansos
- Freios de bicicleta
- Lugares abafados
- Palhaços
- Aranhas
- Ver muito sangue
B) Hobbies
- Ouvir rock em seu iPod
- Zombar de Trevor
- Zombar de Josh
- Assistir a filmes de terror
- Comprar coturnos ou jaquetas de couro
- Escrever em seu diário
- Ler
- Questionar a autoridade
- Escrever teorias de conspiração
- Idealizar estratégias
- Zombar de Tiffany com palavras difíceis, de modo que ela demore a entender
C) Curiosidades Gerais
- Sua primeira suspensão foi aos oito anos, por discutir aos berros com uma professora sobre seu comportamento
- Seu seriado de TV favorito é The Walking Dead
- Ela acha que zumbis são muito melhores do que vampiros
- Quando era mais nova, tinha uma quedona pelo vocalista do Maroon 5, Adam Levine
- Sustenta que o anarquismo destruiria o mundo, mas que amaria ver a coisa toda acontecendo
- Acha que o vocalista do Guns N' Roses, Axl Rose, era a coisa mais perfeita do mundo quando era jovem
- Sam nasceu no mesmo dia que Axl Rose
- Ela sabe abrir portas com grampos de cabelo desde os sete anos
- Quando tinha 14 anos, fez sua amiga beijar o capitão do time de natação para conseguir a chave da piscina do colégio, que ela tem até hoje
- Desde que entrou no colegial, já foi para a detenção mais de 203 vezes
- Ela não conta isso para ninguém, mas toca piano muito bem
- Ela é vegetariana

4) Depoimentos

"Sam é uma ótima garota. Ela só precisa... Ser mais normal, entende? Ir à escola, fazer festas do pijama, arrumar um namorado que tenha a ficha limpa... MAS NADA DISSO É MINHA CULPA, EU SOU UMA EXCELENTE MÃE!" - Adriana Price sobre sua filha
"Não nos falamos muito. Ela odeia baseball. Que tipo de pessoa odeia baseball?!" - James Price sobre sua filha
"MINHA IRMÃ É A MELHOR! ELA VAI GANHAR UM MILHÃO DE DÓLARES, VOCÊS VÃO VER! TOOOODOS VOCÊS VÃO VER!" - Lily Price sobre sua irmã mais velha
"Tento não falar com ela. Vai que insanidade é contagioso... Na escola, finjo que sou filho único." - Trevor Price sobre sua irmã mais nova
"Muitos garotos a acham bonita, mas ela não sai muito." - Anônimo, colega de classe de Sam
"Aquela garota tem atitude. Ela é como uma garota americana deveria ser. Ela sabe o que faz, essa Price. A maioria das garotas têm inveja dela, mas não admitem. Mesmo que admitissem, Sam não daria a mínima. Ela é uma lenda na detenção." - Victor Smith, "colega de detenção"
"Ela é gata. Super gata." - Luke Seaton, participante do reality show Adolescentes Selvagens
"Essa garota definitivamente sabe como acabar com uma vaca! Gosto do jeito que ela lida com as coisas." - Barbara O' Connor, participante do Adolescentes Selvagens
"Não há ninguém na competição como ela. Não há ninguém no UNIVERSO como ela. Se você a tem ao seu lado, considere-se sortudo. Eu acho que as pessoas deveriam pensar mais como ela. Ela é quem ela é, e é isso que eu gosto nela... É ISSO QUE EU GOSTO NELA COMO AMIGA.... COMO COLEGA DE EQUIPE... COMO... COMO... PESSOA! COMO... Érrr... Moça, onde eu apago essa última parte?" - Joshua Evans, participante do Adolescentes Selvagens
"Ela é uma adversária forte, mas pensa de forma muito precipitada." - Maddison Stewart, participante do Adolescentes Selvagens
"Ela é uma garota solitária que passou por muita coisa... O reformatório teria sido bom para ela, e... ESTOU SÓ BRINCANDO, SAMANTHA! SÓ... BRINCANDO... Ok... Agora abaixe esse abajur... Abaixe..." - Dra. Pepperson, psicóloga
"Ela não parece ter nenhuma doença psicológica, mas é realmente difícil fazer um teste de bipolaridade com o paciente te xingando em Francês, depois que a mãe a proibiu de falar palavrões em uma língua que entendêssemos." - Dr. Ott, psiquiatra
"Eu iria para a guerra com essa garota a qualquer hora!" - Capitão Shelton
"Cette fille est un génie! Un génie! Ou peut-être c'est juste colère ... mais les meilleurs sont comme ça!" - Madame Charlotte, professora de Francês de Sam
"Por mim ela morre" - Chefe da cozinha do Adolescentes Selvagens
"Sou a favor, sou a favor! Aquela garota nem sabe o que é um Louboutin! Aquela... Aquela neãdertall! Ela pensa que é o máximo, mas não é!" - Tiffany Preston, participante do Adolescentes Selvagens
"Você não sabe nem falar 'neandertal' corretamente, muito menos escrever. Que dirá saber o que significa." - Sam Price sobre o comentário acima.
"Gosto de picles" - Chloe Parkins, participante do Adolescentes Selvagens.

5) Ficha Básica

Nome completo: Samantha Jean Price
Apelidos: Sam, Price, punk, revoltada, rebelde, gótica
Data de nascimento: 06/02/1996
Idade: 16
Signo: Aquário
Cor de pele: Alva
Cabelo: Castanho claro, levemente ondulado nas pontas
Olhos: Cinzentos
Altura: 1,67m
Família: Seus pais, uma irmã mais nova e um irmão mais velho
Cidade natal: Hartford, Connecticut
Cidade atual: Hartford, Connecticut
Cor favorita: Vermelho
Comida favorita: Torta de maçã
Filme favorito: Qualquer um de terror
Programa de TV favorito: The Walking Dead
Banda favorita: Guns N' Roses
Música favorita: She Will Be Loved, Maroon 5
Livro favorito: As Vantagens de Ser Invisível
Ama: Sarcasmo
Odeia: Idiotas
Considera-se: Revolucionária
É alérgica a: Burrice. Mas amendoim também serve

sábado, 24 de agosto de 2013

Adolescentes Selvagens; Capitulo 40: Tiffany


— Eu disse "Sol"! — Sam bufou, tocando a nota repetidas vezez no piano. — Você não está cantando em Sol!
— Toque no que estou cantando, oras!
— Mas a droga de música que eu fiz sem nenhuma ajuda de Vossa Alteza está em Sol!
— Não está, não. Está em G.
— G é Sol, loira. Inferno — ela bateu a cabeça de leve no tampo do piano. — Vou tocar mais uma vez para você. Cante comigo.
Sam começou uma melodia lenta e aparentemente complicada.
— Isso soa como música de enterro.
— Cale a boca.
Ela deu a entrada para o começo do vocal.
— Maybe if I weren't like this — começou ela, baixo.
— Don't know how to say, but if... If I didn't insist for nothing, If I didn't talk so much — cantei por cima.
— Without saying anything at all... — ela aumentou o tom de voz, criticando silenciosamente a velocidade com a qual eu estava cantando. — Quer saber, cale a boca e me deixe cantar uma vez para você entender.
Eu o fiz
"Don't know how to explain, but if my head didn't shut my heart
If I didn't lie when I'm nervous, just to get away from you
When all I want is a hug, but I wouldn't ask for it.
Maybe then I would have you.

If I didn't write on my notebook instead of telling you how I feel
If I didn't use sarcasm when things start to become real
If I weren't conductive to accidents
If I didn't talk like I were the president
If my head could have at least one inhabitant
If I didn't break things when I should fix them.
Maybe then I would have you.

If I take a breath and count to three
Then tell you everything
Will everything be ok
Or will I just have spoken too much again?
Maybe if I knew what to do
Maybe then I would have you..."
Palmas vieram da porta. Josh.
— Essa música é incrível, Sam — ele deu um sorriso levemente admirado.
A punk fechou o piano, parando de cantar no meio da música. Parecia desconsertada.
— Tiffany escreveu.
Não entendi por que ela mentiria, mas a ideia de impressionar Josh me entreteu.
— Isso aí.
— Joshua, estamos ensaiando — Sam suspirou. — Algo que você também deveria estar fazendo. Dê o fora daqui.
— Mas...
— Agora!
Ele suspirou e o fez. Encarei-a.
— Não precisava ser tão rude.
Ela me ignorou.
— Agora que entendeu a velocidade da canção, podemos...

Em uma hora, estávamos sentadas no auditório, esperando para nos apresentarmos.
Josh e Brianna estavam no palco. Eles eram bons, na verdade.
— A voz dela é tão mais suportável que a sua — Sam comentou comigo.
— Não é como se eu gostasse da sua companhia também.
— E agora... — disse Phillip Fadaye sorriu, apresentando a próxima dupla. — Samantha e Tiffany!
Fomos até o palco. Sam sentou-se em frente ao piano e eu sentei-me num banquinho ao lado. Ela tocou um Sol isolado para me lembrar da nota.
— Ótima canção! — Phillip comentou quando terminamos de cantar. — Quem a escreveu?
— Tiffany — respondeu Sam rapidamente.
— Eu!
— Muito bom, mesmo! Como eu disse antes, as pontuações serão individuais, mas no fim o participante em primeiro lugar ganhará um prêmio para a equipe: o prêmio de não ter ninguém de seu time eliminado! Sim, este é um desafio de eliminação! Nessa primeira parte, os vencedores são...: Josh e Brianna, parabéns! Vocês ganharam dez pontos!
— Pare de falar tudo com exclamações! Meu Deus! — Sam o imitou, resmungando.
Em resposta, Phillip sorriu para ela. Argh.
— O desafio final valerá 30 pontos. Vocês devem criar uma canção sobre um colega de vocês que será escolhido por sorteio. Não contem a ninguém, os outros vão ter de descobrir.
Todos pegamos um papelzinho numa caixa. Quando abri o meu, abri um grande sorriso.
Josh.
— Vocês têm vinte minutos até o segundo desafio, sobre o qual explicarei melhor no gramado ao lado da floresta.
Corri para o dormitório antes de todos. Estava prestes a devolver o caderno de Pessoas Que Quero Dar Um Soco Na Cara de Sam — ele não me servia de nada, mesmo.
Foi quando notei que o travesseiro de Sam estava um pouco levantado. Ah. Meu. Deus. Joguei-o para o lado e deparei-me com um pequeno caderno azul.
E, fácil assim, eu tinha em mãos o diário de Sam Price.

domingo, 18 de agosto de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 39: Brianna


Sam chegou ao quarto imaginando que estaríamos todas dormindo, mas as meninas não sossegariam até fazer todas as perguntas possíveis a ela.
Eu particularmente não ligava muito, mas não conseguia dormir com toda aquela baderna.
— Essa é a jaqueta do Josh? — Maddie ergueu uma sobrancelha.
Sam olhou para baixo e xingou baixinho, como se percebesse pela primeira vez que ainda estava com ela.
— Ele derrubou os cobertores numa poça d'água — ela revirou os olhos.
— Guardou um pedaço de pizza para mim? — perguntou Barbie, saindo do banheiro.
— Não... Josh comeu tudo, mal sobrou pizza pra mim — Sam suspirou.
— Espere, essa é a jaqueta dele?
— Meu Deeeeus! — a punk bufou e apagou a luz do quarto. — Dormir. Todo mundo.
Mas quando ela chegou em sua cama, soltou um berro.
— QUEM FOI A VADIA QUE PEGOU O MEU CADERNO?! — ela gritou, semicerrando os olhos e acendendo a luz. — Agora. Eu sei que foi uma de vocês. Quem foi?!
Ficamos em silêncios, olhando atordoadas para ela.
— Quando eu acordar, quero o caderno em cima do meu baú. Ou vocês vão se ver comigo. E não. Vai ser. Bonito.
— Achei que ela fosse ficar menos dramática depois do encontro — sussurrou Maddie.
Uma escova de cabelo voou nela no mesmo instante. Não vou dizer quem jogou, mas digamos que o nome da garota começa com S de sangue e termina com M de morte.

No dia seguinte, o caderno não estava em cima do baú de Sam. O almoço foi bem tranquilo.
— Eu sei que foi você! Devolva. Meu. Caderno — Sam cerrou os dentes, ameaçando Tiffany com um talher.
— Sam... Você sabe que isso é uma colher, não sabe? — Josh comentou, receoso.
A garota olhou para a colher que tinha em mãos, apontada para Tiffany. Apontou-a para Josh e disse:
— Quer testar?
Josh podia até conseguir ter alguma influência no temperamento explosivo de Sam, mas não tanto assim. Então apenas ficou quieto enquanto Tiffany negava ter roubado o caderno.

Sentei-me na varanda do chalé para ler um livro de Sam que eu havia pedido emprestado. Havia algumas anotações ocasionais nas partes que ela mais gostara, e eu gostava de lê-las.
"Quando você sai das vista das pessoas você vê realmente o que importa na vida e o que te faz bem"
Embaixo ela escreveu, em uma letra cursiva caprichada:
Só não dá para fugir de si mesmo
Uma parte em especial me intrigou. A personagem falava sobre ajuda, e Sam escreveu embaixo "Ninguém pode ajudar ninguém".
Intrigou-me a ponto de que perguntei a ela quando a vi saindo do chalé. Ela sentou-se ao meu lado e começou a falar devagar, como se achasse que eu não tinha Q.I o suficiente para compreender as teorias dela.
— Ninguém pode ajudar ninguém, pois não há patamar superior. Estamos todos coexistindo, em diferentes situações, mas da mesma forma. A pessoa pode te oferecer a ilusão na qual ela acredita, e você pode aceitar ou não. Mas não existe "ajudar", pois somos todos iguais. Estamos todos aqui nas mesmas condições. Viver. Se ferrar. Morrer. É isso. Como se tira alguém do inferno quando você próprio está preso a ele?
Não costumava julgar as pessoas, mas fiquei surpresa ao perceber que a arrogância de Sam tinha um leve fundamento.
Ela não fingia que todos eram mentalmente inferiores a ela. Ela realmente pensava tal coisa, e talvez alguns até fossem.
— É um jeito solitário de se pensar — comentei, relutante.
— É o jeito racional de se pensar.  Só que as pessoas evitam o racional, então se prendem a esperanças. É como a vida após a morte. Sabe por que as pessoas acreditam que algo acontece com elas depois de morrer? — ela me encarou. — Porque não suportam a outra alternativa.
—...
— Não sei você, mas não vou ficar esperando a possível próxima vida — Sam se levantou. — Vou fazer esta aqui valer a pena. Vou deixar um legado que viva para sempre.
— E o resto das pessoas achando que ser feliz basta — Josh se aproximou, sorrindo levemente.
Sam o fitou.
— Como você pode ser feliz sem um propósito?
Josh desviou o olhar, focando em mim.
— Ela está te assustando? Porque ela faz isso às vezes, mas te garanto que ela não vai te apunhalar enquanto você dorme... Eu acho.
— Não! Perguntei a ela sobre umas anotações de um livro e ela começou uma teoria existencialista muito inteligente, na verdade.
Josh ergueu uma sobrancelha.
— Ah, é? E depois diz que lacrosse é para idiotas — ele sorriu, olhando para Sam. — Quero dizer, a jaqueta está claramente aumentando seu Q.I.
Sam abraçou a jaqueta de Josh, que ainda estava vestindo, de forma defensiva.
— Talvez você devesse tomá-la de volta, então. A falta dela está claramente queimando seus neurônios.
— Meu Deus, você acaba de assumir que eu tenho neurônios! — ele fingiu estar impressionado, e disse a próxima sentença olhando para mim: — Isso é tipo uma declaração de amor no Mundo Mágico da Samantha, sabia?
Eu não sabia, mas assenti.

Cory nos deu um dia de folga. Aprendêramos a odiar qualquer coisa levemente legal que ele fazia, pois era sempre seguida de tortura iminente.
Eu só não esperava que a tortura se chamasse Phillip Fadaye.
Phillip não seria uma tortura, de modo nenhum. Foi o que pensei quando o vi no dia seguinte.
Phillip Fadaye era um cantor pop que estava fazendo bastante sucesso, então eu não fazia ideia de por que ele decidira participar daquele programa de segunda bobo onde estávamos.
Mas lá estava. Phillip era... Bem... Lindo. "Lindo" seria a palavra certa. Cabelos louros cacheados, olhos azuis, um sorriso bonito e uma voz hipnotizante.
— Acho que todos vocês conhecem Phillip Fadaye — disse Cory, sorrindo um pouco ao nos apresentar. Todas as garotas assentiram e soltaram suspiros, animadas. Exceto Sam. Sam se juntou ao grupo dos garotos, que bufavam e resmungavam algo que soava como "viado". Nenhuma surpresa até ali.
— Obrigado — Phillip sorriu levemente. — É um prazer estar aqui. Gosto muito do programa.
A ideia fez Sam — que achava os espectadores do programa mais estúpidos do que o próprio show — bufar novamente e revirar os olhos.
Para a surpresa de todos, os olhos de Phillip se acenderam. Ele abriu um grande sorriso e caminhou até ela.
— E você é...?
Foi levemente divertido assistir à expressão de ultraje no rosto de Tiffany.
— Achei que assistisse ao programa — rebateu Sam, olhando para a própria unha em um gesto de desafio.
— Assisto. Só pensei que poderíamos nos apresentar frente a frente.
Ela finalmente olhou para ele.
— Bem, pensou errado. Cory — ela encarou o apresentador. —, podemos continuar essa droga para que eu possa ganhar um milhão e uma ficha limpa logo? Obrigada.
Fiquei um pouco incomodada por Sam ser tão rude com alguém que estava sendo tão gentil com ela, mas não estava muito surpresa. Josh parecia estar se divertindo.
— Hoje — Phillip se virou para todos nós, sorrindo. — vocês serão estrelas do rock.
O único que parecia achar aquilo interessante era Luke — desde que ele pudesse destruir quartos de hotel e tal.
— Quem aqui toca algum instrumento? — perguntou Phillip. Apenas Josh e Maddie levantaram a mão. — Ótimo... Bem... Hã... Quem aqui canta?
Tiffany ergueu ambas as mãos rapidamente e as balançou, dizendo "Eu!", "Eu!".
— Trouxemos violões, pianos, baterias, guitarras elétricas e um violino. Josh e Maddie terão preferência na escolha de instrumentos, já que tocam.
— Violão! — berrou Josh no mesmo instante.
— Violino! — berrou Maddie por cima.
— Os outros... Espere, cadê a Samantha? — Phillip olhou em volta.
Fizemos o mesmo. Ela não estava mais ali.
— Certo, hm... Façam duplas. Um vai tocar e outro vai cantar. Vocês têm três horas para ensaiar.
Fiquei com Josh. Não achava que minha voz era ruim.
— Vou só pegar meu violão... — disse ele, mas parou de falar no mesmo instante. Havia percebido a mesma coisa que eu. — Isso é... música?
Corremos em direção ao som. Olhamos pela janela da sala de música, que estava vazia, exceto por uma única pessoa tocando piano.
Sam.
— Você mentiu! — berrou Josh, escancarando a porta da sala. Sam arregalou os olhos e parou de tocar. — Samantha Price, você toca piano. Por que diabos você toca piano?
Ela pegou a partitura que estava tocando, agindo como se tivéssemos invadido o banheiro enquanto ela tomava banho.
— Não é da conta de vocês!
— Você toca muito bem, Sam. Sério. Precisa dizer ao Cory.
— Não preciso fazer nada! Preciso que vocês calem a boca, isso é tudo.
Josh semicerrou os olhos, aproximando-se dela como eu nunca havia visto ninguém fazer. Sem nenhum medo. Perto o suficiente para um chute na virilha. Imaginei se ela conseguiria sentir o hálito dele.
— Ou você conta ao Cory. Ou eu conto.
— Você não faria isso.
— Como sabe?
— Porque conheço você, Joshua.
— Exatamente. Eu sou bem idiota, sabe? Não penso muito antes de fazer coisas estúpidas.
— Joshua. Não posso fazer isso — ela o encarou, séria. — Entendeu? Não posso. Preciso que entenda isso.
— Por que não está dizendo isso a ela também? — ele apontou para mim.
— Ah, ela não vai dizer nada. Tem medo de acordar sem cabelo. É com você que estou preocupada.

* * *

Não sei como, mas Josh a convenceu. Não escutei a conversa, mas em diversos pontos achei que Sam fosse chutar as partes baixas de Josh. Mas ela não o fez, e ele não recuou — o que achei surpreendemente corajoso (ou insano), mas Sam não parecia achar grande coisa.
Porém, estávamos atrasados e só havia uma pessoa sem par para Sam.
— NEM PENSAR! Prefiro ter todos os meus membros arrancados de mim, ou pior! Ter todos os meus Louboutin arrancados de mim! — gritou Tiffany, mostrando sua indignação.
Barbie sussurrou para mim que Louboutin — Christian Louboutin — era uma grife de sapatos. Agradeci baixinho pela informação.
Sam mandou-a calar a boca e a arrastou até a sala de música. Todos os outros instrumentos podiam ser removidos de lá com mais facilidade do que o piano, então ela "pediu" para usar a sala.
Então, sim, ela fez com que Luke tirasse a bateria lá de dentro, porque ela era Sam Price e Luke era um cachorrinho domesticado.
Sentei ao lado de Josh em um banco de madeira em frente ao mar. Ambos gostávamos de observar as ondas e o ar livre, então por que não?
Cory havia estabelecido algumas regras quanto à competição. Teria de ser uma música de autoria própria da dupla, e no mínimo uma pessoa por dupla tinha de cantar.
— Realmente não me sinto confortável cantando sozinha — comentei com Josh, um pouco relutante pela frescura.
— Tudo bem, eu canto com você.
Fiquei surpresa por ele ter aceitado tão bem.
— Sério?
— É, vamos fazer isso. Por que não, né?
Eu podia citar pelo menos vinte e sete "por que não"s, mas fiquei quieta.
— Quanto à música... — ele torceu o nariz. — Sou um péssimo escritor. Sou mesmo.
— Posso pensar em alguma coisa. Toque.
— Tocar o quê?
— Não sei, invente algo. Vou criar uma letra.
— Tipo, de improviso? Você é algum tipo de rapper, ou...?
— Deus, não. Eu ouço Jason Mraz, não sei nada sobre rap. Apenas toque.
Josh começou a tocar uma melodia simples, um pouco animada.
— Sobre o que deveríamos cantar? — perguntei, ainda hesitando.
— Estou só tocando, Jensen. O resto é com você.
— Valeu pelo apoio. Só... Hm...
— O quê?
— Não estou exatamente confortável com baladas românticas, tudo bem?
Josh sorriu, parecendo aliviado.
— Deus, muito obrigado. Isso seria constrangedor.
— Nem me diga!
— Ainda estou tocando, Brianna...
Suspirei e comecei a cantar o que veio na cabeça.
— There will come a time / When I'll be on the top / No more lies / No one is gonna shut me up.
O refrão foi um pouco mais fácil.
— I'm gonna sing out loud for those who doubted me / I'm gonna throw it all on their faces / There will come the day they'll wash my car / Cause man... I'm gonna win this game.
O comentário de Josh ao fim da música foi:
— Sua... Sua rapper!
Eu ri.
— Como eu faço para lembrar do que cantei agora?
Ele mostrou o gravador que havia trazido sem que eu soubesse.
— Seu... Droga, Josh! — enrubesci, o que era idiota, pois eu era gravada o tempo inteiro pelas câmeras daquele programa.
— Por nada! Agora me ensine essa droga de letra.
— Bem, preciso aprendê-la primeiro.
— Temos uma hora e meia para isso. Preciso lembrar o que eu toquei também.
— Bom saber que está tudo nos conformes.

domingo, 11 de agosto de 2013

Head Versus Heart


~chorus:
I'm a war
Of head versus heart
I'm the hero for the lost cause
I'm the queen of "I know what you are"...

I like my private things the same way I like my pizza
Locked somewhere only I can find
Not the kind of girl that says all the time "I love ya"
But when I do, it's for real and I swear it's right.

I try to find patterns where they don't exist
Adventure is dangerous,
But have you ever tried routine?
It's letal.

~chorus:
I'm a war
Of head versus heart
I'm the hero for the lost cause
I'm the queen of "I know what you are"
I scream in the silence
Don't have that much of patience
Oh, I'm a damn war
Of head versus heart.

"I still like the old time rock n roll
Today's music ain't got the same soul"
Bob Seger was right when he sang
Don't bring me techno, I can't stand that thing.

I'll either find a way or make one
Cause this is not the mountain I will die on
I'm a rebel, a leader, a warrior
Queen of disaster, head versus heart.

~chorus:
I'm a war
Of head versus heart
I'm the hero for the lost cause
I'm the queen of "I know what you are"
I scream in the silence
Don't have that much of patience
Oh, I'm a damn war
Of head versus heart.

~bridge:
I am reckless, I am vague
I talk to much, I don't know what to say
I fight for my rights, but I'm still called
A rebel without a cause
But I'm not a rebel, I'm revolutionary
I'll burn the world cause I always have
The last word, the last word
But inside of me there is a war
Of head versus heart...

~chorus:
I'm a war
Of head versus heart
I'm the hero for the lost cause
I'm the queen of "I know what you are"
I scream in the silence
Don't have that much of patience
Oh, I'm a damn war
Of head versus heart.

sábado, 10 de agosto de 2013

Famosos, Rebeldes e Viajantes


Às vezes chego a pensar
No quanto importa ser importante
Provavelmente demais
Cria famosos, rebeldes e viajantes.

Dizem que nada importa
Se você for diferente
Dizem que tudo vai ficar bem
Mas condenam os Divergentes.

Dizem que a beleza não importa
Mas te preparam para os Jogos
Em um salão de beleza
E na Capital te ensinam bons modos.

Dizem para dizer o que pensa
Que lidere, e não obedeça
Mas perseguem a America
Que se recusa a ser tão cética.

Mas não importa o quanto fique ruim
Tudo pode melhorar
Nunca estou segura de mim
Quando a próxima página decido virar.

Lá encontro um novo mundo
De magia e lagos profundos
Um lugar com um lindo luar
Onde lá desejaria morar...
O trem passa rapidamente
Sua vida muda, assim, de repente
Uma carta e nada é o mesmo
Torna-se o bem mais precioso que temos.

E se em vez de uma carta
Um meio bode viesse te buscar
Levar-te para o meio da mata
Em um acampamento onde você poderia morar.

Às vezes chego a pensar
No quanto importa ser importante
Provavelmente demais
Cria famosos, rebeldes e viajantes.

Com os Jogos fiquei famoso
E percebi que de nada adiantava
Então rebelei-me enquanto comia bolo
É assim que funciona na Audácia.

Mas viajei pelo mundo a fora
Estive em todo e em nenhum lugar
Entrei em um guarda-roupa
Lá em Nárnia decidiram me coroar.

E para isso nem saí de casa
Mas um mergulho foi preciso
Para dentro de um conjunto de páginas
Resultando em um livro bem lido
E histórias que ficam no coração
Nos dão vontade de escrever a canção
Sobre eles que mudaram nossas vidas
Sem nem saber...
Viajo enquanto durmo, sonhando à vontade
Mas quando estou me levantando
Acho que não gosto tanto da realidade
Então apenas continuo devaneando.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Under the Stars


I can see the kind of beauty
I've never seen before
Perfection that confuses me
Then leaves me wanting more.

Thank you for the week
But I must go now
Won't forget the memories
They are burning in my heart.

~pre-chorus:
But this is when it gets hard, isn't it?
It's when the feelings appear
We start the imaginary hugs
But that's never enough...

~chorus:
I just need you to become
A light in the dark
The right path when two roads diverge
"A true heart, now a follower"
Just be my headlight
Under the stars

Be my crying shoulder when I'm wrong
Cause I'm wrong all the time
Don't let the feelings get gone
You make me feel right.

But don't lose this way that I love
The details I've fallen for
I'm thinking about all those stories
And I'm not done yet.

~pre-chorus:
But this is when it gets hard, isn't it?
It's when the feelings appear
We start the imaginary hugs
But that's never enough...

~chorus:
I just need you to become
A light in the dark
The right path when two roads diverge
"A true heart, now a follower"
Just be my headlight
Under the stars

~bridge:
So now things must go back to normal
But normal is boring if it don't have you
It doesn't satisfy the soul
The deep wishes I need to full
My heart, my mind and everything I do
So please hug me one more time
I don't think we've ever said goodbye
Cause we're still hoping for one more shot
Of that perfect place that leave us wanting more

~chorus:
But I know you'll always be
The brightest light
If you're there, no road is wrong
"A true heart, not a follower"
I'll be your headlight
Under the stars
Because maybe then I wouldn't miss you all the time.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 38: Sam


Ouvir a voz da Lily foi o melhor presente que eu poderia ter ganhado. Cory me prometera que ninguém estava filmando aquela conversa e eu meio que acreditava nele.
— Isso está sendo televisionado? — perguntei à Lily de repente.
— Não — disse ela com sua vozinha fina. — Estão focando em alguma briga da Barbie com a Tiffany. Mamãe finalmente assinou o Pay Per View do programa, então agora posso assistir você o tempo inteiro! Sério, é muito divertido! Aí também está sendo divertido?
Sorri. Olhei para Josh de relance como se tivéssemos uma piada interna, mesmo que ele não fizesse ideia do que eu estava falando à minha irmã.
— Não está tão ruim quanto eu pensei.
— As pessoas são tão legais quanto parecem na TV? A Tiffany odeia mesmo você? Você fica com ciúmes da Tiffany igual a Tiffany fica com ciúmes de você por causa do Josh?
Tomei um minuto para respirar. Lily tinha a mania de fazer perguntas demais de uma vez.
— Algumas pessoas são suportáveis. Sim, a Tiffany me odeia. Não, eu não tenho ciúmes dela.
— Ahh... E você e o Josh são tipo BFFs agora?
— Não sei, pera aí, deixa eu perguntar... Ei, Joshua! — berrei. Ele se virou, surpreso. — A Lily está perguntando se somos BFFs.
— Nem pensar! Nós somos BFFEs! Best Friends Forever and Ever!
Sorri.
— Acabo de saber que somos BFFEs — falei para Lily.
— É, eu ouvi... Ele tá aí do seu lado?
— É, mas ele não consegue ouvir o que a gente fala.
— O idiota do Trevor está berrando aqui do meu lado quais são seus planos para hoje à noite e ele perguntou se você já "pegou aquele delinquente que também está no programa".
— Diz para o Trevor... Bom, primeiro fala para ele "VTNC".
— O que isso significa?
— "Vem tomar Nescau comigo" — menti. — Mas fala a sigla.
Josh riu.
— Ei! Pare de espiar a conversa dos outros, Evans! — censurei e ele se afastou mais. — Lily? Ah, e diz para ele que o Luke é um idiota e que eu prefiro morrer. E meus planos para hoje à noite... — encarei Josh e falei um pouco mais alto para que ele ouvisse. — Diz para o Trevor que meus planos para hoje à noite são pizza e filme com um atleta mauricinho da cidade grande com a ficha limpa.
— VOCÊ TEM UM ENCONTRO COM O JOSH?!
— Não... Não é um encontro. Nós ganhamos o jantar no desafio, Lil. E pizza e filme não é exatamente o programa mais romântico do universo.
— Eu acho muito fofo!
— Lily! Somos... amigos, acho. Ele é... menos idiota do que o resto das pessoas aqui — confessei. Uou. Eu realmente dissera aquilo? Não tinha como ser verdade. Josh era tudo o que eu odiava. Mauricinho, popular, atleta, surfista, tinha aquela pose idiota de galã...
Não tinha como ser verdade. Mas era.
— Eu não entendo. Você é bonita. Ele é bonito. E você faz ele sorrir. Você não vê o jeito que ele olha para você, mas eu vejo.
— Lil. A TV distorce as coisas.
— Eu sei. Bem... Vou deixar você voltar ao seu encontro. Depois me conta como foi.
— Não é um encontro, Lily! Droga, não repita isso por aí! Ligo de novo semana que vem.
— Ok... Ei, Sam.
— O quê?
— Eu amo você. Estou com saudade.
Engoli em seco. Sentia-me idiota por desmontar tão facilmente, ainda mais com Josh assistindo.
— Também amo você, Lil. Muito. Aguenta firme que daqui a algumas semanas eu estou em casa, ok?
— Ok. Olho no prêmio, hein?
Sorri.
— Pode deixar. Tchau, Lil. Até semana que vem.
E desliguei. Assim foi minha tão esperada conversa com a Lily. E valeu totalmente a pena. Caminhei até Josh que, sem fazer nenhuma pergunta ou comentar meu estado vulnerável, sorriu e disse:
— Está com fome?
— Estou. Mas estou suada também. Vou tomar um banho e te encontro na fogueira, ok?
A verdade é que eu só queria um tempo para me reconstruir depois da ligação. Lily era a única pessoa no universo que tinha o poder de derrubar todas as barreiras que eu construía ao redor de mim mesma, e eu demorava alguns minutos para reconstrui-las. Não que eu conseguisse fazê-lo de imediato. Era como se eu fosse um livro que só Lily pudesse abrir, mas que mesmo depois de fechado, ela ainda mantivesse um marcador de página dentro dele.
Eu percebera recentemente que Josh podia ler minhas expressões bem mais do que deixava transparecer, então ele sabia que aquela era uma desculpa idiota. Mas por algum motivo, ele não comentou nada. Assim como não comentou nada sobre minhas tergiversações o dia todo. Eu meio que me sentia grata por ele não exigir explicações.
— Claro. Vinte e cinco minutos?
— Ok — dei de ombros e ele hesitou um pouco antes de se dirigir à Cabana Leste.
Cheguei à cabana das meninas tentando não chamar atenção. Mas é claro que não deu certo.
— Olha quem chegou — Barbie sorriu. — A vencedora.
Claro que ainda havia um pouco de ressentimento em sua voz, mas fingi não perceber.
— Sou a primeira no banho — estipulei, sem pedir confirmação. — A pizza me espera.
— E o Josh também — comentou Maddie.
— É, bem... Nenhum prêmio é perfeito — dei de ombros. — Mas estou realmente a fim daquela pizza.
A resposta das meninas foi jogar vários travesseiros em mim. Ri um pouco.
— Pizza? Quem liga para a pizza? — Barbie sorriu para mim. — Quero um Josh à milanesa para mim, por favor.
Ri um pouco mais e fui para o banho. Depois simplesmente peguei uma roupa qualquer: uma camiseta vermelha, jeans e coturnos. Passei rímel e voilà.
 — Vai mesmo assim? — Barbie ergueu uma sobrancelha para mim, sentando em frente a mim na minha cama.
— É só uma pizza, poxa.
— E um filme — disse uma voz na janela. Josh, tampando os olhos com uma das mãos. — Olá, meninas. Estão todas vestidas?
— Sim. Sabe, essa seria uma atitude realmente admirável, se você não estivesse espiando entre os dedos.
Josh sorriu e abriu o pequeno vidro da janela.
— Então — ele me fitou. — Nós temos... Duro de Matar 4.0...
— Não.
— Os Mercenários...
— Não.
— Duro de Matar: Um Dia B...
— Joshua, eu não vou assistir um desses filmes broxantes de ação, desista.
Ele riu um pouco e deu de ombros como se já esperasse por isso.
— Temos... Cisne Negro.
— Gay demais.
— As Vantagens de Ser Invisível...
— EU AMO ESSE FILME!
Josh me encarou, surpreso.
— Sério? Eu nunca assisti. Mas aqui está classificado como "drama"...
— Não é drama! É muito mais do que isso, em tantas formas diferentes, e...
— Acho que escolhemos o filme, então?
Assenti.
— Ok. Vejo você em cinco minutos. Ah, e você acha que eu deveria providenciar dois cobertores ou apenas um já bast...
Encarei-o e fechei a janela na cara dele.
— Tchauzinho, Joshua — acenei e ele ergueu uma sobrancelha antes de desaparecer. Fitei Barbie. — Onde estávamos?
Foi quando percebi que o chalé todo me fitava como se tivesse visto um fantasma.
— O que foi? — franzi o cenho.
— Estão surpresas com o jeito como conversou com ele — Brianna esclareceu, levantando os olhos de seu livro.
— Eu trato Joshua como trato todo mundo, ué — dei de ombros. — Acharam o que, que era tudo "Awn, olá Joshua", "Awn, obrigadinha Joshua, você é tãão forte!"? Nah.
— Viu como ele ficou surpreso? — Barbie fitou Brianna. — Ela provavelmente foi a primeira garota no universo a fechar uma janela na cara dele.
— Ele faz de propósito — defendi. — Bem, se me dão licença, eu vou indo.
— Mas é sério que você vai com essa roupa?
— O que tem de errado com a minha roupa? — suspirei. — Esperava o quê? Um vestido de bolo, babyliss no cabelo e um bottom escrito "SRA. EVANS"? — ergui uma sobrancelha. Fora uma pergunta retórica, então apenas saí da cabana sem esperar resposta.
Encontrei Joshua sentado no chão, encostado num dos troncos cortados de árvore perto da fogueira apagada. Havia apenas a luz fraca de um poste e da lanterna que ele havia trazido, mas eu conseguia vê-lo. Vestia roupas normais — uma camisa branca, jeans, tênis e a jaqueta do time de lacrosse que eu havia dito que odiava. Eu duvidava que fosse coincidência. Seus olhos verdes chamavam mais atenção por causa da luz fraca, e não fizeram nenhum comentário sobre a minha roupa. Assim como eu não estava esperando um terno, ele não estava esperando nada diferente de jeans e coturnos.
Aproximei-me e me sentei ao seu lado. Josh pegou a caixa de pizza e a colocou entre nós dois. Ele já havia comido dois pedaços. Revirei os olhos.
Normalmente, ao ver um filme com alguém que eu mal conhecia, eu não sentaria no chão, não comeria pizza com as mãos e não ficaria dando pitacos nos filmes. Mas as coisas com Josh eram bem mais simples. Ele não dava a mínima para formalidades, e eu também não. Quando comentei isso com ele, ele sorriu e disse:
— O caso é que nós somos BFFEs, Samantha. Tudo é diferente quando se está com o seu BFFE.
Percebi que o lado direito de minha boca estava inclinado para cima.
— Põe logo essa droga de filme antes que você coma toda a pizza.
Cory havia nos arrumado um projetor, já que não tínhamos TV. Logo o filme estava começando.
Frequentemente eu sussurrava:
— Essa parte é muito boa.
— Você vem falando isso o filme todo — Josh me encarou.
— Eu disse que amo esse filme, poxa.
Quando fui pegar mais um pedaço de pizza, me dei conta de que havia acabado.
— Joshua! Você comeu cinco pedaços de pizza?! — semicerrei os olhos.
— Foi? — comentou ele, distraído.
— Meu Deus, como você não engorda? — perguntei ressentida.
— Bons genes — ele deu de ombros.
— Agora cale a boca que eu amo essa parte.
Era uma de minhas partes favoritas do filme, quando eles estavam jogando Verdade ou Desafio e o Patrick perguntava para o Charlie como estava o namoro.
— Está tão ruim que eu frequentemente fico imaginando um de nós dois morrendo de câncer para que eu não tenha que terminar com ela — disse Charlie no filme.
Soltei um riso baixo e Josh riu também. Ele tirou a caixa de pizza e a jogou longe — provavelmente em um desafio a Cory, o que provavelmente queria dizer que minha rebeldia era contagiosa. Depois se aproximou para me dar a torta de maçã.
Cara, estava muito boa. Ele não pediu um pedaço e eu não ofereci, provavelmente como vingança por ele ter comido a pizza toda.
Foi quando chegou NAQUELA parte. A parte onde Charlie começa a ter flashbacks de sua tia de novo e tenta matar a si mesmo.
Eu havia me esquecido do porquê de eu não assistir aquele filme com pessoas perto.
Idiota, sussurrei para mim mesma. Não chore. Não chore. Não aqui. Não agora. Vai ficar tudo bem. Reconstrua as barreiras. Droga, por que é tão difícil?
— Está com frio? — Josh me fitou por um momento.
Demorei um momento para voltar à realidade.
— Não — respondi, mas acho que minha expressão disse outra coisa.
— Eu trouxe cobertores e... Ah, maravilha — ele revirou os olhos ao perceber que os cobertores haviam caído do tronco de árvore e agora estavam numa poça d'água. — Faz o seguinte: pega o meu casaco.
— Joshua, sério...
— Estou falando sério... — disse ele, tirando o casaco. — Nós atletas somos submetidos a todo tipo de tortura. Não sentimos frio, não engordamos... Quase não somos humanos, sabe.
— Como zumbis?
— Não, eu sou muito mais bonito que um zumbi.
Revirei os olhos, sorrindo um pouco.
— Eu acho zumbis muito fodas. Eles são lerdos, burros e não tem nenhum poder legal, mas mesmo assim matam todo mundo.
— É um argumento válido — Josh reconheceu. — Aqui, toma — ele se sentou ao meu lado e colocou a jaqueta nas minhas costas.
— Obrigada — lembrei de dizer.
Por mais que eu ainda odiasse a jaqueta e tudo o que ela representava, não podia negar que era muito confortável. Fiquei imaginando se ele percebera que o filme estava me afetando, ou se só tinha um timing muito bom.
— Fica bem em você — ele sorriu. — O vermelho dá mais cor ao seu rosto.
Abri um leve sorriso, ainda abraçada na jaqueta. Tinha um cheiro que reconheci: amaciante, algo amadeirado e mais alguma coisa que não identifiquei. Tinha cheiro de Josh.

I Would Have You


Maybe if I weren't like this
Don't know how to say, but if
If I didn't laugh for nothing
If I didn't talk so much
Without saying anything at all.

Don't know how to explain, but if my heart didn't shut my head
If I didn't lie when I'm nervous, just to get away from you
When all I want is a hug, but I wouldn't ask for it.
Maybe then I would have you.

If I didn't write songs instead of telling you how I feel
If I didn't use sarcasm when things start to become real
If I weren't conductive to accidents
If I didn't talk like I were the president
If my heart didn't fight because of only one inhabitant
If I didn't break things when I should fix them.
Maybe then I would have you.

People say different is good
But is weird ok too?
If I say it's love, is it all forgiven
Even if the apple is already bitten?

If I take a breath and count to three
Then tell you everything
Will everything be ok
Or will I just have spoken too much again?
Maybe if I knew what to do
Maybe then I would have you.

But if I weren't as I am
Then I wouldn't know who I would be
I wouldn't know what to do
Being like this is all I know.

Maybe if I changed I would have you
We could walk together somewhere North
But if I had you I wouldn't have myself
And that's more then I can support.

sábado, 13 de julho de 2013

Old Little Box


I've opened my old little box today
I bet you I've never told you about it
A little box full of happiness and pain
Cause yes, that box is about ya.

I've opened my old little box this time
Not for crying, just recognizing
Old memories burning in my head
Since the day we first met.

~chorus:
Remember how we were kids and how much we've grown?
Oh, but we met 2 years ago...
Remember your high voice
Remember all the noise
You used to do because of werewolves?
We hunt them now, but I still see the little boy
You used to be, with your big big heart
Nothing has changed in the old little box.

I have the old little box on my hands
I hid the key in a safe place
No one ever found it.
The box's not very heavy
Not very pretty
But the real thing are the memories
And the feelings I know that are there.

~chorus:
Remember when we were at the mall and she was leaving?
In the middle of the lobby, we were screaming
Three or six, but you didn't get
So you just looked at me like "Are you mad?"
But I love that you don't understand what I say
But like me, anyway...
I felt it before and I feel it now
Nothing has changed in the old little box.

~bridge:
So maybe things are not the same
Maybe now they have changed
Maybe we're grown ups now
But I don't wanna quit being silly
I don't wanna quit being silly with you
Your big smile, your perfect timing
Your amazing draws, all the times I drowned
Myself thinking about you
Your little eyes, your big coat
I'm talking too much, it's never enough
Every little detail
Becoming a tale
To tell our kids someday...

~chorus:
Remember the time I wrote you this song?
How much it meant and how much it hurt?
Remember the blondies and parties and it all
And the fireworks and hunting and fanfics about
Fiction with a background
Of reality about... us?
I know what we see is not the same anymore
But it's still the same deep inside on my heart.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Hold On (Romeo and Juliet)


My head spins round and round
I can't remember everything about
The night we met
Was it rainy? Cause it was wet
Clear and lonely till you came in.

I do remember the moment you arrived
Confident with your glorious smile
I was told to stay away
By my own head, since that day

~pre-chorus:
I try, I try
It might end up on something
Right, right
So please hold on tight...

~chorus:
Cause I see it now, it's meant to be
We'll go through it all, baby, you and me
Someday our story will be known
As the greatest love story ever told
If you just hold on...

And everything will be alright
If you just get lost into my eyes
They'll all read our story one day
They'll all know our names and say
"God bless Romeo and Juliet".~

I know now things are hard
But it'll be worth it
You know it
Don't you, darling?

I see it now
Nothing can stop us, not even the crown
Can you see it now?
Our love is too strong, they won't bring us down.

~pre-chorus:
I try, I try
It might end up on something
Right, right
So please hold on tight...

~chorus:
Cause I see it now, it's meant to be
We'll go through it all, baby, you and me
Someday our story will be known
As the greatest love story ever told
If you just hold on...

And everything will be alright
If you just get lost into my eyes
They'll all read our story one day
They'll all know our names and say
"God bless Romeo and Juliet".~

And now they're after our heads
Life if love was a sin
Remember the things that we said
Now I know what you mean

Together we were, and now together we'll stay
Death is just another adventure when you whisper my name
They're after us, I look inside your eyes
Silently whispering "goodbye".

domingo, 7 de julho de 2013

Adolescentes Selvagens; Capítulo 37: Josh


Então... Eu estava desesperado, mas tentei banir a palidez de minha cara. Acho que não fiz um bom trabalho, porque quando Cory terminou de explicar as regras, Sam ergueu uma sobrancelha e disse:
— Tudo bem aí? Você não vai desmaiar nem nada... Né? Porque, sério, eu não vou te arrastar até a enfermaria.
Sam apenas sendo Sam. Abri um leve sorriso.
— Não, mas... Eu sou terrível em xadrez.
— Então ainda bem que isto não é xadrez.
— Certo, mas é parecido, e...
— Vai ficar tudo bem, Joshua.
— Como tem certeza?
— Você prometeu — ela me fitou com aqueles grandes olhos cinzentos. — E você leva suas promessas muito a sério.
Eu odiava o fato de que todas as minhas falas heroicas pareciam idiotas quando ela as repetia. Percebi que ela continuava com os olhos focados nos meus, como se decidisse alguma coisa mentalmente. Por fim, se aproximou de mim e, com uma expressão desajeitada no rosto, me abraçou.
Um abraço de Sam Price era tudo o que eu tinha certeza de que não ia ganhar na vida. Ela não era muito da vibe de "abraços grátis".
Porém, ali estava ela, com a cabeça em meu peito. Coloquei os braços em volta dela, ainda um pouco atônito. Sam tinha cheiro de baunilha, contestei muito surpreso.
Quando nos separamos, ela olhou para o chão e disse:
— Isso foi esquisito.
Sorri.
— Esquisito de um jeito bom? Tipo... "Ei, vamos fazer isso de novo qualquer hora!"?
Ela me encarou por alguns segundos.
— Cale a boca e me ajude a colocar a venda.
Ainda sorrindo — o que a irritou —, fiz o que ela pediu. Logo ela estava na primeira casa do tabuleiro, esperando ordens.
— Sam — disse eu. — Um passo à frente.
Ela o fez. Olhando assim, nem parecia tão difícil. Um dos estagiários se moveu logo depois — três casas para frente.
— Um passo à frente — disse eu novamente.
O segundo estagiário andou uma casa na diagonal.
— Um passo à direita.
O primeiro estagiário andou mais uma casa à frente.
— Um passo à frente.
Foi quando o primeiro estagiário andou três passos à direita e tocou na Sam. Soltei um palavrão.
— Qual esporte Josh pratica no colégio? — disse o estagiário.
— Lacrosse — disse ela baixinho. — Você estava usando uma jaqueta de lacrosse no primeiro dia. Eu lembro de odiar aquela jaqueta.
Sorri quando o estagiário assentiu e voltou para o lugar onde estava.
— Um passo à frente — continuei.
O terceiro estagiário andou uma casa à frente.
— Um passo à frente.
O quinto estagiário andou um passo à frente e dois à esquerda e tocou nela.
— Josh! — ela gritou comigo, irritada.
— Desculpe, desculpe, eu...
— Qual o nome do irmão mais novo de Josh? — disse o estagiário.
— Eu... Hum... — ela abriu um sorriso fraco. — Algo com D... Da...niel?
— Dylan — corrigi.
Ela xingou novamente e recuou um passo.
— Um passo à direita.
— Josh, como eles estão se movendo?
— Eu não sei... O primeiro se moveu três pra frente, depois uma à frente e depois três para a direita. O segundo se moveu uma casa na diagonal. O quinto andou um à frente e dois à esquerda.
— Talvez o primeiro só ande nessa coisa de um-três-um-três...
Como que para provar que estávamos errados, o primeiro estagiário andou duas casas à direita. Relatei isso à Sam.
— E se... Xadrez! — meus olhos se acenderam.
— Josh, isso aqui não é xadrez...
— Certo, mas os movimentos são! A torre só anda em linha reta, não é? Quantas casas quiser?
—... Sim.
— O bispo anda em diagonal.
— E o cavalo anda em L.
— É isso! O primeiro é a torre, o segundo é o bispo e o quinto é o cavalo. Bem... Sendo assim, você está na mira do cavalo, ande um para a direita.
O cavalo se movimentou logo depois. Dois para a esquerda e um para frente.
— Um para a esquerda.
O quarto estagiário andou uma casa na diagonal.
— Um para frente.
O sexto estagiário andou uma casa à frente. Se Sam andasse um passo à frente, o estagiário tocaria nela. Se ela acertasse a pergunta, ganharíamos.
— Sam — chamei, tentando parecer calmo. — Você confia em mim?
— O quê?!
— Estou perguntando se confia em mim.
— Por quê?!
— Apenas responda. A próxima jogada não é segura, mas pode dar certo. Você confia em mim?
Ela resmungou algo baixinho.
— Certo, não precisa responder. Se confia em mim, ande um passo à frente.
Por um minuto realmente achei que ela não fosse andar. Mas por fim ela olhou para trás, mesmo que não pudesse me ver, e deu um passo à frente. O estagiário tocou nela.
— Por que a mãe de Josh o mandou para um psicólogo quando ele tinha onze anos?
Sam bufou, irritada.
— Sam — chamei, calmo. — Pense.
Ela massageou as têmporas, provavelmente se lembrando de tudo o que eu havia dito a ela. Ela provavelmente não prestara atenção em pelo menos metade, o que facilitava a pesquisa.
— Porque ele tinha fobia de altura — disse ela, finalmente.
Realmente quis que ela visse o sorriso estampado em meu rosto.
— Sam — disse eu. — Um passo à frente.
Ela o fez. E quando o fez, o estagiário número 6 se jogou no chão. Concluí que ele era o rei.
Sam ainda estava com a venda. Fui até ela e a desamarrei com cuidado. Quando ela abriu os olhos, encontrou os meus, brilhando.
— Samantha — sorri. — Ganhamos.
— Eu sei, idiota — disse ela, mas sorria também. — Vou poder falar com a Lily.
Ela estava falando mais consigo mesma do que comigo, mas respondi mesmo assim:
— Sim.
Em um momento súbito, ela me abraçou novamente.
— Obrigada — sussurrou no meu ouvido.
— Quero dizer, vai ser legal falar com o Roger. Ele que me enfiou nessa coisa aqui, mesmo — dei de ombros, tentando parecer indiferente.
Pude ver que ela não acreditava em mim, mas não disse nada.
— Vocês ainda têm que cruzar a linha de chegada, idiotas — Cory revirou os olhos.
Nos entreolhamos por um momento e corremos. Sam não gostava nada de correr, então me deixou correndo como um louco enquanto ela me acompanhava caminhando. Éramos uma dupla, tanto fazia quem ia cruzar primeiro.
Bem, era o que eu achava.
— Parabéns! Vocês dois ganharam um jantar com o prato que preferirem e Josh, como foi o primeiro, ganhou um telefonema por semana. — Cory sorriu.
— Ei! — Sam protestou.
— Eu disse "o primeiro que cruzasse", e não "a dupla que cruzasse primeiro".
Seria mentira se eu dissesse que não queria ligar para casa, mas...
— A Sam chegou primeiro — disse eu. — Um dos meus pés ainda está em cima da linha, ainda não a cruzei.
Sam me encarou com aquela cara de "Você não precisa fazer isso". Luke estava se aproximando, então eu apenas empurrei ela para o outro lado da linha e fui atrás. Depois sorri para Cory, que parecia estar se divertindo muito.
— Muito bem, então. Declaro Sam e Josh os vencedores!
O sol já estava se pondo. Sam fitou Cory e falou baixinho:
— Posso fazer o telefonema agora? Ela dorme cedo.
Cory assentiu.
— Vou mandar prepararem o jantar de vocês. O que vocês querem?
Sam me fitou, claramente dizendo "Pode escolher". Dei de ombros.
— Pizza e filme? — ela sugeriu, sorrindo um pouco. — E torta de maçã de sobremesa.
— Pizza com torta? — ergui uma sobrancelha.
— Eu amo torta de maçã!
— Ok, ok... Então... Calabresa? — sugeri. Ela me encarou como se eu fosse idiota. Ah, é. Ela não comia carne. — Metade calabresa e metade...
— Dois queijos.
— Perfeito. — e encarei Cory para ter certeza de que ele tinha anotado os detalhes.
— Vou mandar cancelarem a lagosta... — ele bufou, se afastando.
Sorri. Provavelmente esperavam que pedíssemos um jantar caro com garçons, mas... Pizza e filme era muito mais a minha cara. E a de Sam também. Um jantar chique seria esquisito.
— Vou ligar para a Lily — Sam disse para mim. Assenti. Ela demorou alguns segundos para sair, talvez imaginando se deveria pedir que eu fosse junto. Eu fui.
Sam pareceu um pouco surpresa, mas não contestou.
Ela foi até o telefone ao lado do refeitório e começou a discar um número. Fiquei a uma distância considerável dela, respeitando sua privacidade, então não conseguia ouvir o que ela estava dizendo.
Mas podia ver. Quando Lily atendeu, aquela foi a primeira vez em que vi Sam sorrir de verdade. Não seu sorriso sarcástico de sempre, ou o sorriso constrangido que me lançava quando não sabia o que dizer, mas um sorriso feliz. Seu rosto se acendeu por inteiro, especialmente seus olhos. Vê-la tão feliz e imaginar que eu tinha um pouquinho a ver com isso me deixou feliz também. O sorriso dela era muito contagiante.